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Review de Animal Crossing para GC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Animal Crossing é a investida da Nintendo no gênero dos mundanos simuladores de vida, esses jogos sem fim que agradam a jovens de 8 a 80, como The Sims. ?? mais um passatempo para quem quer desacelerar o metabolismo e vegetar diante da TV, ou para quem procura entretenimento equivalente ao que se tem lavando o carro no fim-de-semana.

O jogo, que já foi descrito por Shigeru Miyamoto da Nintendo como ???communication game??? pelas sofisticadas características de conectividade (com o GBA ou outro GC), reproduz uma infinidade de tarefas banais como decorar a casa, escrever cartas e plantar árvores. Mas ao contrário de The Sims, ou SimCity, este tem o estilo da Nintendo, aparentemente infantil, e muito... bonitinho. Para se ter uma noção exata de quanto, saiba que no jogo você é isso.

Um jogo sobre fazer nada


Pois bem, esta adorável criatura representa a sua segunda vida, sua existência paralela na cidade de Animal Crossing. Você começa no trem, que está te levando para uma cidadezinha povoada por bichos de todas as espécies, onde irás viver para o resto de sua existência virtual. Tom Nook, um guaxinim, é quem te dá as boas vindas e uma ajuda inicial, emprestando um quarto e oferecendo um emprego como forma de pagar-lhe o aluguel.

Dominadas as ações básicas do jogo ??? que são bem simples ??? você está solto para começar sua rotina na cidade. As tarefas vão surgindo de maneira gradual, sendo que no começo você irá, basicamente, visitar os outros moradores da cidade para criar amizade e oferecer seus serviços de entregador de objetos em troca de itens e, conseqüentemente, dinheiro. ?? medida que novos itens são disponibilizados, abre-se um leque de novas possibilidades. Comprando uma vara de pescar, por exemplo, você pode fisgar uma variedade de peixes que, a posteriori, poderão ser vendidos na lojinha do Nook ou doados ao museu, para fins educacionais ou de simples contemplação. Você pode também decorar e ampliar sua casa, escrever cartas para os outros habitantes da cidade (eles sempre respondem, via carta também), mandar presentes pra eles, jogar clássicos de NES em consoles encontrados no jogo, comprar uma rede para pegar insetos (e doá-los para o museu), uma pá para escavar fósseis ou tesouros, um machado para cortar o excesso de árvores, uma tela para desenhar estampas para camisetas, guarda-chuvas, papéis-de-parede ou chão e por aí vai.

São todas tarefas banais, mas que você tem prazer em continuar fazendo por um bom tempo, sabe-se lá por que. ?? um jogo de personalização, uma curtição para combater a ociosidade com um pouco de fantasia Nintendesca.

Comprando sua vida social


A principal característica de Animal Crossing está no fato dele fazer uso do relógio interno do Gamecube para simular as 24h de um dia de verdade, aproximando a brincadeira de uma realidade paralela, onde as coisas acontecem esteja você jogando ou não.

Se você liga o console à noite, será noite no jogo, se ligar ao meio dia, terá um ambiente mais ensolarado, com cores vivas. As variações climáticas também ocorrem no jogo de maneira realista. Freqüentemente passam dias e dias de chuva ininterrupta, no outono as folhas das árvores ficam avermelhadas e voam pelo cenário, no inverno neva, no verão o sol é escaldante e seu personagem inclusive se bronzeia, a menos que saia de com um guarda-sol aberto. Insetos e peixes também têm sua sazonalidade, com certas espécies aparecendo em determinado bimestre ou semestre.

Datas como 1º. de Abril, dia das mães, reveillon, dia do trabalho, natal etc, são representadas no jogo. Seu aniversário também é comemorado, pode ter certeza, e existem eventos típicos do universo Animal Crossing ao longo do ano também, como uma chuva de meteoros no dia 14 de Agosto. E todo sábado às 20h00, não se esqueça: tem show com K.K. Slider, uma espécie de Roberto Carlos local, na estação de trem.

A graça do jogo está exatamente na observação de mudanças às vezes sutis na cidade, e no conseqüente desejo de descobrir coisas novas. A obsessão por completar uma coleção de insetos com aquele grilo banal que só aparece durante o outono, ou a expectativa da chegada de um evento importante farão com que você curta Animal Crossing por, no mínimo, um ano inteiro.

Com uma rotina simples e que tende a se tornar rapidamente repetitiva, fica evidente que o jogo foi feito para ser apreciado em curtas sessões diárias ao longo do ano, de preferência durante o dia, já que à noite boa parte dos animais vão dormir (às 21h00 você já vê alguns indo pra cama) e a cidade fica meio deserta. O único ser que se aproxima da vida boêmia é o curador do museu, uma simpática coruja de hábitos noturnos que cochila durante o dia todo. Diga-se de passagem, Seu coruja, ou Blathers, tem aversão a insetos e odeia o cheiro de peixe, embora colecione ambos no museu.

