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Review de Tom Clancy's Splinter Cell Chaos Theory para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Com Chaos Theory, a Ubisoft resolveu continuar com a filosofia ???não se mexe em time que está ganhando???. Talvez seja por falta de tempo, afinal a série está tento lançamento anuais, ou por não querer arriscar, mas o fato é que esta terceira aventura de Sam Fisher segue com rigor o estilo dos demais Splinters e, portanto, continua focada em aprimorar a ação furtiva e os movimentos espetaculares do nosso super espião, sem se preocupar tanto com o enredo.

Basicamente, devemos evitar todo e qualquer tipo de luz, nos deslocar abaixados para não nos projetarmos no horizonte, escolher os pisos menos barulhentos para não chamarmos atenção e, preferencialmente, pegar os soldados inimigos de surpresa, por trás. O disparo de armas quase nunca é o método mais indicado, mas, se for necessário ???apagar??? alguns indivíduos, lembre-se sempre de esconder seu corpo em um lugar que não chame atenção.

Nem todos os novos movimentos do herói espião Sam Fisher são verdadeiramente úteis. Alguns, como se pendurar de cabeça para baixo em um cano horizontal para quebrar o pescoço de um inimigo que passa em baixo, são interessantes, mas pouco utilizados. Já a possibilidade ???hackear??? computadores e leitores de retina são mais úteis. O mesmo pode-se dizer das armas e acessórios, que nem sempre se mostram úteis nas aventuras furtivas de Fisher. Apesar de termos uma boa quantidade de ???gadgets???, apenas com uma pistola silenciada somos capazes de passar da grande maioria das fases, tornando opcional o uso de outros apetrechos. As adições mais interessantes neste quesito ficam para a faca, que agora pode ser utilizada para golpear silenciosamente os inimigos, e os acoplamentos para o rifle SC-20K, que fazem com que a arma mude de função de acordo com equipamento que nela encaixamos.

Como em Pandora Tomorrow, Chaos Theory nos proporciona caminhos diferentes para atingirmos nossos objetivos, uma maneira inteligente de dar a impressão de que o jogo não é linear - porque, no final das contas, sempre nos deslocamos do ponto A ao ponto B. Desta forma, podemos encarar certos inimigos de ângulos diferentes, mais favoráveis, facilitando nosso evoluir pelos mapas.

Interessantemente, a Ubisoft resolveu remover os prestativos tutoriais que a série sempre teve. Praticar as ações e malabarismos de Fisher sem compromisso era um ótimo meio de ver como as mesmas funcionarão no modo principal de jogatina, além de facilitar muito a memorização dos vários comandos do jogo. Sabe-se lá porque, agora somos obrigados a ver vídeo-tutoriais, divididos em vários módulos, se quisermos aprender a jogar. Por um lado, pode ser mais prático para quem já conhece a série e quer apenas saber quais são os movimentos novos, sem ter que perder tempo jogando um tutorial. Mas por outro, a falta de praticidade obriga o jogador a ver um vídeo por completo, sem opção de acelerar ou pausar ??? sim, se você perder a parte que te interessa, tem que ver tudo de novo. Já para quem é novato nos jogos de Fisher, este método de vídeos não é o mais amigável, pois não dá noção prática da utilização dos diversos movimentos e equipamentos do jogo e torna muito difícil a memorização dos comandos.

Para não ser muito impiedoso com os novatos, CT começa mais ???light???, com uma inteligência artificial menos agressiva e objetivos que não exigem tanta precisão por parte do jogador. Esse é um bom momento para quem não conhece a série se familiarizar com os comandos, apesar de que muitos movimentos de Fisher não podem ser utilizados aqui. Com o evoluir das fases, temos que ter um pouco mais de cuidado, pois os inimigos ficam mais espertos.

Outro toque facilitador é que o jogo agora não dá ???Game Over??? se o alarme for disparado pelo inimigo três vezes consecutivas. A pedido dos jogadores, que consideravam essa característica muito frustrante, a Ubisoft decidiu aboli-la, continuando apenas a aumentar a dificuldade do jogo à medida que mais alarmes vão sendo disparados.

Apesar da jogabilidade não ter mudado muito em relação aos demais jogos da série ??? aliás, tudo aqui dá uma sensação de ???mais do mesmo??? ???, CT herda uma ótima característica: Continua muito gostoso de se jogar, capaz de divertir o jogador por suas 10-12 horas de duração sem se tornar cansativo. Mesmo com objetivos não muito variados, o aumento progressivo na dificuldade e o bom design dos mapas das fases sempre encorajam o jogador a continuar firme na aventura.

