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Review de FIFA Soccer 2000 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Chegou a hora de analisar a atualização anual da maior série de futebol de todos os tempos, o simulador FIFA.

Desde 1993, a Electronic Arts fornece o famoso game, que desde o início conquistou muitos fãs, partidários dos jogos da EA. Na trilha do então venerado NBA Live, FIFA encontrou o caminho aberto para se tornar o produto mais importante na linha da EA Sports.

O segredo do sucesso


?? claro que a EA sempre primou pela qualidade dos seus produtos, e que FIFA evoluiu muito desde a primeira versão. Mas qual será o segredo do seu sucesso? O que contribui para o líder dos simuladores esportivos, além da marca registrada da autoridade suprema do futebol mundial?

Ou quem sabe a pergunta mais adequada seria: FIFA é um jogo a altura da referência que é para o mercado? ?? difícil responder.. sim e não... Mas afora a controvérsia, o fato é que a grande dificuldade está em encontrar um concorrente qualificado, para se colocar ao mesmo nível de FIFA nos jogos para PC. Principalmente considerando os aspectos de qualidade gráfica e ambientação do jogo.

Dito isto, os pontos cruciais da recente versão serão abordados nesse review, avaliando os prós e os contras do jogo, como de costume.

O jogo de futebol perfeito, insuperável


FIFA 2000 segue a mesma linha do ano anterior, com a dificuldade do jogo totalmente baseada na velocidade dos passes, e na execução de jogadas certinhas, sem improvisação. Esta versão está melhor que a 99, mas em termos de jogabilidade está aquém das versões de FIFA 97 e 98. Estes possuíam um toque fantástico, uma leveza que foi rompida - e eu nunca compreendi o por quê - no final de 1998, quando os jogadores ficaram corcundas e começaram a matar a bola no peito de um jeito muito estranho, sem amortecê-la, mas sim jogando-a direto pro chão. Depois disso, ficou difícil dizer que FIFA é o melhor jogo de futebol do mercado.

Pois se a estratégia era adaptar o jogo para que pudesse ser jogado pelo usuário mais inepto, e apreciado até por um público que não tem a menor afeição pelo futebol, a EA provavelmente conseguiu. As teclas de direcionamento automático, nas cobranças de bola parada, e o indicador visual de passe são os símbolos do futuro de FIFA.

A EA está conseguindo afastar quem se importa em jogar realmente o jogo: as pessoas que gostam de verdade de futebol, e percebem que é o elemento humano que mais pode fazer diferença no show.

?? desalentador para o público, que fez o sucesso que FIFA é atualmente. Ter que morder a língua depois de anunciar pelos quatro cantos que esse é o jogo de futebol perfeito, insuperável. E, hoje em dia, presumo que haja uma legião de gente descontente com a EA, que impôs à FIFA um rumo pueril e decantado.

Um exemplo virtuoso de anti-jogabilidade


O que permanece do entusiasmo em jogar FIFA não é suficiente para acompanhar o restringido aprimoramento anual da EA. Francamente.. alguém que leve a sério, por exemplo, a proposta de jogar com os maiores times de todos os tempos, pode querer também reconstruir os grandes lances históricos, e com certeza vai ser frustrante diante dos recursos de jogabilidade de FIFA 2000. Tomemos a jogada do quarto gol brasileiro, na partida do tri contra a Itália, em 1970.

Parece um lance simples demais, mas é perfeito: Pelé recebe a bola na entrada da grande área e empurra levemente em direção a Carlos Alberto Torres, que fuzila de primeira no canto direito do goleiro. O típico golaço. Mas como reproduzir isso em FIFA 2000? Com que botão, e em que nível de dificuldade? Bem, eu diria que nem com a opção de "zaga lobotomizada" isso seria possível.

Garanto que não há maneira de se fazer isso de forma decente nesse jogo. Não me refiro à plasticidade da jogada, ao movimento de corpo sutil de Pelé, mas a algo que forneça uma vaga lembrança do gol. Em primeiro lugar, as reações da máquina a qualquer input do usuário são rigorosamente fechadas, e limitam as jogadas a um desfecho que logo se caracterizam em previsibilidade excessiva, chata e inexorável. A programação não dá abertura para que haja situações diferentes de jogo.

Portanto, ao receber a bola, seu Pelé jamais atrairá a atenção do outro marcador sem antes passar pelo primeiro, o que exigirá um drible, arrancando para o lado, e uma boa segurada na bola. Só isso já matou totalmente a jogada. Mas de outra forma não é possível dar segmento, pois Carlos Alberto não se mete em direção ao gol, e ainda mais sem marcação cerrada, demolindo a menor tentativa de fluidez desprogramada. Com um mínimo de flexibilidade, suporia que o botão "Q", que na configuração original do teclado corresponde a uma enfiada (ou passe que não sai direto nos pés do receptor), pudesse dar conta do recado em uma ou outra ocasião feliz.

Além da jogabilidade cansativa...


Evidente que FIFA 2000 também oferece algumas possibilidades de êxito para os fãs do gênero, principalmente para aqueles que têm mais imaginação, e ânimo para relevar os trancos em campo.

