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Review de Neverwinter Nights para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Qualquer pessoa razoavelmente interessada pelos RPGs provavelmente está careca de saber o que é Neverwinter Nights. Mas caso você tenha chegado a esta análise por acidente, é melhor explicar do que se trata.

Neverwinter Nights é uma espécie de sucessor de Baldur???s Gate 2 - um dos melhores jogos de RPG dos últimos mil anos -, programado, por quase cinco anos, pelo mesmo estúdio, mas com um foco diferente: o modo multiplayer, que era mal cheiroso em Baldur???s Gate, agora é a grande atração.

O jogo traz, basicamente: o editor de módulos Aurora, que é a ferramenta usada pela própria Bioware para criar os cenários do jogo original; o cliente ???Dungeon Master???, onde uma pessoa controla todo o jogo e a história para os demais; e o modo de um jogador, que parece ter menos importância desta vez. Na verdade você compra uma ferramenta poderosíssima para criação de módulos e jogos RPG multiplayer, e de lambuja, leva um jogo single-player para distrair.

?? com essa mentalidade que Neverwinter Nights deve ser encarado, mesmo porque o modo para um jogador se mostrou muito aquém do que se esperava dos titãs do RPG da Bioware.

Grupal é bem mais excitante


Para apreciar Never ao máximo você deve, antes de mais nada, estar disposto a vegetar, porque tudo no jogo demanda tempo: o modo para um jogador tem duração de quase 100 horas, a ferramenta para criação de novos módulos é até bem intuitiva e muito poderosa, mas é tão complexa e difícil de dominar quanto um programa profissional, e o modo ???Dungeon Master??? disponível para jogos totalmente personalizados é um compromisso para semanas.

Avaliar tudo isso é complicado, ainda mais porque o jogo está muito novo, pouquíssimas pessoas dominam a ferramenta Aurora ??? embora a Internet já esteja entupida de novos módulos para download ??? e não é muito fácil encontrar tantas pessoas dispostas a iniciar um jogo multiplayer mais complexo. O potencial de Never é enorme, e o entusiasmo que se vê nos grupos de discussão e a quantidade de módulos que pipocam por aí (já existe até um módulo que tenta fazer uma aventura no universo The Legend of Zelda) são apenas a ponta do iceberg.

O modo de um jogador por sua vez não tem grande mistério, nem, infelizmente, o mesmo valor dos jogos anteriores da Bioware. ?? uma experiência bem acima da média com certeza, mas não chega aos pés do brilhante Baldur???s Gate 2.

O principal problema está no fato da aventura ser praticamente limitada ao controle de um único personagem, diferente de Baldur???s onde você controlava um grupo com até seis. Você ainda pode ter a companhia de um personagem não-jogável contratado desde o início do jogo, mas ele funciona com as mesmas limitações que tem uma criatura invocada por feitiço ou, no caso dos magos, do ???familiar???. Você apenas dá ordens bem simples a eles, como ???me cure???, ???me proteja???, ???fique parado aqui??? etc. Não é possível sequer equipá-lo com um item melhor. Das suas mãos ele recebe apenas as poções, e mesmo assim entorna todas imediatamente.

Esta característica deixa o modo de um jogador até mais próximo de Diablo que dos clássicos da Bioware como Baldur???s Gate e Icewind Dale. Infelizmente deixa tudo bem mais sem graça também. Afinal onde está a estratégia nas batalhas quando se tem apenas um personagem lutando (caso ele seja um guerreiro, pior ainda: a única estratégia será atacar o inimigo mais próximo)? E as aventuras paralelas inerentes ao papel de cada personagem no Baldur???s Gate? E quem irá usar aquele machado mágico que você conseguiu quando o seu "grupo" é um mago e mais ninguém? Pois é...

Talvez um enredo brilhante pudesse equilibrar as coisas, mas até neste quesito Never é superado pelos anteriores da Bioware. A história é até bem boa, longa e detalhada pra burro, mas não tão inspirada como foram, especialmente, as de Baldur???s Gate 2 e Planescape Torment. E a própria natureza do jogo prejudica a emoção, já que não temos desta vez um cenário construído especificamente para criar aquela história, mas algo genérico, oriundo do próprio editor Aurora, às vezes repetitivo mesmo que incrível em certos momentos. Um pessimista poderia vê-lo como nada mais que um módulo demonstrativo feito pela própria Bioware.

