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Review de Doom 3 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O tempo realmente voa... Faz 11 anos desde que o primeiro Doom redefiniu o conceito de jogo de ação no PC e iniciou a febre dos jogos de tiro em primeira pessoa.

Mesmo com as limitações tecnológicas da época, a id Software conseguiu criar um mundo futurista bizarro, em pseudo-3D, que imergia o jogador pelo seu suspense e pela sensação de estar dentro da ação, conseguida pela perspectiva em primeira pessoa. Outro grande feito de Doom foi dar início à febre dos confrontos multiplayer, na época possíveis apenas por conexões diretas via modem com o outro jogador.

Com a enorme responsabilidade de fazer uma seqüência no nível de qualidade que a série merece, a id passou quatro longos anos produzindo um novo sistema gráfico e, depois de muita propaganda, mistério sobre suas novidades, promessas de gráficos inovadores e expectativa exacerbada dos fãs, finalmente estamos voltando às origens do tiro em primeira pessoa com Doom 3.

Clichê futurista-demoníaco


Marte, 2145 ??? Nosso personagem acaba de se unir ao corpo de fuzileiros responsável pela segurança do complexo marciano da Union Aerospace Corporation (UAC), instalado no planeta para pesquisa, desenvolvimento de tecnologias e exploração dos recursos locais. A UAC criou duas máquinas importantes para a evolução da humanidade: O Elemental Phase Deconstructor e o Hydrocon, capazes de transformar matérias primas marcianas em água, combustível e ar, recursos que andam em falta no planeta Terra.

O que parecia ser apenas um novo trabalho acaba se tornando um pesadelo. Ao investigar recentes desaparecimentos de funcionários e soldados, acabamos descobrindo que um portal foi aberto direto do inferno para a base da UAC, e as mais demoníacas criaturas estão tomando conta do local e mutilando os humanos que ali trabalham.

Como membro altamente treinado da força militar, nossa missão é eliminar salvar as poucas pessoas que ainda restam e acabar com as ameaças do além... Nem que, para isso, tenhamos que ir até o inferno para cortar o mal pela raiz.

De volta ao passado...


Doom 3 evoluiu muito em relação aos dois primeiros da série, principalmente no que diz respeito à tecnologia, que falaremos mais adiante, mas sua essência continua a mesma: Enfrentar exércitos de demônios sozinho, em cenários pequenos e escuros, com uma jogabilidade simples e tomando alguns bons sustos.

A diferença básica é que agora a tônica do jogo é o suspense, e nem tanto a ação em si, portanto não precisamos mais ter grandes habilidades no comando do personagem, mas sangue-frio. Os cenários do jogo se resumem a salas, pequenos galpões e corredores escuros. A sensação de estarmos enclausurados é constante e o clima tenso não tem fim, pois a qualquer momento um monstro pode surgir, seja pelo teto, chão ou até mesmo pelas paredes.

Essa falta de variedade visual, ao mesmo tempo que propicia um suspense sem igual, faz com que o jogo fique repetitivo e se torne um pouco cansativo. Tudo bem, os cenários são muito bem feitos, mas não variam. Tudo que vemos em Doom 3 se resume a sangue, monstros, armas, computadores, portas e tubulações, sempre sendo exibidos com um leve filtro verde-acinzentado. Só em estágios bem avançados do jogo que aparecem alguns cenários um pouco mais interessantes, mas sem fugir muito do estilo.

A jogabilidade é extremamente amigável, bem no estilo da série. Não se preocupe em ter que decorar um monte de configurações do teclado ou fazer contorcionismos com os dedos para alcançar as diferentes teclas que o jogo exige. Em Doom 3, somos limitados a andar, pular (algo raramente necessário), atirar e abrir portas (a maioria das portas se abrem automaticamente. Para as demais, basta clicar com o mesmo botão de tiro). O mais complexo que temos a fazer é apertar o TAB para acessar o nosso mini-computador pessoal (PDA) e ver informações coletadas de funcionários mortos da UAC. Com o PDA deles em mãos, conseguimos liberação para trafegar em certos setores, senhas para portas e depósitos de armas e munições, e ainda ficamos por dentro dos acontecimentos dentro do complexo.

Esta simplicidade na jogabilidade pode se tornar repetitiva para alguns jogadores que procuram um shooter que ofereça um pouco mais do que ???matar monstro-pegar chave-abrir porta???. ?? a clássica fórmula da id, e uma que vem sendo explorada desde o primeiro Doom. Já está um tanto fora de moda.

Terror tecnológico


A parte tecnológica, ressaltada exaustivamente pela id e pela mídia durante todo o seu processo de produção, é mesmo a grande atração de Doom 3. A apresentação visual é uma dos mais belas já vistas em um PC, com gráficos, texturas, animações e um sistema de física de primeiríssima qualidade... Isso sem contar a luz.