FIFA 2000 está mais adaptado às circunstâncias normais de jogo, com uma disputa corpo a corpo acirrada, ao passo que a marcação de faltas leves se tornou mais frequente. Aliás, a marcação das infrações adquiriu realismo extra. Uma falta ou pênalti, só é marcada após o desenlace total da jogada, o que equivale à simulação do tempo real do juiz e produz uma sensação de surpresa admirável em quem está jogando.

O goleiro também mudou para melhor. Está mais liberado para fazer saídas de gol, e até mesmo ser driblado por um atacante. O chato é que ele continua idiotizado, sempre tentando fazer as defesas de mão trocada, e espalmando grande parte das bolas para dentro da rede.

A narração e os comentários das partidas prosseguem na mesma toada supérflua de outrora; raramente há uma descrição que corresponda à jogada, e não há nada de marcante, ou que assinale um lance. No entanto, também a narração tinha de apresentar alguma melhoria em FIFA 2000: no início da partida o narrador comenta sobre a escalação dos times; sabe se eles estão completos, e o número de titulares que estão de fora. O narrador ainda tem acesso às estatísticas dos campeonatos em disputa, e diz em certo momento se o time tem chances de classificação, ou se já está classificado. O que é bastante adequado, agora que as temporadas são consecutivas e as campanhas dos times fazem diferença na sequência dos torneios posteriores.

Temos ainda de constatar que, apesar de sua jogabilidade ter se tornado maçante, FIFA está mais lindo do que nunca. Houve um avanço significativo na movimentação das câmeras, que reproduzem automaticamente os replays por ângulos diferentes, consecutivamente. Muito bacana, sem dúvida. E quando o gol é visto da perspectiva do fundo da rede, a câmera treme quando a bola a balança.

A ambientação dos estádios e a coloração desbotada das partidas com os times clássicos merecem aplausos. Os uniformes retrô e a bola de capotão da década de 50, com o detalhe notável de sua densidade diferenciada, são os destaques deste que é o maior trunfo de FIFA 2000.

Desfigurações do jogo oficial


Infortunadamente, o maior jogador do século não está registrado, ou licensiado. Assim como Pelé, é necessário personalizar os times para anotar os nomes de Ronaldinho e Romário, por exemplo. Senão eles serão nada mais que o camisa 10, 9 e 11, respectivamente.

Curioso que isso ocorra com três dos grandes craques brasileiros. Levando-se em conta a má vontade com que tratam o futebol brasileiro nessa versão, é mais um ponto negativo relevante. Não existe mais uma temporada brasileira, pois os times foram reduzidos ao número de sete e, a escalação dos times, com os sobrenomes dos jogadores, é uma total desfiguração da realidade. Desfiguração que, inclusive, se estende também para a representação gráfica dos jogadores em geral.

Os bonecos estão irreconhecíveis. Muitos nem sequer se parecem com suas matrizes reais. A reprodução das características dos jogadores em campo, foi um item desprezado por FIFA 2000, foi um detalhe importantíssimo cortado do jogo. Não faz a menor diferença jogar com Bergkamp ou Michael Owen, a não ser pela distribuição das magias de cada um.

Só pelo efeito visual em si já é péssimo. O Zidane é a cara do Tostão, o meio campo argentino Veron, mulato e careca na vida real, aqui é branquelo e cabeludo. Taribo West foi obrigado a se desfazer de seus dreadlocks, e o Romário é um criolão de pernas compridas. E o Ronaldinho adquiriu uma cor marrom bombom, sabe lá de onde, e até o Flávio Conceição está mais claro e mais careca do que ele. Um tratamento precário que surpreende, pois não combina com a imagem e o trabalho cuidadoso que é típico da Electronic Arts. E é imperdoável por ser o jogo oficial da FIFA.

O Veredicto:
?? sempre bom acompanhar a evolução de FIFA 2000, que é um parâmetro de qualidade entre os simuladores de futebol existentes no mercado. Com todos os seus defeitos, ainda é uma boa opção para quem pilota o PC. Porém, é bom lembrar que não é a única, e nem de longe é a melhor. O fato de ser o jogo oficial da FIFA é um fator poderoso, e induz o gamer a pensar em FIFA como a última palavra em jogos de futebol. Recomendamos ao leitor que idolatra FIFA, explorar mais a fundo o universo dos games de futebol (comece pelos jogos japoneses...). Principalmente se o leitor é fã de futebol, pois aí é praticamente uma obrigação ter uma consciência crítica sobre o assunto. A simples comparação direta com alguns jogos reduzirá a pó alguns mitos de FIFA, e aniquilará a farsa que se impõe para os mais incautos e receptivos.

Prós:
+ As competições se desenrolam em temporadas consecutivas, o que significa que seu time pode se classificar para outros torneios, ou até ser rebaixado;
+ Os grandes times da história são uma bela motivação, e o visual está magnífico;
+ ?? um prazer inédito jogar com bola de capotão;
+ Os replays automáticos estão mais bem feitos do que nunca;

Contras:
- A jogabilidade é muito prejudicada pela rigidez da programação, o que torna o jogo previsível e monótono;
- Indicadores visuais e teclas de direcionamento automático da bola são os símbolos da jogabilidade simplista desta versão;
- Muito pouca novidade em relação ao FIFA 99.


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