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Review de Dungeon Siege para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Este estava em desenvolvimento há uns três anos pelo estúdio Gás Powered Games, encabeçado por Chris Taylor, criador do sucesso Total Annihilation. O resultado é um hack'n'slash dos menos inventivos, mas tecnicamente, uma obra prima.

Da lavoura ao inferno, a saga de um fazendeiro


Dungeon Siege, basicamente, conta a história do dia de fúria de um caipira. Após ver suas galinhas mortas, sua cabana em chamas e sua horta depredada por vis criaturas chamadas de Krugs, nosso herói - você no jogo - decide partir na tradicional jornada RPGzística para salvar o mundo. E ele irá, com vigor inesgotável, cruzar todo o reino de Ehb, sob o sol a pino ou por uma forte nevasca, para no final chutar a bunda de quem ousou maltratar seus galiformes.

O enredo não serviria bem nem para novela de época mexicana, mas para o que pretende Dungeon Siege, é mais que o suficiente. Este é um jogo desmiolado como qualquer outro clone de Diablo, onde o que importa é relaxar e curtir uma limpeza básica de um dungeon, seja na companhia de NPCs (jogadores controlados pelo PC) ou com os amigos, no modo multiplayer.

A jogabilidade é uma mistura de Diablo com uma pitada de estratégia em tempo real. Você começa pelo menu de criação de personagem, que oferece opções bem simples: sexo, cor de cabelo, cor da pele, cor da roupa, etc. Não há necessidade de definir o estilo de combate que irá usar. A escolha entre os básicos: guerreiro e arqueiro, e dois tipos de mago: de combate (apenas magias de destruição) e de magia natural (magias de cura, ajuda e algumas de ataque), será feita naturalmente ao longo da aventura. Se estiver usando muito o arco, vai desenvolver os níveis de arqueiro e ganhar principalmente destreza, se usar feitiços de combate, vai desenvolver a respectiva "skill" e subir a inteligência, e assim por diante. Diga-se de passagem, a magia de combate é a mais favorável para os iniciantes, uma vez que logo no começo do jogo você tem acesso a um feitiço de gás venenoso extremamente eficiente. Nos capítulos mais distantes, o mago natural se torna um personagem essencial, graças à sua capacidade de manter o grupo vivo com seus spells de cura.

A aventura começa na roça do seu personagem, cravada no meio de uma densa floresta. Logo após uma pequena introdução ao enredo, você já parte por uma trilha no meio da mata enfrentando Krugs num processo que irá se repetir até o final das 50 horas (em média) de jogo. A ação é extremamente repetitiva, claro, mas essa fórmula costuma agradar, ao mesmo tempo em que se mostra intragável para alguns.

Quem jogou Diablo pode entender mais ou menos como as coisas funcionam em Dungeon Siege. Do momento em que seu personagem larga e enxada e pega no facão, o combate ocorre a cada metro andando. Parece que toda a natureza conspira contra você. Cada arbusto esconde um Krug, mariposas e marimbondos se tornaram inimigos, e até um inocente córrego abriga uma dúzia de monstros agressivos. Só duas criaturas não ousaram me atacar durante o primeiro capítulo do jogo, e também pudera: uma era um veadinho, a outra uma fadinha serelepe.

Diferente do clássico da Blizzard , agora não há necessidade de clicar no mouse o tempo todo - basta apontar pro monstro desejado e seu personagem vai atacar até mata-lo, e é necessário um pouco de raciocínio estratégico em algumas batalhas. Outra diferença é que você terá a opção de formar um grupo de aventureiros na medida em que o jogo se desenrola, não ficando limitado ao controle de um único ser.

Aceitando o convite de aventureiros desocupados você passa a controlar um grupo com até oito integrantes, e é só aí que o jogo começa a exigir algum raciocínio estratégico. Através de um simples menu lateral você pode definir uma série de parâmetros como a ordenamento do grupo (guerreiros na frente arqueiro atrás, etc), a distância entre cada indivíduo, reações de ataque e defesa, prioridades de ataque (atacar o mais fraco, o mais forte ou o mais próximo) e outras minúcias.

Mas não pense que seu cérebro será bem utilizado porque, dependendo do nível de dificuldade, estratégias bem pensadas são totalmente descartáveis. O que vale mais em Dungeon Siege é ir até as criaturas, dar uma porradinha básica e sair correndo. E este é um processo que acaba prolongando a durabilidade e mecanização do jogo até você entrar em estado vegetativo. Se você é como o Cigano Igor e quer "malhar o cérebro", vá procurar em outro lugar, porque a ação deste RPG é quase sempre demente.

