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Review de Metroid Prime para GC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Pra vocês dois que ainda não estão a par do fenômeno Metroid Prime, vamos recapitular: esta é a aguardada seqüência de Super Metroid, eleito recentemente ???o melhor jogo de todos os tempos??? nos EUA; o jogo desta vez é em 3D, com perspectiva em primeira pessoa; foi feito com tecnologia canadense, mais precisamente, nos laboratórios da Retro Studios; 9 em cada 10 fãs de Metroid são americanos, e os ianques estão tendo sonhos molhados com Samus Aran, a heroína do jogo; Metroid Prime é quase uma unanimidade por lá, recebendo as maiores honras da imprensa especializada.

?? compreensível que um jogo de alto nível, somado à crise de abstinência dos fãs, tenha provocado tamanho entusiasmo. Porém, Prime não é exatamente o jogo perfeito, que vai agradar gregos e troianos. ?? meio polêmico, como veremos em seguida.

Plataforma e aventura em primeira pessoa
A primeira coisa a ser observada em Prime é o uso da perspectiva em primeira pessoa, bem mais imersiva que o 2D de lado que caracterizava a série até então. Esta característica poderia ter arruinado o jogo, mudando o conceito de plataforma para mais um tiro em primeira pessoa futurista, mas felizmente a Retro Studios fez uma adaptação mais que perfeita dos jogos anteriores, mantendo a essência 2D, com muitos pulos, puzzles e tiros certeiros. Não se deixe enganar pelas aparências: Prime é 90% jogo de plataforma/aventura, 10% tiro em primeira pessoa. Chega a lembrar bastante Zelda, inclusive.

A primeira parte do jogo, entretanto, é puro tiro em primeira pessoa. A fase, que serve mais como um tutorial para te apresentar aos controles, mostra Samus Aran desembarcando em uma base espacial na órbita do planeta Tallon IV para investigar as atividades de seus arquiinimigos, os Piratas do Espaço (nada a ver com o desenho). Você terá que usar as principais tecnologias de Samus neste estágio: segurando o botão superior direito observa o cenário; com o esquerdo trava a mira e faz o ???strafe???, um pula, outro atira e outro transforma sua heroína na coisa mais bacana do jogo: a Morph Ball ??? da qual falarei mais tarde. Outro comando importante, ativado pelo direcional digital do controle, é o scanner. Este ferramenta de Samus ???lê??? um objeto, revelando pistas importantes, fragmentos da história, ou puzzles. ??, a longo prazo, a parte mais maçante.

Esta parte da base espacial termina de maneira dramática, com Samus indo parar na superfície de Tallon IV, onde você descobre que os pilantras do espaço estão desenvolvendo armas poderosas a partir de uma substância tóxica chamada Phazon. Deste momento em diante, o jogo começa a revelar sua verdadeira natureza: muita exploração, puzzles, e um constante vai e vem em mapas gigantescos ??? exatamente como nos Metroids do NES e SNES.

Se você não conhece a série Metroid ainda, as últimas versões de Castlevania (SOTN para o PSOne e os dois do GBA) são jogos conceitualmente idênticos. São Metroids com dentes. Você tem um enorme mapa para explorar, colhendo itens numa extremidade e indo usar na outra, fazendo umas mil viagens (fórmula que dá sinais de desgaste). Portanto se você gostou desses Castlevanias, vai adorar Metroid (o contrário também se aplica). ?? simples assim.

Metade mulher, metade canivete suiço
Samus é uma mulher moderna. Não falo dessas que pagam as contas da casa e mandam o marido ir pastar, mas de uma mulher que é a última palavra em tecnologia, uma guerreira armada com o que há de mais avançado na galáxia. Sua característica mais fascinante é a capacidade de se transformar em Morph Ball, uma bolinha metálica sensacional, capaz de se enveredar pelos túneis mais claustrofóbicos de Tallon IV.

A Morph Ball é realmente o ó do borogodó. Metroid Prime seria um jogo comum sem ela, pode crer. Os puzzles mais bacanas do jogo envolvem o uso dela, e o visual e os efeitos de física mais impressionantes do jogo são com Samus em forma esférica. Enfim, ela é o maior exemplo do design genial envolvido na concepção de Metroid Prime.

