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Review de Tom Clancy's Splinter Cell Pandora Tomorrow para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A chegada de Splinter Cell, em 2002, foi muito bem vinda para os fãs da ação ???stealth???, que clamavam por um jogo que conseguisse se equiparar em qualidade à série Metal Gear, até então soberana. O agente Sam Fisher, novo concorrente de Solid Snake no cargo de espião mais durão dos jogos, apareceu e conseguiu impor sua força, mostrando que suas habilidades são suficientes para render uma série de sucesso à UbiSoft.

Sendo assim, nada mais natural que o lançamento de uma continuação que trouxesse toda a qualidade do jogo original, adicionada de novidades bacanas e um espetacular modo multiplayer. Surge Pandora Tomorrow.

Não se mexe em time que está ganhando


Em Pandora Tomorrow a Ubi decidiu não inventar moda e manter a essência do jogo original, adicionando algumas novidades e melhorias que tornam a experiência ainda mais rica.

Para quem não é familiarizado com a série, ela explora a paciência e o cuidado do jogador, que deve sempre se preocupar em não fazer barulho, se deslocar coberto pelas sombras e observar a rotina dos soldados inimigos para definir a melhor estratégia de ação. Sair dando tiro para todos os lados não é uma boa idéia, e muitas vezes chega até a comprometer a missão, já que em algumas delas não se pode sequer matar alguém.

O que há de novo?


Na campanha principal, para um jogador, podemos notar as novidades a todo instante, algumas delas sutis, mas outras bem evidentes. A maior fica a cargo da inteligência artificial, que foi muito melhorada e traz um sistema de agressividade progressiva, que é dividida em 3 etapas.

Quando atraímos a atenção dos inimigos, seja fazendo barulho, projetando a silhueta ou deixando o corpo de um soldado morto em um local visível, dá-se início à primeira etapa, quando eles se alertam e começam a procurar por algo anormal. Na segunda vez em que são alardeados, eles já começam a tomar medidas mais bruscas, como se equipar com armas mais fortes e vestir coletes a prova de balas. Neste ponto, eles já estão bem cautelosos e prestam mais atenção em tudo o que está acontecendo ao redor. Na terceira vez, eles se tornam extremamente agressivos e difíceis de serem mortos. Em alguns casos, não podemos nem atingir a terceira etapa dos alarmes.

Esse sistema, que não existe no jogo original, é interessante e cria um clima mais gostoso, principalmente para quem não teve contato com o primeiro Splinter Cell, que é menos amigável neste aspecto. Nele, em algumas situações, éramos detectados uma vez só e já era ???Game Over???. Em compensação, o jogo fica um pouco menos real, uma vez que essas etapas voltam para a estaca zero com o tempo. Ou seja, depois de alguns minutos, inimigos começam a agir como se nada tivesse acontecido.

Outra novidade bem vinda é a possibilidade de escolher entre caminhos diferentes para completar um objetivo. O primeiro Splinter era bem linear neste sentido e nos mantinha firmes por um caminho apenas, sem opção de escolhermos por onde ir (embora você pudesse executar as missões de varias maneiras diferentes). Pandora melhora isso, mas não chega a proporcionar uma liberdade de exploração dos ambientes. Temos algumas opções de caminhos a seguir, uns até mais vantajosos que os outros, mas o jogo não nos desvia a atenção dos objetivos principais.

O design de fases era, no geral, mais inspirado e bem bolado no original, mas Pandora conta com cenários mais interessantes e algumas missões, digamos, impressionantes. Quem jogou o original até o fim corre o risco de sentir certa falta de desafio, mas nunca a ponto de perder a emoção.

Sam mais esperto


Fisher recebeu uma boa dose de detalhes e está ainda mais realista que em Splinter Cell. Tanto ele quanto os demais personagens do jogo, que já eram muito bem feitos, conseguiram ficar mais, revelando minúcias realmente impressionantes quando observadas com cuidado.

