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Review de Big Brother Brasil para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Não poderia dar outra. O reality show de maior sucesso da TV brasileira licenciou sua poderosa marca para um jogo de computador. Produzido pela paranaense Continuum, que nos trouxe o ótimo Outlive, Big Brother Brasil chega com a missão de dar um fôlego extra na incipiente indústria de desenvolvimento de jogos nacional.

Cadê a licença?
?? imperativo notar o que o marketing pode fazer na hora de se lançar um jogo. Este poderia ter sido um título qualquer e passar desapercebido, mas por que utiliza a licença do Big Brother Brasil, já ganhou, de cara, destaque em toda a imprensa nacional.

O problema é que a licença se resume ao logotipo e o nome Big Brother Brasil, e mais nada. Não temos aqui o chato do Pedro Bial, a música da vinheta do BBB, os participantes da primeira ou segunda edição e nem mesmo um vídeo sequer do programa. Isto é lamentável, pois certamente é uma maneira de iludir os fãs do reality show da Globo, ávido por reviver as experiências da telinha no PC. O Show do Milhão, por exemplo, tem pelo menos vídeos do programa, o clima de suspense e a gargalhada.wav do senhor Silvio Santos, o que é o suficiente para alegrar toda a família.

Além do uso limitado da licença, BBB vem sem manual impresso (ele está em um arquivo HTML) , o que pode irritar os leigos.

Entre e jogue a vontade...
O começo de Big Brother Brasil é até legalzinho. Você escolhe com qual personagem quer jogar, e pode escolher até 12 deles. Cada um, claro, tem suas próprias características. A modelo e o jogador de futebol, por exemplo, têm a libido alta. Guga, nosso estudante de jornalismo, tem caráter inquestionável. Sheila, dançarina, não é muito higiênica e seu carisma não é lá essas coisas.

Escolhida a figura que mais lhe agrada (é claro que o meu predileto é o jogador de futebol) é hora de entrar na mansão. Lá, outras 5 características (motivação, aceitação, higiene, alimentação e energia) determinarão o status do seu personagem. Aumentar o fator higiene é fácil, é só tomar uma ducha ou ir no banheiro; quando a fome aperta, faça uma comida ou devore os pratos que estão na mesa. Recupere a energia sentando no sofá ou dormindo.

Já o nível de relacionamento com alguém na casa é determinado pela sua aceitação pelos participantes. Por exemplo, se ele for maior do que 800, significa que você está apaixonado pela pessoa, se for abaixo de 200, vocês estão brigados. Para aumentar ou diminuir estes níveis de relacionamento, você tem várias opções: contar uma piada te torna mais simpático para os outros participantes, se resolver xingá-los, você perde pontos de relacionamento. Há até a possibilidade de dar beijos e fazer complôs, mas não vá esperando uma simulação do que acontece debaixo do edredom.

A sua aceitação pelo público é outra característica interessante. ?? bom tomar cuidado, pois o seu medidor de popularidade mudará de acordo com as ações que tomar. Segundo o manual do jogo, o público não gosta de participantes mau caráter...

Um The Sims bem piorado
Ao contrário de Outlive, inspirado claramente em Starcraft, a Continuum agora resolveu entrar mais para a linha do simulador de pessoas, que certamente, é o que este Big Brother Brasil deveria ter sido mesmo.

Portanto, este lançamento nacional é uma espécie de clone tupiniquim do popular The Sims, do genial Will Right, que praticamente lançou um novo gênero de jogos em 2000. ?? portanto, no mínimo, ambiciosa, a proposta do BBB nacional. O resultado desta ambição, aliada à falta de estrutura das produtoras nacionais e do pouco tempo para lançar o jogo fez com que o clone brasileiro saísse com sérios defeitos genéticos.

O primeiro deles e mais aparente são os próprios gráficos. O jogo parece uma maquete virtual feita no 3D Studio, destas que vemos em anúncios de apartamentos em jornais ou na TV. A diferença, claro, é que pode-se andar pelo cenário e controlar os bonecos, que são sprites 2D animados. BBB, neste quesito, está bem longe até mesmo da simplicidade gráfica e artística de The Sims. O som não compromete, mas também não ajuda. Existe uma musiquinha MIDI de fundo, constante, e os personagens fazem alguns grunhidos durante a jogatina, na hora de falar, contar piada ou xingar alguém.

Entretanto, o ponto que mais chama a atenção é a jogabilidade, que praticamente inexiste. Big Brother Brasil poderia ter sido marketeado como um CD ROM interativo, e não um jogo. Mesmo assim ele deixaria a desejar. ?? tudo muito simples, basta clicar em cima do personagem ou objeto que você quer e escolher a ação, e pronto, a jogabilidade se resume a isso.

Aí um algoritmo preparado pelos programadores cuidará de balancear os quesitos entre os participantes e do seu próprio personagem. Não há estratégia, variedade de ações, atenção aos detalhes e acontecimentos inesperados. Basta você ficar atento às barrinhas de "energia", que ficam enchendo ou esvaziando conforme você faz isso ou assado. Até mesmo os paredões, as provas e a escolha do líder são feitos de forma matemática, por um sorteio bem chocho do tipo "escolha uma bolinha, por exemplo, X; e o líder é o que tem a bolinha Y".

Resumindo, o jogo é extremamente repetitivo, limitado, preguiçoso e sem graça. Para completar, não há possibilidade de comprar móveis, decorar a casa (como em The Sims) ou mesmo participar das provas do programa de TV, que poderiam ser simples, mas que foram deixadas a cargo da inteligência artificial do computador.

A culpa deste fiasco é de quem?
Seria injusto culpar a Continuum por este fiasco que é Big Brother Brasil. Os programadores e designers da empresa têm talento, e estão acima da média nacional na arte de produzir jogos.

O problema aqui parece ser a voracidade comercial de se lucrar a qualquer custo explorando uma licença poderosa. BBB parece ter sido produzido em uns 3 meses, o que é insuficiente para que se possa fazer algo no mínimo razoável, ainda mais para os brasileiros tão carentes de recursos no desenvolvimento de jogos.

Este tipo de atitude, além de lamentável, contribui para destruir a percepção do consumidor brasileiro sobre o que o mercado de jogos pode oferecer. Quanto mais jogos ruins temos, menor será o interesse do público pelo setor e, conseqüentemente, mais estagnado ficará o mercado. O leigo não sabe diferenciar isto, ainda mais quando jogos como BBB dividem espaço nas prateleiras com pérolas como Medal of Honor e Warcraft 3, que custam quatro ou cinco vezes mais.

Foi exatamente este problema que levou o mercado americano ao grande crash dos videogames de 1984, quando jogos de péssima qualidade do Atari pululavam nas prateleiras. Jogos como esse são uma bomba armada para implodir os restos do mercado de games para PCs nacional, já tão afetado pela pirataria e orçamentos limitados das distribuidoras nacionais.

O Veredicto:
Big Brother Brasil é um jogo feito às pressas, de baixíssima qualidade e que poderia passar desapercebido não fosse sua poderosa licença. Assim como o reality show, ele não acrescenta nada a sua vida e deve ser evitado a qualquer custo.

Prós:
  1. ?? um jogo feito no Brasil;
  2. Roda em um Pentium de 166 Mhz com 32 MB;
  3. Custa R$ 20.


Contras:
  1. Todo o resto;
  2. Descompromisso e falta de respeito com o mercado de jogos brasileiro e seus consumidores.



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