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Review de Enter the Matrix para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Como não podia deixar de ser, o fenômeno do cinema lançado em 1999 pelos até então desconhecidos Andy e Larry Wachowski tinha que encontrar o seu caminho no mundo dos jogos.

Parece um sonho se tornando realidade para os amantes da série Matrix, a possibilidade de interagir com os personagens da saga e de entrar em um mundo digital como heróis cibernéticos cheios de poderes e habilidades.

Com a presença de alguns dos atores reais do filme, a direção dos próprios Wachowski (que inclusive, escreveram sua história), coreografias de lutas feitas pelo mestre Yuen Wo Ping (o mesmo dos filmes), um investimento de alguns milhões de dólares e a força da licença, parecia impossível que Enter the Matrix não fosse um sucesso absoluto, que encantaria os fãs e gamers em todo o mundo. Parecia...

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A instalação de Enter the Matrix é feita a partir de nada menos que 4 CDs, o que leva um tempo considerável e consome alguns bons Gigabytes do seu disco rígido - algo em torno de 3.

A inicialização, com músicas e efeitos já conhecidos por todos que viram os filmes, nos traz uma sensação de que tudo está indo muito bem, até que o menu é carregado. ???Sem navegação por mouse????. Tudo bem que ninguém usa mouse nos filmes, mas a interface só com o teclado para um jogo não é a mais agradável. Talvez seja a herança dos consoles, mas o fato é que este pequeno detalhe é o resultado de uma adaptação preguiçosa, que foi lançada às pressas para coincidir com o filme.

Iniciando, somos prestigiados com o primeiro dos vários interlúdios cinematográficos que, como já dissemos, conta com a presença de alguns dos atores de Matrix Reloaded. Explanada a história, recebemos a nossa primeira missão e a partir daí devemos escolher com qual dos dois personagens jogaremos: A capitã Niobe ou Ghost, protagonizadas por Jada Pinkett Smith e o canastrão Anthony Wong, respectivamente.

A escolha é quase que meramente estética, uma vez que poucas são as diferenças entre os dois durante o jogo. Em alguns momentos um pega um caminho diferente ou, quando os dois estão juntos, os acontecimentos aparecem na perspectiva de cada um. Por exemplo, jogando com Niobe na segunda missão, na qual temos que pilotar um veículo pelas ruas procurando um telefone e fugindo da polícia, nós dirigimos o carro, enquanto Ghost atira pela janela sozinho. Já jogando com Ghost, o carro é dirigido sozinho (pela Niobe) e só controlamos a mira, em uma perspectiva de primeira pessoa.

Dê preferência à pílula azul


Começando a jogatina propriamente dita, começamos a ver os problemas mais relevantes de Enter the Matrix. O primeiro defeito, que é o mais grave de todos, já pode ser percebido nos instantes iniciais: O sistema gráfico é do século passado.

?? como uma facada no peito dos fãs de uma série que parece ser sinônimo de tecnologia de ponta, ver um jogo rodando em um engine sem recursos, animações e efeitos especiais de qualidade. Uma lástima.

Os gráficos são até interessantes, com uma boa fotografia, e as texturas variam de boas a ruins, dependendo da fase. Os personagens são bem feitos, os ambientes têm um nível decente de detalhes e o clima, bem parecido com dos filmes, tenta bravamente sustentar uma boa impressão.

Mas a física sem impacto, a inteligência artificial instável e a animação robotizada pecam bastante e não deixam o clima nos envolver. Imagine-se conduzindo um personagem como se fosse um veículo em um jogo de corrida de alguns bons anos atrás? Essa é a sensação ao se jogar Enter the Matrix. O personagem tem movimentos desajeitados e rápidos demais, parece que falta quadros de animação na transição deles. Na hora das lutas esse problema pode ser notado em detalhes e acaba que, o que deveria ser um atrativo, vira um desajeitado espetáculo de chutes e pontapés com movimentos grosseiros e descontinuados.

