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Review de Command & Conquer: Generals para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


???The Game is Over??? ??? George W. Bush, 6 de fevereiro de 2003. Para Saddam Hussein o jogo pode até ter acabado, mas para quem curte uma estrategiazinha em tempo real básica, ele está apenas começando.

Command & Conquer Generals sai este mês em todo o mundo, e não há nada melhor para ir entrando na onda de Bush Jr. e se entregar ao prazer da guerra. O jogo tem tudo a ver com o momento de tensão pré-guerra que vivemos: são duas potências bélicas ??? EUA e China ??? lutando pela supremacia contra um exército terrorista, o GLA ??? Exército de Liberação Global. Mísseis Tommahawk, Scuds, homens-bomba e ogivas nucleares são os cartões de visita de cada um.

Você não precisa de aprovação da ONU para entrar nessa, mas vai precisar de um computador super-potente, algo como processador de 1,7 Ghz, placa 3D GeForce 4 Ti e 256 MB serve bem. Tem mais que isso? Será usado e fará diferença. Tem menos? Bom, dá pra jogar desde que você abra mão de alguns detalhes gráficos. Os requisitos mínimos, segundo o fabricante, são: 800 Mhz, 128 MB RAM e placa 3D de 32 MB compatível com DirectX 8.1. O jogo é muito, mas muito pesado, mas é o preço que se paga para estar à frente de seu tempo.

C&C em 3D


Pode-se dizer que C&C Generals, de todos os jogos da série, é o mais revolucionário. Não se tratando somente da jogabilidade, mas também dos gráficos, que são em espetacular 3D, sem comparação no gênero.

?? espantosa a riqueza das cores e texturas, a alta resolução, o número de objetos presentes no cenário interagindo com o mesmo, as sombras, os rastros de pneus e esteiras dos tanques, a água (mais relevante em algumas placas de vídeo), física, etc. Um único objeto no cenário, por exemplo, tem sua própria sombra gerada em tempo real. Ou seja, se até um mísero soldadinho estiver correndo pelo campo num pôr do sol e você der um zoom, poderá ver a sombra de suas passadas se alternando e arrastando pelo cenário com volume e proporção fantásticos!

?? noite, o espetáculo é outro, até mais bonito. As sombras dão lugar às diversas luzes presentes em praticamente todo lugar. As unidades são dotadas de faróis que quebram a escuridão da noite e os edifícios e demais construções têm também suas próprias luzes. Mas o bacana mesmo da noite está nas batalhas. O tanque lança-chamas disparando suas rajadas contra os inimigos num jato amarelo ou azul (depende do ???upgrade??? dado à máquina) é simplesmente maravilhoso! Isso sem contar as armas tóxicas que, dependendo do tipo, pode deixar um rastro verde ou azul fluorescente no chão em forma líquida e/ou gasosa.

A animação das armas de destruição em massa é outro belíssimo espetáculo. Usar a bomba atômica, os mísseis Scud, o canhão de partículas (via satélite), a bomba de combustível (napalm), a bomba de Anthrax... ?? emocionante de tão realista.

Para se ter uma idéia vou citar detalhes do lançamento da famosa bomba atômica: ao passar a contagem regressiva para a bomba estar a postos, o foguete que levará a belezinha é erguido em sua plataforma de lançamento. Nesta hora você pode até perceber a fumacinha de refrigeração na lataria se dissipando. Ao disparar, o foguete deixa o rastro denso de fumaça. Mas é durante a detonação que o espetáculo entra no clímax perfeito: a claridade toma conta da tela, e o cogumelo sobe lentamente, provocando ondas de choque e deixando uma mancha de pura radiação. ?? demais!

