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Review de Silent Hill para PS1 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Silent Hill é, a princípio, nada mais que uma decisão burocrática da Konami de ter um jogo no gênero "horror", inaugurado com muito sucesso por Resident Evil. Sem muitas pretensões e pouquíssimo esforço de marketing para um projeto tão ousado, Silent Hill parecia realmente fadado a não ir muito longe. Mas foi.

Um jogo "horroroso"


Se você achou Resident Evil assustador, peça para a mamãe comprar um pacote de fraldas, pois suas calças fatalmente irão ficar molhadas. Silent Hill é puro terror, baby.
Como afirmava o autor do projeto, Keiichiro Toyama, Resident Evil estava mais próximo de um filme policial com zumbis e, para Silent Hill, almejava-se uma tradução mais eficiente do que é um verdadeiro filme de horror. Para isso, são manipulados recursos de camera e iluminação, tomando como inspiração a morbidez dos filmes de David Lynch e David Cronenberg.

Logo nos primeiros minutos de jogo, você tem uma amostra dos ângulos de camera perturbadores de Silent Hill. Durante um sonho, seu personagem caminha por um corredor assombroso, a camera está fixa, como diz a regra dos cenários de Resident Evil, mas em um certo momento, ela gira em um ângulo de 45o, muda para outra perspectiva, vai para o alto e te deixa imaginando como os cenários 2D de Resident Evil já estão ultrapassados. A movimentação de camera já é a primeira prova de que você está diante de um novo paradigma para os jogos que pretendem se valorizar pela atmosfera e não por jogabilidade e ação.

E, é justamente assim que se deve jogar Silent Hill. Se você procura tiros de bazuca, centenas de zumbis, aberrações espirrando sangue na parede e grandes desafios para sua destreza de "gamer", procure em outro lugar. Este é um típico "adventure" que requer uma dose mínima de habilidade com o controle.

Cidade 3D bem assombrada


Dito isso, temos que destacar o quão Silent Hill é eficiente em criar um clima de terror. A começar pelo "engine" gráfico usado. A arquitetura da cidade de Silent Hill mostra todos os detalhes de uma cidade real. A fachada das casas, tipicamente americanas, a calçada, caixas de correio, hidrantes, semáforos, cercas, praças, tudo está representado em polígonos aqui. ?? ver para crer.

Mas, sem dúvida, uma das características mais impressionantes do sistema gráfico do jogo está no uso da iluminação e do famigerado "fog" (névoa). Um olho puramente técnico logo iria denunciar: a névoa e escuridão predominantes em Silent Hill são um defeito do fraco hardware do Playstation. Mas, há melhor desculpa para abusar destes recursos que criando um jogo de terror? Na assombrosa cidade existem duas situações: nevoeiro intenso ou escuridão; em ambos os casos a visão é limitada a alguns metros, poupando memória e processamento gráfico, é claro, mas aproveitando para elevar o terror as alturas. O que era naturalmente um defeito, foi transformado em recurso dramático.

História e personagens


A história de Silent Hill consegue ser ainda mais sombria que os ambientes criados no jogo. Ela começa com Harry Mason (você no jogo) e sua filhinha Cheryl viajando para a pequena cidade de Silent Hill, até que, em um ponto da estrada, surge a figura de uma mulher no meio da pista; ao tentar desviar, Harry bate o carro e desmaia. Quando acorda, sua filha já não está mais no banco detrás e você se vê no meio de um terrível nevoeiro. Daí pra frente a trama fica complicada e abre espaço para várias interpretações.

Entender a história requer muito mais que atenção e reflexão. Numa decisão um tanto polêmica, os programadores do jogo decidiram estender o interesse do jogador colocando 5 finais diferentes, determinados pela sua conduta em não mais que dois momentos cruciais. Completar o jogo não consome mais que 7 horas, muito pouco talvez, mas para poder conhecer mais sobre a trama e ver os vários finais, terás que grudar a mão no controle pelo dobro do tempo, infelizmente, sem tanta motivação.
E, antes que você pergunte, a atuação dos dubladores do jogo são no mesmo baixo nível ou piores que a dos canastrões de Resident Evil. Com exceção da macabra velha Dhalia Gilespie e da ainda mais estranha enfermeira Lisa, os personagens de Silent Hill tem talentos vocais para deixar Arnold Schwarzenegger orgulhoso de suas habilidades como ator.

Canastrões a parte, os personagens de Silent Hill são bem interessantes. Como um digno representante gamístico da morbidez dos filmes de David Lynch e companhia, o jogo tem uma policial gostosa, um médico junkie e uma enfermeira bonita e melancólica. Você fica com a honra de representar um cidadão comum, um pai de família com pouca intimidade com armas e preocupações mundanas.

O Veredicto:
Silent Hill é um dos melhores jogos já feitos para o Playstation. Tem elementos que certamente não irão agradar a todos, como a história aparentemente sem pé nem cabeça e a falta de grandes desafios. ?? para quem aprecia temas mórbidos, melancolia e história surreal. E para esse público, Silent Hill supera Resident Evil facilmente.

Prós:

+ Assustador!;
+ Gráficos soberbos;
+ Belas composições musicais, que variam de "trip-hop" ao tango (do mais melancólico)

Contras:

- Os inimigos mais comuns, como o cachorro-zumbi, são bem feios e mal animados;
- Alguns "puzzles" são difíceis demais;
- Canastrões.


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