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Review de Full Spectrum Warrior para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


A concepção de Full Spectrum Warrior é curiosa. O estúdio Pandemic e a universidade Southern California foram contratados diretamente pelas forças armadas norte-americanas para desenvolver um jogo que auxiliasse no treinamento do exército, criando várias situações virtuais que simulassem com muita precisão o ambiente de guerra urbana.

Vendo que os jogos militares realistas, encabeçados pelas séries Rainbow Six e SWAT, sempre estão em alta no mercado gamístico, a distribuidora THQ resolveu ???comprar??? o projeto e torná-lo comercial. Sendo assim, Full Spectrum é promovido como uma simulação de combate urbano realista e bastante complexa, e não apenas mais um jogo de guerra divertido.

A vida do soldado em primeiro plano


A grande virtude de FSW é conseguir explorar um tema pra lá de manjado de uma maneira diferente, sem ser mais um shooter em primeira pessoa ou uma ação tática do tipo que as lojas estão cheias. ?? uma espécie de estratégia em terceira pessoa, que consegue nos dar total controle sobre nossos comandados com muito realismo, ao mesmo tempo em que nos insere diretamente nos combates.

Para tal, o jogo utiliza uma câmera que fica exatamente atrás do soldado, como se fosse a perspectiva das lentes de um repórter que faz a cobertura da guerra in-loco. Isso traz um certo realismo, pois não tem como correr livremente a câmera pelo cenário e acabamos perdendo um pouco a noção de movimentação dos inimigos. ?? sempre importante conseguir um posicionamento que proporcione um bom ângulo de visão, diminuindo as chances de sermos pegos de surpresa ou de nos movimentarmos de maneira arriscada.

Aliás, FSW é mais baseado em posicionamento e elaboração de um plano de ação do que da habilidade em si, o que faz com que pareça um jogo de xadrez militar de última geração. O foco é mais segurança dos nossos comandados do que a própria eliminação dos inimigos, por isso temos sempre que mantê-los cobertos e abrigados, com um bom campo de visão.

Hoo-ah, sir!


Full Spectrum Warrior funciona da seguinte maneira: Controlamos dois pequenos agrupamentos (Alpha e Bravo) de quatro soldados norte-americanos, que devem lutar contra o terrorismo em um território árabe que é dominado por um ditador perverso. Cada grupo tem um líder, que é um sargento responsável por dar as ordens aos demais e fazer contato com os superiores e com a inteligência militar via rádio; um infante, que é o ???pau pra toda obra???; o soldado com metralhadora pesada, que tem menos precisão, mas um poder de fogo superior; e o ???granadeiro???, que é o responsável pelo manuseamento de explosivos, granadas de fragmentação e de fumaça.

A perfeita sintonia entre estes dois agrupamentos definirá o sucesso das missões. Por exemplo, se o time A estiver encurralado, o B tem que suprimir o inimigo com rajadas ininterruptas - em detrimento da munição -, fazendo com que o inimigo recue e não se exponha e, conseqüentemente, com que o caminho se abra para o A sair. Existem várias alternativas, mas as equipes sempre devem trabalhar em conjunto.

A jogabilidade e o realismo são dos dois pontos mais fortes. Apesar de ser em terceira pessoa, não tem como controlarmos diretamente nossos soldados, e isso é o principal fator que diferencia FSW dos demais jogos de guerra. A primeira coisa que fiz ao iniciá-lo foi tentar utilizar a velha configuração WASD do teclado para mover meus soldados, mas quem disse que eles saíram do lugar? Então percebi que a movimentação é feita pelo mouse, selecionando o local do mapa para onde queremos deslocar os agrupamentos Alpha e Bravo.

