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Review de Final Fantasy IX para PS1 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Muitas especulações foram feitas a respeito do novo e último Final Fantasy para o Playstation. Apesar de ser derivado de uma série de muita qualidade, FF IX veio sem a badalação vista em outras ocasiões, mais precisamente com o lançamento dos dois capítulos anteriores - apoiados em campanhas de marketing milionárias. Seria este um Final Fantasy menor, para "tapar o buraco" até que a série seja transferida para o Playstation 2?
Diferenças e mesmices

Quem não conhece a série, o que eu acho difícil, aqui vai um breve esclarecimento. Trata-se de uma série de jogos onde um capítulo nunca tem relacionamento com outro. Com raras exceções, os personagens principais e secundários sempre são diferentes, os monstros, armas e localidades idem. Não existe uma seqüência lógica entre os episódios, eles são jogos bem distintos, atrelados por algumas peculiaridades que são os galináceos Chocobos, algumas criaturas de invocação (como Ifrit, Leviathan, Ramuh, Bahamut e Shiva), a presença de barcos voadores, alguém com o nome "Cid", um monstro em forma de cacto e um personagem bobão, que parece mais brinquedo de criança. Mas os jogos são sempre ambientados em mundos que misturam realidade e muita fantasia, e ali surgem histórias diferentes e interessantes.

No caso de Final Fantasy IX, o enredo começa falando de um grupo de ladrões, os Tantalus, que decidem raptar a princesa Garnet, da cidade de Alexandria, justo nas comemorações de seu décimo sexto aniversário. Depois de montar toda a estratégia de captura da donzela real, os membros de Tantalus partem para sua missão. Ao mesmo tempo, entra em cena o pequeno mago Vivi, que após o falecimento de seu sábio avô, resolve se aventurar pelo mundo para descobrir sua verdadeira origem. No meio da confusão do seqüestro, estes personagens se encontram e conseguem escapar dos limites da cidade de Alexandria, e agora devem fugir com a princesa.

Com o caminhar da história, é descoberto que a Rainha Brahne, de Alexandria, está envolvida em um esquema de corrupção, tráfego de armamentos e magias, tudo para tentar dominar o planeta de Gaia. Temendo que a rainha recuperasse a princesa para roubar os seus poderes, o ladrão Zidane e sua turma resolvem proteger a bela Garnet e desvendar todos os misteriosos fatos que andam ocorrendo em Gaia. Daí em diante (não posso contar mais), inicia-se uma trama recheada de reviravoltas, onde muitos personagens aparecem defendendo os seus ideais e lutando pela restauração da paz.

Pra quem não suportava a novela mexicana apresentada em Final Fantasy VIII, será um alívio descobrir que o enredo deste novo capítulo é nitroglicerina pura e consegue manter um ritmo interessante do começo ao fim.

Filhos de Lara Croft com Mário


Os personagens jogáveis da trama estão melhores do nunca. Todos eles têm suas personalidades bem fortes, com sotaques, formalismos e maneiras de falar distintas, e ainda por cima estão tão carismáticos que parecem filhos de personagens famosos. O herói principal, o ladrão Zidane, tem um linguajar mais chulo, um jeito largadão e uma tara por mulheres que supera a dos editores de Outer Space; a princesa de Alexandria, Garnet, também chamada de Dagger, é toda culta e sensível, além de ser um chuchuzinho virtual de primeira; Vivi, o pequeno mago negro, é como uma criança de verdade, todo inseguro e cheio de crises de identidade; Steiner, capitão do exército de Alexandria e protetor da família real, dá sua vida para defender os interesses de sua majestade e sua filha, sem medo de cair no ridículo; Quina, que é um(a) cozinheiro(a) ridículo(a), serve de alívio cômico; enfim, cada um deles é cheio de vida, animações, reações emotivas e tudo mais que se tem direito.

No lado dos malvados, podemos encontrar uma grande variedade de seres, sendo que muitos são figuras comuns desta série. São dragões, esqueletos, zumbis, animais selvagens, magos, goblins, soldados humanos e mais uma porrada de seres medonhos que escapam de qualquer descrição. Final Fantasy IX ainda conta com uma boa quantidade de chefes, sendo que um deles, em especial, é uma nova versão do amado Sephiroph, porém um pouco menos maligno e masculino.

