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Review de Jade Empire para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


O gênero de RPG sempre exigiu jogadores seletos. Não é todo mundo que tem paciência para ficar horas explorando cenários amplos, conversando com uma infinidade de personagens não jogáveis, gerenciando habilidades complexas, acompanhando uma história longa e cheia de nuances, cumprindo uma infinidade de missões e participando de batalhas cheias de estratégia.

A produtora Bioware, que debutou no gênero com o complexo Baldur???s Gate tem buscado tornar seus RPGs mais ???mainstream???, simplificando-os cada vez mais para agradar um maior número de pessoas. Foi assim com Star Wars KoTOR, e tornou-se ainda mais evidente agora com Jade Empire, um jogo que tenta deixar de lado algumas peculiaridades do gênero para ficar mais ???light???, e menos ???RPG???.

Mestre Li em apuros


Jade Empire tem um cenário original, inspirado na China medieval, bastante exótico para um RPG. Assumimos o papel de um dos pupilos de Mestre Li ??? estereótipo do velho e sábio tutor de artes marciais ??? na pacata vila de Two Rivers.

Logo no começo, temos a opção de selecionar um entre seis personagens disponíveis (sete, na versão especial limitada), definindo alguns atributos básicos como velocidade, força, aptidão para uso de magias, ou o balanceamento harmônico de todas estas. ?? possível também personalizar o personagem com uma especialidade de luta que varia entre coisas exóticas como ???Leaping Tiger???, que nos dá a velocidade e as garras do tigre, ???Thousand Cuts???, que permite uma seqüência de golpes fracos mas muito rápidos, ???Legendary Fist???, que mistura chutes e socos indefensáveis, e alguns outros. Igualmente exóticos, os nomes sugeridos pelo jogo aos nossos personagens são os típicos de uma história de Kung Fu, como Lu, o Prodígio, e Wu, a Flor de Lótus.

Após um breve tutorial e introdução aos personagens de Two Rivers, a aventura começa quando piratas surgem dos mares para atacar a vila, obrigando ao nosso personagem, o melhor aluno de Metre Li, a conter a invasão.

Acontece que aquilo não era um simples ataque pirata: Os bandidos envolvidos eram nada menos que comparsas de Death???s Hand, o braço direito do maligno imperador, que estavam ali para destruir a vila e capturar o Mestre Li. Eles alcançam seus objetivos, e agora só nos resta partir para uma jornada para resgatar o tão amado mestre, que nos criou desde a infância.

A missão parece simples, mas nosso herói acaba descobrindo uma série de histórias sobre seu passado e de Li, e acaba se envolvendo em uma trama que envolve magia, guardiões sagrados, demônios, fantasmas e o maligno império Jade.

Ao mesmo tempo em que parece rica em detalhes e um tanto intrigante, a narrativa é arrastada e pouco interessante. Ela envolve um monte de descobertas que explicam vários acontecimentos do jogo, mas contém minúcias demais, e apresenta por pura leitura de texto uma infinidade de personagens, objetos, acontecimentos e localidades que nem sempre tem importância para o jogador naquele exato momento da jogatina. Desde o começo, Jade tem muito texto, e a grande maioria dele é pouco útil, ou simplesmente desinteressante.

RPG descaracterizado


Quem jogou Star Wars: Knights of the Old Republic verá que Jade Empire é praticamente o mesmo jogo, porém baseado em um tema distinto: Saem os Sith e entra o Império Jade, saem os cavaleiros Jedi e entram os mestres de artes marciais, saem os cenários futuristas e entram aqueles inspirados na China medieval. No mais, o sistema de jogo é basicamente idêntico, ainda que um pouco mais simplificado. Tudo foi feito para livrá-lo de qualquer frustração que possa ser causada pelo fator complexidade.

Já no começo, quando fazemos o gerenciamento de habilidades, vemos um sistema muito simples, com apenas três atributos realmente práticos ??? o corpo, o espírito e o foco. O primeiro é responsável pela energia vital, aquela que mata o personagem quando se esgota. O segundo, que se chama Chi, funciona como os pontos de magia dos RPGs convencionais, sendo gasto para aumentar a força de nossos ataques, reabastecer a energia vital e utilizar encantos, como arremessar uma bola de fogo ou se transformar em uma criatura. O terceiro, o foco, vai sendo gasta quando utilizamos armas ??? espadas, bastões, etc ??? ou quando queremos nos concentrar, a fim de melhorar a precisão dos ataques momentaneamente.

Outros três tipos de habilidades, que são o charme, a intuição e a intimidação, têm a mesma finalidade, que é persuadir os personagens e mudar o rumo de certas conversas ao nosso favor. Infelizmente, não podemos escolher quando utilizar cada uma destas habilidades -- elas simplesmente aparecem nos diálogos e cabe a nós apenas selecionar a mais indicada e rezar para que a nossa experiência nela seja suficiente para dar o resultado que queremos.

Outro fator que simplifica Jade Empire é a virtual inexistência de itens. Ou melhor, eles até existem, mas não da maneira que estamos acostumados a ver em outros RPGs. Apesar de podermos pegar chaves e artefatos e utilizá-los no momento certo, não existem poções mágicas para serem consumidas ou misturadas, não tem como achar itens misteriosos e testar suas funcionalidades, não há armaduras mágicas que protegem contra esse ou aquele feitiço, nada. A figura do vendedor aparece no jogo apenas para lhe empurrar algumas gemas, que aumentam nossos atributos, e novos estilos de combate.

