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Review de Halo 2 para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


No futuro, quando o próximo livro sobre a história dos videogames for escrito, Halo 2 merecerá três páginas. Uma para falar do jogo que é a continuação daquele FPS básico que ganhou um 7 em 10 em Outer Space e outras duas dedicadas a analisar a campanha de marketing sem precedentes da Microsoft para promover o jogo como o grande ???killer app??? do Xbox.

Halo 2 se tornou um fenômeno ao mobilizar a mídia em torno de seu lançamento, culminando com filas dos fãs nas portas das lojas para comprá-lo. Algo que, até então, só se via parecido no Japão quando um novo Dragon Quest era lançado.

O que está por trás deste fenômeno é um investimento em propaganda milionário da Microsoft, mas também um jogo que, de certa forma, corresponde às expectativas do publico.

A segunda vinda de Master Chief


Para Halo 2, a Bungie resolveu exercitar sua capacidade de contar histórias, inserindo muitos interlúdios cinematográficos e criando um enredo que agora aprofunda mais no lado dos Covenant. Para os fanáticos pelo tema há até livros que estendem ainda mais a ficção haliana, mas a imaginação da Bungie constrange muito mais que empolga, e o que temos nesta segunda aventura não pode ser considerado mais que um pretexto, um tanto pretensioso, para nosso herói da armadura verde chutar algumas retaguardas e fazer jorrar gosma alienígena.

E Master Chief continua tendo carisma inferior ao de uma rocha, mas pelo menos aprendeu a empunhar uma segunda arma que o torna o grande ???badass??? da galáxia. Esta habilidade, que pode ser considerada uma das novidades fundamentais do modo de um jogador, é interessante, mas ao mesmo tempo tem seu lado inconveniente, já que com as duas mãos ocupadas não podemos lançar as sempre úteis granadas. Desta forma, o jogador ainda pode optar por manter uma mão livre para usar granadas, com duas armas servindo melhor em eventuais rompantes de fúria.

Novidade mais interessante é que agora podemos roubar Warthogs, Banshees, Ghosts e qualquer outra nave em pleno vôo, dando uma porradinha no piloto ou, no caso de um tanque grande, destruindo a escotilha aos murros e soltando uma granada na cabine do piloto. Tudo isso é feito com muita simplicidade e agilidade nos botões, e subir em uma nave em movimento é mais simples do que parece, bastando um mínimo de posicionamento e timing. Para quem pilota, a maior curtição costuma ser atropelar os que tentam se aproximar dando um ???after-burner??? nos motores da nave.

As armas, em sua maioria, são aproveitadas do primeiro jogo, mas com mudanças sutis para adequá-las ao modo multiplayer. Algumas novas incluem a espada de energia dos Covenant, que quase sempre mata com um golpe, e um rifle sniper de plasma alienígena e um poderoso lança granadas.

O funcionamento da armadura de Master Chief é outro elemento remanescente do primeiro jogo, mas um pouco alterado. Agora toda a reposição de energia é feita pela própria armadura, que se regenera aos poucos quando ficamos longe dos tiros do inimigo. ?? uma idéia muito bem implementada em Halo 2 já que elimina a frustração de ter que depender de ???med-kits??? e ainda adiciona um pouco de estratégia, forçando o jogador a procurar abrigo constantemente. Outra novidade que adiciona um elemento tático ao jogo é a presença de uma armadura invisível, que pode ser ligada por alguns segundos, em certas partes da aventura.

Mundo quadrado


A campanha para um jogador de Halo 2 é OK. Diverte e, para os padrões do que há no gênero para consoles, está acima da média. Mas assim como o original, está cheio de momento medíocres, e o estilo 'atire-esconda' da jogabilidade fica mais próxima de um Serious Sam que de um Half Life 2.

A inteligência artificial torna o mata-mata um tanto desafiador, com os inimigos sempre muito ativos tanto na hora de atacar quanto na hora de esquivar-se e procurar abrigo. E desta vez a variedade de Covenants para exterminar é um pouco maior, incluindo, aos montes, os inconvenientes ???Floods???, todos aqueles insectóides que parecem tirados dos livros de contos infantis e uma raça de brutamontes chamada criativamente de brutes, que como não poderia ser diferente, é dura de matar.

