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Review de Metal Gear Solid 3: Snake Eater para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Em Metal Gear Solid 3: Snake Eater, Snake perde um olho, mas nunca perde as bolas. Depois de Metal Gear Solid 2 e sua ode ao metrosexualismo, este terceiro episódio recoloca nosso herói nos trilhos, apresentando um Snake que come ratos, realiza intervenções cirúrgicas no próprio corpo e encara, sem o menor sinal de constrangimento, o decote de uma bela espiã aliada.

E não apenas temos o personagem perfeito para um jogo de ação de volta, mas todos os elementos que fizeram o Metal Gear Solid do PSOne foram repetidos para formar uma verdadeira obra-prima da espionagem tática.

Festa na floresta
Snake Eater se passa nos anos 60 e conta uma versão da Guerra Fria diferente daquela dos livros de história. Infiltrado na selva russa, o herói de codinome Naked Snake tem como primeiro objetivo resgatar um cientista chamado Nikolai Steponavich Sokolov, que sem querer estragar qualquer surpresa da trama, é um especialista em certas armas de destruição em massa que EUA, União Soviética e alguns outros adorariam poder controlar. Segundo a ficção do jogo, Sokolov foi inclusive o pivô da crise dos mísseis de Cuba, tendo servido como um ???prêmio??? à União Soviética em troca da retirada das armas.

Jogado na selva praticamente nu, nosso Naked Snake vai ter que se virar sem comida e, pela primeira vez na série, sem o radar, mas com apetrechos como um sonar e detector de movimento servindo para nos orientar sobre a posição dos inimigos.

A ausência do radar é um desafio novo que causará um pouco de estranhamento no começo, mas a adaptação não demora muito e logo o jogador estará dominando os novos "gadgets" e recursos de camuflagem que ajudam Snake a infiltrar nas linhas inimigas. No canto da tela, temos o medidor de camuflagem que mostra, em porcentagem, a eficiência do disfarce no atual ambiente. Diferentes uniformes e pinturas para o rosto podem ser acessadas com uns poucos cliques através de um menu interno, e assim se escolhe uma combinação que se mistura melhor com as cores predominantes no lugar.

Os kits médicos espalhados pelo cenário também foram substituídos, e agora Snake terá que restaurar sua energia comendo e realizando tratamentos médicos básicos. A selva oferece um farto buffet de sapos, jacarés, pássaros, aranhas, escorpiões, peixes, cobras e cogumelos. A maioria, segundo Snake, é uma delícia e serve muito bem para recuperar sua energia física e, automaticamente, regenerar a famigerada barra de energia. Já no menu de sobrevivência, podemos desinfetar, passar pomada, dar ponto, fazer torniquetes e realizar outros procedimentos para deixar a saúde do Cobra em perfeito estado. No caso de ingestão de comida velha (Snake gosta de comer os bichos ainda vivos) ou plantas e seres venenosos, o menu de sobrevivência também dispõe de soro e remédios.

A funcionalidade destes procedimentos depende de pausas para acessar menus, o que pode parecer um pouco artificial e até chato em certas ocasiões, mas é uma idéia que se aplica muito bem ao conceito de sobrevivência deste novo episódio e que se justifica perfeitamente na filosofia de privilegiar a prática e jogabilidade em detrimento do realismo.

Outra boa novidade apresentada em Snake Eater é o CQC, uma técnica de combate corpo-a-corpo desenvolvida por Snake em conjunto com sua tutora, The Boss, que permite subjugar os inimigos e usá-los como escudo humano, interrogá-los ou simplesmente, cortar-lhes a garganta.

A unidade Cobra
A história de Snake Eater consegue ser rica como nos outros jogos da série, mas não tem uma fração da pretensão e os excessos daquela de Metal Gear Solid 2. O mesmo ocorre com os personagens, que foram um dos pontos mais fracos do episódio anterior, mas que agora voltam a ser as grandes estrelas do jogo.

The Boss, uma mulher-macho com alguns dos mais belos olhos da história dos videogames, é o personagem mais marcante. Mas o grupo mercenário Cobra, do qual fazem parte ???freaks??? com alcunhas como O Medo, A Dor e O Fim, figuram, juntos de Psycho Mantis do MGS original, no hall dos melhores vilões de Metal Gear. Vale uma breve descrição de cada um:

The Fear: Seu verdadeiro nome é desconhecido. Pode trepar em árvores como se fosse um inseto e possui uma língua mais longa que o normal.

