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Review de Gran Turismo 4 para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Com quase quatro anos de desenvolvimento, inúmeros atrasos, alguns demos e até uma versão de degustação chamada ???Prologue???, Gran Turismo 4 parece ter perdido há um bom tempo o ar de novidade. E para piorar, o modo on-line, que deveria ser a grande revolução desta quarta versão, foi sacado na última hora, restando aos fãs se contentarem com um jogo que não pode oferecer muito além de uma reciclagem de tudo que a série já havia apresentado em Gran Turismo 3.

Não há nada em Gran Turismo 4 que justifique quatro anos de desenvolvimento, mas os incrementos na jogabilidade, som e gráficos pelo menos servem para manter o status de melhor simulador de corrida. Aliás, ainda com larga vantagem sobre a concorrência.

Gran Bourismo?
Os modos de jogo continuam os mesmos, divididos entre ???arcade??? e o de carreira, chamado aqui de ???Gran Turismo Mode???. O primeiro oferece uma boa seleção de carros e pistas para disputa de corridas simples, para um jogador, ou desafios multiplayer, com dois participantes em tela dividida ou até seis através de uma rede local (LAN). Novos carros e pistas podem ser desbloqueados vencendo as corridas.

Mas o modo ???Gran Turismo??? é o que irá ocupar o maior tempo do piloto virtual. O esquema é o mesmo: começamos correndo na tradicional Sunday Cup, onde guiamos aqueles Daihatsus e Toyotas com menos de 100 cavalos. Ao mesmo tempo, é possível começar o penoso processo de aquisição de licenças, cumprindo dezenas de lições de como frear, fazer curva, slalom em cones etc. Para quem não jogou os GTs anteriores, é um tutorial completo de como pilotar, embora os veteranos devam achar tudo um pouco cansativo e prejudicado pelas frenquentes pausas para carregamento. Mas felizmente, há uma opção de carregar o progresso feito em Gran Turismo 3 ou Prologue para eliminar boa parte destas etapas e ainda ganhar um bônus generoso de dinheiro inicial, o que facilita a inserção em categorias mais avançadas.

A navegação pelo modo de carreira é feita através de um mapa muito bem feito, com arenas que separam os eventos em nível de dificuldade (Iniciante, profissional e expert), região dos fabricantes (corridas japonesas, européias, americanas), condições especiais (ralis em neve, terra, asfalto), provas de resistência, circuitos reais (Laguna Seca, Nurburgring, Le Mans etc) e fictícios. Quem quiser se dedicar a completar 100% do jogo, conseguindo todos os carros e as medalhas de ouro, certamente encontrará um vasto menu de competições, suficiente para render meses de jogatina.

Mas se por um lado existem aqueles com o espírito do caçador de Pokémon, que não se importam em repetir a mesma corrida mil vezes até conseguir a medalha de ouro, e que não descansarão enquanto não tiverem na garagem cada um dos mais de 700 modelos de carros disponíveis, os menos obstinados formam um grupo de excluídos no mundo de Gran Turismo 4. Isso porque o jogo ainda falha em apresentar modos que sejam continuamente divertidos, e que ofereçam desafio e recompensas dignas ao jogador comum.

Parte do problema está no fato do modo de carreira ser um bocado caótico e com regras muito flexíveis. Explicando melhor: completadas algumas competições ainda na arena de iniciantes, já é possível acumular dinheiro suficiente para comprar um carro que é mais potente que os dos competidores naquele estágio da jogatina. Assim, podemos entrar na próxima corrida onde os carros todos têm, digamos 150 cavalos, e usarmos um de 250. Melhor ainda, podemos encontrar aqueles eventos que representam uma ótima relação esforço/bonificação e fazer uma corrida de desafio zero (algo como um Ford GT vs Honda Beat), mas com dezenas de milhares de créditos de premiação. Ironicamente o jogo reconhece este problema e, como penalidade, apenas reduz uma pontuação chamada ???A-Spec points??? que misteriosamente não serve para nada, a não ser talvez para massagear o ego de quem quer ter um jogo gravado no Memory Card com estatísticas dignas de um campeão.

Fica evidente, portanto, que o modo de carreira é construído para servir como um show-room virtual dos mais de 700 carros de Gran Turismo 4, mas ao mesmo tempo o modo arcade é tão descompromissado e limitado que não resta outra alternativa ao jogador casual senão buscar conquistar seus veículos favoritos e ir pilotar como queira nas cinqüenta pistas disponíveis, tentando bater o melhor tempo.

Outro detalhe que persiste desde o primeiro jogo da série e que desmancha qualquer possibilidade de desafio em Gran Turismo 4 é a inteligência artificial. Os carros controlados pelo CPU ainda se movem como se estivessem num trilho e não são nem um pouquinho pró-ativos, raramente arriscando uma mudança de ritmo ou uma ultrapassagem na corrida.

