GameVicio Entretenimento: GameVicio | FlashVicio | Hhide.ME | ClubVicio | Fórum | Flow | MovieVicio

Review de SWAT 4 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Esqueça o que você já está acostumado a ver em jogos de tiro em primeira pessoa. Em SWAT 4 não existe energia vital, lança-foguetes, power-ups e herói ???casca grossa??? que tem a missão de salvar todo o planeta Terra sozinho. Tudo aqui é baseado na realidade, na dura vida de um destacamento especial da polícia de Los Angeles, a Special Weapons and Tactics ??? ou, simplesmente, SWAT.

Sem exageros


Para início de conversa, o jogo não tem uma história. Ele funciona como um conjunto de missões isoladas, no qual cinco elementos da SWAT (um líder e dois grupos de dois oficiais) são enviados para tentar solucionar as mais delicadas situações à mão armada, sempre com o envolvimento de reféns. Entre os bandidos, estão terroristas, gangues, psicopatas, assassinos em série, grupos idealistas, assaltantes e todo o tipo de criminosos altamente qualificados.

As missões começam sempre partindo de denúncias de testemunhas, que ligam para o 911. Como as situações são emergenciais, nunca temos informações precisas sobre o que nos aguarda nos locais que estamos prestes a invadir, como quantos criminosos estão presentes, que tipo de armas estão usando e quantas pessoas estão sendo feitas de reféns. Um pequeno briefing antes de cada missão nos passa tudo o que o serviço de inteligência conseguiu coletar, como o histórico dos acontecimentos, fichas de supostos envolvidos e esboços das plantas das construções.

Saindo do briefing, caímos na tela de seleção de armas, que nos apresenta opções mais fartas do que aquelas presentes em SWAT 3. Além da variedade de submetralhadoras, rifles, pistolas e escopetas, com diferentes tipos de munições, temos também as armas não letais, que são inéditas e muito úteis. Entre elas estão a pistola Taser, que atira eletrodos e envia uma forte carga elétrica à vítima, provocando uma contração muscular involuntária que independe do grau de tolerância à dor ou de controle mental, tirando-a de ação; e a Pistola de Pimenta, baseada na tecnologia das armas de Paintball, que atira munições de OC (Oleoresin Capsicum), um agente inflamatório que faz arder os olhos e a pele da vítima. Outras armas interessantes são o Spray de Pimenta, que tem a mesma utilidade da pistola, porém com um alcance bem reduzido, e a granada Sting, que arremessa bolas de borracha.

Na parte de equipamentos, os inéditos na série são o calço de porta, que serve para garantir que uma determinada porta não seja aberta, o que é ótimo para garantirmos que ninguém dará a volta pelos cômodos para pegar a nossa equipe pela retaguarda, e a nova Grande Angular, que agora deixa de ser uma simples haste com um espelho na ponta para se tornar uma verdadeira microcâmera com monitor de cristal líquido. Ela serve para vasculharmos um ambiente por debaixo de uma porta ou nas esquinas, sem alardear os inimigos ou expor os nossos homens ao fogo.

Comandos remotos


Analisada a situação e escolhido o armamento, é hora de entrar em cena. A ação acontece de uma maneira bem cadenciada, nos obrigando sempre a nos preocuparmos com o bem estar dos nossos subordinados, dos reféns e até dos criminosos. Por incrível que pareça, nosso objetivo é invadir os locais e prender os criminosos sem feri-los. Para isso, devemos procurar pegá-los desprevenidos e utilizar a armas não letais para forçá-los a se entregarem. A última das hipóteses é atirar para matar e isso deverá ser feito apenas se o inimigo resistir à voz de prisão a um ponto que coloque em risco a vida de algum dos oficiais.

Como em SWAT 3, a comunicação e os comandos são de vital importância nas missões. Um menu prático é aberto quando pressionamos o botão direito do mouse e é por ali que solicitamos que os nossos aliados abram uma porta, joguem uma granada, utilizem uma determinada arma ou equipamento, vasculhem um cômodo, abram uma porta, enfim, façam de tudo. O leque de opções é muito mais extenso que no terceiro SWAT.

Em termos de comandos, duas novidades são muito bem vindas. Uma delas é a possibilidade de dar ordens a um grupo de policiais que está distante do nosso personagem. Quando dividimos o grupo em dois (vermelho e azul), agora podemos ordenar que o grupo mais distante faça o que quisermos. Para isso, basta abrir o modo câmera, que mostra a perspectiva dos policiais do grupo destacado e apertar a tecla ???Caps-Lock???, que assumimos o comando deles virtualmente. Isso é muito útil, pois podemos arquitetar invasões simultâneas por dois pontos distintos, com as duas equipes disponíveis, o que aumenta muito as opções táticas e o poder de persuasão dos policiais. Se invadimos uma sala pelos dois lados, com os soldados mandando bombas e gritando, os inimigos se sentem acuados e facilmente se rendem.

