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Review de Rome: Total War para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Há no mundo dos jogos, seja pra PC ou para os consoles, uma escassez de bons jogos de estratégia quase que inexplicável. O último que passou pelas nossas mãos e que realmente empolgou foi a expansão de Command and Conquer: Generals, o Zero Hour. Mas depois de tanta espera finalmente botamos as mãos em algo quente: Rome: Total War.

Roma, a cidade eterna


Total War, a série, já rendeu dois outros jogos: Shogun: Total War e Medieval: Total War, todos bons, mas não tanto quanto este terceiro, baseado na época do Império Romano.

Por ser mais recente, obviamente, neste último jogo da série você pode notar inúmeras novidades no que se refere ao campo técnico (gráficos, sons, etc) e de jogabilidade.

Parte do jogo acontece em campo aberto, onde comandamos tropas nas batalhas mais épicas já vistas em um jogo de estratégia. Na outra metade, temos um grande mapa muito similar ao clássico e eterno Civilization, só que bem mais rico em cores e texturas, e com uma resolução maior, é claro, onde exploramos a Europa e fazemos o gerenciamento de cidades e exércitos. Chega a ser uma sensação de dejà vú, marchar com as unidades pelo mapa em busca de novo território para conquistar pilando ou apossando cidades, combatendo os inimigos, ou simplesmente explorando o desconhecido.

General no melhor estilo ???Gladiador???


Ao começar uma campanha você pode escolher entre três facções do exército Romano. Na verdade essas facções são famílias distintas que detêm o poder em Roma, e dependendo de qual delas escolher para jogar as grandes e históricas campanhas, os objetivos do seu império serão diferentes.

Ao começar uma campanha, o ???Senado??? dará algumas missões para você correr atrás. Seja para conquistar novos territórios/cidades, ou para saquear e destruir povos e vilas. E grande parte dessas missões tem um prazo que, se cumprindo, rende bonificações em novas unidades, dinheiro, reconhecimento no senado etc. Seja qual for a recompensa, o que vale é o prazer e a glória de cruzar a Europa em busca de conquistas e ser reconhecido em Roma por isso.

O interessante é que Rome: Total War é bem ligado ao aspecto de clã. Tudo gira em torno da família e é exatamente o parentesco que determina quem terá poder em Roma. Isso quer dizer que o imperador pode ter filhos, que por sua vez podem se casar perpetuando o sobrenome e a manutenção do poder.

Cada membro da família tem suas próprias características, ou seja, um filho do imperador pode ser um ótimo governador, mas não necessariamente terá boas características como general e provavelmente não liderará tão bem um exército, enquanto outro pode ser provido de bravura e voz de comando no campo de batalha, mas pode ser terrível no que diz respeito à política.

Interessante também é que os membros da família, sejam eles governadores ou generais, ganham experiência com seus feitos. Se você usa muito um general para liderar suas unidades, por exemplo, certamente, ao vencer batalhas, ele ganhará mais experiência de comando e certamente seus inimigos sentirão com mais freqüência o peso de sua espada.

Não significa que você não pode guerrear com um exército sem general, mas certamente seus homens sentirão sua influência no campo de batalha, lutando com três vezes mais eficiência.

O mais interessante disso tudo é que tanta importância dada aos membros da família pode acabar por influenciar também sua estratégia durante o jogo, uma vez que você não colocará seu único herdeiro para comandar exércitos pelos campos de batalha, pois a perda pode ser maior do que um simples confronto, arriscando a ruptura brusca de uma próspera árvore genealógica.

A complexidade e a simplicidade reunidas num só jogo


Rome: Total War realmente foi feito para agradar a um perfil amplo de amante de estratégia. Seja aquele que não tem muita paciência de ficar gerenciando tim-tim por tim-tim, ou o que gosta de saber a influência das mínimas ações, como quantas moedinhas de ouro vão render se tomar uma determinada ação em uma de suas cidades.

Ao jogador de estratégia preguiçoso, ele pode contar com um sistema de gerenciamento automático que toma conta das financias e do investimento. Trocando em miúdos, existe a opção para que o computador controle o micro-gerenciamento, administrando para você parte ou tudo que há para ser administrado. E há muitas opções para isso, pois você pode administrar cada cidade focando o lado cultural, financeiro, militar, e também um pouco de cada. Resumindo, é mamão com açúcar.