Segundo a Polyphony, o módulo de inteligência artificial está sendo testado para futuros jogos da série, e a primeira iniciativa neste aspecto pode ser conhecida pelo inédito modo ???B-Spec???. Nele, o jogador pode bancar o Ross Brown e acompanhar a corrida dos monitores dando instruções ao piloto do comportamento que ele deve ter na corrida. As possibilidade são poucas: pode-se alternar entre 5 níveis de agressividade para a condução, mais um de forçar a ultrapassagem e outro de ir para o pit-stop. A visualização da corrida pode ser feita pelas câmeras, como nos belos replays do jogo, ou por um monitor de corrida que mostra um pouco de estatística e dá aos impacientes a opção de acelerar em até três vezes a corrida.

O modo ???B-Spec??? é curioso, mas ainda muito simples para se tornar um diferencial atraente. Sua melhor utilização na verdade é para correr provas sem nem precisar guiar o carro, apenas para completar uma série ou ganhar dinheiro, o que torna o modo de carreira ainda mais sem desafio.

Neste contexto, o fato da Polyphony ter cancelado o modo on-line é ainda mais doloroso, já que ele poderia ser não apenas divertido como a solução definitiva para as necessidades de desafio do jogador.

GT3, tunado
Se o modo de carreira continua deficiente, a jogabilidade pelo menos evoluiu para um meio-termo entre simulação e arcade que está muito próximo da perfeição. A sensação de velocidade foi ligeiramente incrementada, e os carros agora respondem incrivelmente bem ao controle, seja usando um volante ou o Dual Shock 2.

A comportamento da física nos carros é impressionante. ?? possível sentir cada alteração feita no seu bólido, desde a transferência de peso em uma freada ao desgaste gradativo dos pneus na corrida.

?? notável também o perfeccionismo na reprodução de cada carro e nas opções de ajustes de seus componentes. Embora não tenha as opções de personalização estética de um Need for Speed: Underground, a parte de ???tuning??? de Gran Turismo 4 é bastante extensa e tem efeitos práticos muito bacanas na corrida. O barulho do carro, por exemplo, muda radicalmente quando turbinamos e colocamos um novo escapamento ??? dá para ouvir, na pista, a transformação de um prosaico sedan japonês em uma verdadeira máquina de competição.

A jogabilidade no modo de rali também sofreu modificações em nome do realismo. Os carros agora escorregam bastante na traseira e são muito difíceis de controlar, e por que não dizer, não tão divertidos como em Gran Turismo 3. Ralis na neve aparecem pela primeira vez na série, e são ainda mais desafiadores em termos de controle.

Voyeurismo automobilístico
Visualmente, o jogo continua sendo impressionante, e o mais realista do gênero, embora não haja nenhuma revolução em relação ao Gran Turismo 3. E nem seria possível, já que a Polyphony parece ter atingido o limite do hardware do Playstation 2 muito cedo com o jogo anterior. Mas há uma evolução, principalmente graças ao empenho artístico de modelar belos cenários, como no caso das pistas El Capitain (cenário do parque Yosemite, nos EUA), Costa di Almafi (ruelas em uma montanha nas margens do mediterrâneo) e as cidades de Paris e Hong Kong em corridas noturnas. Le Mans e a lendária pista de Nurburgring também aparecem reproduzidas com absurda precisão, para satisfação dos amantes do automobilismo.

Alguns detalhes novos: uma nova câmera sobre o teto, equipe fazendo a troca de pneus nos boxes, o piloto aparecendo nos carros conversíveis e expectadores tridimensionais em algumas pistas. E mais importante: modos 480p e 1080i para HDTV, que deixam a imagem menos cintilante e sem tantos serrilhados.

E se o jogo é tão bonito, a Polyphony introduziu um modo inédito de pura contemplação, chamado ???Photo Mode???. Nele, podemos levar os carros da nossa garagem para cenários exóticos como a ponte do Brooklyn em Nova York, o Grand Canyon e o centro de Tóquio e clicá-los de mil e uma formas. Ou então, podemos tirar fotos do possante em movimento. Para isso, basta salvar um replay, carregá-lo no Photo Mode, pausar a ação e brincar com as várias opções de ângulo, abertura da câmera e filme (colorido, P&B). Pela saída USB do Playstation 2, é possível transferir as fotos produzidas para cartões de memória e vê-las no computador.

O Veredicto:
Gran Turismo 4 é, indiscutivelmente, o melhor simulador de corridas disponível para consoles. Um jogo gigantesco, super-produzido, perfeccionista e feito com amor, mas que ao mesmo tempo representa uma evolução decepcionante em relação ao exemplar anterior na série. A ausência de um modo on-line, a inteligência artificial básica e falta de desafio a longo prazo são os principais pontos negativos, e itens que a Polyphony precisa resolver para Gran Turismo 5. Quem sabe daqui a quatro anos...

Prós:
  1. Jogabilidade melhorada. Controle mais preciso dos carros;
  2. Bom incremento na sensação de velocidade;
  3. Visual impressionante;
  4. Som dos motores é um espetáculo;
  5. Mais de 700 carros impecavelmente modelados;
  6. Mais de 50 pistas, belos cenários.


Contras:
  1. Modo Gran Turismo desvalorizado por corridas e eventos sem desafio;
  2. Ainda é difícil aceitar a ausência do modo on-line;
  3. Trilha sonora muito fraca;
  4. AI desastrosa, como sempre.



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