Por falar em demência, uma simpática mula com certeza fará parte do seu grupo de aventureiros. Você poderá comprar o animal nas cidades para carregar o tesouro conseguido nos dungeons de volta pra cidade. O bichinho tem um desenho 3D sensacional e, por incrível que pareça, é dotada de boa inteligência artificial. Ela se posiciona sempre num lugar seguro diante do perigo, e caso ameaçada poderá correr ou, em situações extremas, dar coices nos inimigos.

Modo multiplayer


O modo multiplayer de Dugeon Siege ocorre em um mundo paralelo ao reino de Ehb, com cenários semelhantes e "quests" diferentes. Jogando pelos servidores da Microsoft o jogo se mostrou bem rápido e estável.

Jogar Dungeon Siege em multiplayer é uma grande curtição. Diferente da frieza do modo single-player, o companheirismo, a interação com as pessoas e a sensação de estar participando de uma longa jornada pelo mundo do jogo é o que torna interessante este tipo de RPG.

O jogo que nunca carrega


Agora vamos falar do filé mignon deste joguinho, que é o sistema gráfico "Siege". Pelas barbas do profeta, esse "engine" gráfico é um trabalho espetacular de design. Pra começar, o jogo nunca carrega, ou melhor, carrega sem você perceber. Nas dezenas de horas de jogo é garantido que você jamais verá uma tela com o escrito "loading". Toda transição de ambiente, por mais radical que seja, é feita em tempo real, com pequenas alterações no movimento de câmera.

E o jogo vai constantemente mudando seu cenário, às vezes sem que você perceba. Ele flui de uma maneira bem bacana. Você pode estar caminhando por uma mata de árvores altas por um bom tempo, e quando se dá conta, o cenário já mudou para um cerrado, com vegetação mais curta e coloração amarelada.

Além disso, o jogo é visualmente espetacular. Na floresta, por exemplo, você vê belos riachos, cachoeiras, árvores tombando com o vento e raios de sol penetrando pelos galhos. Em uma cidade, dá pra entrar em cada construção e ver tudo detalhadinho por dentro. E as armas e itens podem ser identificados por cada detalhe, como uma espada mágica de luz que fica irradiando luz o tempo todo, e um martelo venenoso que solta uma fumaça verde enquanto você anda. ?? bem bacana, e o jogo vai ficando cada vez mais impressionante conforme você progride na aventura (longe no jogo você vai inclusive enfrentar dragões gigantescos e outros monstros sensacionais). Há também efeitos de neve, neblina e chuva, transição de dia e noite bem feitos.

A paisagem é bem diversa, e a topografia inclui lugares planos, precipícios sem fim, trilhas em aclive e declive, etc. Nos dungeons, a arquitetura se modifica em tempo real, revelando passagens secretas e escadas mágicas. O "engine" do jogo parece ser capaz de reproduzir o cenário que quiser com enorme facilidade. Não é à toa que outras produtoras estarão usando o "Siege engine" para criar seus jogos no futuro.

E o melhor é que Dungeon Siege, provavelmente, vai rodar bem no seu PC. O requisito mínimo recomendado por nós é um processador de 500 Mhz, Placa 3D e 128 MB de memória RAM (os requisitos mínimos oficiais devem ficar um pouco abaixo). Memória RAM faz a maior diferença, portanto é recomendável que se tenha 256 MB. Num processador com mais de 1 Ghz e placa 3D capaz de rodar texturas de 32 bits, Dungeon Siege fica perfeito.

Dungeon Siege sai em abril nos EUA e em maio no Brasil. Enquanto isso, confira exemplos da qualidade gráfica do jogo nas fotos exclusivas do slide-show abaixo.

O Veredicto:
Dungeon Siege é um Diablo anabolizado por um sistema gráfico realmente espetacular e elementos estratégicos de jogabilidade. ??timo para quem quer virar um vegetal por uns dias ou simplesmente pretende curtir uma limpeza de dungeon com a "tchurma" no fim de semana.

Prós:
+ Sistema gráfico excepcional;
+ Jogabilidade clássica, no estilo Diablo;
+ Interface bem feita, intuitiva;
+ Zilhões de itens para encontrar ou comprar;
+ Bom modo multiplayer, estável.

Contras:
- Como em todo RPG de ação e filme pornô, a história é uma mera desculpa para a ação;
- O combate é até mais repetitivo que em Diablo, pode ser uma chatice para muitos.


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