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Review de Chrono Cross para PS1 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A renomada Square, famosa pela sua série de RPGs Final Fantasy, aparece novamente revivendo todo o brilhantismo de Chrono Trigger, jogo de extremo sucesso no passado, na plataforma Super Nintendo. Agora, chegou a vez do aguardado sucessor Chrono Cross estrelar e roubar a cena, destoando de todos os concorrentes existentes no mercado de jogos para console.
Enredo psicológico

Sem dúvida alguma, Chrono Cross tem uma das histórias mais ambiciosas e atípicas que já apareceram em um RPG para console. Não é aquele velho enredo que fala de mundos caóticos dominados por criaturas decadentes, onde você deve libertar o povo das maldições. Aqui, trata-se de algo mais profundo, com elementos de pura psicologia. O personagem principal, Serge, começa a sentir distúrbios psíquicos e se depara com uma realidade alternativa de seu mundo, como se fosse um universo paralelo. Estas duas dimensões (real e irreal) t??ªm pontos convergentes em certos locais do planeta, onde existem grandes distúrbios dimensionais, e determinadas ações ocorridas em um mundo, parecem influenciar no outro. O enredo então vai evoluindo sobre esta base, sempre com Serge se deparando com visões paranormais. Até que em um determinado ponto, uma crise de identidade profunda abala o estado de nosso herói, e a história toma um rumo totalmente oposto. Aqui, eu não sabia mais se o mundo real, em que Serge é um rapaz de 17 anos, ou o mundo irreal, onde ele é o fantasma de um garoto que morreu 10 anos atrás, que era o verdadeiro (isso mesmo, uma salada de idéias).

Horas vão e horas vêm, e eu ainda não entendia direito a minha missão naquele jogo. A cada instante um personagem explicita coisas que te deixam com o raciocínio cada vez mais embolado. Realmente, a qualidade do enredo de Chrono Cross é enorme, e você consegue entender tudo que está acontecendo apenas em estágios avançados do jogo. E apenas neste ponto pode-se notar a quantidade de intrigas e traições que tornam esta história uma obra prima.

A demora a expor os fatos cruciais da história pode ser um fator frustrante. O tempo vai passando e você vê que não está entendendo nada de nada, as coisas só vão embolando, personagens demais vão interagindo com seu você, não se sabe mais quem é quem ou o que deve ser feito. Este parece ser um mau hábito deste gênero, que já nos brindou com pérolas de inegável qualidade, como Xenogears e Final Fantasy VIII, mas que têm como requisito mínimo para o jogador a paciência e determinação.

Ninguém muda o destino?


Um ponto interessante são os diversos caminhos que o jogador pode seguir, de acordo com a ordem de suas ações. Comigo aconteceu o seguinte: eu fui jogando Chrono Cross paralelamente com outro editor de Outer Space, e várias vezes percebia enormes desencontros nos acontecimentos. Ele enfrentou alguns monstros difíceis, que no meu jogo foram apenas uns personagens normais que chegaram até a me ajudar. Em outros momentos, ele salvou pessoas que na verdade que eu nem cheguei a ver. Ou seja, cada ação diferente pode alterar alguns pequenos acontecimentos do jogo.

Além de ter varias pitadas de humor, a história também faz uma alusão sobre alguns assuntos comuns do nosso dia a dia, como a influência negativa da humanidade na conservação da natureza, a destruição da raça humana pelo próprio homem e também como o destino existe na vida de todos, e é imutável.

Novidades a todo instante


Os personagens de Chrono Cross agradam bastante. Entre 40 criaturas jogáveis, você certamente vai se identificar com uma personalidade. Kid, uma das principais personagens, por exemplo, é uma loirinha "boca-suja" que fala com sotaque australiano e não pensa duas vezes antes de "chutar a bunda" de alguém. Já a dupla de inimigos Solt e Peppor (sal e pimenta) merece umas risadinhas eventuais pela total falta de entrosamento que demonstram em várias ocasiões.

Já a parte de combate se não é perfeita, pelo menos tenta inovar e não incomodar. Para começar, não existem pontos de experiência. Os personagens vão aprimorando suas habilidades de batalha em batalha, sendo que após enfrentar os chefões, sempre recebem um aumento extra de skills, caracterizado por uma estrela. O número de estrelas define a força nos ataques, a resistência na defesa e o poder das magias.

Ao contrário dos RPGs tradicionais, em Chrono Cross não existem mundos vastos, cheios de cidades, vilas, cavernas, etc. O jogo não explora a variedade de lugares, ficando mais restrito ao contexto da história, que se limita a uma determinada região. Portanto, ao invés de sair conversando com todos os moradores de uma cidade nova que acabou de encontrar, em Chrono Cross você deve retornar aos lugares já conhecidos várias vezes, em busca de novas informações.

Na parte de armas, Chrono Cross não se sai tão bem. Nos parece que o uso das armas é um detalhes fútil na visão do pessoa da Square, tamanho o menosprezo com elas. Devem existir cerca de 6 a 7 armas por personagem. Na minha jogatina pelo menos, cheguei a pegar apenas 5 armas diferentes (para o personagem principal), até o final do jogo. Não existe mais aquela velha filosofia de invejar uma determinada espada de uma loja, e ficar matando monstros durante uma noite, arrecadando uma grana para comprá-la. O dinheiro também quase não é usado, ele sobra de montão e não tem a menor influencia em nada no jogo.

