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Review de Half-Life 2 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A Id, com seu Doom, pode ter sido a precursora do gênero, mas coube a Valve estabelecer os paradigmas dos jogos de tiro em primeira pessoa, com o lançamento de Half Life, seis anos atrás.

Mudando o protagonista do clichê dos heróis de ação para um mundano sujeito de óculos e finalmente dando importância ao enredo, Half Life era algo totalmente diferente do que se esperava de um jogo de tiro na época. Hoje, com o gênero mais que amadurecido, a Valve não tem mais a obrigação de revolucionar, mas seu esforço para criar um novo paradigma com Half Life 2 tem resultados mais que satisfatórios. Sem rodeios, este é o grande jogo de PC dos últimos anos.

Salve o mundo novamente, Dr. Freeman


?? complicado começar a falar da história de Half-Life 2 sem ter que revelar coisas importantes, que com certeza estragariam a surpresa de quem ainda não jogou. O fato é que os acontecimentos iniciais deixam mais dúvidas sobre o que aconteceu após os incidentes de Black Mesa, do primeiro Half-Life, do que realmente deixam claro o nosso propósito no novo jogo.

Mais uma vez assumimos o comando do cientista-herói Gordon Freeman, que chega a uma estação de trem de uma das poucas cidades que sobreviveram no planeta Terra, City 17, e vê que tudo mudou. Ao mesmo tempo em que uma força chamada Combine trabalha para manter a paz no local - mas usando a violência para isso -, alienígenas atacam por todos os cantos. Não existe tempo suficiente para alguém explicar com detalhes o que está acontecendo, apenas G-Man que aparece bem no começo do jogo, mandando Gordon acordar, enquanto alguns flashbacks do primeiro Half-Life passam.

De início, tudo é muito confuso e rápido, mas a medida que a história vai desenrolando nas aproximadas 16 horas de duração da jogatina, as coisas começam a ficar mais transparentes, ao mesmo tempo em que outras novas dúvidas vão surgindo. A princípio, Gordon, que os personagens rebeldes do jogo intitulam como o único ser capaz de salvá-los, deve apenas fugir das forças opressoras, enquanto enfrenta os seres alienígenas.

Plays like a dream


Tudo bem que Half-Life 2 é uma maravilha tecnológica, uma perfeita demonstração de efeitos, física, gráficos e sons, mas ele não seria um bom jogo se não tivesse uma boa jogabilidade. E isso ele tem de sobra...

Half Life 2 simplesmente tem uma mescla perfeita entre a mais pura ação, transposição de obstáculos, solução de enigmas, interação com personagens não jogáveis e pilotagem de veículos. Dá a impressão que se trata de diversos jogos em um, tamanha a sua capacidade de ser dinâmico e variado, sempre oferecendo algo novo ao jogador.

Quando as coisas começam a ficar ???iguais demais???, aparece um hovercraft para pilotarmos, e o estilo de jogo muda completamente. O mesmo acontece com o buggy, que traz algumas missões diferentes daquelas que podemos fazer apenas a pé.

Isaac Newton, que nada. Havok é a lei


Você já deve ter visto vídeos do jogo e percebido que a física de Half-Life 2 é uma das suas grandes virtudes. De fato, o jogo da Valve respeita todas as leis da física existentes no mundo e isso traz a ele um realismo nunca antes visto.

Por exemplo, se pegamos uma caixa de madeira e jogarmos no chão de uma altura baixa, dependendo do jeito que ela cair, ficará em um ângulo diferente. Se for de um lugar mais alto, ela pode bater no chão e subir um pouco, se ajeitando logo em seguida no solo. Se for de mais alto ainda, ela pode girar no ar devido ao atrito e pode espatifar no chão em pedaços. Vale salientar que cada um destes pedaços podem ser pegos individualmente e atirados.

Nos corpos dos personagens, a física também se mostra perfeita, com a técnica "ragdoll", que faz com que cada parte isolada reaja de uma maneira aos impactos. Sendo assim, um inimigo morto cairá no chão dependendo de onde for atingido e a força do impacto, e por lá ficará estirado em ???poses??? diferentes. Se ocorrer uma explosão, eles voarão pelo cenários.

