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Review de Blinx: The Time Sweeper para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Blinx é uma das grandes apostas da Microsoft para consolidar a posição do Xbox no mercado de games. O jogo, desenvolvido pela japonesa Artoon, formada por ex-membros da Sega, tem a dificílima tarefa de fazer frente ao lançamento de Super Mario Sunshine, do Gamecube, e ser a grande estrela do Xbox para o final do ano.

Apresentado como uma revolução nos jogos de plataforma graças à possibilidade de "controlar o tempo", Blinx chega ao mercado ajudado por uma imensa campanha de marketing e divulgação. Terá ele conseguido fazer jus a toda essa fama?

Um verdadeiro representante do gênero


Blinx é um típico jogo de plataforma, nos moldes de Mario, Sonic, Rayman ou Spyro The Dragon. ?? o primeiro jogo de plataforma a ser encomendado e distribuído pela própria Microsoft. Partindo do pressuposto que metade da popularidade de jogos deste gênero vem do personagem principal, a Artoon caprichou e nos brindou com um simpático gato trajando óculos de aviador e camisa de gola rolê, munido de um mero aspirador de pó!

A história do jogo, como não podia fugir à regra no gênero de plataforma, é bobinha e superficial. Blinx é um guardião do tempo, que cuida de destruir os monstros que aparecem pelas iniqüidades da fábrica do tempo, o lugar onde ele trabalha. Tudo corria muito bem até que, em um belo dia, uma gangue de desordeiros começa a causar enormes problemas no mundo B1Q64, povoando-o de monstros. Todos os gatos guardiões do tempo ficam assustados com a confusão, mas somente Blinx, que tem bolas de aço entre as pernas, resolve dar um basta nesta balbúrdia. Ah, e tem um detalhe importante, esta gangue da pesada também raptou a princesa, no melhor estilo Mario Bros.

E é aí que Blinx começa sua aventura, no mundo B1Q64, cujo nome seria um prelúdio da criatividade empregada na construção do jogo...

Jogabilidade manjada


No que tange à jogabilidade, vamos direto ao assunto: Blinx não inova em absolutamente nada e ainda perde para os seus congêneres modernos. A arma principal de nosso herói é o aspirador de pó, que tem o mesmo significado para Blinx do que a bomba d'água teve para Mario Sunshine. Só que, infelizmente, os designers da Artoon resolveram não queimar massa cinzenta e desenvolveram muito mal o equipamento. Com o aspirador, Blinx pode sugar alguns objetos do cenário (mesas, cadeiras, geladeiras, bombas), que depois podem ser expelidos para matar os monstros, como se fossem "tiros". A utilidade dele acaba por aí.

Além da aparente falta de criatividade, o aspirador de pó tem um péssimo sistema de mira que lança objetos em linha reta, e não pode ser movimentado para acertar inimigos no eixo vertical, limitando sua ação. Um sistema de auto-mira foi colocado então para amenizar o que seria um grande ponto negativo da jogabildade.

Blinx também apresenta grandes restrições de movimento. Ele apenas anda (bem devagar por sinal) e pula (há a possibilidade de um duplo pulo no ar). Desde Mario 64 os personagens possuem vários tipos de pulo, escalam paredes, voam, utilizam outros apetrechos e etc. ?? lamentável que um jogo deste calibre tenha limitado tanto as ações do personagem.

O controle é agradável e preciso, acima da média. Com a alavanca esquerda, você controla o gato, e com a direita, a câmera, que nem sempre está na posição mais agradável. O botão "A" pula, o "B" aciona os controles do tempo, o "X" aciona o aspirador e o "R" atira os objetos.

Ticking away the moments that make up the dull day


Apesar de ser limitado em sua jogabilidade, o pessoal da Artoon implementou em Blinx o que seria o seu grande diferencial perante a concorrência: a capacidade de controlar o tempo. Na verdade, o controle do tempo é uma forma sofisticada de contemplar o gato com poderes especiais, os famosos "power-ups".

Funciona assim: durante a jogatina, espalhados pelo cenário e ao matar os inimigos, Blinx se depara com uma série de cristais com cores e formas diferentes. Como em uma máquina caça-níqueis, ao se juntar 3 elementos idênticos (ou 4), você é presenteado, no caso do jogo, com alguns "controles do tempo" que podem ser ativados em qualquer momento da jogatina. São eles:

Câmera Lenta - Deixa todos os inimigos e o cenário em câmera lenta, menos Blinx;
Pausa - Congela o jogo, tal como Morfeu fez na simulação da Matrix. O bichano pode então fazer picadinho dos seus inimigos;
Rebobinar - Volta o tempo em alguns instantes;
Avançar - Faz Blinx correr como um foguete, protegido por um campo de força;
Gravar - Você escolhe o momento para gravar, e logo depois, o jogo repete as suas ações com um "sombra". Blinx fica livre para fazer outras ações.
Tentar novamente - Ao morrer, o jogo rebobina para segundos antes de sua morte, permitindo continuar a jogatina.

