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Review de True Crime: Streets of L.A. para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Lançado no ano passado para consoles, True Crime: Streets of LA tentou clonar a fórmula que fez Grand Theft Auto um sucesso, adicionando algumas novidades promissoras e com a vantagem de utilizar como palco da ação uma cidade real: Los Angeles.

Infelizmente, ele passou longe do seu concorrente, e agora chega ao PC com um exclusivo modo multiplayer e algumas melhorias. Será que isso foi o suficiente para aproximá-lo de um GTA?

O herói bad boy


True Crime é um autêntico filme B hollywoodiano, abarrotado de clichês. Nele somos Nicholas Kang, filho de um dos melhores homens que já serviram a polícia de Los Angeles. Seu pai, que sempre foi correto e sensato, desapareceu em uma missão especial e foi dado como morto durante anos. Já Nick teve uma infância conturbada e acabou se tornando policial também, vivendo à sombra de seu pai.

Apesar de muito competente, Nick é arrogante e prepotente, o típico policial bad boy dos filmes americanos. Ele só aceita trabalhar sozinho e lida com as coisas do seu modo, não importando quais sejam as ordens dos seus superiores. Ele prefere resolver tudo com seus próprios punhos, nem que para isso ele tenha que quebrar todo o bar de uma simpática velhinha para prender o assaltante ou destruir dezenas de carros em uma perseguição implacável, na qual tiros são dados a revelia em pleno centro da cidade, como se não houvesse um mundo de pessoas ao redor.

A fama de Nick é conhecida entre policiais e bandidos, e ele é tratado como uma lenda por muitos. E como não podia deixar de ser, é o menino dos olhos de seu chefe, mas o terror do FBI, que vive tentando afastá-lo dos casos pela sua agressividade excessiva e por desobedecer as ordens, muitas vezes atrapalhando as missões.

Em True Crime, Nick começa afastado de seu cargo de policial por algum motivo, mas rapidamente é chamado por sua chefe para solucionar alguns problemas com as tríades chinesas, gente com a qual só ele sabe lidar. Sendo assim, o tira badboy está de volta às ruas para causar o pânico não só dos criminosos, como também dos próprios policiais e da população.

Bienvenido a Los Angeles


Ao invés de ambientar a ação em uma cidade fictícia, como faz a Rockstar na série Grand Theft Auto, a Activision preferiu trazer todos os acontecimentos de True Crime para as ruas da glamurosa Los Angeles. E esse é dos destaques do jogo.

A LA virtual de True Crime é verdadeiramente grande. São aproximadamente 240 milhas quadradas de cidade, com a grande maioria de suas ruas representadas e todas em seus devidos lugares. Obviamente, várias localidades que conhecemos não estão no jogo, como lojas, restaurantes, postos de gasolina e demais pontos, mas algumas das principais edificações podem ser encontradas, como o Staples Center (a quadra dos Lakers), o Centro de Convenções (onde ocorre a E3 todos os anos), o Mann???s Chinese Theater (tradicional cinema de Hollywood), o shopping Beverly Center e alguns hotéis e prédios tradicionais do centro.

As regiões também são muito bem caracterizadas: Beverly Hills só tem casas, a maioria sem cercas ou muros, com aquele belo jardim de grama na frente e árvores pelas calçadas; a Sunset Boulevard é cheia de outdoors, casas noturnas e comércio; o centro tem seus prédios altos, as ruas de mão única e algumas das raras subidas e descidas existentes na cidade, que é basicamente plana; Hollywood tem suas mansões; e as freeways e viadutos que levam aos pontos mais distantes estão todos ali.

O único problema da cidade é que falta mais vida a ela. Existem poucos carros nas ruas e quase se não se vê transeuntes, que também raramente atravessam as ruas. Dá uma sensação de que estamos andando em cidade do interior algumas vezes, coisa bem difícil de sentir quando passeamos pela verdadeira Los Angeles.

Mais variedade, mais problemas


Em uma tentativa de fazer com que True Crime ficasse mais variado, a Activision resolveu adicionar elementos distintos de jogabilidade ao jogo, sendo em alguns momentos um jogo de ação com carro ou em outro luta a la Tekken. Isso seria um ótimo ponto a favor se ela tivesse preocupado mais com a qualidade da jogabilidade e não com sua diversidade: Apesar de ter quatro estilos bem distintos, True Crime não consegue ser realmente agradável em nenhum deles.

O primeiro tipo é a tradicional ação com armas. Neste tipo de missão, nosso objetivo é matar todos os inimigos que aparecem na frente com as armas que temos à disposição. As básicas são os revólveres e pistolas, de munição infinita, mas Nick pode pegar umas metralhadoras e escopetas deixadas no chão pelos inimigos para ganhar um poder de fogo superior momentaneamente. Um modo de mira especial, quando acionado, dá um zoom e faz com que a ação fique mais lenta, assim podemos disparar com maior precisão ou até escolher os pontos de impacto: Tiro na cabeça mata de primeira, tiro nos braços e pernas impossibilita o inimigo, tiro nos pneus os estoura, tiro no tanque de gasolina explode os veículos, etc.

O problema deste modo da jogabilidade é que não existe algum tipo de estratégia para os disparos: O negócio é massacrar o botão do mouse o mais rápido possível, distribuindo o maior número de tiros que conseguir.

