GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Final Fantasy X para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Ah-la-la-ôoo ôoo ôoo, ai que calô ôoo ôor. ?? carnaval fora de hora no Japão com a chegada de Final Fantasy X, o jogo mais colorido do ano.

Final Fantasy X é um capítulo especialmente importante para a série não só para tapar o buraco deixado pelo filme The Spirits Within, mas também pelas novidades tecnológicas que traz, apoiado no poder do Playstation 2. Este é o primeiro Final Fantasy falado e o mais cinematográfico de todos, uma boa amostra do que está por vir na nova geração de consoles. ?? um jogo excelente, mas podia ser ainda melhor.

Olha a cabeleira do Tidus, será que ele é?
Se você ainda não tem uma fantasia para este carnaval, procure inspiração nos personagens de Final Fantasy X, de longe, os mais carnavalescos já vistos na série. O desenho é mais uma vez assinado por Tetsuya Nomura, o mesmo de Final Fantasy VIII, e não há como não perceber que o rapaz tem um gosto pelo brega. Cada personagem no jogo se veste com umas noventa cores diferentes, em modelitos para fazer Joãozinho Trinta parecer conservador em comparação.

Tidus é dos dois personagens centrais. Este jovem loiro de 17 anos (mas que parece estar entrando só agora na puberdade) deve ter algum parentesco com o Raiden de Metal Gear Solid 2 (aquele que não tem nada entre as pernas). Sua personalidade é esfuziante e a característica mais marcante de sua figura está na roupa (é claro), com uma calça comprida numa perna e curta na outra, e no cabelo, em que ele parece fazer balaiagem e usar um fixador que o torna imutável até debaixo d'água.

Tidus é craque em Blitzball, uma espécie de handball jogado debaixo d'água, o esporte número 1 de Spira, o mundo de Final Fantasy X. O jogo começa a todo vapor, mostrando Tidus sendo idolatrado por seus fãs no estádio, até que surge em cena "o mal" da história, Sin, uma força destruidora que arruína a vida em Spira.

O ataque do Sin destrói a cidade e manda Tidus numa viagem ao futuro, onde ele encontra Yuna, uma jovem aprendiz na arte de invocar criaturas (o popular summoning), doce como mel, com um olho verde e outro azul, muito bonita e dotada de uma voz/suspiro realmente agradável. Milady Yuna é filha do grande mestre Braska, lendário "summoner" que conseguiu derrotar Sin outrora. Está nas costas dela a esperança do povo de um dia, quem sabe, conseguir derrotar Sin novamente e trazer um período de calma ao mundo.

Yuna terá que partir numa peregrinação, rezando nos vários templos de Spira, ouvindo histórias dramáticas do povo que sofre com a ameaça do Sin. Assim começa mais uma jornada de fantasia pra você.

Assessorando Yuna em sua peregrinação encontramos alguns personagens que, embora sempre no clichê dos tradicionais RPGs, são interessantes, e outros nem tanto. Lulu, por exemplo, é a feiticeira negra, uma mulher extremamente sensual (deve se tornar a nova campeã dos sites de Hentai por aí) e misteriosa que tem, além de seus poderosos feitiços de ataque, um simpático "moogle" como arma. Lord Auron é outro que poderíamos considerar um cara legal, não fosse seu estranho hábito de depilar as axilas, e o colorido Wakka deve ser o alívio cômico desta vez, com seu jeito caribenho, irreverente e meio atrapalhado. Rikku por sua vez é uma das personagens mais carismáticas e úteis, principalmente pela habilidade de personalizar as armas do seu grupo, mesclando-as com itens.

?? importante salientar que os personagens de Tetsuya Nomura são quase sempre opostos dos de Yoshitaka Amano, o desenhista até então oficial da série. Fãs dos outros Final Fantasy devem estranhar o estilo, ainda mais quando ele se mostra tão influente no jogo, definindo o ambiente e a história de Final Fantasy X. Há muitas "marcas registradas" da série pra todo lado (chocobos, as músicas etc), mas o clima mágico dos capítulos antigos nunca pareceu tão distante. O aspecto hi-tech, tribal e carnavalesco dos personagens de Nomura é muito forte e acaba tirando o clima em alguns momentos.

Quesito evolução
Depois do começo entusiasmante (de cara você já vê uma incrível seqüência não interativa), Final Fantasy X cai num marasmo incrível. Sua paciência será cozida em banho-maria por umas 8 horas até que você comece a se identificar com os personagens e se envolver o mínimo com a história. ?? bom que você esteja muito disposto a gostar do jogo porque a falta de ritmo na primeira dezena de horas é dose pra leão, e pode leva-lo a desistir no meio do caminho.

E pra piorar, o jogo é linear pra burro. Até as batalhas que costumam ser uma praga nos jogos da série, acontecem com pouca freqüência no começo. Não há muito o que fazer além de assistir a diálogos terrivelmente maçantes entre personagens com os quais você ainda não tem nenhuma afinidade.