Novos personagens podem ser recrutados à medida que vamos evoluindo na jogatina, como em qualquer RPG da Bioware. Eles nos acompanham por onde vamos e começam a lutar quando um inimigo se aproxima, só que mais uma vez a coisa foi simplificada, e não temos como controlá-los, nem de maneira indireta. Todos os seus movimentos e decisões estão a cargo da inteligência artificial. Nem abastecer a energia vital deles podemos ??? após um combate, eles se auto-regeneram.

Como não podia deixar de ser, as batalhas em Jade Empire também são livres de complexidades, se resumindo, basicamente, em um botão para o ataque fraco, um para o ataque forte e um para a defesa/esquiva. Só. Não existem nem golpes comuns em artes marciais, como arremessos, voadoras e rasteiras. Podemos aplicar alguns combos e mudar o estilo de combate no meio dos confrontos pra aumentamos a nossa eficiência, mas tudo flui como em um jogo de luta. Os estilos são separados entre ataque, ataque com arma, magia, suporte e transformação, e apenas um pode ser utilizado por vez.

Como já salientado, tudo caminha para deixar o jogo extremamente amigável para o jogador casual. Até o seu mini-game é simples: um clone do ???shooter??? 1942, surpreendente e totalmente fora do contexto, que aparece quando voamos numa espécie de ultra-leve em forma de libélula de uma região para outra. O mais estranho é que, sabe-se lá por que, a Bioware resolveu manter uma coisa que é pertinente dos RPGs ???hardcore???: o excesso de diálogos. Como em KotOR, quase qualquer personagem do jogo pode ser abordado para uma conversa, e temos uma boa lista de opções para direcionarmos as conversas do modo que acharmos melhor. De acordo com o rumo que tomamos, nosso personagem vai sendo moldado como bom ou mau, o que pode mudar um pouco a reação dos outros para contigo.

Porém, a maior parte do tempo gasto com o jogo será dedicada a longas e cansativas conversas que, em algumas vezes, não tem tanta importância. Além da história já não ser das mais interessantes e conter elementos demais, confundindo o jogador, os personagens não jogáveis falam sem parar e repetem as informações já dadas por outros. Acaba que vira uma tormenta sempre que chegamos a uma cidade nova e temos que conversar com os locais para pegarmos sub-missões e desenvolvermos nos objetivos principais.

E mais para o final de jogo, Jade praticamente descarta sua metade RPG e parte totalmente para a ação, como se fosse Final Fight na China antiga.

Clone mais bonito


Como segue Knights of the Old Republic em quase tudo, na parte técnica não poderia ser diferente. Podemos ver que os gráficos se assemelham em estilo ao RPG baseado na saga Star Wars, mas estão bem mais bonitos, tecnica e artisticamente. Os cenários, que em KotOR eram meio estreitos e lineares, ficaram bem mais vastos, as gramas estão mais altas e convincentes, os personagens variam mais em termos de aparência (mesmo assim, ainda repetem um bocado) e os efeitos de luz do sol estão ainda mais belos. Já os sons mantêm o mesmo bom nível de qualidade.

A inteligência artificial dos inimigos, entretanto, deixa um pouco a desejar. Em muitos combates, eles ficam meio estáticos, sem se mover ou atacar, e se tornam presas muito fáceis para os nossos poderosos golpes. De vez em quando eles resolvem bloquear os nossos ataques, mas, quando isso acontecer, basta utilizar o golpe mais forte, que é indefensável. Fora isso, poucos inimigos, geralmente apenas os mais importantes, realmente trazem um verdadeiro desafio no modo normal de dificuldade.

Outros pequenos problemas na parte técnica ficam para as quedas na taxa de quadros por segundo, que ficam evidentes quando muitos inimigos aparecem simultaneamente na tela, e nas telas de loading, um pouco demoradas.

Jade também tem um competente trabalho de dublabem, com vozes bem variadas e até um dialeto fictício usado por alguns habitantes de seu universo. Como a parte gráfica, fica evidente no som a preocupação da Bioware em recriar um mundo coeso e estimulante para o jogador.

O Veredicto:
Jade Empire é um RPG para quem não gosta de RPG. Seu estilo ainda lembra bastante o de outros jogos da Bioware como Knights of the Old Republic, mas foi tudo simplificado para o jogador casual, e o foco tende muito para o lado da ação, com os elementos tradicionais de RPG tendo pouca relevância.
Ainda é um jogo atraente, com ótima produção e potencial para atingir um público novo, desacostumado com os jogos da Bioware, embora o excesso de diálogos em sua primeira metade também pese contra isso.


Prós:

+ Jogabilidade simples e intuitiva: Parece um jogo de luta;
+ Não tem certas complexidades dos RPGs, atraindo o público casual;
+ Gráficos bonitos, uma boa evolução que foi visto em KotOR;
+ Bom trabalho de sonoplastia e dublagem;


Contras:

- RPG... mas sem itens, armaduras, poções, etc;
- ?? simples e fácil demais para quem quer um RPG de verdade;
- Simplificado, mas ainda com uma quantidade excessiva de diálogos. Uma péssima mistura;
- A história não está no nível de qualidade dos demais jogos da Bioware;


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