Ao longo da aventura você fará ???updgrades??? na bolota mofológica e ela logo poderá soltar dois tipos de bombas, acelerar e até grudar em trilhos como um inseto. Freqüentemente no cenário você encontrará um ???half-pipe??? para brincar com a física da gorduchinha, sendo que muitos deles envolvem puzzles extremamente criativos.

Outro aparato muito bacana de Samus é o ???grapple beam???, uma espécie de cipó elétrico que permite que nossa heroína alcance plataformas aparentemente inacessíveis.

Além disso, a senhorita Aran é dotada de uma armadura capaz de receber ???upgrades??? como o pulo duplo (chamado no jogo de Space Jump), resistência a ácido e Phazon, mobilidade sub-aquática, etc. Um canhão acoplado ao braço direito é outra geringonça interessante, servindo para disparar mísseis e tiros de cinco propriedades diferentes: raio comum, eletricidade, Phazon, gelo e fogo. Você pode segurar o botão de tiro para acumular um raio mais forte, e também combinar a rajada com o aparato de mísseis para uma descarga especial. E finalmente, um visor integrado à armadura pode ser incrementado com visão de Raio-X e visão noturna.

Descobrir e dominar cada tecnologia é uma das grandes curtições em Prime, mesmo porque, o jogo falha em criar um senso de objetivo maior, que deveria ser a luta para deter os planos dos piratas. Bem no início, Samus cai em Tallon IV praticamente despida (na verdade ela ainda tem um revestimento metálico que não deixa um milímetro de pele à mostra, pior que uma burca). A armadura, Morph Ball, e cada item de upgrade estão escondidos em algum lugar do planeta, e muitas regiões só podem ser acessadas com o uso específico de uma tecnologia (uma porta branca, por exemplo, só pode ser aberta a partir do tiro do canhão de gelo). Sua força motivadora para enfrentar o planeta inóspito não é a luta do bem contra o mal ??? particularmente, eu estava pouco me lixando para o que um bando de seres estrambóticos chamados de ???piratas??? estavam tramando até o final do jogo ??? mas o simples prazer de explorar, conhecer novos lugares e utilizar os armamentos e tecnologia de Samus Aran.

Scan my ass!
Toda a história de Metroid Prime é passada ao jogador através do comando de ???scan???, com Samus lendo computadores e outros objetos do cenários para reunir informações sobre os planos dos piratas e os eventos que antecedem sua chegada a Tallon IV. No começo o recurso é bem interessante, tem algo de ficção científica que ajuda na imersão, mas exageraram na dose. O ???scan??? passa a ser sobre-utilizado. Você pode escanear cada criatura do planeta, zilhões de computadores, monumentos etc, e cada um conta para a sua porcentagem de completude do jogo. Não escaneou tudo? Ok, você ainda pode completar o jogo com porcentagem menor e um final diferente, mas o chato é que você nunca sabe o que merece e o que não merece ser escaneado. Se você não é um homem que escaneia, certamente estará fadado a perder totalmente a história e grande parte da imersão de Prime.

A Retro Studios bem que poderia ter bolado uma narrativa mais interessante para criar aquele suspense extra. Mas a história é passada em doses homeopáticas, pelo ???scan???, através de uma entediante caixa de texto. Duvido seriamente que alguém em condições mentais estáveis terá disposição para ler integralmente a ficção metroidiana.

Se essa função de ???scan??? fosse um pouco mais bem dosada, os efeitos jogabilísticos com certeza seriam mais positivos. Afinal, a idéia é massa e tem tudo a ver com a ambientação ???sci-fi??? do jogo. Quanto à história, fica clara a intenção da Retro Studios de confiná-la a um segundo plano.

Não são apenas rosas que brotam em Tallon IV
Metroid Prime é um jogo ???hardcore???, que parece exigir que você viva em função dele. Se por um lado vai agradar bastante a quem acredita que quanto mais longo o jogo melhor, e não se importa tanto com o ritmo e intensidade da experiência, por outro pode ser um pé no saco para quem já não tem muita paciência com um jogo de ação levado muitas vezes em banho-maria e que chega a durar umas 50 horas.

A jogabilidade é derivada dos antigos Metroids do NES e SNES, como já foi dito. Há um bocado de tiroteio, é claro, mas o creme de la creme é mesmo a exploração.