A bateria
Os impacientes infelizmente não irão jogar até onde se percebe que Final Fantasy X tem um sistema de batalha bem mais agradável que nos três últimos jogos da série. O sistema ATB foi abolido, agora a batalha acontece realmente em turnos e você tem até sete personagens para usar no confronto, o que torna o processo bem mais estratégico, inteligente e divertido. São três personagens na tela simultaneamente, os outros ficam no "banco de reservas" e podem ser chamados para a batalha num simples toque de botão. E cada especialidade faz a diferença, finalmente, neste RPG. Na maioria dos RPGs modernos você tem zilhões de recursos de ataque e defesa que, na hora da batalha, não fazem a menor diferença (afinal pra que serve por exemplo um feitiço de fogo se você pode jogar uma pedra do tamanho de um caminhão em cima do bicho e leva-lo à morte da mesma maneira?). Pois é, desta vez houve a atenção de valorizar cada especialidade, então há batalhas onde você terá realmente que entender onde está o ponto fraco do inimigo e qual dos seus personagens tem o poder para supera-lo.

E as batalhas agora têm mais vida, com os personagens falando, às vezes sugerindo o que fazer e dando seus gritinhos de guerra. ?? bem legal. Você pode ver cada detalhe da arma que eles estão usando, e nem precisa falar que os feitiços e monstros são sempre impressionantes.

Outra novidade que serve mais para prender o interesse dos fanáticos que propriamente para adicionar estratégia ao jogo é o sistema de progresso chamado Sphere Grid. Acessando o Sphere Grid pelo menu você evolui seu grupo como quem joga banco imobiliário. Você só vai entender jogando, mas basicamente trata-se de um grande tabuleiro onde você pode movimentar cada personagem e elevar suas habilidades manualmente. Sem a mamata de ganhar níveis e habilidades novas automaticamente, agora você recebe esferas e o direito de andar algumas casas no Sphere Grid após cada batalha. O novo recurso mais uma vez pode ser bom pra quem tem paciência sobrando, e dispensável pra quem procura apenas uma aventura.

O que falta para a Square testar a sua paciência? Te fazer descascar mil batatas? Ajoelhar no milho? Não, falta Blitzball. Uma dose cavalar de paciência será necessária também para curtir o tal de Blitzball que Tidus e Wakka acham tanta graça. Tal como o jogo de cartas de Final Fantasy VIII e IX, este é o mini-jogo principal aqui. E, pela madrugada, é o mini-jogo mais chato de todos os tempos. Graças a Deus, ninguém é obrigado a joga-lo para finalizar Final Fantasy X, embora ajude pacas. Para os habitantes de Spira o Blitzball é um esporte, mas para você o jogo é de matemática. Dá pra imaginar jogar handebol fazendo contas? Blitzball é mais ou menos isso. Não queira saber mais detalhes, saiba apenas que é algo tolo, para distrair quem não agüenta largar o osso mesmo depois de roê-lo até o fim.

Apoteose
Fora isso, Final Fantasy X é uma maravilha, e suas virtudes todo mundo provavelmente já conhece. O visual, por exemplo, é espetacular (apesar de às vezes eu ter desejado ser daltônico). Os cenários agora são poligonais, mas com um nível de detalhe superior a um cenário estático do PSOne. Você passa por florestas onde as árvores balançam o tronco com o vento, rios refletem as nuvens no céu, etc. Pura arte digital. E o visual só vai melhorando conforme se progride na jornada. Só é uma pena que não haja liberdade total para andar e observar esses cenários; Você progride como se estivesse num trilho (a la Crash Bandicoot), com zoom e mudanças de ângulo sempre automáticos.

Os CGs, pelas barbas do profeta, são de babar, ainda mais agora com a qualidade do DVD. A trilha sonora também é excelente, e bem mais eclética que a dos antecessores.

As vozes, que são a grande novidade desta vez, não chegam a impressionar pela capacidade dramática dos dubladores, muito menos pela dos bonecos virtuais que quase sempre não conseguem ter gestos muito naturais, muito menos manter o sincronismo labial - chega a parecer uma novela mexicana dublada em árabe tamanha é a falta de lip-synch dessas peças-raras. A dublagem é um aspecto que ainda pode evoluir bastante em Final Fantasy, com certeza, mas para um RPG até que é bem legal.

O Veredicto:
Final Fantasy X é mais um RPG com a qualidade e superprodução que você poderia esperar da Square. Visualmente incrível e com um sistema de batalhas bem mais divertido e estratégico, ele está bem acima do que é oferecido no mercado pela concorrência. Aproveite o Carnaval, compre um Playstation 2, fantasie-se de Tidus e não deixe de jogar FFX com seus amigos.

Prós:
  1. Belo espetáculo visual;
  2. Batalhas mais inteligentes;
  3. ?? um jogo longo, cheio de segredos e extras;
  4. Lulu é boa;
  5. Rikku é gente boa.


Contras:
  1. ?? meio brega;
  2. Sincronismo labial fraquíssimo;
  3. Falta ritmo nas primeiras 10 horas de jogo;
  4. Os personagens, com algumas raras exceções, são tolos;
  5. Tidus.



Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Outer Space
9/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

©2016 GameVicio