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Review de Command & Conquer Renegade para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois do fiasco de C&C: Sole Survivor, os fãs de Command & Conquer esperavam um jogo on-line que fizesse jus ao universo da série de estratégia. Renegade, cujo lançamento era esperado para 2000, foi adiado por 2 anos e só agora saiu do forno, com defeitos graves que só podem ser atribuídos a uma equipe de desenvolvimento inexperiente.

Master Chief é fichinha perto de Havoc


Para quem achou o personagem principal de Halo completamente sem carisma e americanizado ao extremo, temos uma péssima notícia: o protagonista de Renegade é, no mínimo, dez vezes pior. Havoc é o nome da fera (um comando de elite dos GDI), uma mistura de Kléber, do Big Brother Brasil, com John Rambo (nada contra você John!). Pela mistura de genes de criaturas tão distintas, você pode perceber que foi trazido para o jogo o pior dos estereótipos: um fortão sem cérebro tentando ser legal, fazendo piadinhas ridículas e com os colhões para matar mil homens e destruir tudo o que ver pela frente!

Não temos problema nenhum contra a disposição em efetuar uma carnificina, já que Havoc é um soldado muito bem treinado, mas benza-a-Deus, há tempos não víamos um personagem tão sem estilo e intragável como esse. E o pior é que você tem que ficar agüentando o mala até o final, em uma série de filminhos animados mostrando toda a sua coragem e talento para matar, destruir e fazer piadinhas de deixar até o seu avô constrangido. Infelizmente, no modo single-player, não há como jogar com outro personagem.

A história de Renegade também é outro zero à esquerda, e se passa após o primeiro Command & Conquer. Você tem que investigar mais sobre a irmandade de NOD, que capturou três cientistas especialistas em Tiberium que podem mudar o rumo da guerra. No meio da história surge um bando de apoucados tentando impressionar com suas atuações canastrônicas e até mesmo sua ex-namorada que passou para o outro lado, pois não deve ter agüentado um ser tão deprimente. O lado bom de Renegade é que a Electronic Arts Brasil não traduzirá os diálogos para o português destes soldados muito atrapalhados e que aprontam altas confusões.

E não é só no protagonista que este novo Command & Conquer lembra Halo, lançado para o Xbox. Os cenários vastos e abertos, e o constante uso de veículos, fazem com que Renegade tenha uma semelhança de estilo muito grande com o jogo da Bungie/Microsoft. A questão é saber quem se inspirou em quem, pois ambos estavam há quase quatro anos em desenvolvimento, e foram lançados com uma diferença de apenas três meses.

Ainda meio ralo


Infelizmente, o jogo single-player de Renegade é abaixo da média. A idéia é boa - tenta-se aliar a estratégia de C&C com a ação de Quake - mas o resultado é a completa falta de emoção ao se jogar. Para começar, as armas, um dos principais pontos de qualquer FPS, são apáticas e não têm o menor impacto. Parece que são todas iguais, o barulho é ruim, e o estrago causado no inimigo é praticamente imperceptível, seja ele atingido na cabeça ou no pé. Mesmo utilizando o rifle Sniper ou o lança-chamas (que perde muito para o de RTCW), a sensação é frustrante. Sem contar que as armas deixam marcas de bala em qualquer textura, seja madeira, pedra, terra ou metal. A falta de cuidados com detalhes como esses é surpreendente em um jogo deste calibre.

Outro ponto fraco são os inimigos - quase sempre os mesmos soldados com uniformes diferentes - que possuem uma inteligência artificial de ameba, ou nem isso. Eles são abatidos facilmente, e não esboçam qualquer tática para se esconder ou fugir do fogo dos GDI.

Sobre as missões em si, elas tinham tudo para ser legais, pois têm objetivos estratégicos interessantes, como proteger um comboio, ou destruir instalações-chave de uma base. O problema aqui é que os objetivos primários e secundários, que aparecem a toda hora em seu radar, são apenas artifícios para justificar a ação desenfreada, e na prática, não servem para nada.

