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Review de Prince of Persia: The Sands of Time para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Assim como Mario 64 e Metroid Prime que transformaram brilhantemente duas séries originais do 2D para o 3D, Prince of Persia: The Sands of Time é uma adaptação tridimensional perfeita do clássico Prince of Persia de 14 anos atrás.

O jogo não apenas tem um dos melhores gráficos desta geração, seja no Playstation 2, Xbox ou Gamecube, mas surpreende com uma jogabilidade sensacional e um design de fases que lembra os melhores momentos de ICO, Mario Sunshine, Myst e Zelda.

Muito mais que um duplo twist carpado


Sands of Time conta a história do jovem príncipe que, para conquistar a admiração do pai, consegue roubar a ???Dagger of Time??? (ou ???Adaga do Tempo???) dos subterrâneos do palácio inimigo. Persuadido pelo sempre mal intencionado Vizir, o príncipe usa a adaga para abrir uma ampulheta onde estão contidas as tais Sands of Time (Areias do Tempo) que dão título ao jogo, iniciando uma maldição que transforma todos nos castelo numa espécie de zumbi, com exceção, é claro, dos três necessários para sustentar o enredo de uma aventura das mil e uma noites: o Vizir, um velho que não vale a esfirra que come, uma bela princesa e o próprio príncipe.

Este enredo serve não apenas como pano de fundo para a aventura, mas também para justificar algumas boas idéias da jogabilidade. Com a ???Dagger of Time??? em mãos o príncipe tem o poder de voltar no tempo ou apenas retardar sua passagem, o que é de grande serventia em um jogo de plataforma onde você volta e meia cometerá erros fatais. Um pulo errado e uma queda fatal em um precipício podem ser revertidos num singelo apertar de botão que volta a ação em alguns segundos, como se fosse uma fita rebobinando, suficiente para você tentar de novo do ponto em que errou. Nada de ter que repetir toda uma fase por causa de um errinho bobo. O fator frustração predominante em jogos de plataforma tipo Mario é praticamente inexistente em PoP: The Sands of Time, graças a essa saída inteligente do poder de reversão do tempo.

O poder da Adaga ainda facilita a vida do príncipe na hora de lutar, deixando a ação em slow-motion e, conseqüentemente, permitindo esquivar e planejar os movimentos com mais cautela. Mas é um recurso que usei muito pouco durante todo o jogo, pois as batalhas tendem a ser mamão com açúcar para a destreza do príncipe, mesmo com ele tendo que enfrentar sempre grupos de quatro ou cinco zumbis de uma vez.

Na verdade o príncipe pode fazer muito mais que dar cabo de uma meia-dúzia de covardes zumbis. Ele é um ginasta espetacular e uma de suas habilidades mais notáveis é a capacidade de correr pelas paredes, como se fosse Trinity de Matrix. Além disso, salta como uma lebre e tem punhos de aço, capazes de firmá-lo em qualquer parede onde houver apoio.

A maior parte de PoP Sands of Time consiste em usar da habilidade atlética do príncipe para explorar o enorme palácio e seus calabouços. ?? uma tarefa extremamente gratificante, graças ao controle intuitivo e preciso, e aos cenários muito bem bolados e bonitos. A jogabilidade é uma delícia, o príncipe faz malabarismos cinematográficos e sua execução pelo controle é totalmente intuitiva e natural.

Farah, uma bela morena munida de arco e flecha, acompanha o príncipe em quase toda a jornada. Ela irá ajudá-lo na resolução de enigmas e nos combates, embora com ataques muito fracos. Sua melhor qualidade, entretanto, é o corpinho esguio que, além de inspirar alguns sonhos do príncipe, permite que entre em frestas na parede, acessando lugares impossíveis para você. A presença de Farah rende também alguns bons diálogos com o príncipe e momentos cômicos.

Já o combate é bonito de se ver e tem mais complexidade que o comum no gênero de plataforma que, tradicionalmente, costuma ser limitado a bundadas ou simples golpes frontais nos inimigos. PoP Sands of Time te oferece alguns golpes especiais (a adaga é sempre usada para um golpe final nos zumbis) e combos simples de dois botões, mas a longo prazo é um tanto cansativo e limitado, além de muito fácil. Em muitos momentos tem-se a sensação de que os inimigos, que aparecem sempre do nada, existem apenas para retardar seu progresso na aventura, ou melhor, para alongar o jogo às 10 horas médias de durabilidade.