Mas o leitor deve estar se perguntando, o que isso acrescenta de novo, já que outros jogos mostravam poderes parecidos mas em outra embalagem? Bem, o conceito aqui é um pouco diferente. Por exemplo, em uma situação, Blinx ia atravessar uma ponte e ela desabou. Tentei pulá-la umas mil vezes e não conseguia chegar do outro lado. Foi aí que tive a brilhante idéia de utilizar o recurso "rebobinar". O que aconteceu então? O jogo voltou e a ponte foi reconstruída, permitindo sua passagem. Em outro momento, precisava de pisar em dois interruptores simultaneamente para abrir uma porta. Usei o poder de "gravar" e fui para um interruptor. Depois, quando a gravação é passada, a minha sombra estava lá, enquanto o Blinx de verdade (que eu estava controlando agora) pisava em outro interruptor, liberando a passagem.

O recurso de controlar o tempo, como se pode ver, é bastante original. Ele teria um grande impacto no jogo se o seu uso não estivesse, mais uma vez, mal implementado. São raras as oportunidades em que o utilizamos com inteligência, na maioria das vezes, parece ter sido apenas uma embalagem de marketing para tentar dar substância à jogabilidade.

Tecnicamente um brinco


Parece que, ao se projetar Blinx, a ênfase dos programadores foi mesmo nos gráficos e não na jogabilidade. O jogo é muito bonito, com cenários coloridos, texturas perfeitas e um ambiente bastante amplo. Os efeitos de água e fogo são um dos melhores já vistos em um videogame, e há reflexos, luzes e sombras por toda parte. Para quem admira a parte técnica, este é um bom lançamento para impressionar os amigos.

Entretanto, a parte artística não é lá estas coisas. Os inimigos não são nem um pouco inspirados e se parecem com bonequinhos de filmes em "stop motion" tamanho o lustro e artificialidade de suas texturas. Além disso, as animações destes são muito pobres e não fazem jus à grandiosidade dos cenários. Assim como no nome, falta vida e criatividade ao mundo B1Q64!

A parte sonora é competente, com musiquinhas que lembram alguns dos melhores jogos da era 16 bits, bem animadinhas. Os efeitos sonoros também são excelentes, utilizando-se do sistema Dolby 5:1 do Xbox.

Mais problemas


Blinx também sofre de alguns outros problemas crônicos, que o tornam extremamente repetitivo e frustrante. Para começar, a jogabilidade é extremamente linear, tendo o jogador que passar de fase em fase para chegar ao final. Sempre são três níveis e um chefe em cada mundo, e isso cansa.

Outra reclamação é que não há barra de energia (e há um limite de 10 minutos para completar cada fase), e se você estiver no finalzinho da fase e encostar em um inimigo, morre e tem que começar tudo de novo (a solução para isso é ter um controle do tempo chamado "retry", que não é fácil de obter). ?? irritante!

O lado bom é que, entre as fases, para compensar o marasmo e a frustração que o jogo lhe proporciona, há um shopping onde o jogador pode comprar alguns itens essenciais, como o malfadado "retry" e aspiradores de pó mais potentes, que movem objetos maiores. Visitar as mesmas fases novamente com itens novos pode trazer algumas surpresas! ;-)

O Veredicto:
Blinx é um jogo de plataforma que não acrescenta absolutamente nada de novo ao gênero consagrado por Mario e Sonic, e ainda volta no tempo por não incorporar os avanços feitos pela concorrência moderna. Apesar da parte técnica competente, o bichano da Microsoft não deixará saudades.

Prós:
+ Gráficos muito bons;
+ Parte sonora competente;
+ Faz uso inteligente do HD do Xbox com os controles do tempo;
+ Blinx é um sujeito legal;
+ Efeitos especiais impressionantes.

Contras:
- Animações não são lá grandes coisas;
- Inimigos bobões e pouco inspirados;
- Frustrante e repetitivo;
- Muito difícil nas fases mais avançadas;
- "Sem alma";
- Não chega aos pés dos melhores esforços da concorrência.


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