The Pain: Gigante que manipula vespas. A julgar pelo rosto cheio de bolhas, já levou algumas picadas bem doídas nesta vida.

The End: Um franco-atirador de 100 anos. Anda com um papagaio no ombro e é capaz de viver sem comer e beber, graças a uma estranha capacidade de fotossíntese.

The Fury: Ex-astronauta que teve o corpo todo queimado. Vive sob uma roupa espacial que esconde seu corpo deformado, é imune à dor e não sangra.

The Sorrow: Ex-amante de The Boss, foi morto ao tentar salvá-la, mas de alguma forma aparece no jogo como aliado de Snake.

A forma com que cada um se apresenta, com demonstrações de seus poderes especiais, discursos e devaneios sobre a natureza da guerra, é sempre bem bacana. Um deles em especial provê um confronto épico, que pode se arrastar por mais de uma hora.

Tecnicamente soberbo
?? possível encontrar defeitos em Snake Eater. A câmera clássica da série, por exemplo, não funciona tão bem nos ambientes abertos. O controle de Snake também tem algumas limitações desagradáveis -- mais notadamente, a impossibilidade de correr ou andar em primeira pessoa. São falhas que já deveriam ter sido corrigidas e que acabam destoando do polimento excepcional do jogo, no geral.

Outros jogos de espionagem tática, como Splinter Cell já fizeram melhor no que diz respeito ao controle e a variedade da jogabilidade. Mas em todos falta algo que Metal Gear Solid tem de sobra, que é, simplesmente, a capacidade de entreter. Hideo Kojima tem competências que transcendem a criação de games. Seus jogos têm sempre algo de genial, um tratamento de cinema, de puro entretenimento, que poucos conseguem imitar.

Como disse, sabiamente, o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante a Electronic Game Show: os jogos eletrônicos tem um pouco de música, um pouco de cinema e um pouco de literatura. E Metal Gear Solid tem todos esses elementos nos mais altos níveis de competência.

Visualmente, é um espetáculo, um dos jogos mais impressionantes da atualidade, independente de qual plataforma. Não é apenas uma questão técnica -- e a Konami sabe fazer milagres com o hardware do Playstation 2 -- mas mais mérito artístico.

Elogiar a qualidade dos interlúdios cinematográficos é chover no molhado ??? estas seqüências impressionantes já se tornaram marcas registradas de Metal Gear, e apenas são mais bem feitas que o de costume agora. O que mais precisa ser enaltecido é o realismo e o detalhamento absurdo dos ambientes, da baba do cachorro que late aos urubus que voam em círculos no céu, sinalizando a presença do corpo de um soldado morto, até pousarem para comê-lo. Usando o sonar em uma floresta você verá dezenas de pontos indicando vida, e cada um deles está lá de verdade, desde minúsculas borboletas a uma cobra que balança o capim ao rastejar. Cachoeiras, cavernas, campos floridos, montanhas, todos os ecossistemas possíveis para uma aventura de sobrevivência estão impecavelmente modelados e coloridos com extremo bom gosto em Snake Eater.

A parte sonora também mantém um altíssimo padrão, desde a inesquecível música tema, inspirada nos clássicos temas de James Bond ao detalhado trabalho de sonoplastia necessário para compor a ambientação do jogo.

Snake Eater também se apresenta como a aventura mais longa e emocionante de Snake, chegando perto das 20 horas de jogo, sem jamais perder a intensidade e o drama. Trata-se de um capítulo especialmente bem dirigido da série, e que consegue um balanceamento perfeito entre as conversas de Codec, seqüências não interativas e partes jogáveis, aspectos nos quais Metal Gear Solid 2 falhava terrivelmente.

O Veredicto:
Metal Gear Solid 3: Snake Eater é um jogo absolutamente fascinante, uma obra-prima produzida por uma das equipes mais talentosas do mundo.
Esqueça qualquer outro jogo -- pelas próximas vinte horas, pelo menos -- e vá passar uns momentos na companhia do Cobra. Outer Space garante que será uma viagem inesquecível.

Prós:
  1. Gráficos e som espetaculares. Os melhores do Playstation 2;
  2. Bela música tema;
  3. Intenso como um filme de ação deve ser;
  4. Aventura longa. Quase 20 horas de Snake pra você;
  5. Cobra Unit - os melhores inimigos de um Metal Gear;
  6. The Boss.


Contras:
  1. O dublador de Snake já soou mais natural;
  2. Câmera clássica da série não se adapta tão bem aos ambientes abertos.



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