?? também muito bem feita e natural a forma com que o desafio vai se intensificando com o progresso na aventura. O jogo começa como um tutorial dos movimentos do príncipe e, lá no final, estará exigindo que você faça as maiores ousadias com nosso nobre bailarino do deserto. Mas PoP Sands of Time falha em não apresentar praticamente nada diferente do que você já tem e faz no começo do jogo. Fora uma ou outra espada nova, não existem itens ou movimentos novos para acompanhar sua evolução, o que acaba dando uma ligeira sensação de repetição da metade do jogo pra frente. O primeiro terço da aventura pode ser classificada como brilhante, mas o restante é ???apenas??? ótimo, devido à ligeira falta de variedade.

Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão


Prince of Persia, o original, é um dos jogos mais influentes dos últimos tempos. ?? o pai de Tomb Raider, e influenciou grandes jogos como ICO e Flashback, pra não falar de toda a animação realista que se seguiu desde seu lançamento no final dos anos 80.

Mas PoP Sands of Time cobra cada centavo da dívida. O jogo é um pot-pourri de vários dos melhores jogos dos últimos anos. Os pulos de parede em parede de Mario Sunshine, os puzzles com espelho de Zelda (ou seria de Deflektor), o efeito bullet-time de Matrix, alguns enigmas com máquinas no estilo de Myst, e a idéia de rebobinar a fita e voltar no tempo de... errr... Blinx: The Time Sweeper, são todas idéias absorvidas por PoP Sands of Time. Mas não há nada de errado nisso, pois foram copiadas com muita competência.

A maior influencia, oficialmente assumida - obviamente desconsiderando o PoP original - é ICO. PoP Sands of Time copia vários dos cenários do jogo da Sony (os ambientes externos são praticamente uma cópia carbono do lindo castelo de ICO) e o homenageia abertamente em alguns momentos (quem jogou ICO poderá reconhecer, entre outras coisas, a gaiola de Yorda em uma cena muito parecida com a seqüência em que os dois fogem do castelo).

E Farah é praticamente uma versão bastante bronzeada da espectral Yorda, um tanto mais eloqüente e pró-ativa, é bom que se diga.

Para quem gostou de ICO e anda carente, PoP Sands of Time é um jogo obrigatório, mesmo que ainda seja estilisticamente diferente e não tão emotivo. Por ser um jogo mais comercial e mais focado na ação, alguns dizem que é um ICO para as massas.

As diferentes versões de PoP


PoP Sands of Time está disponível para os três consoles, com a versão para PC chegando daqui a uns dias. As diferenças entre elas são mínimas. No Playstation 2 há uma ligeira queda na taxa de quadros por segundo, nada grave, mas não acontece nas versões de Gamecube e Xbox.

Outra diferença está nos extras do DVD. A versão do Playstation 2 mais uma vez leva uma ligeira desvantagem, oferecendo apenas o jogo Prince of Persia original do Mac, que é uma versão mais colorida, mas com controles ruins e muito pouco "respondíveis". A do Gamecube inclui este PoP emulado do Mac mais um vídeo do ???Making of???, enquanto a do Xbox traz tudo isso e mais o Prince of Persia 2 original do PC. Em breve a Ubi vai liberar um código que abre uma fase do PoP original reconstruída em 3D, para todas as versões do jogo.

?? até compreensível que a Ubi queira colocar extras diferentes para cada plataforma, mas acho uma falta de bom senso deixar de fora um ???Making of???, como se os usuários do Playstation 2 não tivessem direito a saciar a curiosidade de como foi feito o jogo. Será que a Ubi espera que alguém compre uma outra versão só por causa desse extra? Não dá pra entender.

O Veredicto:
Sands of Time pode não ser um jogo inovador como o PoP original foi, mas é tão gratificante, cativante e bem feito que pouco importa. ??, sem dúvida, um dos jogos mais bonitos e divertidos do ano, e deve ser obrigatório na lista de pedidos para o Papai Noel.

Prós:
+ Jogabilidade excelente. Controle super intuitivo;
+ Gráficos espetaculares em qualquer plataforma;
+ Nem um pouquinho frustrante;
+ Puzzles muito criativos.

Contras:
- Falta de grandes novidades da metade pra frente;
- Câmera atrapalha em alguns momentos.


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Outer Space
9/ 10
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