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Review de Max Payne 2: The Fall of Max Payne para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois da surpresa e originalidade de Max Payne, o segundo
melhor jogo para PC de 2001 na opinião de Outer Space, estava claro que um novo episódio da série estaria por vir. Desenvolvido sem muito alarde pela finlandesa Remedy, com uma mãozinha da Rockstar, Max Payne 2 chegou em boa hora para os fãs de um joguinho de ação básico no PC.

Revivendo o pesadelo


Max Payne, no primeiro jogo, teve a família assassinada, foi traído e vítima de uma armadilha, sendo acusado por crimes que não cometeu. A justificativa da história era que a matança proporcionada por ele era fruto de um homem desesperado, que não tinha nada a perder. Até o slogan do jogo era esse: "Nothing to Lose".

Agora, depois do inferno astral que viveu, o nosso herói enfrenta algo que parece ser o seu carma aqui na Terra, ser vítima de conspirações. Depois de voltar a trabalhar para o departamento de polícia de Nova Iorque, Max vai investigar um tiroteio em um antigo armazém abandonado. E claro, nada é o que parece.

Max vai descobrir agora uma imensa teia de crimes, traições, corrupção e intrigas que vai novamente deixá-lo onde sempre esteve, na merda. O tira durão ainda vai ter que enfrentar desta vez uma história de amor com a "femme fatale" Mona Sax, que levou um balaço na cabeça no primeiro jogo mas volta neste episódio intacta, fria, inteligente e sexy, muito sexy. Ironicamente, um de seus maiores inimigos no primeiro jogo vira agora a & 39;única coisa com que Max se importa durante sua incursão pelo mundo do crime.

Se você sempre teve vontade de jogar um jogo para adultos de verdade, este é um dos poucos lançamentos do mercado que dão direito a suspense, uma história bacana, erotismo e até cenas indiretas de sexo e gemidos de transas.

A ajuda da Rockstar neste episódio parece ter sido decisiva para fazer de Max Payne 2 um jogo mais indicado para pessoas acima de 25 anos, que curtem um tema mais adulto mas sem as bobagens dos jogos "wannabe".

"Film Noir"
Na selva de mediocridades dos jogos de ação atuais, Max Payne 2 consegue se distinguir não somente por seus excelentes gráficos e jogabilidade, mas principalmente por seu estilo. O jogo é uma homenagem aos filmes "noir" dos anos 50 e 60, com um enfoque no tom pessimista e melancólico da trama policial, visuais escuros e uma narrativa que mistura drama, filosofia e paixão, contada sempre em "off" por Max Payne durante o jogo e nos intervalos das missões com os já famosos quadrinhos que, desta vez, estão muito mais expressivos e bem desenhados que na primeira versão.

E por falar nos quadrinhos, alguns podem chamar sua inclusão em um jogo deste calibre como preguiça, falta de talento ou de grana dos programadores da Remedy para fazer filminhos contando a história. Mas eu tenho certeza que esta foi uma opção de estilo que funciona muito bem, pois eles te deixam tenso, te emocionam e são mais interessantes que 99% da computação gráfica ou animações em tempo real vistos nos jogos de ação, que geralmente possuem canastrões com pele de cerâmica e cara de borracha, movimentos robóticos, piadas sem graça e roteiros de filme B. Max Payne 2 é contra a maioria dos clichês utilizados nos jogos em CD e DVD, e possui charme, conteúdo e alma.

Graphics Powerhouse
Em Max Payne 2 temos gráficos muito melhores do que os vistos em 2001, claro. Os personagens ganharam milhares de polígonos e detalhes a mais, e o resultado do modelamento 3D chega a ser impressionante. Max agora tem cara de galã misturado com policial durão da cidade de Nova York, e não aquela expressão de vontade de ir ao banheiro do primeiro jogo. Os inimigos também têm rostos distintos, muito bem modelados. O destaque vai para Mona Sax, uma vilã com rosto lindo e exótico, e corpo escultural (há até um truque para vê-la pelada). Todos os personagens agora possuem movimentos mais suaves, fruto do uso da técnica "motion-capture".

Os cenários estão maiores, mais detalhados e muito mais interativos, graças ao uso do "Havoc Physics Engine 2.0", uma ferramenta que está ficando comum nos próximos jogos 3D e que dá ao cenário e aos objetos todas as propriedades físicas do mundo real. Por exemplo, se você atira em uma lata, ela cai para trás dependendo da arma utilizada e da posição do tiro. Até mesmo uma vassoura encostada na parede pode ser quebrada com um disparo de pistola. Max Payne 2 é um dos primeiros jogos de ação a sair no mercado com uma utilização realista e automatizada da física em todas as fases, embora muitos detalhes ainda tenham que ser acrescentados e melhorados. O bacana de isso tudo é que a física não pesa o jogo, e ele roda suavemente em equipamentos medianos, equipados, é claro, com placa 3D moderna e memória suficiente. Efeitos de fogo e fumaça muito bem feitos completam o pacote. A visão continua em terceira pessoa.