Como o foco não é direcionado a armas, nem dinheiro, então sobraram as magias. Aqui, elas são tratadas como "Elements" e têm um funcionamento similar às "Materias" de Final Fantasy VII, porém de forma mais simples. Cada magia é um elemento e necessita de um slot no grid mágico de seu personagem para ser equipada. A medida que este personagem vai ficando mais forte, mais slots vão sendo liberados para equipar mais elementos, que irão formar o seu arsenal mágico. Estes elementos são divididos em 3 pares que se opõem: vermelho (fogo) e azul (água); branco (espírito santo) e preto (espírito do mal); verde (floresta) e amarelo (terra). Todos os personagens e monstros em Chrono Cross têm uma afinidade a uma determinada cor e uma fraqueza em relação à cor oposta, e isto deve ser relevado na hora de equipar os elementos. Mas não existe alguma restrição para equipar essas magias; todos podem usar todas as cores, embora feitiços para invocar criaturas possam ser utilizados apenas pelo personagem que tem sua cor específica.

Os elementos são divididos em básicos (magias), consumíveis (itens), técnicos (magias especiais), armadilhas (roubam outras magias) e de invocação (para chamar outros seres).

O sistema de batalhas de Chrono Cross também é outro bastante diferente. Agora não existe mais vez para atacar ou tempo que define o momento de cada personagem. Os ataques são definidos por resistência, que funciona da seguinte maneira: no início da batalha, sua equipe começa com um número máximo de resistência. Cada tipo de ataque consome um determinado número desta resistência, então cabe a você analisar qual tipo de movimento pode ser executado naquele momento. Acabando a resistência de um personagem, é a vez do outro atacar, até acabar a de todos, quando o ciclo é reiniciado. Cada magia equipada em um slot pode ser utilizada apenas uma vez por batalha (se você tiver 2 iguais, usa as 2 vezes). Quanto aos ataques, eles são divididos em fortes, médios e fracos, consumindo uma energia proporcional à força.

A vantagem deste sistema fica por conta do fato de você poder misturar ataques com uma arma e com magias em uma mesma rodada, se observada a quantidade de resistência disponível para tal.

Mas, apesar de tanta firula, este sistema de batalhas não agradou muito no que diz respeito à estratégia de combate. Basicamente, é ver o ponto fraco do inimigo e explora-lo, descendo a lenha nele, sem muito o que pensar. Como as magias são, quase em sua totalidade, de ataque, não existe mais aquela necessidade de se pensar o melhor jeito para vencer o inimigo. Agora, o sistema ???anti-batalhas??? ficou excelente: como os monstros aparecem andando nos locais, não existem aquelas batalhas randômicas irritantes, sendo que é até fácil desviar deles para evitar um confronto. E, mesmo que eventualmente você venha a encontrar com um inimigo, iniciando uma batalha, você poderá fugir numa boa.

Já os chefões existem em uma quantidade enorme e devem ser enfrentados sempre. Mas eles ficaram muito fáceis, sem proporcionar desafio.

Pérola gamística


Tecnicamente, Chrono Cross é perfeito. Na parte visual, os cenários 3D pré-renderizados, a quantidade de cores e os efeitos de luz são, distantes, os melhores já mostrados na plataforma Playstation (veja bem, eu falo de todos os jogos e não só dos RPGs). Os ambientes têm movimentos característicos e cores vivas, o que acaba passando a sensação que estes locais estão realmente vivos. A quantidade de animação que os personagens têm, inclusive os monstros, é de deixar qualquer ser humano boquiaberto. Eles pulam, correm, deitam, sentam, pensam, caem... fazem de tudo. A quantidade e qualidade destas animações chegam a ultrapassar a de muito jogos de Dreamcast e até de Playstation 2. Uma coisa de louco. As texturas e o detalhamento também dão um show de bola... simplesmente inacreditáveis.

Nos efeitos especiais, Chrono Cross também brilha, com luzes recheando os cenários a todo instante e magias irradiando cores. A cada hora aparece uma coisa mais bem feita que a outra.

Na parte sonora, como era de se esperar pela tradição da Square, Chrono Cross também é soberbo. As músicas proporcionam ambientes perfeitos, trazendo sensações variadas de acordo com as situações. Os sons ficaram com uma qualidade também impressionante.

A única coisa que Chrono Cross ficou devendo é na quantidade de CGs. Os que aparecem são raros e pequenos, apesar de terem uma ótima qualidade, mas estes tipos de vídeos são muito bem vindos para auxiliar na explanação da história. Infelizmente, a Square decepcionou um pouco nesse ponto, depois de manter uma escala evolutiva considerável no uso de vídeos em CG em Final Fantasy VII e VIII.

O Veredicto:
Desde Final Fantasy VII que não aparecia algo tão bom para o Playstation. Mesmo com alguns poucos pontos negativos, Chrono Cross consegue ser um dos melhores RPGs da atualidade. Este é muito mais que uma obrigação para os fãs do gênero, é um dever para todos os jogadores. Beeba!

Prós:
+ História foi muito bem elaborada, e vai te deixar louco;
+ Enorme quantidade de personagens jogáveis;
+ Gráficos nunca vistos no Playstation;
+ Animações belas;
+ Sons e músicas de primeira;
+ Jogabilidade também ficou excelente.

Contras:
- O sistema de batalhas poderia ter ficado mais estratégico;
- A história demora um bocado para esquentar;
- Pouquíssimos "CGs".


1 comentário

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Outer Space
9/ 10
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