As explosões de unidades e construções, tanto as originadas pelos carros bombas como pelas outras armas de destruição e unidades em geral, são muito realistas. Não só pelo espetáculo pirotécnico em si, mas também pela física. Dependendo da posição pela qual a unidade ou construção é submetida aos danos, ela (ou parte dela) é arremessada ou tombada para o ângulo oposto. Em alguns cenários há torres enormes que, ao serem destruídas, tombam e causam dano onde se chocarem. Descobri isso sem querer, ao atacar uma base inimiga onde os soldados usavam tal torre de casa-mata - ao destruí-la ela caiu sobre uma construção inimiga destruindo-a também.

As árvores também dão o ar da graça balançando com o vento, dobrando-se no deslocamento de ar das explosões próximas, ou sendo derrubadas pelos tanques afoitos em ganhar terreno. Tudo para compor a física perfeita e dar mais realidade a um jogo de estratégia em tempo real com cara de simulação de guerra.

E para finalizar, no que diz respeito a gráficos, o sistema de zoom, giro e posição da câmera, felizmente, não atrapalhou a jogabilidade de C&C Generals. Fator preocupante, tratando-se de um jogo de estratégia onde a velocidade das ações junto a uma interface de fácil manuseio pode determinar o vencedor, o aspecto de movimentação de câmera junto ao sistema 3D foi fundamental para um jogo do porte gráfico de Generals.

O pessoal da EA Pacific soube utilizar muito bem a ferramenta, fazendo com que o jogador raramente precise alterar o ângulo de visão. Na verdade as ferramentas de zoom e rotação só são usadas quando você quer dar uma apreciada no cenário, rodar uma construção antes de construí-la para que ela fique na posição desejada (caso onde se usa mais a ferramenta), ou então ver melhor uma unidade amiga ou inimiga quando posicionada por detrás de uma edificação. Caso contrário você pode jogar Generals praticamente 90% com o zoom no mínimo e a câmera fixa.

Americanos, Chineses e o GLA


Como atualmente todo jogo de estratégia em tempo real que se preze deve ter no mínimo três exércitos distintos, Command and Conquer Generals apresenta os seus: Americanos, Chineses, e GLA. O ???estranho no ninho???, Global Liberation Army (ou seja, Exército de Liberação Global) é uma grande rede terrorista com ideais globais e sem território próprio, que luta contra as super potências China e EUA.

Cada facção tem sua peculiaridade. Os americanos têm como ponto forte a alta tecnologia e as unidades aéreas. Menos material humano, mais máquina; os Chineses têm uma força bem balanceada, um exército numeroso (produzem soldados em dose dupla) e a bomba atômica; e os GLA não produzem unidades aéreas, mas têm boas armas de destruição em massa e alguns golpes baixos.

?? incrível como cada facção da maneira em que se encontra está muito bem balanceada. ?? difícil dizer qual exército é melhor, se é que existe um melhor que o outro. A decisão cabe na verdade ao tipo de estratégia que cada jogador gosta de usar, ou então, a qual facção se simpatiza mais.

Inovações em doses generosas


Um fator sensacional que merece ser enfatizado é o enorme ganho estratégico que a série C&C teve com esse novo título. Ao contrário de muitos jogos famosos de estratégia em tempo real que existem por aí com inúmeros tipos de unidades ???teoricamente diferentes???, com milhões de possibilidades de upgrades, mas que no final das contas são a mesma porcaria, em Generals cada unidade tem importante valor e aplicação específica.

Você pode fazer uns soldados com metralhadora e uns fogueteiros para destruir tanques leves, médios e pesados, mas se o oponente tiver um ou dois tanques lança-chamas ou tratores com esguicho de toxinas seus soldados podem ir pro beleléu em fração de segundos, mesmo se abrigados em casas-mata e edificações. Agora esses mesmos tratores e lança-chamas não são páreos para os tais tanques, que por sua vez podem ser destruídos por um pequeno batalhão de soldados. Funciona como um ciclo onde uma unidade depende da outra indiretamente.