Os veículos servem apenas como distração passageira. Apesar do controle ser bom, existem muitos "bugs" que impedem sua correta apreciação. Por exemplo, é difícil matar um soldado inimigo perto do tanque, ou passar por tipos diferentes de terreno sem engasgar em uma superfície mais alta ou parede.

Em suma, o modo single player é fraco, e está anos-luz atrás de outros jogos de tiro recentes, como MOHAA ou Operation Flashpoint. A coisa mais bacana de C&C: Renegade, e mesmo assim só para um fã, é estar dentro do universo criado pela Westwood, e ver todas as estruturas e veículos característicos da série serem perfeitamente representados em 3D.

?? bem bacana observar por outra perspectiva unidades famosas da série como o caminhão minerador e o obelisco dos NOD descarregando sua energia num tanque inimigo. Para quem não é familiar com a série entretanto, isso pode passar desapercebido.

Multiplayer é bom


Desde sua concepção, Renegade foi criado para ser um jogo muito mais voltado para os combates pela Internet do que contra o computador. A idéia era recriar a estratégia do C&C original em 3D, feito que foi parcialmente alcançado, pois neste modo on-line que temos uma gradativa melhora de qualidade.

Apesar do registro na Westwood Online ser chato, demorado e complicado para os usuários iniciantes, o resto da conexão é feita rapidamente e sem maiores problemas através de um sistema que varre os servidores disponíveis para o combate.

No jogo on-line, uma espécie de "revival" de Command & Conquer, o objetivo é penetrar na base inimiga, pegar uma sinalizador e pedir para disparar o canhão de íons ou o ataque nuclear para destruí-la. As bases possuem os elementos básicos de C&C, como a fábrica de veículos, a refinaria, os caminhões-mineradores (que fazem você acumular dinheiro), acampamento, usina de força, defesas próprias etc.

Então, você, na pele de um soldado qualquer, deve escolher por lutar entre o lado dos GDI ou NOD, e tentar tomar a base do inimigo com a ajuda de seus companheiros de rede ou Internet. Como no Command & Conquer original, você pode optar pelas mais variadas estratégias, como destruir os caminhões de minério ou a usina de força, que paralisa todas as outras atividades.

Com o dinheiro acumulado pelo refinamento do Tiberium ou danos à base adversária, você pode comprar mais veículos, soldados e dar um upgrade em suas defesas. Vale lembrar que cada jogador controla apenas um soldado, que pode entrar em veículos consagrados como o tanque-mamute.

O grande problema do modo multiplayer é que ele é muito limitado. Não se pode construir novos prédios e expandir sua base, por exemplo. E a batalha fica ali, naquele meio, e acaba rapidinho. Também não há coordenação entre os jogadores. Fora o engenheiro, que pode reparar as estruturas, é cada um por si, com os mesmos objetivos. Com o tempo cansa...

Gráficos bons, mas poderiam ser melhores


Os gráficos de Renegade são bons, mas estão atrás dos concorrentes no gênero, como RTCW e MOHAA. O ponto forte são os cenários abertos e a recriação do universo C&C em detalhes. O ponto fraco é que as texturas são pobres, há poucos detalhes e o "engine" em si parece não ter poder suficiente para rodar algo mais complexo. A retirada dos veículos aéreos jogáveis talvez seja o maior indício disso.

O som não compromete, embora o barulho das armas seja ruim. Há muitos diálogos e uma musiquinha de ação no fundo que acaba não fazendo uma grande diferença.

O Veredicto:
Command & Conquer: Renegade é mais um daqueles jogos com ótimas e revolucionárias idéias, mas mal executado. Se não fosse uma produção da Westwood ambientada no mundo de C&C, certamente não chamaria a atenção dos jogadores. Mesmo com os seus defeitos, a originalidade do modo multiplayer é o grande trunfo para coloca-lo acima da mediocridade.

Prós:
+ Universo C&C fiel à série;
+ Boas idéias na jogabilidade;
+ Veículos jogáveis;
+ Bom sincronismo labial;
+ Jogo multiplayer.

Contras:
- Havoc é uma piada de mau gosto;
- Todo o modo single player;
- Armas sem impacto nenhum;
- Falta emoção;
- Mal executado.


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Outer Space
7/ 10
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