Existem muitos inimigos principais na trama, mas infelizmente não posso contar quais são, senão estraga a surpresa. Mas garanto que eles te surpreenderão pelo excesso de carisma e de animações, e pelo bom nível de inteligência artificial. Esta fez com que o jogo ficasse com um nível de dificuldade mediano, que agrade tantos aos leigos quanto os jogadores hardcore de RPG.

Brughs


Para enfrentar a legião de seres difíceis, Final Fantasy IX conta com uma variedade de armas enorme. Estas armas, assim como algumas armaduras, são específicas para um determinado personagem. Além destes equipamentos, existe uma boa quantidade de itens que são muito úteis. Na verdade, FF IX dá muita ênfase para algumas coisas que os RPGs da atualidade não estão dando mais, que são o dinheiro e os itens de recuperação de status (há muito tempo, desde Phantasy Star 2 do Mega Drive, eu não me via parado durante 30 minutos ???fazendo dinheiro??? para comprar uma determinada arma em um jogo de RPG).

Dinheiro e magias de status são muito utilizados são de vital importância para a sobrevivência do jogador nos campos de batalha. Em alguns casos o jogador não se livrará de um monstro apenas invocando um guardião super poderoso, mas terá que fazer uso de feitiços como reflexão, cegueira, silêncio, etc. Ou então fará uso daquela nova espada que lhe custou milhares de "gil" numa loja.

Este é mais um aspecto remanescente dos melhors jogos da série - aqueles lançados para o SNES. Final Fantasy IX ignora as regras insanas e "originais", muitas vezes maçantes, dos novos RPGs, mas dá importância ao ritmo da história, à estratégia das batalhas e ao tema de fantasia.

Uma novidade interessante, que já existe em alguns RPGs, é a adição dos eventos simultâneos, chamados de "Active Time Events". Em algumas situações a tecla Select leva o jogador a outro lugar, mostrando o que acontece naquele mesmo momento, com personagens diferentes. Assim, você acaba comandando mais de uma equipe, em missões diferentes, e encontrando os personagens em estágios mais avançados da jogatina.

Jesus! Tecnicamente impecável


Quem estava esperando pouca evolução na parte gráfica, errou na previsão. Final Fantasy IX está com visuais excepcionais, melhorados em relação ao também magnífico visualmente Chrono Cross. Cenários muito variados e detalhados, com cores espalhadas por toda a tela e efeitos de luz de primeira qualidade, trazem uma sensação excelente e descolam comentários do tipo ???Caramba!???, ???Wow...???, ???Jesus!???, a todo instante. Os efeitos das magias também brilham e enchem os cenários das batalhas de cores e luzes, principalmente ao invocar criaturas. Os ambientes, em geral, têm uma animação constante que recheia de vida os cenários, mesmo os das batalhas.

Mas, o que mais merece aplausos na parte visual são os CGs. Deus do céu! São perfeitos. A qualidade é tamanha que em alguns momentos, como em um vôo sobre a cidade de Alexandria, o jogo lembra as cenas do filme Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma. Definitivamente, a Square conseguiu atingir ápice da qualidade nos vídeos de computação gráfica para o Playstation - nunca foi e nunca mais será visto algo tão belo para a plataforma original da Sony. E além de bons tecnicamente, estes CGs mostram de forma espetacular a história que envolve o jogo, e me trouxeram muitas emoções fortes, tanto de ação, aventura e suspense, como de tristeza nos momentos tocantes.