Isso vale também para todos os cenários do jogo, que foram sensivelmente melhorados com uma carga extra de texturas em maior qualidade e efeitos especiais. A água, o fogo e a fumaça estão excepcionais e a luz, que é um dos elementos chave do jogo, continua fenomenal, sempre gerada em tempo real. A maior diferença neste quesito fica para os ambientes bem abertos e as arquiteturas características ao estilo de cada país no qual o jogo se passa, que conseguem tornar o clima único.

Voltando a falar do nosso agente especial, Sam andou também aprendendo alguns truques novos, que tornam as possibilidades ainda maiores durante a jogatina. A mais notável é o ???SWAT Move???, um movimento no qual ele consegue atravessar de um lado a outro de uma porta ou um vão sem atrair a atenção alheia. Ele, de costas para a parede, dá um giro rápido de corpo e pára de costas para a parede do outro lado.

Lembra do primeiro Splinter, do movimento em que Fisher pulava e se apoiava com as pernas em duas paredes próximas, ficando suspenso no ar? Ele ainda sabe fazer isso, mas agora pode se inclinar para os lados, melhorando a precisão dos disparos naquela posição, ou até mesmo tomar um impulso extra para alcançar plataformas mais altas. Sam também aprendeu a se dependurar em canos de cabeça para baixo, usando suas pernas como se fossem ganchos, para poder atirar. ?? um movimento bacana, mas de pouco uso prático.

Estas e outras peripécias, somadas às novas armas e equipamentos, tornam Pandora uma experiência muito gratificante tanto para quem está acostumado com a série, como para quem nunca a viu.

Parte técnica


Graficamente Pandora mantém-se no mesmo nível do original. Já não impressiona tanto como fazia há 2 anos, mas os efeitos de luz especialmente continuam sendo um colírio.

O som é de primeiríssima (primeiro jogo em Dolby Digital 7.1!) não apenas por ser tecnicamente impecável como por ser um elemento importante na parte jogável, onde escutar conversas e o som do ambiente podem ser essenciais para se completar as missões.

Espiões vs Mercenários, PC vs Xbox


O inédito modo multiplayer é, surpreendentemente, excelente. Nele, até 4 jogadores se dividem entre espiões -- clones do Sam Fisher ??? e os mercenários que irão caçá-los. Estes últimos são soldados, sem a mesma agilidade dos espiões, mas munidos de armas de fogo e uma muito útil lanterna. Jogando de mercenário o jogo muda totalmente de estilo, funcionando mais como um tiro em primeira pessoa onde se deve patrulhar o ambiente e meter fogo em tudo que se mova.

O modo, que faz uso de headset para comunicação por voz tanto no Xbox como no PC, necessita de um período de ambientação e aprendizado para ser curtido ao máximo. Só tem graça mesmo quando você entende exatamente o que está fazendo e familiariza com as possibilidades e peculiaridades de espiões e mercenários.

Esconder nas sombras e ver seu amigo mercenário passando sem nada perceber, atirar um microfone espião e escutar o que os dois estão conversando no headset, ver poeira caindo do teto e encontrar lá o espião pendurado... este é o tipo de coisa que acontece no multiplayer de Pandora Tomorrow e que, com o tempo, você vai aprender a deliciar.

As versões para PC e Xbox são praticamente idênticas, sendo as diferenças mais relevantes contando a favor do console: o controle no PC, embora muito bem implementado, não consegue ser tão prático e natural como no Xbox, e a interface para jogar online do Xbox Live continua sendo a mais bem feita e intuitiva.

O Veredicto:
O modo para um jogador é nada mais que uma extensão do que havia no original, com melhorias aqui e acolá. Sem problema, pois ainda é um jogo de ação tática do mais alto nível e que dificilmente cai na mesmice. A maior justificativa para experimentar as novas peripécias de Sam Fisher, entretanto, é o modo multiplayer, bem feito e diferente.

Prós:
+ Ação tática de primeiríssima, mais uma vez;
+ Cenários mais variados, algumas missões bacaníssimas;
+ Modo multiplayer é original e muito divertido;
+ Gráficos ainda causam ótima impressão;
+ Som impecável.

Contras:
- Nada muito diferente do que você jogou no original;
- Controles no PC não são muito naturais;
- Interlúdios cinematográficos melhores, mas ainda bem fraquinhos.


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