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Review de Resident Evil 4 para GC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


???You find a green herb. Will you take it????. Certas coisas têm que existir para sempre em um Resident Evil, mas fora uma ou outra erva medicinal, um medalhão que abre uma passagem secreta, chaves e fechaduras em forma de pedras preciosas, e os célebres diálogos de filme B, não há muito em Resident Evil 4 que faça lembrar os episódios anteriores da série.

Este é um survival-horror totalmente novo, sem zumbis, sem o desengonçado controle dos antigos episódios e com ênfase na ação. Para quem já estava cansado, ou mesmo quem nunca gostou da série, esta é a oportunidade perfeita de experimentar o horror em sua forma mais accessível e amadurecida. A não ser que você tenha total aversão a tiros e ação, não há como não amar Resident Evil 4.

Terror no campo


Em Resident Evil 4 reencontramos Leon Kennedy, o jovem tira que havia debutado como protagonista em Resident Evil 2, e que, depois de assistir ao fim da Umbrella Corporation e o Vírus-T, oferece seus serviços ao governo americano.

Com a missão de resgatar a filha seqüestrada do presidente dos Estados Unidos, Leon vai parar em um remoto vilarejo europeu, provavelmente em algum lugar da Espanha (o jogo nunca deixa claro). Assistimos a ação por uma câmera original, um pouco acima dos ombros do protagonista, quase como uma visão em primeira pessoa, mas com Leon sempre presente no canto esquerdo da tela. O nevoeiro é intenso, as árvores secas e as folhas no chão dão uma coloração amarronzada ao cenário e, apesar do frio na espinha, o lugar é uma das ???renderizações??? mais bonitas já vistas em um jogo.

O primeiro contato com os nativos revela um fenômeno típico do campo: os habitantes da vila parecem frutos de cruzamentos entre co-sangüíneos ??? ou, pelo menos, é o que a repetição de modelos 3D faz parecer. Mas a noção de que se trata daquela gente de fala mansa, com um pedaço de capim na boca e, às vezes, de carinho excessivo para com os animais, termina quando vemos o primeiro machado voando em nossa direção, num claro sinal de que não somos bem vindos ali.

Os aldeões de Resident Evil 4 são maus, infinitamente piores que os zumbis de outrora, ainda mais terríveis que a enfermeira de Silent Hill. Pra começar eles são rápidos e ágeis, capazes de subir em escadas, entrar pelas janelas e se esquivarem de golpes mais óbvios. Um deles usa uma moto-serra e um capuz que lembra Jason nos tempos de Sexta Feira 13 parte 1. Mulheres, velhos, qualquer um -- eles te atacam sem dó e ainda soltam impropérios do tipo ???Vou fazer picadinho??? e ???Atrás de você, imbecil???, em claro Espanhol, muito efetivo também para brasileiros.

O jogo tem a classificação ???Mature??? nos EUA, só para maiores. A violência é explícita e bastante realista. Definitivamente, não é entretenimento para a família. Isto fica claro já no começo, quando usamos a pistola para, literalmente, explodir os miolos de um aldeão. Em questão de minutos já temos acesso a uma escopeta que faz estragos ainda maiores e que serve para sedimentar a impressão inicial de que este será um ???survival-horror??? de muito tiroteio, para chutar traseiros mesmo.

Os inimigos agora recebem danos localizados, então um tiro no joelho serve para fazer-lhes cair e dar tempo para escaparmos ou mirarmos, estrategicamente, na cabeça. Não tão raro, um disparo na cabeça pode fazer o chapéu voar ou fazer com que seu algoz leve as mãos ao rosto. A mira é feita de uma forma bastante intuitiva e amigável. Com o botão R pressionado, o stick analógico serve para movimentar a arma e posicionar um providencial laser que indica com precisão onde será o tiro.

Embora o controle ainda mantenha o estilo ???tanque??? dos outros jogos da série, ele está bem mais eficiente e agradável. Há quem vá sentir falta de um ???strafe??? para fazer Leon andar para os lados como nos jogos de tiro em primeira pessoa (o que é útil, mas um pouco irreal) ou de poder atirar enquanto anda, mas ainda assim é um sistema de controle excelente e que se encaixa perfeitamente no estilo de ação do jogo. Tão bom, de fato, que fica difícil não passar alguns bons minutos se dedicando aos mini-games de tiro ao alvo encontrados perto de alguns ???check-points??? e como desbloqueáveis no final do jogo.

