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Review de Ghostbusters The Video Game para PS3 de Eurogamer

por Alan Bessa, fonte Eurogamer, data  editar remover


Quando em meados da década de 80 o cinema presentou o mundo com os The Ghostbusters (Caça-Fantasmas), uma geração inteira ficou rendida ao esplendor e brilhantismo que não só o original ofereceu como também a sua sequela. Escrito por Dan Akroyd, Ghostbusters tornou-se um fenómeno a nível mundial e vários elementos do filme são agora uma espécie de ícone dos saudosistas que vão agora ter a oportunidade para celebrar os 25 anos do lançamento do filme. Para tornar as comemorações mais apetitosas, a Atari não deixou que o jogo cai-se no esquecimento após conturbados períodos de incerteza e oferece agora o videojogo que funciona não como uma adaptação directa de qualquer um dos filmes, mas sim como uma espécie de sequela com vários elementos novos.

Peter Venkman, Raymond Stantz, Egon Spendler, e Winston Zeddemore são os nomes que aprendemos a chamar quando uma ameaça paranormal surge para aterrorizar a cidade de Nova Iorque. Depois dos filmes, da série animada, e dos videojogos entre outros tantos meios, os Ghostbusters vão finalmente chegar às consolas da actual geração pelas mãos da Terminal Reality que acima de tudo se esforçou por criar um trabalho de amor e paixão para os que ainda são apaixonados por este franchise e preparam um jogo que mantém a chama e sensação de fidelidade tão viva que ainda parece que estamos em 1984 com o filme acabado de estrear.
'Ghostbusters' Screenshot 1


Eles estão de volta com toda a sua glória mas aqui em forma videojogável.

No entanto, este videojogo apela a todos os que se deixaram levar pela febre que gritava ???I ain???t afraid of no ghost??? e leva-nos para acontecimentos após o que vimos no segundo filme. Os Ghostbusters continuam no activo e com grande popularidade, mesmo que alguma negativa, e os seus serviços continuam tão solicitados quanto nunca. Mas para testar os novos avanços tecnológicos e para por à prova as novas ferramentas criadas, eles contratam um quinto membro (o jogador) que é um novato que deve testar as ferramentas e ao mesmo tempo servir como apoio quando a inevitável crise surge. Aqui na forma de uma ameaça paranormal de uma escala impressionante e com inteligentes ligações ao passado do grupo.

O argumento é tudo o que poderiam esperar de um jogo baseado neste franchise sendo um dos seus aspectos mais bem conseguidos, não estivessem Akroyd e Harrold Ramis envolvidos no projecto. ?? um dos elementos mais traiçoeiros no sentido em que ajudam no engano que o videojogo pretende lançar sobre o jogador para se disfarçar de filme. Especialmente porque tudo é bastante fiel e credível transportando o jogador com bela eficiência, não sendo alheio a tal a contribuição dos principais actores do filme com voz e modelação dos personagens.

Para este jogo de acção e aventura, a Terminal Reality achou por bem que a melhor forma de transpor o franchise para os videojogos seria adaptar o esquema implementado por Resident Evil 4. Um esquema que se tornou padrão nos jogos de acção que se lhe seguiram e frequentemente serve de base a títulos no género. Substituindo as pistolas e metralhadoras pelo proton pack e os zombies ou soldados por fantasmas, lá estamos nós prontos para usar uma "mochila de metal" bem especial às costas e uma "varinha" dizimadora nas mãos. Sem quaisquer barras no ecrã, o chamado HUD, resultando numa maior sensação cinematográfica, o jogo coloca o personagem num canto do ecrã e apresenta um esquema de controlos bem familiar aos adeptos do género.
'Ghostbusters' Screenshot 2


Uma espécie de Gears of Busters banhada em essência dos Caça-Fantasmas

Tudo muito fácil, especialmente tendo em conta os mecanismos e ferramentas à disposição destes caçadores. O proton pack tem quatro tipos de energia diferentes para usar e cada tem ainda dois tipos de disparo, um principal e outro secundário. Como nem todos os fantasmas são iguais, temos que usar o tipo de energia apropriado para mais facilmente os derrotar e em determinados momentos temos que trocar entre os diferentes tipos de energia de forma eficiente e rápida. Em determinados momentos vamos ter que usar um desses tipos de energia para resolver os simples e curtos puzzles que na sua maioria usam outra funcionalidade que nos faz emergir ainda mais neste mundo.

Alguns dos fantasmas vão-nos obrigar a, como em quase tudo, imitar os filmes forçando-nos a os aprisionar. Com algumas técnicas à disposição, como o slam que os puxa bruscamente na direcção desejada, temos que atirar uma "armadilha fantasma" quando o indicador de vida do fantasma passa para vermelho e assim entrar num jogo de captura. Também trazendo imediatamente à memória diversas situações nos filmes, enquanto vamos destruindo os locais para os salvar, o valor vai surgindo no ecrã mostrando quanto deveríamos ter que pagar em indemnizações.

Como referido, existe uma funcionalidade que dá maior valor ao jogo e é a da componente da fase de exploração e aventura que complementa as de acção. Tal como visto nos filmes, os Ghostbusters usavam equipamento especial para detectar actividade paranormal, uma espécie de detector avançado tecnologicamente, para detectar a energia que estas criaturas deixam. Simplesmente pressionando o botão respectivo, o "rookie" coloca os seus ???Ecto Googles??? e munido com o seu ???PKE Meter???, a visão acompanha tornando-se no que pode ser comparado a óculos de visão nocturna, pede-nos para verificar os indicadores no medidor para descobrir qual o caminho a seguir enquanto que os óculos detectam pontos de interesse.

