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Review de Resident Evil para GC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Resident Evil, lançado em 1996 para o Playstation, foi a aposta da Capcom para redefinir o gênero de "survival horror", começado timidamente por Alone in The Dark no início dos anos 90. Embora fosse uma cópia conceitual do jogo da Infogrames, a Capcom conseguiu adicionar novos elementos na jogabilidade e principalmente na ambientação, que fizeram da série um tremendo sucesso em todo o mundo.

Agora, em 2002, o clássico de 1996 renasce, utilizando um impressionante sistema gráfico e todo o potencial técnico do GameCube. Será que vale a pena jogá-lo de novo?

O mesmo jogo de 1996?


Inicialmente, vale a pena dizer para quem ainda não experimentou-o, que este "novo" Resident Evil é o mesmo lançado em 1996. A história, personagens, jogabilidade, itens, armas e o cenário são idênticos, a grosso modo.

Obviamente, para animar os veteranos da saga, a Capcom incluiu alguns extras bem interessantes, que para muitos, tornam este Resident Evil uma nova e gratificante experiência. Por exemplo, os itens agora aparecem em lugares distintos, e existem alguns totalmente novos, assim como os quebra-cabeças e enigmas, que ficaram mais inteligentes até. Portanto, prepare sua cuca para novos desafios, e sua paciência para percorrer os longos cômodos e áreas externas da mansão novamente.

A maioria dos sustos costumazes, como os cães pulando pela janela no início do jogo antigo, se foram. A Capcom resolveu te assustar de outras formas agora, e acreditem, ela conseguiu novamente. Jogando Resident Evil, muitas vezes meus pêlos do braço se arrepiaram, o coração disparou e minha boca proferiu palavras de baixo calão. Esta @$~#% de jogo realmente te assusta!

Outra adição interessante são alguns cenários e ambientes, inéditos e bem legais. Outros ficaram tão diferentes que parecem novinhos em folha. Vale lembrar que a configuração de monstros também foi mudada, e não espere rever os velhos amigos na mesma posição de sempre.

Bom, no mais, tudo continua igual. A jogabilidade é idêntica, e o controle do personagem não é lá grandes coisas. Para controlar Jill ou Chris , use a bolota analógica (que funciona igual o digital); para correr, aperte "B"; ver os itens, "X"; para mirar, "R"; e para atirar, abrir portas ou checar alguma coisa, "A". Existe um controle alternativo, do tipo 3, em que você poderá mudar a configuração padrão das ações do personagem, andando ou correndo com o botão "R", ao mesmo tempo em que atira com o "A". Apesar de melhor, prefero a configuração clássica para enfrentar os zumbis e criaturas de RE. Coisas de veterano da série.

Booooooooooooo


Bom, mas o que mais impressiona neste novo Resident Evil é a sua qualidade visual. Até mesmo a apresentação, que tinha atores com atuações histriônicas na versão do PSX, mudou da água para o vinho. O filminho inicial agora é todo feito em computação gráfica da melhor qualidade, com um clima de terror e suspense inigualável.

Já dentro da mansão, continuamos de boca aberta. Apesar de 90% das localidades serem as mesmas do jogo original, este Resident Evil lembra muito pouco a versão de 1996. Os cenários, ainda estáticos, estão maravilhosamente renderizados em alta resolução, com novos detalhes nunca antes vistos. E os efeitos de luz desta versão para o GameCube são simplesmente os melhores que já vimos em um jogo.

Agora quando há relâmpagos fora da mansão, todo o seu interior é iluminado com aquela luz azulada, de forma aterrorizante. As sombras dos objetos e dos personagens/monstros são projetadas em tempo real, e os ângulos de câmera estão mais dramáticos, potencializando o efeito da nova iluminação.

Mas a sofisticação dos gráficos não pára por aí. O detalhamento atinge também Jill, Chris, os personagens não jogáveis, zumbis, cachorros, corvos e os chefes encontrados pelo caminho, simplesmente inacreditáveis.

Uma menção honrosa vai para o som de Resident Evil, que continua sensacional. O barulho dos trovões é realista pacas, assim como os ruídos da parte externa e as musiquinhas de suspense que são tocadas de vez em quando.

O resultado de tudo isso é um clima assustador, redefinindo mais uma vez o que podemos esperar de um jogo do gênero.

Canastrões se esforçaram para melhorar


Não poderíamos nos esquecer de uma das partes mais polêmicas do Resident Evil original: os canastrões que dublaram os personagens Chris, Bary, Wesker, Jill e Rebecca. Pois é, ciente do trabalho de terceira categoria feito no jogo original, e que foi motivo de piada em todo o planeta, a Capcom resolveu dar uma pincelada nos diálogos.

Não sabemos se a dublagem foi toda regravada ou apenas editada, mas o fato é que as falas estão diferentes agora. Frases clássicas como "Jill, you, the master of unlocking..." foram retiradas. Outras, como "I hope this is not Chris's blood", apenas editadas. E os diálogos estão mais pausados e verossímeis, exprimindo alguma emoção.

Bem, se isso é um ponto bom ou ruim, deixamos para cada um fazer sua avaliação. Particularmente, gosto dos canastrões.

O Veredicto:
Resident Evil, para o GameCube, tem jogabilidade ultrapassada, controles difíceis e desajeitados, e nenhuma inovação em relação ao original lançado para o Playstation. Requer ainda, muita paciência do jogador em algumas partes. Mas, surpreendentemente, a Capcom conseguiu fazer deste jogo uma nova experiência, mesmo para os veteranos da série. O brilhantismo da concepção original, da história, gráficos e do clima de suspense e terror, valem cada centavo gasto em sua aquisição.

Prós:
+ Os mais belos gráficos existentes na nova geração de consoles;
+ Clima de suspense e terror superiores ao oferecido pela concorrência;
+ Chefes e monstros espetaculares;
+ Armas bacanas;
+ A água e o fogo mais realista que já vimos;
+ Som de alto nível.

Contras:
- As portas abrindo e fechando, na mudança de fases, continuam um saco;
- Jogabilidade sólida, mas ultrapassada;
- Canastrões não têm o mesmo desempenho de antes;
- Controle do personagem continua confuso;
- Haja paciência em algumas partes.


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