Leon vai a guerra


Enquanto os antigos jogos da série tinham as situações de suspense como ponto de partida e uma jogabilidade cadenciada, com muita resolução de puzzles e freqüentes idas e voltas pelo cenário, a opção da Capcom em Resident Evil 4 foi por uma experiência mais linear e intensa, evitando sempre os momentos de frustração.

A ação é incessante e extremamente prazerosa. Resident Evil 4 está mais para um genocídio conduzido pelo jogador que um horror de sobrevivência. Os pobres aldeões, suas criaturas de estimação como as aberrações chamadas, sugestivamente, de ???El Gigante??? e ???Del Lago??? e, mais tarde, os membros de uma seita mal intencionada, são boas cobaias para o jogador testar um arsenal que varia das mais simples pistolas a granadas e armas pesadas como um lançador de minas. No final das mais ou menos vinte horas de jogo, um relatório mostrará que você dizimou meia Espanha nesta brincadeira, apontando também estatísticas como precisão dos disparos e número de vezes que você morreu.

Existem momentos de puro terror ainda, mas em alguns, Resident Evil 4 lembra Metal Gear Solid 3. Em um certo estágio, a ação quase desanda totalmente para o lado do Rambo ??? ao ponto de enfrentarmos aldeões que usam boinas de soldado. A história é um maluco amálgama de clichês de ação e de filmes de horror que, embora ridículo por um lado, é perfeito quando se trata de um jogo, ainda mais de um Resident Evil, que sempre se caracterizou pela canastrice explícita.

Como um elemento de RPG, a Capcom incluiu um misterioso vendedor de itens, que aparece nos lugares mais inusitados do jogo. Por ele, podemos comprar novas armas e dar upgrades nas que já temos, aumentando seu poder de fogo, velocidade de disparo e de carregamento, e a capacidade de armazenamento da munição. Poder incrementar gradativamente nosso arsenal e fazer ainda estragos nos inimigos é um grande barato, e uma idéia que todo jogo de ação deveria seguir daqui pra frente.

O progresso ainda é salvo nas máquinas de escrever, mas não há mais necessidade de usar as fitas de tinta que ocupavam espaço no inventário e limitavam o número de vezes que se podia gravar. A distribuição desses pontos de ???save??? pelo cenário é muito bem feita, e o jogo ainda cria ???check points??? automaticamente antes de momentos onde o jogador pode se complicar. Outro item remanescente dos episódios anteriores é o inventário, limitado, mas que consegue comportar itens suficientes para não obrigar o jogador a ficar descartando seus pertences a todo instante.

Que gráficos, cabrón!


Visualmente, o jogo é um espetáculo, tanto tecnicamente como artisticamente. Resident Evil Remake, do Cube, parece um jogo de Nintendo 64 em comparação.

Os confrontos com os ???chefes???, especialmente, são momentos que rivalizam seqüências não interativas em termos gráficos. Para falar de apenas um, El Gigante -- que, pode acreditar, é realmente grande ??? baba intensamente, pisoteia os aldeões, arranca árvores do cenário e destrói as cabanas ao redor com elas. ?? ver para crer.

Um detalhe, que ajuda a entender como a Capcom conseguiu um visual deste nível, é que o jogo roda com barras pretas em cima e em baixo da tela, simulando um formato widescreen, mesmo em TVs comuns. Menos tela significa menor quantidade de objetos para mostrar na tela e, consequentemente, um alívio para os processadores do console. ?? um sacrifício no tamanho da imagem, recompensado com um jogo mais ambicioso, visualmente. Quem tiver TV widescreen com opção de zoom pode espichar a imagem para a tela toda, mesmo que artificialmente. Apesar de perder um pouco de definição, o resultado é até muito bom.

O Veredicto:
Resident Evil 4 não apenas reinventa a série com algumas mudanças radicais, como também estabelece um novo paradigma de qualidade para jogos de ação e terror. O visual impressionante, a ação deliciosa e o nível geral da produção renderam o melhor jogo do Gamecube e até agora e, por que não dizer, um dos melhores de todos os tempos.

Prós:

+ Tiroteio divertidíssimo. Um dos melhores jogos de ação já feitos;
+ Provavelmente os melhores gráficos desta geração;
+ Confrontos incríveis com ???chefes de fase???;
+ Super produzido. Polido como um diamante;
+ Aproximadamente 20 horas de ação intensa. Dois bons mini-games como extras no final.

Contras:

- ???Strafe??? e um botão para troca rápida de armas fazem falta;
- Widescreen falso é um sacrifico para quem não tem TV grande;
- Um pouco mais de variedade nos modelos dos aldeões e em suas falas não seria mal;
- Momentos de Rambo. Raras ocasiões onde peca pelo excesso.


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