Algumas destas grosserias chegaram a causar risos, como por exemplo, quando chutamos uma das portas de um armário no banheiro e várias delas caem de uma vez no chão, como se fossem de papelão. Ou mesmo na movimentação do personagem subindo escadas e a animação de um agente desviando de balas. ?? tosco.

Na pele de Niobe e Ghost


Apesar de desengonçada, a jogabilidade de Enter the Matrix é bem simples e intuitiva. Basicamente, temos os direcionais e mais os botões para disparar, pular, abrir portas, mudar de armas e ativar o foco (que descreveremos mais abaixo). Estes controles são bons, mas percebe-se que se adaptam melhor em um joystick do que no teclado e mouse.

O modo foco é o detalhe mais interessante, que funciona como o bullet time que já conhecemos em Max Payne. Assim que o acionamos, a ação acontece em câmera lenta e diversas habilidades especiais dos nossos personagens são ativadas: A mira melhora, corremos mais rápido, podemos desviar com maior facilidade de alguns tiros, executamos saltos majestosos, os golpes são mais bem aplicados, podemos andar pelas paredes e fazer acrobacias circenses nos combates. ?? divertido entrar em tiroteios com os inimigos com este modo ativado, principalmente pelos efeitos sonoros, que ficam também lentos e mais altos. Porém, a utilização do foco é limitada por uma barra que vai diminuindo com o tempo e só é recuperada quando permanecemos por um tempo no modo normal. Como dito, exatamente como em Max Payne.

Nos combates próximos, corpo-a-corpo, Enter the Matrix não consegue manter o brilho por muito tempo e acaba se tornando enjoativo, principalmente pela perspectiva da câmera, que muda bruscamente e faz o jogador perder a noção de distância e espaço. Ela funciona assim: Estamos andando normalmente pelo cenário, utilizando os direcionais para andar e o mouse para ???rodar??? o ambiente. Assim que chegamos perto de um inimigo, a câmera trava nele em uma posição (que geralmente é de lado para o personagem) e o mouse perde sua movimentação, ficando ativos somente os botões. Dá-se início a pancadaria com sua ???mira??? travada em um inimigo, que só se solta quando a luta acaba ou nos distanciamos do adversário.

Apesar de arcaico, este sistema funciona direitinho quando enfrentamos um só inimigo. Mas quando vários deles se acumulam, se torna um problema.

A licença é o que salva


Apesar de tudo, Enter the Matrix recria bem o mundo de Matrix, fazendo uma utilização maciça da licença. O clima é bem parecido com o dos filmes, a história é bastante interessante, as seqüências de vídeo são muito boas (considerando que isso é um jogo) e a sonoplastia é bastante fiel à do filme.

Algumas fases fazem lembrar muitos acontecimentos dos filmes, como aquele tiroteio com policiais no hall de entrada de um prédio cheio de policiais e a seqüência que Trinity foge de um agente em busca de um telefone nos telhados de alguns prédios, ambos do primeiro Matrix.

A proposta da Atari parece mais sensata se pensamos em um filme interativo para completar a experiência de Matrix, e não em um jogo estimulante baseado no tema. A Shiny "roubou" bem o material do filme, mas a parte jogável é, infelizmente, mal executada e desinteressante.

O Veredicto:
Enter the Matrix tinha tudo para ser uma maravilha, mas sua má execução nos obriga a classificá-lo como mais uma licença de filme que rendeu um jogo medíocre. Se você é fã incondicional da trilogia Matrix, vale a pena conhecê-lo pelo ótimo uso da licença. Caso contrário, passe longe deste.

Prós:
+ Boa utilização do material da licença;
+ Sons ensurdecedores, bem como os dos filmes;
+ Muitos vídeos interessantes e presença de alguns atores reais;

Contras:
- Sistema gráfico ruim resulta em animações, física e efeitos especiais de baixa qualidade;
- Perspectiva de câmera nos combates mano-a-mano atrapalha a ação;
- A jogabilidade é simples, mas bem desengonçada.


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