?? claro que cada animal da cidade tem sua personalidade, e, por conta disso, é sempre um prazer conhecê-los. As irmãs pelicano do correio estão entre as minhas favoritas. A que atende de dia é pura simpatia, já a do turno da noite é áspera como uma lixa, embora passe um batonzinho sexy para tentar ser mais sedutora.

O tal Communication Game


Outra característica interessante deste ???communication game??? é a possibilidade de transferir itens para outras pessoas via senhas (o site oficial do jogo mesmo solta itens raros por senhas ocasionalmente), e estabelecer conexões entre o Gamecube e o Gameboy Advance, ou entre dois ???Memory Cards??? do Gamecube, abrindo um novo leque de opções. A conexão com o GBA permite o download de uma ferramenta de desenho de estampas e, principalmente, a visitação de uma ilha tropical ensolarada 365 dias por ano, ideal para um retiro nos dias em que chove sem parar na sua cidade. E a ilha, naturalmente, oferece espécies raras de insetos e peixes, essenciais para completar a sua coleção.

Já a conexão entre dois ???Memory Cards??? é um dos pontos altos de jogo, e a idéia mais incentivada pela Nintendo para quem quer curtir Animal Crossing em sua plenitude. Transferindo dados do seu ???Memory Card??? para o de um amigo, ou vice-versa, você pode ir conhecer a cidade dele, coletar itens que não existem na sua, promover uma caça ao tesouro (enterrando um item seu na cidade dele), conhecer animais novos e assim por diante. Cada cidade é criada aleatoriamente no início do jogo, portanto haverá sempre novidades para serem descobertas numa troca de dados com um amigo.

Esses recursos são bem curiosos, mas fatalmente impõe restrições a muitos jogadores que não dispõe de tantos equipamentos (só para visitar a ilha você precisa do GBA mais um cabo de link), ou de amigos que também estejam apreciando Animal Crossing em seus Gamecubes. No Japão, que é o grande mercado para este jogo, a idéia até que parece bem viável, mas no Brasil fica meio difícil de se ter um ambiente propício ao aproveitamento máximo do produto, infelizmente.

Outras duas fraquezas de Animal Crossing merecem menção: a inteligência artificial dos bichinhos e a herança gráfica do Nintendo 64, que é o console da primeira versão do jogo, lançada exclusivamente no Japão.

A inteligência artificial dos personagens é bem bobinha. Os animais não entendem absolutamente nada das cartas que você os envia, a não ser pelo uso do sinal de interrogação. Se você usa uma interrogação, é provável que eles respondam que não entenderam p*** nenhuma do que você quis dizer, mas se escreve qualquer outra coisa com as demais pontuações, a resposta é sempre uma bobagenzinha. Bem que eles poderiam ter sido programados para tentar interpretar o conteúdo de uma carta, através de palavras-chave, o que seria muito simples e daria alguma graça à função.

O visual é, artisticamente, genial. As criaturinhas são todas adoráveis, há grande variedade de animações e a ambientação do jogo é perfeita, construída desde pequenos detalhes. Porém, o jogo peca na transferência de algumas texturas exageradamente ???lo-res??? do original Nintendo 64, visíveis principalmente nos ambientes fechados, quando a câmera aproxima demais dos personagens e objetos. Este Animal Crossing do Gamecube, que no Japão se chama Animal Forest +, é uma conversão graficamente irretocada de Animal Forest, lançado por lá no final da existência do Nintendo 64.

O conceito de Animal Crossing é sensacional, e pode ser desenvolvido bastante pela Nintendo ainda, caso a franquia se mostre interessante.

O Veredicto:
Animal Crossing é um ótimo simulador das coisas irrelevantes do dia a dia, no padrão Nintendo de qualidade. Se você curte jogos como The Sims, SimCity ou Harvest Moon, a vida paralela com os simpáticos animaizinhos da Nintendo vai valer a pena. Para quem não está mentalmente disposto a assumir uma rotina tão banal, entretanto, tudo não deve passar de uma grande perda de tempo. Um jogo diferente, definitivamente.

Prós:
+ Personagens tão bonitinhos que chega a ser constrangedor;
+ Uma infinidade de bobagens para fazer;
+ O uso do relógio interno do GC é brilhante;
+ Opções interessantes de conectividade;
+ Muito fácil de jogar.

Contras:
- Há uma relação dúbia entre o prazer e a sensação de perda de tempo proporcionada pelas tarefas do jogo;
- ?? meio frustrante para quem não pode jogar em qualquer hora do dia;
- Para aproveitar ao máximo, tem que ter muitos equipamentos e amigos adequados;
- Visual bonitinho demais, mas tecnicamente pobre em alguns momentos.


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