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Review de Desert Rats vs. Afrika Korps para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Como a febre dos jogos baseados na segunda guerra mundial se recusa a cessar, mais e mais títulos chegam às prateleiras das lojas e dividem a preferência dos jogadores, que, a esta altura, já devem ter decorado o melhor caminho para se andar na praia de Omaha ou conhecem a Normandia de ???cabo a rabo???.

Se está difícil fugir do tema, pelo menos temos algumas opções que variam um pouco dos já saturados jogos de tiro em primeira pessoa, como é o caso da estratégia em tempo real Desert Rats vs Afrika Korps, da Atari para o PC.

Comandantes em conflito


O jogo retrata os conflitos acontecidos no norte africano entre os anos de 1941 e 1943, que ficaram marcados pela rivalidade dos generais Erwin Rommel e Bernard Montgomery, considerados uns dos maiores comandantes militares de toda a segunda guerra.

O primeiro era o braço direito de Hitler e tinha o apelido de Desert Fox, pela sua tamanha habilidade em combater em regiões desérticas. Ele foi o comandante das tropas alemãs que lutaram no deserto da África e, por isso, ficaram conhecidas como Afrika Corps.

Já o segundo foi um grande líder aliado que se destacou no combate às forças de Rommel. Montgomery liderou o destacamento inglês conhecido como Desert Rats que saiu vitorioso em 1943, quando conseguiu ???expulsar??? seu rival e o que restou de suas tropas do país.

DRAK recria as batalhas mais memoráveis deste período, sempre apresentando alguns vídeos em CG para explanar a história.

Amigável ou coerente?


Se tem uma coisa que é quase impossível de ajustar em jogos baseados em fatos reais é o ponto de equilíbrio entre uma jogabilidade amigável e acessível, e a coerência ao retratar acontecimentos históricos. E com DRAK não diferente.

Por estar ???obrigado??? a manter a fidelidade dos fatos, o jogo é todo baseado em mapas desérticos, por isso não temos muita diversidade de cenários para serem mostradas. Esqueça prédios, fábricas, lagos, mares, florestas e demais cenários propícios a um jogo de estratégia, pois tudo que temos são tendas, barricadas, galpões, pequenas construções, coqueiros esporádicos e areia... Muita areia. Um ambiente um tanto quanto sem vida.

Apesar de pobre em termos de variação, o visual é muito bem feito. Como é todo em 3D, podemos girar a câmera, para buscarmos um melhor ângulo da ação, e até dar um zoom nos soldados para ver cada detalhe de suas roupas e equipamentos, ou mesmo para notar o perfeito funcionamento das partes mecânicas de um tanque. A atenção aos detalhes pode ser mais bem notada ao término de um confronto, pois todos os soldados mortos e veículos destruídos continuam na tela, dando uma noção exata de como foram sangrentos os confrontos ocorridos ali.

Variedade


Como não existe fábrica de veículos e armamentos no meio de uma guerra real, DRAK deixa de lado os processos de coleta de recursos, construção de instalações e fabricação de unidades, comuns nos jogos de estratégia, para focar apenas nos combates. Novos soldados podem ser conseguidos ao completar objetivos - quando recebemos reforços - e veículos podem ser roubados dos inimigos.

Como não existe uma renovação de unidades, o jogador precisa ter um carinho maior com sua tropa, obrigando-o a elaborar táticas mais eficazes de engajar o inimigo, deslocar-se com cuidado pelos cenários, curar os ferimentos dos seus homens e consertar os transportes.

Para isso, temos várias especialidades de soldados: O infante, que pode ser munido de um rifle ou metralhadora e é ideal nos combates contra outros soldados; o médico, que cuida dos feridos e os coloca em condições de guerrear; o engenheiro, que arma e desarma minas; o sniper, que tem ótimo raio de visão e pode matar soldados com precisão; o grenadier, que é equipado com lança-rojão e é essencial na destruição de veículos; o soldado com lança-chamas, que é espetacular à curta distância; e o soldado de reconhecimento, que é mais difícil de ser detectado pelos inimigos.

Claro, além desses existem os heróis, que são personagens principais com poder de fogo superior e habilidades especiais, como matar o motorista de um veículo inimigo para torná-lo disponível para o uso de nossa tropa.

A quantidade de veículos também assusta: Existem motos, carros, tanques de todos os tipos, caminhões de transporte, etc. Cada um deles tem suas especificações e melhor aplicação nos combates, sendo que uns até podem rebocar artilharias fixas. No final de cada missão, ainda podemos ganhar mais unidades especiais, dependendo do número de pontos que conseguimos. ?? uma fartura de opções sem fim.

Isso sem contar que cada veículo tem suas características modificadas de acordo com o número e especialidade dos seus passageiros. Por exemplo, um tanque com apenas com um soldado dentro terá mais dificuldades e menor precisão ao atirar (suponho que é porque o motorista tem que sair correndo do volante e assumir a canhão). Se ele tem dois soldados, os disparos melhoram substancialmente. E se esse soldados foram infantes, o poder de fogo aumenta. Já se forem soldados de reconhecimento, o campo de visão do veículo que é aumentado. ?? bastante hardcore.

O filho teu foge à luta


O fato de ter soldados e veículos demais, cada qual com suas especialidades e aplicações, faz com que DSAK não seja muito aconselhável para o público casual. Ele requer um tempo de adaptação muito grande e seu nível de desafio é mais elevado que a média.

Mesmo quem já é fera em estratégia encontrará dificuldade da identificação e diferenciação das unidades, o que ajuda muito a piorar o processo de conhecimento do jogo. Acaba que o jogador perde a paciência, seleciona tudo que vê na frente e manda atacar, o que resultará na perda de unidades importantes e, conseqüentemente, no não-cumprimento das missões.

Problemas com clipping (unidades que passam em cima das outras) e com inteligência artificial (unidades se agarram umas nas outras e tomam os piores caminhos para chegar ao destino, comprometendo as missões) acabam de tornar a adaptação a DSAK ruim.

O Veredicto:
Desert Rats vs Afrika Corps tinha tudo para ser um jogo ótimo, pois tem um bom visual e uma grande variedade de unidades. Como sua jogabilidade é pouco amigável e seus problemas técnicos irritam, ele é um bom divertimento apenas para quem é realmente fã de estratégia.

Prós:

+ Bons gráficos e atenção para detalhes;
+ Retrata bem os confrontos ocorridos no norte africano, que a maioria dos jogos baseados na segunda guerra não fazem;
+ O fato de não ter que coletar recursos e produzir unidades ajuda a focar nos combates e obriga o jogador a ter mais cuidado com suas unidades;
+ Algumas possibilidades, como matar o motorista para roubar o veículo ou rebocar uma artilharia pelo mapa, são bacanas;

Contras:

- Demanda muito tempo para adaptação;
- Pouco amigável, tanto para os jogadores usuais quanto para os ???hardcore???;
- Unidades demais. E todas visualmente iguais;
- Inteligência artificial é ruim. ??s vezes, ela suicida nossas unidades.


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