Além disso, alguns comandos inteligentes valorizam o uso correto de cada unidade. Os aviões, por exemplo, agora podem patrulhar uma área no céu ou na terra. Isso deixou o jogo fabuloso, pois você constrói o aeroporto, faz as unidades desejadas e ainda pode defender as fronteiras aéreas de furtivos ataques de aviões bombardeiros stealth, helicópteros e aviões-caça, e também proteger áreas terrestres da presença de tanques e infantaria inimiga.

Outra coisa muito bacana durante um confronto aéreo: Estava eu com um avião F-22 Raptor Fighter Jet já promovido para veterano devido ao número de experiência ganha destruindo os alvos, quando meu avião foi abatido por uma defesa antiaérea. De repente o cockpit se abriu e para a minha surpresa o tripulante se ejetou antes que o avião encontrasse o solo (fato inusitado já que isso ainda não havia me acontecido). Com o soldado já em solo ???são e salvo??? pude perceber que aquela criaturinha pequena no meio do combate se diferenciava na aparência de um soldado normal. Ele se vestia com capacete e macacão de piloto, e eu não podia usá-lo para atirar em nenhuma unidade inimiga. Então, como que por intuição, tirei-o rápido do fogo cruzado (foi até engraçado a criaturinha fugindo correndo dos tanques e soldados como se não houvesse amanhã), retornei para o meu aeroporto quase morto e tentei colocá-lo num outro avião. E não é que deu certo? O avião aceitou o piloto e ele ainda foi promovido.

Os tanques também são tão bacanas quanto os aviões. Os lança-chamas e os tratores tóxicos, especialmente, são um barato no que diz respeito à estratégia. Eles podem fazer uma barricada de fogo (muro de fogo) ou de toxinas (depende da unidade) para danificar ou destruir toda unidade inimiga que tentar passar por ali. Tudo com um simples clicar de botão no menu da unidade selecionada. Já o tanque Overlord (parecido com o antigo tanque Mamute de Command and Conquer Red Alert 2) é altamente destruidor e divertido. Depois de construído você pode dar-lhe um ???upgrade???, colocando metralhadoras antiaéreas e terrestres, alto-falantes (dão apoio moral às tropas próximas curando-as gradativamente) ou uma casa-mata capaz de abrigar até cinco soldados. Ainda há várias unidades no mínimo interessantes, que poderíamos ficar retratando aqui por muito tempo.

Esses pequenos detalhes, aliados a um balanceamento perfeito e os gráficos de outro mundo, fazem de Generals um dos jogos mais divertidos ou, por que não dizer, o mais divertido de todos os tempos no quesito estratégia em tempo real.

Um único defeito relevante na estratégia: a ausência de unidades marítimas. Na verdade elas existem no jogo, só que você praticamente não as controla, nem as produz. Numa missão, por exemplo, você assiste suas unidades desembocarem na praia através daqueles barcos de transporte, escoltadas por belos Destroyers, mas você não controla os barcos. Noutra você tem uma balsa a qual pode colocar as unidades dentro e fazer o transporte, mas para movimentá-la você clica apenas num botão do menu da balsa, que automaticamente levará suas unidades ao outro ponto da margem. ?? uma pena a marinha não estar presente, mas quem sabe numa futura expansão de Generals...

Nova arma ???videológica??? pode lhe fazer virar um vegetal

Falando do modo de um jogador, Generals tem um dos mais divertidos conjuntos de missões já vistos num jogo desse nível. Para quem gosta de jogar sozinho, é um prato cheio, e quem sempre preferiu jogar no multi-jogador certamente poderá mudar de opinião, pois as missões estão muito bem boladas, com cenários fantásticos e uma inteligência artificial de alto nível.

A campanha no modo de um jogador fugiu à tendência da série de colocar filminhos com atores não muito famosos para dar ???liga??? de uma missão a outra. E pode-se dizer que tal mudança foi muito bem vinda. Nada contra as belas modelos e atrizes dos jogos anteriores da série C&C, mas usar o próprio sistema gráfico do jogo para narrar as seqüências não-interativas torna tudo mais dinâmico e convincente.