O sistema de jogo, mais uma vez modificado, agradou muito em todos os aspectos. O destaque fica para a nova maneira de se tratar o aprendizado de magias, que apesar de não estar muito simples, permite uma personalização imensa. Todos os fãs de RPG devem se lembrar das várias alterações que o sistema de magias dos jogos da Square vem sofrendo: há muito tempo, era utilizado o conceito de que as magias eram aprendidas à medida que o personagem sobe de nível de experiência; em Final Fantasy VII, tivemos o sistema baseado em ???materias???, que são pedras que possuíam suas magias próprias, que independem do personagem que as utilizava, e tinham seus próprios níveis de experiência; em Final Fantasy VIII, as magias se baseavam na afinidade que o personagem tinha com o seu guardião; em Chrono Cross, o sistema de grid de magias e ???tablets??? ficou superficial, sem graça e muitas vezes bagunçado.

Já em Final Fantasy IX, as magias pertencem aos equipamentos, que são as armas, armaduras, pedras especiais ou outras vestimentas, e têm as suas experiências independentes. Vamos dar um exemplo para mostrar como funciona: O personagem poderá utilizar a magia incorporada em um machado livremente, enquanto estiver equipado com ele. Quando esta magia atinge o nível máximo de experiência, ela passa a ser do personagem, e ele pode utilizá-la mesmo se não estiver mais equipado com o machado. Isto é muito interessante, pois cada jogador pode montar o seu portifólio de feitiços, não necessariamente tendo que aprender todos os que existem no jogo. Em contrapartida, você ficará ???preso??? a um determinado equipamento até o momento em que conseguir a independência do feitiço, o que pode demorar um pouco e fazer com que você comece a acumular equipamentos demais.

Retorno às raízes


Nos demais quesitos, como jogabilidade, não existem novidades relevantes. A tradição da série traz mais uma vez o estilo de jogo amado por milhões de fãs no mundo, imutável. ?? Final Fantasy, se joga como Final Fantasy... é tudo aquilo que você sempre gostou de volta. O interessante é que a série da Square é uma das poucas que existem no mercado gamístico que utilizam sempre o mesmo estilo de jogabilidade, mas nunca fica repetitivo. Pelo contrário, ela traz sempre a sensação de que tudo o que tem de bom está de volta, da mesma maneira como aconteceu com os jogos antecessores. As músicas e sons também seguem fielmente a qualidade que sempre acompanhou a série, desde os primórdios. A maioria das composições musicais é bem parecida com a de jogos anteriores e outras são versões das músicas que já conhecemos. Os sons são muito bons, mas não receberam uma dosagem de melhorias que valesse uma relevância.

O sistema de batalhas também permanece o mesmo: os confrontos ocorrem aleatoriamente (o que pode frustrar os mais impacientes), uma barra de ATB determina o tempo entre as rodadas de ataque e a disposição das câmeras é randômica (muda de posição em cada batalha). Podemos ver as raízes da série presentes a cada momento. Um pequeno detalhe que não agradou foi o não aparecimento da energia vital máxima (Total Hit Points) no menu de combate, o que faz com que você perca um pouco a noção de quando um determinado personagem está fraco ou não.

Em linhas gerais, Final Fantasy IX não tem erros. Tudo é excelente. A diversão proporcionada e a interação com a história farão com que você jogue este até o final, com certeza.

Infelizmente, ele não merece a nota máxima pois não foi revolucionário em nenhum aspecto. Faltou o quesito inovação.

O Veredicto:
Final Fantasy IX é a representação perfeita, para o Playstation, de toda a magia dos episódios da era do SNES. Sem sistemas de batalhas mirabolantes e configurações de itens complicadas e chatas, como estava se tornando comum nos jogos da Square, desta vez o que importa é a qualidade de história e da diversão em geral, como nos velhos tempos. ?? o melhor RPG para consoles desde Final Fantasy VII e uma experiência obrigatória para quem tem um Playstation. Kupo!

Prós:
+ Cenários lindos
+ Filmes de computação gráfica de cair o queixo;
+ Jogabilidade, sons e músicas muito boas, como é de praxe da série;
+ ??nfase para utilização de magias, dinheiro e itens de recuperação de status, o que é pouco comum na atualidade;
+ A extrema diversão garante que você ficará por dias ???agarrado??? com o jogo;
+ Enredo magnífico e personagens pra lá de carismáticos;

Contras:
- Batalhas aleatórias podem irritar os mais impacientes;
- Faltou inovação.


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Outer Space
9/ 10
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