Visualmente o jogo deverá dividir opiniões. Se por um lado é tecnicamente competente, a parte artística é, no mínimo, polêmica. Temos um visual plastificado para os personagens e os ambientes são quase sempre estéreis, com enormes blocos de concreto que servem para representar desde um templo alienígena a um navio. Não espere entrar em uma nave e ver um lugar bem elaborado, com detalhes minuciosos, mas apenas repetições das mais básicas formas geométricas, texturas muito simples e quase nenhum objeto para se examinar. Mesmo nas poucas fases terrestres, falta aquele cenário orgânico e detalhado de tantos jogos de tiro em primeira pessoa do PC.

O jogo também introduz um modelo de física ???ragdoll??? (para movimentação individual dos membros do corpo de um personagem) que cria algumas situações interessantes, como quando explodimos alguns inimigos com uma granada, o corpo é lançado para longe e reage com a parede ou objetos onde toca.

Não há nada de muito novo para quem conhece o Halo original, mas a fórmula está sendo repetida com o incremento de suas virtudes e a manutenção dos defeitos. Como jogo de tiro em primeira pessoa, é bom, mas nada que todo ano não se veja melhor no PC.

Modo on-line faz a diferença


Parece que a diretriz primária da Bungie foi fazer com que tudo do modo de um jogador se adequasse perfeitamente ao modo multiplayer, que é verdadeiramente, a grande novidade deste segundo jogo. Temos um controle extremamente intuitivo e de respostas rápidas, movimentação super suave, uma excelente variedade de armas, alguns veículos e cenários que parecem mais arenas de paintball que ambientes terrestres. O produto deste esforço é um jogo multiplayer divertidíssimo, variado e que funciona melhor até que a maioria dos jogos de tiro on-line do PC.

O componente on-line de Halo 2 é muito bem programado, o lag é mínimo, e o menu oferece a possibilidade de se criar misturas de estilos de partida, como por exemplo, um death-match onde todos estão invisíveis e só têm snipers como arma, ou só espadas, foguetes etc. Só para o death-match, ou Slayer, como é chamado o modo em Halo 2, temos nove variações básicas mesclando armas, camuflagem e a forma com o que os times são divididos.

A conveniência do Xbox Live também colabora para torná-lo um belíssimo jogo multiplayer. Temos, por exemplo, um sistema de ranking que serve para separar automaticamente os jogadores novatos dos veteranos e uma boa opção de optimatch que te coloca instantaneamente em partidas de diferentes estilos. E a Bungie já está preparando um sistema de estatística bastante complexo via web, que inclui visualizações de deslocamento do jogador num mapa e informações detalhadas de cada ???frag??? realizado numa partida.

Mas fora toda a praticidade do Live, o que torna o modo on-line algo excepcional é mesmo a jogabilidade e o dinamismo das partidas. Halo 2 multiplayer é um mata-mata dos mais variados e condensa vários estilos em um só jogo: o foguetório a la Quake, combate em veículos como em Battlefield, frenezi de Unreal Tournament e até algo mais cadenciado, como um sniper fixo em um ponto estratégico.

Considerando as opções existentes hoje em consoles, Halo 2 está um passo a frente em seu componente on-line. O único detalhe que pesa contra é a ausência de um modo cooperativo para curtir a campanha a dois, via Internet, mas também, ainda é algo raríssimo em qualquer jogo.

O Veredicto:
Não há nada de genial em Halo 2 que justifique a comoção envolvida em seu lançamento, mas o conjunto de um bom FPS single-player, um excepcional jogo multiplayer e a aura divina criada pelos milhões de dólares do marketing da Microsoft formam um pacote irresistível para o fã do Xbox.

Prós:

+ Modo multiplayer muito bem feito e divertidíssimo;
+ Física ragdoll dá um toque bacana.

Contras:

- Cenários sem vida, tediosos blocos de concreto compondo os ambientes;
- Campanha para um jogador um bocado repetitiva e com poucas novidades;
- Enredo fraquíssimo;
- Master Chief.


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