Tallon IV é o planeta mais esquisito da galáxia. Sua superfície é como uma grande gruta ou nave espacial, composta de uma infinidade de salas ??? algumas com layout bem criativo - conectadas por portas eletrônicas. Você terá que percorrer esses ambientes à procura de algo para fazer, seja pegar um item, resolver um enigma que abrirá um novo caminho ou confrontar umas criaturinhas básicas.

O jogo é aberto, não-linear e gigantesco, o que freqüentemente resulta em desorientação. Há uma preocupação dos programadores com isso, tanto que a tela de mapa volta e meia dá uma dica, marcando o ponto exato do seu objetivo primário. Porém, nada evita que na maior parte do tempo você esteja forçado a examinar cada uma das milhares de salas de Tallon IV com atenção à procura de itens ou informações relevantes para o seu progresso, e o pior, ir e voltar um milhão de vezes, passando sempre pelas mesmas salas e matando os mesmos bichos (eles reaparecem a cada mudança de ambiente). Há muito o que fazer em Prime, o jogo é grande e muitas vezes espetacular, mas 70% do seu tempo provavelmente será desperdiçado com o vai e vem desnecessário. ?? a chamada ???encheção de lingüiça???. Há quem goste.

Os 30% restantes, porém, são orgásmicos, uma adequação perfeita da fórmula clássica dos jogos da Nintendo ??? exploração, puzzles inteligentes e lutas épicas com chefes de fase ??? ao tema futurista de Metroid. A transição para o 3D só contribuiu para realçar essas qualidades.

Os confrontos com os chefes são, ao lado da Morph Ball, a parte mais marcante do jogo. As batalhas acontecem no velho estilo descubra o ponto fraco e invente uma maneira de chegar até ele. O nível de desafio tende a ser elevado como nos jogos do passado.

Outro ponto polêmico é o controle. Ele é bom, mas algumas funções estão mal implementadas. O fato de ter que segurar o botão lateral direito para observar livremente o cenário é o que mais incomoda. Além de cansar o dedo um bocado, ele não permite que Samus caminhe no processo. E podem me chamar de retardado, mas até completar o jogo eu ainda tinha algum bloqueio mental com eles. Mapa no Z, bola no Y, zoom in, zoom out... muitas vezes no calor da ação fui forçado a me contentar com um visor de ???scan??? quando na verdade queria era o de Raio-X, por exemplo. Nada disso é um defeito grave na minha opinião, mas é sempre bom registrar.

Gráficos e sons
Visualmente, Metroid Prime oscila mais uma vez entre o genial e o medíocre. O clima de mistério do planeta é fascinante e os cenários são muitas vezes extremamente criativos e convidativos para a exploração, embora tecnicamente não impressionem pela complexidade geométrica nem pelos efeitos de iluminação, praticamente inexistentes.

Mais uma vez, a parte de Morph Ball é a que transmite o maior prazer estético, graças aos efeitos de luz, física extraordinária da bolinha e um jogo de câmeras criativo (em vários trechos, a câmera assume a perspectiva lateral para mostrar a Morph Ball percorrendo os caminhos, como num jogo 2D). Não é o melhor jogo do Gamecube para impressionar seus amigos, mas ainda é muito acima da média.

A trilha sonora, composta por Kenji Yamamoto da Nintendo japonesa, é um espetáculo, embora, mais uma vez, o lenga-lenga inventado para multiplicar a durabilidade do jogo pode prejudicá-la pela repetição exaustiva.

O Veredicto:
A adaptação para o 3D supera as expectativas, mas no final Metroid Prime é um jogo que mistura muitos momentos brilhantes com outros que são um atraso de vida. Uma obra-prima para o metroidista ortodoxo, um jogo cheio de altos e baixos para todo o resto ??? recomendado para ambos.

Prós:
  1. Morph Ball é genial;
  2. Músicas soberbas;
  3. Criativo como os melhores da Nintendo;
  4. Batalhas com os chefes são jóia;
  5. Samus Aran é uma maravilha da tecnologia.


Contras:
  1. História irrelevante;
  2. Cenários muitas vezes simples demais;
  3. Vai e vem é um anticlima;
  4. Controles limitados;
  5. Parte em primeira pessoa fica repetitiva.



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