O sistema de luz de Doom 3 é, sem dúvidas, o melhor já visto em um jogo de PC. Luzes e sombras dinâmicas estão sempre presentes e têm um papel de grande importância na jogatina, primeiro por intensificar o clima de suspense e, segundo, por forçar o jogador a alterar o estilo de jogar, tendo que freqüentemente substituir a arma empunhada por uma simples lanterninha. Como não é possível equipar lanterna e arma ao mesmo tempo, ficamos com uma sensação constante de vulnerabilidade, já que a qualquer momento um bicho pode aparecer antes que possamos selecionar uma arma e abrir fogo.

Em alguns momentos estamos andando por um cenário e a luz subitamente apaga, fazendo com que fiquemos em um blackout total. A primeira reação é parar a caminhada, não importa onde estejamos, e engatilharmos a arma. Sem conseguirmos ver um palmo na frente no nariz - e com um grunhido tenebroso ficando cada vez mais alto - somos obrigados a sacar a lanterna para vermos o que se passa, e damos de cara com uma das criaturas horrendas. Aí começa o desespero: Guardamos a lanterna e pegamos a arma novamente, e iniciamos uma distribuição de tiro quase que aleatória, uma vez que não dá para ver nada. A sorte é que o fogo dos disparos resultam em flashes que nos dão, pelo menos, uma noção de onde o inimigo está.

O sistema de física e a animação também merecem menções, pois contribuem bastante com o realismo. Os monstros e zumbis se movimentam com muita suavidade e reagem diferentemente, de acordo com o local do corpo que recebe um tiro. Os objetos também variam de acordo com as circunstâncias: Em um determinado momento, quando uma plataforma desaba e as coisas que estão em cima se espalham, os objetos podem ficar distribuídos de várias maneiras pelo chão.

Os cenários também têm uma característica de poderem se distorcer de uma maneira nunca antes vista. Os monstros mais fortes são capazes de amassar ou derrubar portas de uma maneira tão real que chega a assustar. Isso sem contar os ferros e tubulações que são entortadas e pedaços do piso e do teto que são arrebentados por eles. Um show assustador.

Grande parte do suspense se deve também a excelência sonora. Como os ambientes são bem escuros e muitas vezes não temos sequer uma luz para nos orientar, os efeitos sonoros dão conta de elevar o grau de tensão. Basta ouvir alguma coisa sendo derrubada, o grunhido de um monstro ou os simples passos de um zumbi para começarmos a procurar por todos os lados pela criatura. Sabemos que ela está ali e os seus ruídos ficam cada vez mais próximos, mas ainda não conseguimos vê-la. Chega a ser desesperador.

A qualidade dos sons de Doom 3 são dignas de um Oscar, principalmente pelo suporte aos sons posicionais, que nos inserem no meio do terror. O barulho dos disparos ensurdecedor das armas e o tilintar de suas partes metálicas dão um realismo fora do comum.

E o melhor de tudo, é que a tecnologia de Doom 3 é bem flexível no que diz respeito a requisitos de sistema: Ele roda bem em diversos tipos de configuração, bastando reduzir a qualidade gráfica para computadores mais modestos. Mas, mesmo no mínimo, não dá uma diferença muito gritante no visual geral, não tirando, assim, o brilho do jogo.

Multiplayer sem sal


O modo multiplayer de Doom 3 segue a risca a proposta do singleplayer, que é de não inovar em termos de jogabilidade. São poucos mapas (5), apenas 4 jogadores podem combater simultaneamente e as opções de jogo se resumem em Deathmatch, Team Deathmatch, Tournament (1 contra 1, sendo que o vencedor pega o próximo da fila) e Last Man Standing (o último sobrevivente, ganha).

Apesar de bem limitado, o multiplayer de Doom 3 ajuda a elevar a longevidade e trazer uma diversão extra aos jogadores. Mas, se compararmos com este modo de outros jogos existentes no mercado, ele se mostra bem sem sal.

O Veredicto:
Doom 3 é muito mais um trabalho direcionado a criar um sistema gráfico revolucionário que um grande jogo. As virtudes técnicas da id Software nunca estiveram tão em evidencia, mas ao mesmo tempo o jogo expõe algumas limitações notórias de criatividade da produtora.
Esta é uma oportunidade de tomar uns bons sustos e conhecer a tecnologia que será aproveitada em tantos outros jogos daqui pra frente. Mas para saciar todos os desejos de jogabilidade, a idéia continua sendo esperar por Half Life 2.

Prós:

+ Sonoramente e visualmente de excelente qualidade;
+ Luzes e sombras dinâmicas jamais vistas em um jogo;
+ Cenários são distorcidos e arrebentados pelos inimigos;
+ Clima bastante tenso nos traz a sensação de que seremos atacados a todo instante;

Contras:

- Um pouco cansativo: Objetivos e cenários não variam;
- Modo multiplayer está bem aquém do que existe por aí.


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