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Review de Metroid Prime 2: Echoes para GC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Logo depois de atender a um chamado de resgate no planeta Aether, Samus Aran está novamente do jeitinho que o fã da série Metroid gosta: peladinha. Ou quase isso, já que a heroína jamais se livra de sua infalível armadura Varia, que no final das contas é tão decotada quanto uma burca. Mas todo o resto, que inclui sua morph-ball, vários canhões de raio-laser, sensores e visores especiais, botas anti-gravitacionais, scanners e a pia da cozinha, foi perdido em um dos primeiros combates, e Samus agora se vê mais uma vez na obrigação de recuperar seu equipamento e, de quebra, salvar o mundo.

Gêmeos: mórbida semelhança


Metroid Prime 2: Echoes é a continuação do jogo lançado há dois anos e que até hoje é considerado, por muitos, o melhor do Gamecube. Talvez por aprovação quase unânime do público e toda a adoração dos fãs, a Retro Studios tenha optado por criar Echoes com a carga genética, praticamente inalterada, do primeiro Metroid Prime. ?? um jogo com suas particularidades, mas que no geral tem a cara do original.

Se fosse para PC, Echoes poderia ter sido vendido como um pacote de expansão de Metroid Prime, já que usa o mesmo sistema gráfico, mesmo controle, a mesma biblioteca sonora e as mesmíssimas idéias. Então, este é para quem gostou do primeiro e já está com saudade, ou para aqueles que simplesmente queriam mais.

A história desta vez nos leva a mundos paralelos, com uma versão sombria do planeta Aether existindo em outra dimensão, onde insectóides chamados Ings tramam um plano para desestabilizar o mundo original, de luz, retirando sua energia. ?? aquele enredo, pra lá de manjado, de jogos que só querem poder brincar com puzzles nos quais as ações realizadas em um lugar vão influenciar o estado das coisas no universo paralelo, exigindo que o jogador viaje entre eles e faça experiências.

No caso do mundo escuro de Aether, temos um cenário que reproduz tudo do mundo ???principal??? com cores que variam quase sempre do preto ao roxo. E se o ambiente no mundo da luz já é pura solidão e mistério, no lado negro as coisas ainda são um tanto sinistras. Até mesmo a atmosfera do lugar desencoraja um passeio: ela tem a propriedade de corroer a armadura de Samus e drenar sua energia, exigindo que o jogador busque abrigo em pequenas zonas seguras, onde há uma espécie de redoma que bloqueia este ???ar venenoso???.

Os canhões de laser de energia luminosa e sombria, dois dos vários que encontramos ao longo do jogo, têm o efeito de seus disparos potencializados em um ou outro ambiente ou tipo de criatura. O de luz é muito bom contra seres do mundo das sombras, enquanto o de energia sombria machuca pra valer nas criaturas do mundo de luz, tendo inclusive uma super-carga que dispara um bolo de energia escura que paralisa o inimigo por alguns segundos. Enfim, há uma relação óbvia entre luz e sombra que o jogador terá que descobrir aos poucos, enquanto viaja de um lugar para o outro.

Os objetivos do jogo são praticamente idênticos ao do Prime original. Samus deve ir de sala em sala resolvendo enigmas até encontrar uma peça que representa um novo recurso em sua armadura, ou para colher fragmentos de um puzzle maior, como chaves para ativar um portal ou coisa assim. Além dos canhões de laser já citados, alguns apetrechos novos diferenciam o jogo sutilmente do original, como o visor de ecos, que mostra as coisas através de ondas de som num efeito visual sensacional, o visor escuro, que revela segredos do mundo das sombras e o ???screw-attack???, movimento que já existia nos jogos 2D da série e que faz saltos em seqüência e rodopios super bacanas.

Há também um inédito modo multiplayer em tela dividida, mas com mira travada, morphball servindo para fugir em alta velocidade e os slow-downs quando curtido de quatro jogadores, ele não funciona muito bem e... pouco importa no final das contas.

O ligeiro ar de novidade é a temática: mundo da luz, mundo escuro. O resto é puro dejá-vù.

Uma questão de tradição


?? difícil apontar um favorito entre Echoes e o primeiro Prime, mas é certo que da segunda vez as coisas já não causam o mesmo impacto. A Retro Studios optou por um caminho muito conservador e quis dar uma aventura clássica aos fãs, perdendo a chance de inovar ou mesmo evoluir o conceito Metroid.

Echoes é um jogo dos mais ???hardcore??? do momento, e isso vai desde a dificuldade muitas vezes desproporcional do jogo, à própria natureza dos enigmas e da jogabilidade. Você muitas vezes ficará perdido, vagando pelos corredores claustrofóbicos de Aether sem saber em que sala está o próximo objetivo. Para alguns, pode ser o que mais excita em um jogo, mas para outros, é uma daquelas oportunidades onde um guia ou ???walkthrough??? cai muito bem. Echoes é o rei do Gamefaqs, e uma verdadeira benção para os obstinados.

Seria no mínimo interessante ver a série de desprender deste conceito de vai e vem, de escanear duzentos milhões de objetos no cenário, e de frustração por poder salvar apenas em alguns pontos esporádicos (um dos chefes do jogo inclusive aparece, cruelmente, muito distante de um save-point), para algo mais moderno, mais light. Com tantos jogos que se preocupam em manter o ânimo do jogador e serem ???user-frienly???, jogar Metroid é fazer um retrocesso para a era onde só mesmo os viciados em videogame poderiam vencer.

Mas é inegável que Echoes tenha seu público e seja muito eficiente em entretê-lo. Acima de tudo, este é um jogo incrivelmente bem polido e produzido, com um clima de mistério sensacional, uma direção de arte muito competente e jogabilidade no padrão Nintendo de excelência.

Como o primeiro Metroid Prime, apreciá-lo só depende de um pouco de boa vontade, tempo livre de sobra (o jogo é longo e as empacadas freqüentes) e um quê de nostalgia. A viagem mais uma vez, vale muito a pena.

O Veredicto:
Este é Metroid Prime 2004. Não tem nada muito novo ou ousado em relação ao jogo lançado dois anos atrás, e fatalmente será visto sem o mesmo entusiasmo, mas o trabalho da Retro Studios mais uma vez é impecável. Echoes é um jogo de altíssimo nível e que honra a reputação da série Metroid.

Prós:

+ Belo clima de mistério;
+ Morphball é um barato;
+ Batalhas épicas e muito criativas com os chefes de fase;
+ Música menos inspirada que no anterior, mas ainda muito acima da média;
+ Longo...

Contras:

- Tão longo e ???sofrido??? que até cansa;
- Frustrante em muitos momentos;
- Quase nada de novo. Tem cara de pacote de expansão.


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