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Review de Painkiller para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Seguindo o exemplo de Serious Sam, Painkiller anda na contra-mão da evolução dos jogos de tiro em primeira pessoa e tenta reviver os primórdios do gênero, nos quais o objetivo era um só: Matar.

Nada de jogo baseado em esquadrão, solução de enigmas ou elaboração de estratégia desta vez. Painkiller é básico como um Doom, mas será que ainda agrada?

Mate tudo o que mexer, em nome de Deus


Painkiller até tenta ter uma história para justificar toda a matança frenética que nele ocorre, mas é bem simples e pouco interessante. Começa mostrando um acidente automotivo que acabou matando nosso herói, Daniel Garner, e sua esposa Catherine. A moça foi direto pro céu, mas o velhaco acabou tendo que fazer um ???pit-stop??? em uma espécie de purgatório, uma vez que cometeu alguns pecados no passado que agora devem ser julgados para definir se ele se junta à sua esposa no paraíso ou se vai fazer companhia ao tinhoso no inferno.

Enquanto aguarda sua purificação ou condenação, Daniel recebe a visita de um tal Sammael, que se diz o mensageiro do Todo Poderoso, lhe oferecendo uma vaga no céu em troca de um ???favorzinho???: Eliminar Lúcifer e seus quatro generais de uma vez por todas.

A partir deste ponto, começa o show de aniquilação de criaturas do além mais exagerado já visto. Toda a horda de seres do mal que podemos imaginar invade a tela simultaneamente tentando acabar com a nossa raça. O plantel de criaturas é composto por caveiras, esqueletos, ???Monstros???, soldados sádicos, monges leprosos (LOL!), samurais malignos, belzebus, ???Bestas???, anjos infernais, carrascos, ???Aberrações???, fantasmas, soldados masoquistas, freiras psicóticas, vampiros, zumbis e mais uma pancada de figuras decadentes. Um hilário show de horrores.

De volta ao passado


No estilo Painkiller/Doom/Serious Sam de FPS, mais vale uma ação non-stop com muitos monstros na tela te atacando do que a exploração de localidades, solução de enigmas e aplicação de táticas para engajar o inimigo, características estas muito utilizadas nos FPS de conceito mais moderno.

Ele até tenta, em vão, dar uns leves toques estratégicos, que podem ser percebidos em duas situações: Certas armas têm uma eficácia melhor em determinados inimigos, o que, na teoria, traria um elemento dinâmico à jogabilidade. Acontece que o processo de seleção de arma no meio do combate com uma porção de inimigos em cima de você não é nada recomendável, portanto é bem mais fácil utilizar o que já temos em mãos. A segunda situação é que os chefes devem ser mortos de maneiras diferentes, mas é um processo mais de adivinhação do que de mudança no jeito de jogar. Uma vez descoberto o ponto fraco deles, o jogo retoma seu ritmo frenético normal.

Das 10 armas que temos ao nosso dispor ??? na verdade são 5, mas como todas tem um disparo secundário de utilização totalmente diferente do primário, podemos dizer que são 10 ??? a que mais merece destaque é a Painkiller, que dá nome ao jogo. Na sua utilização primária, ela é uma espécie de rotor de lâminas afiadas de curto alcance, que fatia os inimigos que se aproximam. Sua utilização secundária atira um dardo assassino que mata os inimigos que forem atingidos diretamente, ou fixa em uma parede e cria um raio contínuo que fere todos que se encostarem.

As outras opções que temos - que inclusive têm modos de disparos totalmente sem sentido - são a escopeta/freezer (projéteis e raio ???congelante???), lança-estaca/lança-granadas, lança-foguetes/metralhadora, ElectroDriver (shurikens de ninja e raios elétricos).

Diversão que cansa


Painkiller causa uma boa impressão a quem começa a jogá-lo. Seus menus são bacanas, seu vídeo introdutório é decente e as primeiras missões chegam a surpreender, tanto na jogabilidade quanto nas partes técnicas. Além de ser divertido pelo seu estilo frenético, ele tem um visual acima da média, bem melhor que de Serious Sam, por exemplo. A atenção a detalhes, que não é muito comum em um jogo deste gênero, pode ser percebida a cada instante, e a utilização do sistema de física Havoc é um show à parte. Pedaços dos inimigos e objetos dos cenários voam aleatoriamente por todos os lados, criaturas podem ser pregadas na parede com uma estaca, e os chefes, que chegam a ter cinco vezes o tamanho da tela, tremem a tela com seus passos, derrubam pilastras com sua força e destroem muitas partes do ambiente.

Os sons, ensurdecedores, mantém a ação em alto estilo com sua boa qualidade, apesar das músicas, que parecem uma mistura de death metal com trance, serem altamente repetitivas e desnecessárias. Elas tocam sempre quando os inimigos aparecem e emudecem quando todos são eliminados.

O grande problema de Painkiller é que ele se torna cansativo rapidamente. Passadas as fases iniciais, quando os chefes gigantes e a boa qualidade técnica já não são mais novidade, percebemos que a jogabilidade e os objetivos (que se resumem apenas em matar tudo que se mexe) são sempre os mesmos, e aí a repetição substitui a diversão, que, até então, comandava. ?? muito cansativo ficar horas defronte ao micro matando centenas de milhares de criaturas, sem precisar pensar para nada, apenas mudando de sala até que todos os monstros sejam mortos, para que possamos prosseguir. Apesar de frenético, chega a dar sono.

O modo multiplayer, que tende a aumentar a longevidade, segue o mesmo nível de qualidade do modo de um jogador: Bacana, mas limitado em novidades. A pouca quantidade de mapas também não agrada, tanto que pouquíssimas pessoas podem ser encontradas se ???divertindo??? nos servidores do jogo espalhados pelo mundo. A opção mais interessante é a People Can Fly, na qual todos os jogadores são invencíveis quando estão com os pés no chão, mas quando estão no ar, podem ser mortos.

O Veredicto:
Jogar Painkiller é voltar ao passado dos jogos de tiro em primeira pessoa, que antes não se importavam em trazer novidades a cada fase ou variar a jogabilidade estupidamente frenética. Apesar de divertido no princípio, e tecnicamente competente, ele se torna repetitivo demais com o tempo e mostra que esta fórmula arcaica já está mais que desgastada.

Prós:

+ Sistema de física Havoc;
+ Gráficos muito bons;
+ Sons ensurdecedores;
+ Rápido e deveras frenético;

Contras:

- Repetitivo e, com o tempo, bem cansativo;
- Não utiliza sequer 0,01% de massa cinzenta;
- Músicas altamente dispensáveis;
- História pra boi dormir.


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