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Review de Tom Clancy's Rainbow Six 3: Raven Shield para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Rainbow Six 3, para o Xbox, é uma conversão do original de PC Rainbow Six 3: Athena Sword. Mas a Ubisoft fez bonito e modificou praticamente toda a estrutura do jogo, adaptando-o ao ambiente mais "arcade" de um console e explorando as funcionalidades do Xbox e acessórios.

Os estúdios da Ubisoft em Montreal, que vêm se destacando nesta geração de consoles (Splinter Cell, Prince of Persia), mais uma vez mostram sua capacidade criativa, refazendo um jogo mediano para PC e o transformando em um tiro em primeira pessoa excepcional.

Menos estratégia


A primeira grande diferença que notamos em Rainbow Six 3 para o Xbox é que foi abolida praticamente toda a parte de estratégia. Para quem não jogou a versão PC, basta saber que grande parte da jogabilidade se dava no início de cada missão, onde você, líder do grupo de soldados altamente especializados que iriam combater terroristas e resgatar reféns em missões de alto risco, tinha que traçar em um mapa as rotas e as ações de cada membro da equipe, detalhadamente. Era um pé no saco, cá entre nós.

Agora, tudo é feito em tempo real durante o transcurso da missão. A adaptação feita para os controles do Xbox é merecedora de aplausos, pois utiliza praticamente todos os botões e recursos do controle mantendo uma jogabilidade simples, precisa e prazerosa.

Basicamente, com a bolota analógica esquerda, você comanda Ding Chavez, o líder do esquadrão Rainbow Six. Apertando-a, você agacha. Com a bolota direita, tens o controle da posição da arma, apertando-a entra-se no modo "zoom". Com o gatilho direito, cuja precisão é incrível, você atira (para quem já utilizou uma arma, basta dizer que a densidade deste botão é muito semelhante a um gatilho de uma pistola semi-automática depois de armada). Há botões de ação (abrir portas, mandar os seus companheiros checarem uma área), recarregar, mostrar o menu, ligar o infra-vermelho e a visão por calor, executar a ordem depois do tempo estipulado, etc. Os controles podem ser customizados pelo jogador, mas recomendo a opção padrão que é bastante coerente e eficaz.

Como não poderia deixar de ser em um jogo de console, a ênfase nesta versão é a ação, mas não uma ação desenfreada como em um "shooter" qualquer, mas sim uma ação tática onde o sangue-frio e a paciência são os seus melhores amigos. Mas Rainbow Six mantém suas raízes e ainda é focado no trabalho de controlar um time de elite pelo jogador.

A interface é brilhante. Agora, ao invés de utilizar complicados comandos de teclado para dar ordens aos seus subordinados, você faz tudo isso apenas olhando para um lugar e apertando o botão de ação ou de menu. Por exemplo, você está em um cenário grandioso, basta apontar sua arma para os seus confins e apertar "ação", que o seu time vai correndo para o lugar determinado, esperando suas outras ordens. Ao olhar para uma porta por exemplo, você aperta o botão de "menu" e diversas opções aparecem, como por exemplo abrir, jogar granada e "limpar" a área. Você escolhe a que mais lhe convier no papel de comandante do esquadrão e envia os seus asseclas para fazer o trabalho sujo. A inteligência artificial dos seus companheiros é muito boa e o sistema funciona quase sempre perfeitamente, te dando muitas opções de jogabilidade.

Para quem possui o headset do Xbox Live!, há ainda uma opção mais interessante. Ao invés de apertar botões, você pode dar comandos por voz, como "Open, Frag and Clear" ou "Cover me". São mais de oitenta opções, dando um imenso realismo ao jogo. O único porém é que o seu inglês e pronúncia têm que estar afiados para que o sistema reconheça suas ordens. Mas, independente deste fator, é mais um "plus" para a jogabilidade.

Jogando só


O modo solitário de Rainbow Six é muito bom se esquecermos a historinha tosca (que nem vou me dar ao trabalho de comentar) e os interlúdios cinematográficos medíocres. Você é escalado para 14 missões que envolvem infiltrações especiais em locais de difícil acesso, onde o objetivo principal é basicamente matar tudo o que se mover e que não seja refém.