Além disso, a aventura de um jogador tende a ser muito dependente do ???quicksave???, com muitas partes onde é inevitável morrer para fazer tudo de novo, com mais cautela, depois. Isso acontece não apenas porque há mais armadilhas que o normal num RPG, mas principalmente porque você tem apenas um personagem sob comando, e se ele morre, não haverá quem possa ressuscitar. Uma tentativa de corrigir isso foi implementada com a opção de renascer tomando penalidades em experiência, mas é inevitável que, dada a freqüência com que a morte ocorre, a maioria das pessoas irá se valer do ???quicksave??? mesmo.

E Deus disse: faça-se a luz. E foi feita a luz


Visualmente, Neverwinter Nights é quase sempre soberbo. Peca às vezes por usar formas geométricas muito simples e por ter cenários repetitivos demais e outros pouco inspirados, como as tradicionais cavernas e minas.

O efeito de sombra em tempo real é impressionante. Toda luz no jogo produz uma sombra em qualquer objeto. Não há truque para gerar um efeito de sombra, mas um cálculo em tempo real para luz e sombras. Imagine você andando com uma tocha na mão e, ao passar por uma grade em uma prisão, vê a sombra de cada barra de ferro incidindo do chão à parede, e conforme você se afasta ou aproxima, a sombra aumenta ou diminui. Até o menor objeto, como uma xícara em cima de uma mesa, faz sua sombra no cenário. Parece uma banalidade, mas este é um efeito que vai te impressionar até o final do jogo.

Além da sombra, alguns detalhes sensacionais precisam ser destacados: a modelagem e animação de alguns monstros e animais; o capim alto que se mexe com o vento e quando alguém anda sobre ele; e os efeitos de magia, simplesmente soberbos. Um ponto negativo é a modelagem do seu personagem que, sabe-se lá por que, é meio avacalhada, e muito inferior à das demais criaturas.

A regra é clara: D&D, terceira edição


Neverwinter Nights traz uma boa dose de inovação com um sistema gráfico 3D estupendo e uma interface extremamente polida e funcional. Todos os comandos estão acessíveis a partir do clique com o botão direito sobre o personagem, e ainda temos uma barra de ???hotkeys??? totalmente configurável que permite usar qualquer item com o apertar de uma tecla.

A batalha ocorre mais ou menos como nos outros jogos da Bioware, com a opção de pausar a ação com a barra de espaço e planejar os próximos movimentos. Este recurso não será tão utilizado como antes, já que a batalha agora é menos estratégica e bem mais frenética, mas ainda é muito bem vindo. Uma novidade interessante no combate é a possibilidade de ordenar que o personagem execute uma seqüência de ações praticamente sem interrupção, como por exemplo: soltar um uma bola de fogo, curar seu amigo, andar, usar outro feitiço e tal.

Outra diferença fundamental em relação aos jogos anteriores é a adoção da terceira edição de regras D&D. Bem mais flexível que as regras antigas, a terceira edição não impõe restrições à raça ou classe do seu personagem. Agora é possível ter um gnomo guerreiro, ou um half-orc paladino, mesmo que não seja o ideal. Ou desenvolver um mago para poder vestir armadura e usar escudo, levando-se em conta apenas que qualquer aberração implica em penalidades.

O Veredicto:
Mesmo não tendo uma aventura para um jogador tão competente como as de outros jogos da Bioware, Neverwinter Nights é um jogo que honra o seu dinheiro oferecendo uma ferramenta profissional para jogos de RPG e um modo multiplayer riquíssimo. Altamente recomendado pelas características online, e apenas recomendado como uma aventura solitária.

Prós:
+ Um RPG totalmente aberto, para os próprios jogadores modificarem;
+ Gráficos excelentes, graças principalmente aos efeitos de luz e sombra;
+ Modo multiplayer excelente;
+ Interface bem feita, intuitiva;
+ A música bacana de sempre;
+ Uma aventura bacana para um jogador, apesar de tudo.

Contras:
- Apenas um personagem no modo single-player prejudica bastante;
- Requer paciência e dedicação extra para usufruir do que há de melhor no jogo;
- Algumas formas geométricas simples e repetição do cenário.


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Outer Space
9/ 10
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