Com a água, cada corpo reage de uma maneira. Os mais pesados afundarão, os mais leves vão boiar. Já os vidros e janelas quebram exatamente como fariam se um tiro os perfurassem.

Essa física não serve apenas para impressionar o jogador, mas também tem um papel fundamental na jogabilidade. Vários dos enigmas do jogo são baseados na física, fazendo assim uma boa utilização da tecnologia. Por exemplo, em um determinado momento, termos que pular um muro com o hovercraft. Acontece que a rampa existente -- que fica dentro de um lago -- não consegue impulsionar o veículo o suficiente para que transponha o obstáculo. Sendo assim, devemos pegar algumas espécies de bóias que estão espalhadas pelo cenário e fixá-las em baixo da rampa, fazendo com que ela suba e permita o salto. Em um outro exemplo, necessitamos de colocar blocos de concreto de um lado de uma tábua de madeira que está disposta como se fosse uma gangorra, fazendo com que o peso eleve o outro lado e a tábua se torne uma rampa de acesso a uma plataforma mais alta.

A física também fica em evidência quando utilizamos uma das armas mais bacanas do jogo: A gravitacional. Esta é capaz de puxar, suspender e arremessar com muita força vários objetos inanimados. Sendo assim, podemos pegar qualquer coisa do cenário e utilizá-lo como arma, jogando-o contra os inimigos, ou mesmo abrir passagem em um local obstruído por entulho. Algumas vigas podem ser erguidas para se tornarem pequenas pontes de acesso, para transpor buracos.

As possibilidades são tão vastas que é até difícil descrever o que se pode fazer com a arma gravitacional e com o sistema de física de Half-Life 2. Só sei que, fatalmente, todos os jogadores vão desviar de seus objetivos principais no jogo para ficarem ???brincando??? de jogar objetos e ver como eles reagem de maneiras diferentes, dependendo do seu peso, ângulo do arremesso, constituição, etc.

Visual de chorar


Se você estava procurando uma desculpa para quebrar o cofrinho e investir seus trocados em um computador novo, com uma placa de vídeo decente, ela se chama Half-Life 2. Não que o jogo seja uma monstro devorador de hardware ou prive os menos favorecidos (ou mais pães-duros) da jogatina, pois seus requisitos mínimos são bem flexíveis ??? basta desligar os filtros e reduzir os efeitos, a resolução e a qualidade visual, que ele roda suave em máquinas mais modestas. Mas porque é quase um pecado não desfrutar de um dos mais belos jogos da história do PC como ele merece, com todas configurações ligadas e, de preferência, no máximo.

O visual é capaz de deixar estupefato qualquer tipo de jogador, tanto os mais exigentes quanto os bem experientes, que já estão acostumados com lindos gráficos de jogos como Far Cry e Doom 3. Logo nos instantes iniciais, quando desembarcamos em City 17, expressões como ???Jesus Cristinho??? e ???Crendospadre??? começaram a escapar de meus lábios quase que involuntariamente, e continuaram a ser repetidas durante todo o período que estive compenetrado com a jogatina. Half-Life 2 é daqueles jogos que sempre têm uma coisa nova para mostrar, do começo ao fim, impressionando seu jogador a todo instante.

O interessante é que, ao contrário de Doom 3, que é uma obra prima tecnológica, mas deixa a desejar na parte artística e na fraca variação de cenários, Half-Life 2 é extremamente rico em novidades visuais e possui uma ambientação fenomenal. Suas missões são bem distintas das outras, passando por ruas de cidades, interior de prédios, becos, esgotos, dutos de água, túneis, florestas, praias, pontes gigantes, laboratórios, bases inimigas, vilarejos, esconderijos, prisões em ruínas, e mais uma porção de lugares. Nada repete, e isso dá uma ótima sensação de que a equipe da Valve preocupou em não deixá-lo cansativo, mesmo sendo um jogo longo.

