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Review de Killzone para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Lançado sob a sombra de Halo 2 e com a pretensão de ser até melhor que ele, Killzone é o clássico exemplo de vítima de seu próprio ???hype???. O jogo foi chamado de ???o maior do Playstation 2??? e ???Halo-killer??? antes mesmo de fazer a primeira aparição pública, e sempre foi tido como algo que viria para revolucionar o tiro em primeira pessoa nos consoles. Mas agora que foi lançado, parece que suas imperfeições chamam a atenção bem mais que as inegáveis qualidades.

Killzone é, de longe, o melhor jogo de tiro em primeira pessoa para o Playstation 2, mas não é Halo 2, e não tem o polimento que se espera de um título que recebeu tanta atenção em seu período de desenvolvimento. O que se tem no final é um ótimo jogo defeituoso, com potencial para se tornar uma grande franquia da Sony para a próxima geração.

Os quatro fantásticos
Killzone tem uma ficçãozinha básica que coloca os humanos contra uma ameaça do espaço. Nada de Covenants aqui, mas os Helghast, seus únicos inimigos na jornada, são versões mutadas dos próprios humanos, hostis e transformados pelo ambiente do planeta onde se exilaram anos atrás.

Jogamos no lado dos humanos puros, com o capitão Templar sendo o primeiro de quatro personagens jogáveis disponíveis ao longo da guerra. Templar é o soldado polivalente, bom em tudo, especialista em nada. Nas missões seguintes o jogo amplia o leque de estilos, apresentando os outros três personagens: Luger, como uma versão feminina de Sam Fisher de Splinter Cell, é equipada com os mesmos aparatos de visão noturna, rifle de precisão e uma faca para apunhalar o inimigo pelas costas, e ainda pode penetrar em pequenos buracos e dutos de ventilação; Rico, o latino-americano brutamontes, lento porém resistente, e que carrega uma metralhadora gigantesca; e Hakha, um dissidente dos Helghast que tem como principal vantagem a capacidade de penetrar pelas fortalezas inimigas sem que alarmes sejam acionados.

?? medida que estes personagens são encontrados, Killzone se torna um jogo de tiro em primeira pessoa baseado em esquadrão, como está na moda. O jogador pode escolher qual dos quatro irá comandar, e o CPU controlará o resto de uma forma bem ineficiente, sem muitas iniciativas, só para dar a sensação de que não estamos sozinhos na guerra.

Os quatro tipos de soldado jogáveis são uma boa sacada de Killzone, mas a linearidade e o excesso de scripts do jogo faz com que as especialidades de cada um sejam mal aproveitadas. Não há, por exemplo, situações onde a velocidade extra ou a faca de Luger possa fazer a diferença, tampouco haverá uma fase onde você considere que a opção por Templar poderia trazer algum benefício. Na verdade o que o jogo faz é colocar armas mais pesadas nos inimigos caso o jogador tenha feito a opção por Rico, ou fazer o contrário no caso da opção por Luger, colocando inimigos com poder de ataque menor. E salvo algum atalho que pode ser seguido apenas por Luger, e os caminhos alternativos do desertor Hakha, o jogo mantém uma linearidade e não varia tanto seus scripts.

Imperfeito, mas bacana pra chuchu
Qualquer que seja a escolha de personagem -- Rico e sua super metralhadora é sempre uma ótima pedida -- Killzone sempre recompensa com um tiroteio bastante divertido e cinemático, num estilo que lembra bastante Medal of Honor. Restrições feitas a certos bugs, o jogo se sobressai em alguns elementos que fazem a diferença em um FPS como som, impacto das armas e gráficos.

Especialmente nos quesitos visual e ambientação, o estúdio Guerrilla fez um belíssimo trabalho. Killzone é um dos jogos de tiro com melhor direção artística já vistos, e um que abusa da quantidade de efeitos e da geometria que o Playstation 2 é capaz de gerar na tela.

Os cenários são amplos, orgânicos, variados, super detalhados e compostos com uma seleção de cores magistral. As animações das armas são bem realistas, os interlúdios cinematográficos competentes (o da apresentação, em especial, é bem bacana), efeitos de fumaça, chuva e névoa idem. Enfim, é um jogo de bom gosto e estilo pouco comuns para um FPS.

Mas infelizmente, a ambição desmedida da Guerrilla para criar um FPS com um visual deste calibre no Playstation 2 tem um preço, e quem paga, na maior parte, é a taxa de quadros por segundo que freqüentemente cai para níveis, digamos, desagradáveis. Para um jogo que exige precisão nos disparos, e que ainda tem um sniper que parece querer que prendamos a respiração, este é um defeito contundente e que vai irritar alguns jogadores mais sensíveis.

Outro problema que pode decepcionar é o comportamento da inteligência artificial. Ela é quase sempre bem básica e previsível, como 90% dos jogos do gênero, mas não muito raro, dá alguns vexames como fazer com que um inimigo fique do seu lado sem reagir.

E um defeito que pode parecer menos importante, mas que incomoda mais do que deveria é o ???barulho??? colocado para representar os gritos dos soldados do Helghast. Estes homens de outro planeta têm um repertório que se limita a três ???frases???: ???Kill them???, ???Granade??? e ???Ahhh???. E o pior, eles não conseguem ficar calados por um minuto. Em todo encontro com o inimigo você irá escutar a mesma baboseira, e a voz ainda é pessimamente sampleada e abafada, talvez por ter como desculpa a máscara de oxigênio que eles vestem. ?? um detalhe pequeno, mas que colabora para causar uma impressão de pouco polimento geral do jogo.

Killzone oferece também um modo multiplayer bom e estável, para até 16 jogadores simultâneos e com suporte a voz. Os modos on-line variam de Deathmatch; Domination, onde uma equipe deve dominar um território; Supply Drops, onde os jogadores devem carregar objetos até a base; Assault e Defend and Destroy, nos quais os times devem atacar ou defender um objeto. E para quem tem medo de entrar on-line, existe a opção de jogar tudo isso com os bots controlados pelo CPU.

O Veredicto:
No final, tudo depende da tolerância de cada um aos defeitos, porque, no geral, Killzone é o melhor representante do gênero tiro em primeira pessoa no Playstation 2, e o primeiro exemplar de uma franquia que tem tudo para se tornar uma das grandes da próxima geração.

Prós:
  1. Belíssima ambientação. Grande direção artística;
  2. Armas com impacto, ótimo tiroteio;
  3. Boa durabilidade;
  4. Modo multiplayer cumpre seu papel.


Contras:
  1. Frame rate instável;
  2. AI muito básica, às vezes defeituosa;
  3. Um FPS dos mais lineares e muito dependente de scripts.



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