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Review de Burnout 3: Takedown para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O trânsito, diz o DENATRAN, tem três componentes básicos: homem, veículo e via. Mas no caso do trânsito do insano Burnout 3: Takedown, o componente mais básico é o ferro distorcido.

Nada de frear, respeitar a sinalização e evitar acidentes. Burnout 3 ignora todas as regras vigentes e recompensa o jogador pela total imprudência, direção agressiva e acidentes espetaculares a 200km/h. Quanto mais carros puderem ser evolvidos no acidente melhor, e se um engavetamento monstro não for o suficiente, sobra ainda o recurso de explodir o tanque de gasolina e guiar os destroços meio que telepaticamente para que destruam os veículos que ainda não sofreram ???PT???.

Com essa idéia simples, mas genial do ponto de vista mercadológico, Burnout 3 está conquistando uma legião de fãs, principalmente aqueles que acham que a graça de um jogo de corrida está em torná-lo tudo, menos uma corrida.

Instinto selvagem


Embora seja baseado em ???veículo e via???, classificar Burnout 3 como jogo de corrida chega a ser meio incoerente. Colocá-lo na mesma categoria de um Gran Turismo então é puro nonsense.

Não só os objetivos de correr foram totalmente deturpados, como a jogabilidade não exige muita destreza para guiar um carro. O jogo é um espetáculo de batidas, música punk de terceira categoria e imersão em velocidades supersônicas, com o jogador se deliciando não apenas quando evita uma colisão frontal com uma carreta, mas também quando consegue bater muito bem batido e vê seu bólido ser reduzido a uma bola de ferro e faíscas.

Para o jogador casual, só não é melhor que The Sims 2 e Paciência. Qualquer um capaz de segurar um controle e que tenha gosto pela experiência punk de demolir o trânsito vai se divertir e, principalmente, se impressionar com Burnout 3. ?? também facílimo de jogar e, sem dúvida, o mais difícil nele é não ser recompensado de alguma forma durante a corrida, seja pelo bônus especial por derrapar numa curva por um milésimo de segundo, os pontos de capotagem mais louca ou o burnout/nitro dado a cada batida nos adversários ou quando se evita uma colisão por milímetros. No final, uma coisa é quase certa: todo mundo ganha medalha. No meu caso, na primeira hora de jogo quase todas foram de ouro, só começando a esboçar algum desafio muito na frente.

E como quem manda agora é a diversão e a insanidade, Burnout 3 ainda tem uma das mais contundentes A.Is elásticas já vistas em um jogo de corrida. Com A.I. elástica me refiro ao fenômeno, um tanto comum em jogos de corrida arcade, que faz com que quanto maior for a distância que você conseguiu abrir do adversário, mais rápido ele venha, apenas para manter a emoção. Pois bem, em Burnout 3 esse recurso é usado sem parcimônia e, por mais que você faça uma boa ou uma péssima corrida, haverá sempre alguém logo atrás ou logo na frente para você, literalmente, bater.

Burnout 3 tem que ser encarado como uma grande maluquice e, pelas únicas palavras que me vêem a cabeça quando o jogo, uma experiência irada, radical e cheia de adrenalina. Sem dúvida, nos quesitos adrenalina, radicalismo e ira, este é um jogo muito difícil de ser superado, portanto se essa for a sua praia, prepare-se para um dos melhores momentos gamísticos desta geração.

This is Stryker, from Crash FM, how cool is that?


Burnout 3 tem uma apresentação que condiz com o estilo de jogo: rápida, com menus e avisos de bônus pulando na tela a cada segundo e sempre com músicas que não sei exatamente de que estilo são, mas que me parecem um neo-punk-pop feito por metrosexuais californianos. Soa OK para mim, a não ser por Stryker, DJ da rádio do jogo, Crash FM, que fica te azucrinando com baboseiras o tempo todo.

O visual da parte jogável é excelente e impressiona igualmente nas versões PS2 e Xbox (são praticamente idênticas). Os cenários são vastos e detalhados, os carros correm como se estivessem em Mach 3 e as batidas são um espetáculo a parte: faíscas e projéteis voando por toda parte, ferro entortando em tempo real e, como não poderia deixar de ter, efeito Matrix e uma câmera lenta bem bacana dando aquela dramaticidade extra para os replays.

O jogo oferece modos variados para destruir seu carro. No principal, Crash World Tour, DJ Stryker nos guia por eventos nas regiões dos três grandes mercados de videogame do mundo: EUA, Europa e Ásia. As competições variam entre corridas com o objetivo de chegar primeiro (pode parecer idiota, mas isso não é tão comum em Burnout), Crash Mode, onde você parte para um cruzamento e tenta envolver o maior número de carros em um acidente, Burning Lap, que te desafia a correr uma volta usando nitro o tempo todo, Road Rage, que é um típico deathmatch com o objetivo de eliminar os outros carros na estrada e etc. Vários destes modos podem ser jogados em tela dividida ao meio, o que é ruim por diminuir bastante o frame-rate e prejudicar a visão.

Um modo on-line inédito na série está presente nas versões para ambos os consoles. Mas, em uma decisão que certamente irá frustrar os usuários do Xbox Live especialmente, a EA decidiu fazer com que o jogo on-line passe também por seus servidores, o que cria uma burocracia desnecessária ao logar e encontrar um jogo, além de ter vários pequenos bugs. Atualmente o servidor está recebendo patches para corrigir alguns problemas, mas mesmo que sejam corrigidos, nunca terá um sistema de partidas on-line bom como os outros jogos do Xbox Live. De qualquer forma, é o modo mais divertido do jogo, graças ao desafio e a forma mais natural com que os outros jogadores podem te atacar e se envolverem em acidentes.

O Veredicto:
Com uma jogabilidade facílima, visual impecável e um bom espetáculo de batidas para assistir, este é o tipo de entretenimento que vai agradar até a quem geralmente não gosta de jogar. Só não espere duas coisas: corrida e profundidade. No resto, Burnout 3 é pura dinamite.


Prós:

+ Batidas pra lá de espetaculares;
+ ??timos gráficos;
+ Rápido como um raio. Carros são verdadeiros caças supersônicos sobre rodas;
+ Divertido, principalmente para o jogador casual.


Contras:

- Modo on-line com bugs e um lobby muito ruim para os padrões do Xbox Live;
- Total falta de desafio em grande parte do jogo;
- Não é um jogo de corrida, mas um de demolição;
- Trilha sonora das piores;


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Outer Space
8/ 10
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