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Review de Brothers in Arms: Road to Hill 30 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Quando a Ubisoft anunciou o desenvolvimento de Brothers in Arms, em março de 2004, as principais promessas eram de fazer um jogo baseado na segunda guerra mundial que fosse o mais realista e autêntico do mercado.

Em partes ela conseguiu. Criou um jogo com uma história interessante, coisa pouco comum no gênero, e deu umas pitadas bem-vindas de estratégia, mas abusou um pouquinho em alguns elementos de jogabilidade, que apesar de bacanas, se tornam um pouco repetitivos.

Drama da guerra


Brothers in Arms conta a história da segunda guerra mundial da perspectiva de Matt Baker, sargento da 502º Regimento de Infantaria Pára-quedista da 101ª Divisão Aerotransportada do exército norte-americano. Sobrevoando as terras ocupadas da Europa ocidental, na madrugada do dia D, Baker e seus homens tinham como objetivo inicial aterrissar atrás das linhas de fogo das tropas germânicas inimigas para enfraquecer suas defesas. A estratégia era facilitar, de alguma forma, a maior operação militar aeronaval da história: A invasão aliada à Normandia, que aconteceria em algumas horas.

Entretanto, os planos vão por água abaixo uma vez que o avião de Baker é abatido pelas artilharias antiaéreas alemãs, obrigando os tripulantes a saltarem ainda fora da área designada. Na operação, parte da equipe foi morta pela explosão do avião, pelas rajadas que cruzavam o céu intermitentemente ou pelos próprios soldados alemães, uma vez que alguns infelizes caíram diretamente nas garras das tropas inimigas. Outra parte se perdeu em terra, salpicados desordenadamente.

Mesmo com esse triste contratempo, Baker dá prosseguimento à sua missão inicial com os homens que consegue reunir no caminho, pensando sempre na sua grande responsabilidade de ter que liderá-los em uma guerra. Esse sentimento de que a vida de seus soldados está em suas mãos é que dá o clima dramático à narrativa de Brothers in Arms, dando personalidade a cada um dos soldados e criando uma verdadeira relação emocional entre eles.

A história de BiA, desenrolada em 20 missões que acontecem durante o período de 7 dias ??? do dia 6 a 13 de junho de 1944 ???, foi elaborada com o auxílio de soldados que estiveram no local na época, o que garante uma autenticidade e um tom dramático fenomenal.

Boas adições ao gênero


Seguindo a moda, Brothers in Arms se baseia em um esquadrão, com Baker sempre contando com subordinados para dar ordens. Os comandos a eles são dados de uma maneira bem simples e intuitiva, pegando emprestada a boa fórmula de Full Spectrum Warrior: Basta acionar o modo de comando que um círculo aparece no chão e pode ser deslocado em qualquer parte do cenário. Dada a ordem, os soldados se locomovem ao local designado, ficando a cargo da inteligência artificial fazer com que se abriguem do fogo inimigo e atirem de volta, se preciso.

As similaridades com FSW não param por aí: Assim como o jogo de estratégia militar da Pandemic, BIA também nos dá a possibilidade de ordenar aos nossos aliados que suprimam o inimigo com rajadas ininterruptas, para que possamos dar a volta no cenário e pegá-lo desprevenido. Essa técnica, que deve ser utilizada em 90% dos combates do jogo, funciona da seguinte forma: Como os inimigos são mais humanos, eles procuram não se expor demais, mantendo-se sempre abrigados por objetos dos cenários, como pedras, carros, muros, postes, barris, etc. Assim que eles vêem nosso herói e seus aliados, inicia-se um combate no qual um lado atira, cessa e busca abrigo, depois é a vez do outro atirar, cessar e se esconder, como em um ???bang-bang???. Acontece que, se começarmos a atirar demais, os inimigos não se levantarão para efetuarem seus disparos: ?? o chamado fogo de supressão.

A medida que vamos intensificando o fogo sobre eles, um medidor, que aparece sobre a cabeça de cada um, vai mudando de vermelho (condição normal de combate) para preto (suprimido). Quando chegar neste estágio, o inimigo ficará imóvel por algum tempo, com medo de se levantar, dando a oportunidade de ser pego se surpresa.

Trocando em miúdos, para conseguirmos vencer os confrontos, basta darmos uma analisada no terreno em busca de um caminho alternativo, ordenarmos que nossos aliados executem o fogo de supressão contra o inimigo enquanto damos a volta no cenário e atacamos pelos flancos ou pela retaguarda.

Para dar uma dose extra de realismo e evitar que os jogadores utilizem o ???fator Rambo??? para se darem bem, a Gearbox fez questão de dar uma boa precisão aos disparos inimigos e de remover o retículo de mira do jogador (ele pode ser colocado através do menu de opções, mas, sinceramente, é mais bacana jogar sem). Assim, sem precisão suficiente para atirar em movimento, você será obrigado a utilizar o método mais real de mira, através do uso da alça e massa da arma, para alvejar um alemão certeiramente. Acionando esse modo, entretanto, ficamos com a movimentação debilitada. Tudo foi pensado para evitar combates frenéticos e dar um ar estratégico aos tiroteios.

Esse modo combate se mostra bem interessante, mas acaba se tornando um pouco repetitivo com algum tempo de jogatina. Como não existem muitas diferenciações nos métodos de aproximação ao inimigo, os confrontos se tornam um pouco maçantes pela aplicação excessiva do ciclo ???suprimir, dar a volta e matar por trás???.

Multiplayer limitado


O visual geral de Brother in Arms é muito bom, mas longe da perfeição. Cumpre bem o seu papel. As matas não são tão convincentes e algumas texturas deixam a desejar, ao mesmo tempo em que os mapas são um pouco limitados e lineares, não dando opção de exploração. Mesmo não impressionando em termos de gráficos, o jogo consegue ter uma ótima climatização, devido à sua boa história, seu toque dramático e seu ar cinemático.

O modo multiplayer não muda muito o estilo de jogo, mantendo o esquema de equipes. A diferença para os demais jogos de tiro em primeira pessoa do mercado é que as equipes não são formadas por jogadores, e sim por soldados controlados pelo computador ??? o que pode ser interessante para uns, mas frustrante para outros. Geralmente, dois jogadores jogam como aliados e outros dois como alemães, e cada qual tem seu grupo de soldados.

O modo tem 10 mapas baseados em objetivos (que não variam muito de roubar uma pasta de documentos) e não existem opções de jogatina diferentes, como os tradicionais Deathmatch e Team Deathmatch, com vários jogadores on-line. ?? bacaninha, mas nada especial.

O Veredicto:
O clima tenso de guerra, a exploração do lado emocional dos soldados e a utilização de táticas de combate muito comuns em confrontos armados realmente trazem um realismo extra a Brothers in Arms, e ajudam a justificar sua existência em meio a tantos jogos de tiro baseados na Segunda Guerra. A repetição na jogabilidade e o visual mediano são seus defeitos mais relevantes, mas ainda assim, é um jogo para figurar entre os melhores do gênero.

Prós:

+ História bacana, o que não é comum no gênero;
+ ?? muito simples dar comandos, e eles são muito eficientes;
+ Leve toque estratégico cadencia a jogabilidade;
+ Remoção do retículo de mira e precisão dos disparos inimigos evita o ???fator Rambo???;
+ Ar cinemático;


Contras:

- Multiplayer não consegue divertir por mais de meia hora;
- Confrontos se tornam repetitivos;
- Parte visual não é ruim, mas podia ser melhor;


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