GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de Rune para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Se existe um desafio para quem programa jogos atualmente, este é a criatividade. Os programadores estão cada vez mais especializados e conseguem criar jogos tecnicamente perfeitos. Mas, aquilo que ninguém consegue aprender, que é inventar algo diferente, ainda é privilégio de poucos. E Rune é um jogo que mostra isto claramente.

Defenda pedras


O enredo pode ser considerado interessante. Fala sobre uma época medieval, retratando os vikings e seus relacionamentos com os deuses. Neste tempo, muito sangue era derramado pelas lâminas afiadas de espadas e machados, em batalhas que envolviam milhares de guerreiros fortemente armados e pedras mágicas capazes de invocar feitiços divinos. Você assume o comando do jovem guerreiro viking Ragnar, que acaba de ser eleito como o protetor de seu clã. Em seu novo posto, ele deverá defender, com sua própria vida, as pedras mágicas de runa do deus Odin. Um bando de vikings malvados resolvem destruir estas pedras para libertar o deus do mal, Loki. Agora, cabe a você lutar contra eles. Tudo parece simples, mas Ragnar acaba entrando em um mundo subterrâneo cheio de perigos e surrealismos.

O jogo segue o estilo de Drakan e Heavy Metal FAKK 2, com um personagem principal sendo conduzido por mundos bem grandes, sempre com a perspectiva em terceira pessoa. Mas apesar de seguir com a mesma qualidade gráfica dos outros, ele peca imensamente em seus objetivos e sua jogabilidade repetitivos. Então, ele é ruim? Não, de maneira alguma. Entretanto é mais um bom jogo de ação que chega no mercado, mas que não adiciona nada de novo ao gênero.

Rune conta com 15 armas, que se dividem entre espadas, machados e clavas. Existem também escudos para se defender de ataques e disparos alheios, mas, sinceramente, a utilidade deles tende a zero. Ragnar deve ir cumprindo suas tarefas - que quase se resumem a ficar abrindo portas e pular buracos - ao mesmo tempo em que coleta as pedras mágicas de runa. Cada uma deles tem uma função especial, como enfeitiçar uma arma ou aumentar a força e energia do personagem. Dependendo da arma que você estiver utilizando, um poder diferente estará disponível quando usar uma runa, podendo ser raios, fogos, movimentos acrobáticos, entre outros.

Engine de Unreal brilha


Apesar de ter faltado criatividade à equipe da Human Head nos objetivos do jogo, eles fizeram um excelente trabalho na parte técnica. Rune é muito bem programado e consistente, e isso pode ser percebido desde os menus de introdução até nos vídeos em tempo real. As telas de loading são bem rápidas e acontecem poucas vezes, e o jogo roda macio mesmo em computadores mais simples. O visual é simplesmente magnífico, tanto nos cenários quanto nas texturas e efeitos de luz. Como Rune utiliza o engine de Unreal, ele prima por personagens bem modelados, ambientes vastos, escuros e cujas cores marrom, verde e vermelho predominam, sempre esbanjando efeitos especiais de primeira. Os cenários, apesar de bem variados, não fogem muito de grutas, cavernas e bases inimigas, e raramente (lê-se 2 vezes) entrei em um espaço aberto, como cidades e vilas. Ou seja, varia muito sem sair do mesmo.

A trilha sonora de Rune conta com alguns pequenos trechos musicais que servem para proporcionar um ambiente de apreensão. Já os sons exercem um papel fundamental: carregar os cenários com os mais variados barulhos que possam criar um clima perfeito. O som das espadas, quando estas atingem as pedras, é espetacular, assim como o ruído que elas proporcionam quando atravessam o pescoço de um esqueleto. Os demais gritos e zunidos dos cenários também são uma maravilha.

Esqueletos que não acabam mais


Um grande pecado de Rune é sua simplicidade. Durante o jogo, você abre mais portas do que enfrenta inimigos, e quando enfrenta, são sempre os mesmos monstros que devem ser mortos da mesma maneira. Existem poucas armas e não dá pra notar uma diferença nítida entre elas. Basicamente, as armas melhores sofrem um pequenino incremento de força em relação às anteriores, que não chega a fazer muita diferença no modo de se jogar. E como os monstros são bem limitados, ficando restritos a 4 tipos diferentes em todo o jogo, acaba que as batalhas são sempre iguais, o que torna a ação cansativa.

Isso reflete diretamente na jogabilidade, que é muito boa, no início, mas vai caindo de qualidade gradativamente com o tempo. Ragnar responde bem aos comandos e não escorrega ou se agarra em paredes, mas a variação zero de objetivos faz com que a ação se torne maçante. Como o jogo é extenso, as missões muito lineares e a variedade de monstros e armas baixa, a jogabilidade frustra assustadoramente com o tempo. Um exemplo que aconteceu comigo: tinha passado cerca de 3 horas matando esqueletos e, de repente, cheguei na porta de uma fortaleza enorme, bem macabra e que aparentava estar recheada de criaturas abomináveis. Depois de bons 10 minutos enfrentando mais esqueletos para abrir a porta, consegui. E quando entrei no local satânico, imagine com quem me deparei? Esqueletos, milhões deles, todos iguaizinhos. ?? o fim do mundo ficar matando os mesmos monstros da mesma maneira durante uma tarde inteira.

Mais do mesmo


O modo multiplayer consiste apenas em deathmatch e team deathmatch, e consegue proporcionar uma boa diversão, desde que você não jogue por mais de uma hora. As batalhas on-line começam a ficar chatas com o tempo e, como no modo single player, não existe muita estratégia. O maior problema aqui é a lentidão das conexões faz com que o jogo agarre toda hora. Apenas a conexão por banda larga faz com que Rune seja realmente interessante via Internet.

Durante toda a jogatina, eu senti familiaridades ruins com outros jogos do gênero, e em nenhum momento conseguir notar algum empenho de Rune em me mostrar algo novo ou diferente. Sem dúvida ele é um bom jogo, muito bem programado, coisa e tal, mas faltou inspiração para que merecesse uma nota melhor do que...

O Veredicto:
Como Darth Vader disse, em Guerra nas Estrelas, ???não fique tão orgulhoso deste terror tecnológico construído???. Rune é uma belezura nos quesitos técnicos, como sons e gráficos, mas peca pela falta de criatividade nos objetivos e pela jogabilidade repetitiva e monótona. Comparando-o com Drakan e Heavy Metal FAKK 2, ele perde pelo baixo carisma do personagem principal, pela pouca diversidade de monstros, armas e ambientes. Mas, para quem curte o gênero, é uma opção excelente.

Prós:
+ O sistema gráfico de Unreal brilha mais uma vez, com gráficos, efeitos e texturas espetaculares;
+ Sons e músicas bem apropriadas;
+ Cenários vastos, consistentes e bem detalhados;
+ Muito bem programado, rodando macio em computadores simples;
+ Telas de loading bem rápidas;

Contras:
- Objetivos lineares e sem graça;
- Pouca variedade de armas e inimigos;
- Não agrega nada de novo.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Outer Space
7/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

7.7 / 10
GameVicio
©2016 GameVicio