Em suma, o sistema gráfico é muito bom, leve e poderoso.

Mais mudanças


Outra atração que volta melhorada é o "Bullet Time", o velho truque de colocar o tempo em câmera lenta para se desviar das balas e ter mais agilidade para matar os inimigos. Com o "Bullet Time 2.0", Max pode recarregar suas armas em tempo real e possui mais mobilidade para se desviar de disparos em média distância. O efeito agora funciona com um toque artístico, utilizando um filtro sépia e os sons da batida de coração e das armas misturados ao fundo. Apesar de ter sido claramente inspirado nos efeitos de Matrix, a execução do Bullet Time neste novo Max Payne é excelente. Até os sons distorcidos das armas quando atiram em câmera lenta estão aqui.

E por falar em armas, elas estão melhores do que nunca. Embora não haja um lançador de foguetes (este é um jogo realista pessoal!), existe equipamento aqui para fazer inveja a qualquer traficante carioca. As armas variam desde pistolas 9mm e Desert Eagle, até granadas, coquetéis Molotov, metralhadoras Ingram, escopetas, fuzil AK-47, submetralhadora MP5 e rifles de precisão.

Outra mudança sutil na série foi a inteligência artificial melhorada dos inimigos. Agora eles te acertam para valer, mesmo de longe, embora ainda sejam meio patetas para pensar e perseguir o nosso herói.

E finalmente, mais um ponto que vale a pena ser destacado é o som. A começar pela música tema, que é belíssima, e passando pelos sons das armas, explosões, chuva e toda sorte de efeitos ambientais. As dublagens são de altíssimo nível, acima da média, e o vocabulário utilizado por Payne (para quem entende bom inglês) é de uma riqueza gramatical e filosófica impressionante para um jogo de ação.

Ação, muita ação


Apesar do invólucro sentimental e artístico, Max Payne 2 continua sendo, na sua alma, um jogo puro de ação. E por sinal, muito parecido com o primeiro da série. O sistema de jogo é o mesmo, com o mouse você muda a direção do olhar de Max, atira e ativa/desativa o Bullet Time, com as setas movimenta o personagem.

Para quem curte uma ação básica, sem ter muito o que pensar, este é o jogo. Sua jogabilidade é simples, prazerosa e desafiadora. 90% dela consiste em atirar no que vê pela frente, e em algumas partes você tem que fugir dos inimigos ou encontrar a saída em prédios em chamas. O jogo é dividido em capítulos, como no Max Payne original e é completamente linear. Há scripts muito interessantes em algumas partes, que dão mais emoção à jogatina, como paredes que desabam e explosões.

Alguns probleminhas


Max Payne 2 não é perfeito e está longe de ser inovador, apesar de ser um grande jogo. Quem jogou o primeiro episódio vai ter uma sensação de Déjà-vu.

Seu maior defeito gráfico é a iluminação, que é fraca para um lançamento deste calibre, principalmente depois do que vimos em Splinter Cell. Quando atiramos em uma luz, por exemplo, ela não se apaga. Outra coisa que me aborreceu um pouco é que os programadores algumas horas me pareceram deslumbrados com os novos efeitos de física, e exageraram na dose.

Há algumas partes muito difíceis também, de onde vem tiros de todos os lados e você nem sabe o que te atingiu. ?? importante ter paciência para começar de novo, afinal, você também é um fodido na vida e, como Max, não tem nada a perder.

E, para terminar, algumas pessoas reclamam que o jogo é curto demais. Eu digo que ele é curto, mas é intenso, o que para mim é muito mais prazeroso.

O Veredicto:
Max Payne 2 é o pináculo do jogo de ação em terceira pessoa. Você não encontrará nada melhor no PC.

Prós:
+ Belos gráficos, engine é leve;
+ Cenários gigantescos e bem construídos;
+ Física recria o comportamento das leis do mundo real;
+ O tempo de bala continua jóia e é o principal diferencial do jogo;
+ Mona Sax;
+ Belas armas, reais;
+ Violento, erótico e com linguajar pesado;
+ Desenrolar da história é complicado, mas é bacana.

Contras:
- Luz é fraca;
- Mais do mesmo;
- Se você não gostou do primeiro, não vai se apaixonar por Max nesta segunda tentativa.


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