A ênfase do modo single-player é na sua capacidade de manipular bem os seus subordinados, na escolha do vasto equipamento (são diversas metralhadoras, lança-granadas, pistolas, rifles) e na paciência para desbravar os cenários, entrar por portas que muitas vezes contém armadilhas e lidar com o fogo pesado inimigo. Os seus tiros têm que ser certeiros, lembrando que um balaço na sua cabeça é o fim da jogatina. No peito, graças aos coletes, há mais tolerância.

Os gráficos de Rainbow Six 3 variam do medíocre para o excelente. Por utilizar um engine antigo, os cenários não parecem muito vivos, apesar de serem grandiosos e detalhados. O design das fases é excelente e varia desde uma mansão em uma paradisíaca ilha até uma refinaria cheia de bandidos. De positivo, também temos os excelentes efeitos de luz "a la Splinter Cell", a constante taxa de quadros por segundo e as animações das armas e inimigos. Entretanto, a falta de interatividade com o cenário em um jogo realista como este faz falta e conta pontos negativos para a experiência. Não há física nos objetos e não é possível sequer apagar uma luz com um tiro.

O som é espetacular, com sons realistas das armas, do ambiente e com terroristas canastrões falando em espanhol. Em um cenário, o milionário que vive na casa invadida tem o hábito de escutar Ave Maria, em alto volume. ?? bacana ouvir uma música como Ave Maria no meio de uma missão contra-terrorista.

Para quem gosta de mata-mata, o jogo pode parecer chato, pois é bem mais lento que o frenesi dos jogos de tiro atuais e bem realista. Um passo em falso e pode ser o fim do seu time. O jogo acaba quando você morre. Contudo, o maior pecado do modo single-player é a inteligência artificial dos inimigos, que muitas vezes se fazem de surdos e cegos para sucumbir ao seu tiro certeiro.

O verdadeiro Rainbow Six


Rainbow Six seria um jogo bom sem o modo on-line, mas fica absurdamente excelente com o suporte ao Xbox Live! Jogar um jogo como este em um console, com suporte a voz durante a jogatina, é uma experiência, acredite, bem melhor do que estar sentado à frente do PC.

O jogo on-line é muito balanceado, não oferece "lag" e possui várias opções para os mais exigentes com até 16 jogadores simultâneos. Para quem curte Counter-Strike, que tal um jogo entre times? Fãs de mata-mata podem curtir a opção sharpshooter. Tudo com opção de criar um servidor em seu próprio console, com as opções que desejar. ?? impressionante com é fácil e gostoso jogar on-line em Rainbow Six 3.

Mas o modo mais legal, e que falta nos jogos atuais de tiro, é o cooperativo. Nele, você pode jogar com 3 amigos nas missões comuns do jogo, cada um fazendo o papel de um agente no seu esquadrão. ?? incrível, desde Doom eu não me divertia tanto com um jogo cooperativo.

A decisão da Microsoft em ter um cadastro único para o Xbox Live!, promover ferramentas para adicionar e convidar amigos on-line e ainda, para procurar servidores de acordo com as suas preferências, prova-se excelente e acertada. Rainbow Six é um dos jogos que melhor utilizam o Xbox Live! até agora, promovendo até mesmo o download de novos mapas a cada mês.

O Veredicto:
Rainbow Six 3 para Xbox é mais uma agradável surpresa da Ubisoft. Apesar de não contar com uma produção milionária, é um jogo criativo, com excelente jogabilidade e um soberbo modo on-line, que por si só já vale sua compra.

Prós:
+ Gráficos bons, apesar de existirem jogos mais bem feitos;
+ Jogabilidade é excepcional, prazerosa e simples;
+ Mudanças na fórmula do jogo agradarão a todos os públicos;
+ Design das fases é excelente;
+ Muitas armas fielmente retratadas, bem no estilo "Tom Clancy";
+ Modo multiplayer é um diamante lapidado;
+ Som excelente;
+ Inteligência artificial dos seus companheiros é ótima.

Contras:
- História para neném dormir;
- Cenário poderia ser mais interativo;
- Interlúdios cinematográficos abaixo da média;
- Alguns bugs estranhos durante a jogatina;
- Inteligência artificial dos inimigos deixa a desejar;
- Conexões do Brasil podem ficar lentas em servidors no exterior.


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