A segunda opção é a luta mano a mano. Esta tinha tudo para ser muito boa, sendo um diferencial interessante na comparação de True Crime com GTA. Nick é uma expert em artes marciais e, em certas missões, deve derrotar seus inimigos apenas com seus socos e pontapés. A coreografia é interessante e até podemos conseguir alguns movimentos especiais úteis, mas a falta de estratégia nos combates assombra também este modo. O dedo chega a dar câimbra de tanto apertar as teclas 4, 5 e 6 do teclado numérico, uma vez que o mouse não é muito bem utilizado no modo pancadaria.

O grande destaque para esse modo é a interação com os objetos ao nosso redor: Numa briga, quebramos vidraças, mesas, caixas de som, barris, cadeiras, instrumentos musicais... Tudo que está ao redor, fazendo uma verdadeira bagunça nos cenários.

A terceira opção de jogabilidade é a pilotagem. Em uma boa parte do jogo, a utilização dos veículos fica mais restrita à condução aos diversos pontos de LA, mas temos as missões de perseguição e fuga, além dos mini-jogos de corrida. Os carros são bacaninhas, bem modelados, e contam com um sistema de colisão capaz de causar diversos tipos de danos distintos. Mas o controle deles é trágico, e a física, pouco realista.

A quarta e última é o modo stealth. Não podemos escolher quando utilizar este modo: Em determinadas missões somos obrigados a agir dessa maneira, andando sem fazer barulho, fugindo das vistas inimigas e deixando os oponentes inconscientes, seja por um bem aplicado golpe de caratê ou por um tiro de tranqüilizante. Este modo é bacana, mas bem limitado.

Entre os capítulos da história principal, True Crime conta com algumas missões secundárias opcionais que no começo são bacanas, mas se tornam repetitivas com o tempo. Nelas, devemos solucionar pequenos crimes aleatórios, como prender bandidos, acabar com um rachas e impedir brigas de rua, que nos pontuarão de acordo com o modo de agir. Se matarmos pedestres ou solucionarmos os casos mais simples na base do tiro, perdemos pontos e vamos virando um policial mau. Se completarmos as missões direitinho, recebemos pontos de policial bom.

Mas, em uma visão geral da jogabilidade, True Crime deixou a desejar também pode responder mal aos comandos e por não ter ficado bem adaptado ao esquema teclado e mouse dos PCs. A rotação do ambiente com o mouse ficou péssima e várias ações requerem que tiremos a mão dele para utilizarmos o teclado. Esse troca-troca desagrada.

Gráficos, sons e multiplayer


Conforme já dissemos, a Los Angeles de True Crime é bacana, tem muitos tipos de edificações, o que não torna os cenários repetitivos, apesar de faltar um pouco mais de pontos conhecidos da verdadeira cidade dentro do jogo.

O visual geral é bom, mas não melhorou muito em relação ao jogo dos consoles, lançado no ano passado, e já está um pouco com cara de ultrapassado. A física e os efeitos especiais deixam muito a desejar.

As músicas, que são de várias bandas e cantores famosos, sempre seguindo o estilo de uma trilha sonora de um filme B hollywoodiano, são bem vindas. A grande maioria é rap, de Westside Connection, Snoop Dogg, E-40, Ice-T, The DOC, Lil Eazy-E, Sly Boogy, RBX, Mausberg e Warren G, mas temos também outros estilos, como heavy-metal de Megadeth e Taproot.

Os efeitos sonoros deixam a desehar. As armas, por exemplo, não tem aquele barulho de disparo de verdade, parecendo mais um monte de bombinhas de festa junina, o que tira o impacto dos tiroteios. Os motores dos carros também são bem fracos e a dublagem dos personagens é de quinta categoria.

O modo multiplayer, que é a ???grande??? novidade da versão para o PC, parece uma pequena coleção de mini-games. Apenas 4 jogadores podem jogar simultaneamente e 4 modos estão presentes: Um de tiroteio, um de briga, um de corrida de veículos e o ???The Beat???, no qual vence quem solucionar o maior número de casos no tempo determinado.

Além de nenhum destes modos serem realmente divertidos, existem muito poucos jogadores on-line e a programação não é bem feita, dando problemas de lag e quedas de conexão. Na verdade, parece que o modo multiplayer não foi feito com capricho, e sim colocado na marra para ???engordar??? o jogo do PC.

O Veredicto:
True Crime: Streets of LA do PC não trouxe novidades suficientes e não melhorou em nada o jogo lançado no ano passado para os consoles, que já não era grande coisa. Sendo assim, ele só será um bom divertimento para os verdadeiros fãs de ação ou quem está morrendo de desejo por algo no estilo GTA.

Prós:
+ A Los Angeles virtual é enorme, com todas as suas ruas e vários pontos turísticos;
+ Trilha sonora com bandas e cantores reais;
+ Tem 4 diferentes modos de jogabilidade, que torna o jogo mais variado. Porém...

Contras:
- ... nenhum deles é muito bem feito;
- Modo multiplayer horrendo;
- ???Side quests??? repetitivos;
- Gráficos bons, mas já com cara de ultrapassados. Física, sons, dublagem e efeitos especiais bem médios;
- Nick Kang: que mala!
- ?? um típico filme B americano, cheio de canastrões e clichês.


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