Fácil e intuitivo, o processo que altera da visão na terceira pessoa das secções de acção para a visão na primeira pessoa com os óculos Ecto é extremamente rápido. Os óculos são necessários também para analisar os inimigos e mais do que um simples complemento para a base de dados do grupo, explica os seus ataques e as suas fraquezas. Servem também para encontrar alguns artefactos que para além do dinheiro que nos dão pela descoberta nada mais servem do que potencialmente prolongar sem interesse a longevidade. Mesmo que o padrão seja quase sempre o mesmo, e mesmo que todos os tipos de energia danifiquem o alvo, alguns funcionam melhor e por isso os óculos Ecto são muito úteis. Em alguns confrontos com os bosses, poucos mas na sua maioria divertidos e interessantes, esta é a forma que nos permite conhecer mais informações de como abordar as lutas e noutras são mesmo essenciais.
'Ghostbusters' Screenshot 4


Modos para vários jogadores dão aquele tempo extra que não disfarçam o curto modo história.

Com o crescer das adversidades, podemos investir o dinheiro ganho ao capturar fantasmas para financiar melhoramentos no equipamento e obter versões melhoradas dos poderes dos quatro tipos de energia. Podemos melhorar a força e a velocidade de arrefecimento do proton pack, que pode ser feita manualmente tornando o esquema ligeiramente mais táctico e com um certo "jogo" de ritmo, para nos tornar-mos mais eficientes. Podemos também ganhar algumas novas habilidades e melhorar os atributos das armadilhas para assim tornar o nosso trabalho mais fácil e eficiente.

A forma como a jogabilidade soube tomar partido das características dos personagens nos filmes para as adaptar aos diferentes tipos de jogabilidade no jogo é um dos maiores valores e um dos que nos vai manter perante algo divertido e cujo valor para continuar é elevado. Tal permanece e apenas serve para salientar o quanto o modo história é pequeno. A isto devemos ter em conta que o jogo vive muito do seu primeiro impacto e após terminada a aventura, a vontade de a repetir não é grande e os motivos para tal inexistentes. Será aqui que o modo para vários jogadores é chamado a intervir pois serve como um complemento ao modo história. No modo online, os jogadores podem juntar-se e em conjunto partir para a captura de fantasmas de forma cooperativa e realçando o jogo de equipa, prolongar a longevidade do jogo que de outra forma seria extremamente curta. Enfrentar vagas de fantasmas é uma boa forma de seguir os padrões actuais da indústria mas infelizmente não é o suficiente para fazer subir o valor do "pacote".
'Ghostbusters' Screenshot 3


Alguns regressos bem conhecidos mantém todo o ambiente familiar e algumas sequências espectaculares, mesmo que não tanto quanto poderiam ser.

Apesar de uma divertida jogabilidade, que cumpre completamente a sua intenção de nos dar uma credível sensação de ser um caçador de fantasmas, o jogo no entanto apresenta-se tecnicamente fraco e o vosso gosto geral vai depender muito da importância que depositam no departamento visual. Se os personagens estão recriados com uma qualidade incrível e são o melhor aspecto do jogo visualmente, incluindo os movimentos, já o restante aspecto visual se fica como pobre e comprometedor. A maioria dos cenários é de baixa qualidade com um aspecto pobre que por vezes custa a compreender como da actual geração. Caso o jogo se deixa-se cair no "cartoonesco", tal efeito poderia ser atenuado mas tal não é o caso e apenas vão ser surpreendidos pela negativa, e frequentemente. Os efeitos e a própria iluminação presentes no jogo são um factor oscilante que se em alguns momentos favorecem, em alguns cenários e em alguns adversários, noutros prejudicam e apenas realçam a fraca qualidade. Em nada ajudam as constantes quebras de fluidez e ocasionais falhas gráficas que se fazem sentir ao longo de todo o jogo que por vezes atinge um framerate baixíssimo, que inevitavelmente interfere e prejudica a jogabilidade.

Os aficionados da componente sonora já não vão ter o mesmo problema pois toda ela é de grande nível. Os actores originais prestam os seus serviços e são um dos elementos que ajudam a tornar tudo muito familiar e entusiasmante. Ouvir as vozes originais dá uma maior sensação de estarmos no mundo visto no filme e não só criam o ambiente e atmosfera que apaixonaram os fãs como criam aqueles momentos de humor oportuno. A banda sonora também contribui para todo o ambiente e encaixa que nem uma luva sendo a companhia perfeita para se deixarem entregar à experiência cinematográfica. São temas que levam o jogador a acreditar que podiam muito bem estar presentes nos filmes e claro, o tema principal não podia faltar.

Personagens e vozes originais num novo argumento fazem com que esta seja uma prenda ideal para os amantes dos Ghostbusters mas devem ter em conta que apesar de ser um trabalho que compreende na perfeição a essência da origem, tem algumas falhas com que devem contar. Não é um jogo que vai agradar a todos e tal apenas por culpa própria, uma vez que poderia ser muito mais do que consegue ser. ?? um tributo digno aos Ghostbusters e isso é mais do que suficiente para agradar aos fãs mas para lá da emoção cinematográfica, temos que salientar falhas videojogáveis que o afectam.

O melhor elogio que posso dar a Ghostbusters é o de que realmente parece um Ghostbusters 3 e consegue-o graças a um trabalho de fantástica fidelidade e paixão que nos leva para um mundo onde tudo transpira a essência destes caçadores de fantasmas. Algumas falhas enquanto videojogo comprometem o resultado geral que no entanto pode muito bem vir a figurar entre as melhores adaptações cinematográficas para videojogo.


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Eurogamer
7/ 10
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8.5 / 10
Finalboss
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