A outra novidade é a presença do atirador de elite, que fica fixo em um determinado ponto e nos passa informações valiosas sobre a movimentação em determinados cômodos das construções. Muito mais que isso, podemos também assumir o comando de seu rifle e dizimar um inimigo sem que os policiais envolvidos na invasão corram riscos. Em certas missões, mais de um ???sniper??? nos auxilia.

SWAT 3 turbinado


Na parte técnica, SWAT 4 se sai bem, mas, proporcionalmente, está longe da qualidade que seu antecessor tinha quando foi lançado, em 2000. Naquela época, o visual do jogo era excepcional e a física era uma das melhores. Agora, seus gráficos e texturas melhoraram, mas não o suficiente para se destacarem frente ao que existe no mercado. Os efeitos de luzes e o sistema de física também poderiam ser um pouco melhores. A grande vantagem da parte visual é que as fases são extremamente bem climatizadas e os locais bem decorados, trazendo ainda mais realismo e dando aquele toque de suspense.

A inteligência artificial, que é bastante exigida, consegue se destacar positivamente. Os policiais aliados se movimentam com cautela e estão sempre espertos, prontos para reagir caso a situação saia do controle. De vez em quando, eles apresentam algumas falhas de raciocínio, mas que não chegam a comprometer. Já os inimigos continuam com as variações psicológicas que criam o clima tenso do jogo. Alguns são medrosos e fogem ao avistar um policial, enquanto os precavidos se escondem antes de disparar e os malucos abrem fogo desesperadamente. Essa variação nos obriga a ter reações agressivas distintas para amedrontá-los, que vão desde um simples grito de ???mãos ao alto??? até o lançamento de granadas e o disparo de tiros.

Duas características que trazem um realismo extra são os danos no nosso personagem, fazendo com que o mesmo reaja de uma maneira distinta dependendo da parte do corpo que leva um tiro (na perna, andaremos mais lentamente, como se estivéssemos mancando; no braço, nossa precisão nos disparos diminui; e na cabeça, é morte certa) e a mudança de locais dos inimigos e reféns quando recomeçamos uma missão, evitando que o jogador decore o posicionamento de cada um.

Longevidade do multiplayer


O maior problema de SWAT 4 é que não consegue apresentar novidades realmente relevantes em relação ao seu antecessor, não causando tanto impacto quanto SWAT 3 teve em sua época. Apesar de ser mais bonito e mais bacana, faltou a ele algo que desse aquele ar de frescor, que realmente justificasse um novo jogo.

As maiores novidades ficam mesmo para os quatro divertidos modos multiplayer, com destaque para o modo VIP Escort, que é bom a beça e bem diferentes do que existe por aí. São eles:

- Barricated Suspects: Um team deathmatch clássico, de SWAT contra suspeitos;
- Rapid Deployment: Uma espécie de team deathmatch com objetivos. A SWAT deve desarmar 5 bombas antes que o tempo acabe e os suspeitos devem impedir que isso aconteça;
- VIP Escort: Esse interessante modo é um tipo de Rouba-Bandeira, mas a bandeira é uma pessoa. Nele, um dos membros da SWAT se transforma em uma celebridade, que deve ser escoltada com segurança. O objetivo dos mocinhos é salvá-la e, dos bandidos, raptá-la por 2 minutos e depois executá-la. Muito divertido;
- Co-Op: O modo principal, porém cooperativo. O computador controla os vilões e reféns e até 5 jogadores assumem os policiais. ??timo de se jogar;

Todos os modos multiplayer seguem a cadência lenta do jogo para um jogador e demandam que os jogadores tenham uma disciplina tática, seguindo certos passos para atingir seus objetivos ??? afinal, essa é a graça do jogo. Infelizmente, na maioria dos casos, eles saem desembestados pelas fases e estragam tanto o divertimento deles, quanto o nosso.

O Veredicto:
Dos jogos de ação tática, daqueles que são mais uma simulação do que um simples tiroteio em primeira pessoa, SWAT 4 é, provavelmente, o que há de melhor. Suas boas opções de comandos e armas, e seu clima tenso conseguem nos proporcionar boas horas de diversão a fio, que podem ser ainda intensificadas pelo bom modo multiplayer. Só faltou um pouco mais de novidades em relação a SWAT 3.


Prós:

+ Mais opções de armas e equipamentos. As não-letais, em especial, são ótimas;
+ Bem realista, sem espaço para heroísmos;
+ ??tima climatização traz pitadas de suspense;
+ Modos multiplayer excelentes;
+ Possibilidade de comandar os dois grupos, mesmo à distância, traz mais opções táticas;


Contras:

- Não tem o mesmo impacto que SWAT 3 teve em sua época;
- Faltam novidades mais relevantes;
- Luzes e física podiam ser melhores.


Nenhum comentário

comments powered by Disqus
Outer Space
8/ 10
Média da crítica
Média dos usuários
Sua nota

Sobre o colaborador

avatar de Giordano Trabach

Reviews da crítica

9 / 10
GameVicio
©2016 GameVicio