O layout dos comandos continua a favorecer a versão Xbox. No PC, apesar da precisão ser maior nos disparos, o posicionamento e quantidade de teclas não é tão confortável ao jogador e a falta de um direcional analógico, para cadenciarmos os passos de Fisher, é uma grande perda para a jogabilidade desta versão.

Bons gráficos, maus CGs


Assim como Pandora evoluiu graficamente em relação ao primeiro Splinter, CT também está mais bonito que seu antecessor. A diferença não é gritante, mas pode-se perceber boa evolução em termos de texturas, maior quantidade de detalhes nos cenários e fluidez das animações. No início do jogo, já podemos sentir o gostinho da melhoria visual, com o belo efeito de ???bump-map??? (relevo) nas rochas montanhosas. E vale a pena mencionar que os efeitos de luz e sombra continuam incríveis, e são os itens mais impressionantes do pacote visual de Chaos Theory.

Ao mesmo tempo em que os gráficos ???in-game??? continuam em um alto padrão de qualidade característico da série, os interlúdios cinematográficos em computação gráfica se mantiveram pífios, como sempre. Parece que a equipe de produção da Ubisoft responsável pelos CGs foi a única que não evoluiu tecnicamente com os anos e continua fazendo vídeos bem aquém da qualidade geral dos jogos da série Splinter Cell.

Os sons também continuam espetaculares e desta vez passam a ser um elemento ainda mais tático. Através de um medidor, podemos fazer um paralelo entre a quantidade de ruídos dos ambientes e dos nossos passos para sabermos se estamos fazendo muito barulho ao locomover Sam Fisher ou não. Se o caminhar do herói ultrapassar o nível de ruídos do ambiente e um guarda estiver próximo, facilmente seremos notados. Em certos locais, como uma sala de máquinas de um navio, podemos até correr tranqüilamente pelos pisos metálicos que os nossos passos serão abafados pelo barulho dos motores.

Como não podia deixar de ser, o jogo no PC roda em melhores resoluções e é ainda mais bonito que seu equivalente de Xbox.

???Fishers??? gêmeos


O modo multiplayer de Chaos Theory é dividido em dois módulos. Um deles é uma reedição do ótimo modo de Pandora Tomorrow, no qual dois times bastante diferentes se enfrentam. De um lado, os jogadores são espiões Shadownet, de jogabilidade similar a de Sam Fisher, que não contam com armas letais e devem infiltrar em bases para roubar itens preciosos, sempre utilizando os elementos furtivos. Do outro, mercenários Argus PMC devem tentar conter os invasores, munidos de armas de fogo.

O segundo módulo é inédito. Trata-se um interessante modo cooperativo para dois jogadores, que conta com os mais variados mapas e objetivos, e permite a realização de algumas manobras em equipe bastante interessantes. Um jogador pode dar ???pézinho??? para outro subir em uma plataforma superior ou servir de escada humana para se atingir um local ainda mais alto. Podemos também subir nos ombros do companheiro e atirar lá de cima, arremessar o outro com os pés fazendo uma alavanca ou mesmo dar apoio para a descida em um rapel. Algumas outras interações contextuais, que podem ser executas apenas em lugares específicos, completam o pacote de novos movimentos.

O Veredicto:
Apesar de melhorar graficamente em relação ao exemplar anterior da série, ter alguns movimentos novos e um inédito modo cooperativo, Chaos Theory não tem mais o elemento de surpresa e frescor existente no primeiro jogo da série, e que até certo ponto se repetia com o módulo multiplayer do anterior, Pandora Tomorrow.
No geral, ainda é um grande jogo, talvez o melhor da série, mas quem acompanha Fisher há mais tempo vai ficar com a sensação de que já viu tudo isso antes.

Prós:

+ Jogabilidade furtiva segue o alto nível de qualidade da série;
+ Belos visuais, efeitos e texturas;
+ Modo multiplayer é ótimo, principalmente o cooperativo;
+ Sons de ótima qualidade;
+ Medidor dos ruídos do ambiente e dos passos de Fisher dão mais um toque tático;
+ Menos frustrante, por não contar mais com os três alarmes que terminam o jogo;

Contras:

- Sensação de mais do mesmo;
- História continua muito sem sal;
- A qualidade dos CGs não melhora mesmo;
- Cadê os tutoriais jogáveis?


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