Todos os exércitos têm alguma cena de introdução memorável. Pra citar uma do exército americano: três aviões-caça patrulhavam os arredores de Bagdá quando deram de encontro com bazuqueiros do grupo GLA. Numa manobra súbita, os aviões da esquerda e da direita viraram para seus respectivos lados evitando os projéteis, enquanto o avião do meio não teve tanta sorte e foi abatido. Logo depois a cena é cortada para os tanques americanos se enfileirando para um confronto de tanques no meio do deserto, onde os americanos mostram sua superioridade bélica. E assim começa a missão: invada Bagdá e resgate os pilotos mantidos em cativeiro. ?? praticamente um filme de ação!

Com tal interatividade entre uma missão e outra, além do fator diversão, é provável que você vire um vegetal em frente ao micro jogando por horas e horas sem perceber o passar do tempo. Você faz a promessa de que é a última missão que irá jogar, e que depois irá dormir. Você termina a missão é já começa mais uma cena interativa, e a promessa de salvar pra continuar no dia seguinte vai por água abaixo.

Recruta Zero


Você se lembra do sistema de skills de Command and Conquer Red Alert, Tiberiun Sun, etc? Esse recurso interessante foi aprimorado em Generals.

Diferente de seus antecessores, onde uma simples unidade era promovida gradualmente ao destruir várias unidades inimigas tendo como bônus uma armadura e tiro melhorados, em Generals a experiência de guerrilha não acaba por aí. No modo de campanha além das suas unidades serem promovidas no decorrer da batalha, você ganha também experiência que vai se acumulando numa barra vertical presente no menu do jogo. Quando essa barra se completa, você ganha uma estrela. As estrelas são usadas como uma espécie de moeda que lhe permite ???comprar??? novas tecnologias. Essas tecnologias são de extrema importância estratégica, pois permitem o desenvolvimento de novas unidades, armas de destruição em massa, reparos, e uma infinidade de coisas.

O sistema funciona muito bem, pois pelo menos no modo de campanha você tem um número restrito de estrelas e tem que escolher aonde irá gastá-las. Se vai permitir a construção de novos tanques, ou melhorar a armadura de algumas unidades, ou ainda simplesmente ter auxilio de uma infantaria extra. Existem várias opções e todas elas são interessantes, mas cabe ao jogador escolher qual será mais útil na missão, e para isso deve-se estudar o cenário onde serão travadas as batalhas, as unidades inimigas, e as próprias unidades.

Há melhorias que requerem mais estrelas, e certamente essas são as melhores. Mas vamos deixar a curiosidade no lugar de palavras, pois vale a surpresa.

Som e multiplayer


Para finalizar, só falta falar do som e do modo multi-jogador. No aspecto sonoro a série C&C sempre foi impecável, e Generals é apenas um passo à frente. ?? o episódio mais cinemático de toda a série e por conta disso, o que tem o som mais impressionante. Você pode escutar jatos rasgando o céu, explosões ensurdecedoras e até o barulho de uma árvore tombando (quando o tanque passa por cima). Um espetáculo!

Quanto ao modo multi-jogador, devemos fazer apenas uma pergunta: ?? bem balanceado? A resposta é sim. Passamos um mês testando esse modo e não conseguimos detectar nenhuma falha significativa de balanceamento. De qualquer forma, alguns "patches" certamente virão para ajustar uma ou outra discrepância.

O Veredicto:
Gráficos revolucionários e uma jogabilidade perfeita fazem de Generals o melhor jogos de estratégia em tempo real de todos os tempos. Se você tem o computador para rodá-lo, não se prive deste prazer!

Prós:
+ Sistema gráfico em 3D estupendo;
+ ??timos efeitos sonoros;
+ Jogabilidade deliciosa;
+ Durabilidade garantida pelo modo multiplayer;
+ Muito bem balanceado.

Contras:
- Jogo extremamente pesado, é um teste de fogo para qualquer PC;
- Ausência de unidades marítimas para produzir.


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