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Review de Prince of Persia: Warrior Within para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Se ano passado a Ubisoft havia começado a ressuscitar o interesse na série Prince of Persia com o brilhante The Sands of Time, o lançamento da continuação, Warrior Within, pode significar uma volta à estaca zero.

A fim de tornar o jogo mais ???mainstream???, a Ubi arriscou por dá-lo uma nova identidade, criando um ambiente mal assombrado e apresentando um novo príncipe: um sujeitinho pra lá de antipático e cheio de ???atitude???. E a jogabilidade, antes focada nos saltos, escaladas e exploração do ambiente, agora dá ênfase maior em um sistema de combate que, embora possa parecer bem legal em alguns momentos, é simplesmente chato a longo prazo.

Descobrir Warrior Within é mais ou menos como ir ao cinema pensando em ver Lawrence da Arábia e acabar tendo que assistir a Buffy: A Caça Vampiros.

O Príncipe do Rock


Warrior Within não tem quase nada de uma aventura na Pérsia. Esta é uma aventura do rock.

Temos um herói que é o maior gostosão das arábias. Sua especialidade agora é decepar as cabeças dos inimigos, fazendo uso de uma infinidade de ???combos??? que quase sempre tem muito mais valor estético que prático. O começinho do jogo mesmo é um tutorial de como as combinações de três ou mais cliques de botões pode acionar uma coreografia nova, ou uma forma mais espetacular de dividir o inimigo ao meio. Até uma coluna no cenário pode ser usada para um movimento ginástico especial, no qual o príncipe realiza um giro de 360 graus e vai decepando tudo que se encontra no perímetro com sua espada.

Uma câmera lenta ocasional ajuda a dar aquele toque de cinema aos combates, e os inimigos agora são mais difíceis e variam bastante suas coreografias, tornando a batalha bem mais interessante que no jogo anterior. O príncipe também consegue carregar uma segunda arma desta vez (em todo o jogo, são nada menos que 60 tipos de lâmina disponíveis), e ela pode ser empunhada nas batalhas ou arremessada contra o inimigo para um dano extra.

Mas nem toda esta evolução justifica a escolha da Ubi por relevar o papel do combate a elemento principal do jogo. ?? como se houvesse a pretensão de tornar Prince of Persia um substituto ou equivalente a Ninja Gaiden ou Devil May Cry, porém ele ainda está preso em uma mecânica muito simples e lenta para um jogo de ação deste nível, e nunca convence plenamente. Do início ao fim, o ritmo da aventura fica comprometido por ter que combater a cada minuto, com táticas muito simples e que praticamente não evoluem.

Apenas a presença de alguns ???chefes de fase??? consegue quebrar um pouco a monotonia desta peleja persa. De tempos em tempos esses inimigos especiais -- que incluem uma ave gigante e um ser envolto em corvos -- aparecem para travar algumas batalhas mais longas e desafiadoras.

Como se não bastasse a ênfase no combate que, ironicamente, era também o pior elemento do jogo anterior, a aventura de Warrior Within é orquestrada por uma trilha de heavy-metal horrorosa, totalmente inimaginável para um Prince of Persia. E o príncipe também se revela um personagem sem vestígio do carisma de outrora quando grita baboseiras do tipo ???Bitch!??? e ???Eu sou o Príncipe da Pérsia, o rei da espada!???. ?? mais uma idéia infeliz da Ubi, fruto, provavelmente, das sessões de ???focus group??? feitas para entender por que o jogo anterior fracassou comercialmente, apesar de ter sido aclamado pela crítica.

Fragmentos de um grande jogo


Warrior Within só se sobressai quando lembra suas origens de jogo de plataforma. Sua outra metade, isto é, quando não somos interrompidos pelo fardo do combate, é incrível como sempre.

Os cenários estão mais sombrios, mas ainda são muito bonitos e surreais. Como em Sands of Time, o jogo apresenta vários obstáculos que parecem intransponíveis, mas que não passam de quebra-cabeças para testarmos alguma acrobacia mirabolante. Mais para o final, inclusive, há momentos tão bons que quase fazem valer a pena o sacrifício de ter aturado tanto combate e guitarras distorcidas.

Este é também um jogo bem mais difícil que o anterior, com alguns momentos que chegam a gerar certa frustração. Ainda bem que a excelente idéia de poder voltar no tempo por alguns segundos de Sands of Time continua, e assim evita maior aborrecimento.

Visualmente, Warrior Within também é soberbo e está entre os jogos mais bonitos do momento. Agora temos como entrar numa espécie de cápsula do tempo e ver os cenários no passado ou no presente, com mudanças de puzzles e gráficos muito interessantes entre as duas épocas.

?? lamentável, entretanto que na versão para Playstation 2 tanta beleza tenha como conseqüência uma taxa de quadros por segundo bastante desagradável.

O Veredicto:
Warrior Within ainda é um jogo acima da média, mas que representa um grande retrocesso em relação ao anterior, The Sands of Time.
A tentativa da Ubisoft de torná-lo mais palatável ao grande público é até compreensível, diante do fraco desempenho comercial do Prince of Persia anterior. Mas a opção pelo foco no combate e o mau gosto presente na caracterização do personagem central e na trilha sonora acabam por desvirtuar a brilhante parte de plataforma, que sempre foi o ponto de partida da série.

Prós:

+ Cenários surreais, bonitos como em Sands of Time;
+ Alguns puzzles excelentes.

Contras:

- Combate sem graça e freqüente demais;
- Trilha sonora de péssimo gosto;
- O personagem mudou de um árabe simpático para um badboy americano;
- Problemas gráficos no PS2 e sonoros no Xbox.


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