Como os combatentes devem ficar a salvo da vista e do fogo inimigo, na preparação para transpor um terreno aparecem ícones no canto inferior da tela para indicar qual tipo de abrigo o local para onde vamos deslocar vai nos fornecer. Se for um carro ou caixas de madeira, por exemplo, trata-se de um abrigo temporário, que pode ser destruído, perdendo seu poder de proteção. Se for uma parede, bloco de concreto ou barricada, a estrutura se manterá intacta independente do número de disparos que receber.

Alguns comandos interessantes são o pedido de reconhecimento aéreo, que ordena um helicóptero vasculhar a área e identificar o posicionamento de inimigos (dados que são enviados para o nosso PDA); o bombardeio aéreo, que destrói veículos blindados, imunes ao fogo das tropas terrestres; e a movimentação cautelosa, que faz com que os soldados se movam para uma direção apontando para outra, à espera que possa aparecer um inimigo de surpresa por ali.

Já falei alguns exemplos acima de como Full Spectrum Warrior se preocupa muito em ser muito baseado em combates reais, mas outros merecem ser citados. Não existem barras de energia vital, a munição é limitada, existe um ???lag??? entre o comando dado e a resposta dos comandados (o que pode frustrar uns jogadores), cada soldado se movimenta de uma maneira, os inimigos estão sempre se movimentando, etc. Realmente, é um jogo que tenta reproduzir com fidelidade máxima um verdadeiro ambiente de guerra urbana, portanto o jogador precisa pensar e ter muita cautela antes de fazer qualquer coisa. Lembre-se: Assim como na vida real, não há brechas para erros.

Nova missão, mesma coisa


Nada a reclamar da parte técnica. Os gráficos são muito bons -- nada de extraordinário --, e os sons são bem fiéis aos dos disparos das armas e explosões reais. Os soldados ficam conversando o tempo todo, reclamando, vibrando, lembrando de coisas do passado e xingando. Alguns diálogos curtos, porém engraçados, aparecem de vez em quando.

Na física, o sistema Havok cuida para que vários objetos dos cenários possam ser destruídos e que os destroços voem aleatoriamente por todo lado. A movimentação e a animação dos personagens também são bem coerentes com a realidade. A inteligência artificial poderia ser melhor, mas não compromete.

O grande problema é a falta de variação. FSW começa de maneira espetacular, se mostrando muito variado e cheio de potencial, mas se torna repetitivo rápido demais. Todas as missões são em áreas abertas, não existem invasões de edifícios ou casas, por isso não podemos utilizar os telhados ou janelas das estruturas para nos proteger melhor ou para ter um melhor ângulo para atirar. Também, todas as fases são de dia, sem chuva, sem névoa, nada... E ainda não existe a possibilidade de pilotar veículo algum, coisa que qualquer jogo de guerra da atualidade tem e que traz muito mais opções de ataque e defesa. Nem trocar nossas armas é permitido: Temos que jogar sempre com as mesmas.

Outro contra é que não existem grandes combates, com vários inimigos atirando ao mesmo tempo e aquele clima tenso que só uma verdadeira guerra tem. Na maioria das vezes, enfrentamos um, dois ou três soldados, e as maneiras de matá-los são as mesmas, quase sempre. Enfim, é um jogo de muito potencial, mas que não foi bem explorado.

O Veredicto:
Se você gostaria de vivenciar uma verdadeira experiência militar, mesmo que virtualmente, utilizando todas as técnicas e táticas que do poderoso exército norte-americano, Full Spectrum Warrior é uma ótima pedida. Apesar de ser um jogo que poderia ter explorado melhor as várias possibilidades de combate em um cenário urbano, dentro dos seus limites é bastante competente.

Prós:

+ Muito realista. Sem as gorduras e exageros dos jogos militares ???comerciais???;
+ ??tima jogabilidade, bem diferente existe baseado no tema;
+ Elaborar planos de ação é bacana;
+ Bons gráficos, sons e física;

Contras:

- Mudando o desenho e o posicionamento dos inimigos, as missões são muito parecidas umas das outras;
- Não podemos entrar em estruturas, dirigir veículos e trocar de armas.


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