A decoração dos cenários também traz um clima perfeito. Enquanto computadores, quadros, sofás, televisores, mesas, cadeiras, pequenas caixas, privadas e pias recheiam os ambientes internos, barris, caixas grandes, carros destruídos, blocos de concreto, vigas de aço, estrados de madeira, cercas e todo o tipo de entulho se acumulam nos locais abertos, enriquecendo-os e tornando-os cheios. Os detalhes estão por todo canto, até nos fios de alta-tensão que correm pelos postes das áreas urbanas e balançam de acordo com o vento ou a movimentação de uma nave ou helicóptero que passa por perto.

Os personagens não jogáveis também são muito bem feitos e, se olhados de pertos, revelam até as imperfeições que os rostos de qualquer ser humano (salvas algumas exceções) possuem. Além disso, contam com um alto grau de expressões faciais que ajudam muito a dar a emoção necessária aos acontecimentos e diálogos. Sem dúvidas, os personagens de HL2 são os mais ???humanos??? que já pintaram em um jogo.

Os únicos defeitos da parte visual é que algumas texturas, menos importantes no contexto geral, estão em baixa resolução, para aliviar um pouco o ???peso??? do jogo. Acontece que elas são tão sutis que nem podem ser levadas em consideração, uma vez que chegam a passar desapercebido aos olhos menos atentos devida a grande beleza dos cenários. As luzes e sombras também não são das melhores, ficando aquém daquelas vistas em Doom 3, por exemplo. Várias luzes não geram sombras em tempo real e não tem como destruí-las.

Água benta


Depois da física, a característica que mais impressiona em Half-Life 2 é a sua água. Esqueça tudo o que você já viu (ou ouviu falar) em termos de rios, riachos, praias e até simples poças d???água em jogos: Só a água da vida real consegue ser mais bem feita daquela representada no jogo.

Ela reflete todo o cenário de maneira perfeita e distorce de acordo com sua movimentação. ?? uma coisa de louco! Chega a ser inacreditável quando um helicóptero dá um rasante e a água forma pequenas ondas, decorrentes do vento da hélice, e elas distorcem o reflexo dos prédios, carros, postes, tudo que está em volta, da exata maneira que aconteceria de verdade.

Seu fator cristalino também ajuda a identificar objetos submersos.

Pecados perdoados


?? difícil achar um defeito em um jogo que, além de ser inovador (pelo seu sistema de física), é quase perfeito. As telas de loading extremamente longas realmente é um ponto fraco, sempre tirando o ritmo da ação, e as incômodas agarradas, que acontecem periodicamente, também perturbam a fluidez da jogatina. Apesar de não ser nada que comprometa, estes problemas precisavam ser sanados. Fora isso, o maior defeito era a ausência de um modo multiplayer, que a Valve já o tornou disponível.

O modo, que é restrito às opções Deathmatch e Team Deathmatch, ainda tem poucos mapas, mas vários serão lançados com o tempo, tanto pela própria Valve como pelos milhares de fãs, que já estão trabalhando no kit de desenvolvimento de mods do jogo. Ele é uma espécie de Counter Strike, porém com as armas do HL2 (sim, a gravitacional também, que é divertidíssima no modo on-line).

Isso sem contar o próprio jogo Counter Strike: Source, a nova versão do tiro multiplayer mais jogado no mundo, que vem de lambuja com o HL2. O que mais você quer?

O Veredicto:
Half-Life 2 é um dos melhores jogos já lançados para o PC. Trata-se de uma aliança perfeita de jogabilidade prazerosa e variada com uma parte técnica impecável e revolucionária, capaz de impressionar o jogador ininterruptamente durante as suas 16 horas de duração.
Isto sem contar seu modo multiplayer de primeira linha e o "brinde" chamado Counter Strike: Source, que dispensa comentários.

Prós:

+ O sistema de física mais impressionante já visto;
+ Enigmas inteligentes, quase sempre utilizando a física para serem solucionados;
+ Jogabilidade dinâmica e variável. Não dá vontade de parar de jogar;
+ Cenários riquíssimos em detalhes e nada repetitivos;
+ Modo multiplayer bom pacas;
+ Personagens não jogáveis cheios de vida, com muitas expressões faciais;
+ Counter Strike: Source de lambuja;

Contras:

- Telas de loading são longas demais. Quebram o ritmo de jogo;
- Agarradas periódicas incomodam.


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