Ao jogador perfeccionista, que quer que tudo tenha o seu aval, Rome: Total War irá prover bom desafio. Você pode ordenar cada construção que deseja para cada cidade, quais serão as taxas de impostos, quais unidades produzir, entre inúmeras outras coisas. Tem muito o que fuçar e fazer da sua administração algo de se orgulhar. ?? claro que um bom governador na cidade faz a diferença, pois ele administrará tudo para você e ainda terá suas habilidades aprimoradas com o tempo.

O modo de diplomacia também é bem interessante. Além dos acordos que podem ser feitos entre os reinos como oferendas de tributos, cidades, informações sobre o mapa, etc, as famílias de cada reino podem se unir com casamentos entre os de sangue nobre fortalecendo ainda mais os vínculos com impérios aliados. Se quiser, ainda pode mandar espiões coletarem informações preciosas de reinos rivais, e até ainda de suas próprias cidades.

Batalhas cinematográficas


Não é só o modo gerencial que dispõe de beleza, e também de complexidade e simplicidade. O modo de batalha, especialmente, é um espetáculo digno de filmes ???hollywoodianos???. Lembra um pouco as batalhas dos filmes ???O Senhor dos Anéis??? e ???Coração Valente???, entre outros, devido à proporção épica e a qualidade gráfica. O cenário é vasto e você vê enormes blocos de soldados ansiosos para enfrentar os inimigos e animados pelas palavras de moral ditas pelo general.

No modo de imersão de batalha (o modo complexo), onde você participa do combate controlando suas unidades, seja atacando uma cidade, ou em campo aberto, tem-se uma visão tridimensional do campo de batalha. Você pode posicionar suas unidades como quiser antes que a batalha comece, favorecendo assim a estratégia de combate, como por exemplo, arqueiros atrás dos guerreiros buscando proteção do ataque corpo a corpo, e cavaleiros ainda mais atrás para um ataque súbito, caso precise.

As unidades na verdade funcionam como um jogo de tesoura, papel, e pedra, onde o arqueiro é eficaz contra os homens com lança, que por sua vez são eficazes contra os cavaleiros, e que são excelentes contra os arqueiros. ?? claro, não com esta simplicidade toda, pois existem mais tipos de unidades, mas seguindo uma lógica parecida.

Nestas batalhas em 3D pode-se perceber um defeito do jogo que às vezes irrita bastante: a inteligência artificial. As unidades, às vezes, parecem ficar inertes diante dos inimigos, e estes podem estar logo ao lado atirando flechas nas nádegas dos seus soldados, que simplesmente parecem não se incomodar com as pontadas. Resta a você ficar atento, mandando-os atacar sempre. Irrita, mas não compromete a batalha.

Outro ponto contra deste modo aparece ao tentar conquistar cidades rivais. Devido ao campo de batalha retratar exatamente as condições mostradas no mapa (se a batalha for em território cortado por um rio, ou na neve, certamente, o campo de batalha terá essas características), ao atacar cidades você terá os obstáculos naturais da região, o que é normal, mas somados aos obstáculos das construções dentro da cidade, temos um ambiente um pouco incômodo para a fluidez da batalha. ?? muito fácil sentir-se entediado por ter que perseguir as forças inimigas em longas incursões por cenários com tantos obstruídos.

Mas como sempre, o jogo oferece uma solução para o jogador cansado: o modo simples, onde o computador mede as forças de cada exército e aponta o vencedor, ou o empate. Este modo é rápido, prático e deixa o jogo mais dinâmico e, por que não, mais divertido.

O Veredicto:
Rome: Total War é um jogo bem profundo, que consegue se destacar positivamente tanto pelas batalhas de proporções épicas quanto pelos aspectos político-diplomáticos e administrativos, sempre tentando se manter fiel aos fatos históricos relativos ao antigo império romano.
Apesar de ter uns probleminhas de IA, vai agradar plenamente ao jogador hardcore ou casual interessado em um jogo de estratégia com tema histórico.

Prós:

+ Campanhas extensas. Boa durabilidade;
+ A foco nos laços familiares dão outra dimensão ao jogo;
+ Belo visual tanto do mapa, quanto das batalhas;
+ Divertido à beça;
+ Inúmeras opções de gerenciamento para o jogador hardcore.

Contras:

- Modo de batalha em 3D cansa com o tempo;
- AI das unidades não é lá grande coisa;
- Nada muito inovador.


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