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Review de Grand Theft Auto: San Andreas para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Butch : You okay?
Marsellus : Naw man. I'm pretty fuckin' far from okay.
Butch : What now?
Marsellus : What now? Let me tell you what now. I'ma call a coupla hard, pipe-hittin' niggers, who'll go to work on the homes here with a pair of pliers and a blow torch. You hear me talkin', hillbilly boy? I ain't through with you by a damn sight. I'ma get medieval on your ass.

Este diálogo é de Pulp Fiction, mas bem que poderia fazer parte de Grand Thef Auto: San Andreas, um jogo que foi medieval com o hardware do Playstation 2, mas que valeu o sacrifício.

Blaxploitation


San Andreas começa nos introduzindo a um carismático afroamericano chamado Carl Johnson, o popular CJ, que depois de passar os últimos cinco anos na Liberty City de GTA3 está de volta à sua cidade natal de Los Santos para o funeral da mãe. Minutos após o desembarque no aeroporto internacional, CJ já encontra a primeira encrenca ao ser parado na rua pelo policial corrupto e comedor de rosquinhas com glacê Frank Tenpenny -- dublado por Samuel L. Jacskon ??? que dá uma carona até em casa, mas não sem antes extorquir-lhe alguns dólares.

Seu segundo contato com o passado acontece no cenário suburbano da rua Grove, onde CJ cresceu. O irmão Sweet e os antigos colegas Big Smoke -- figura capaz de comer sempre seis promoções tamanho gigante com molho extra no KFC local -- e Ryder -- que desde a tenra juventude não larga do seu baseadinho básico -- ainda estão na área, mas Little Devil, Big Devil e tantos outros já foram mortos pelas gangues rivais. A outrora respeitada Grove Street Family está enfraquecida e perde território a cada dia para a rival Ballers.

This s**t is huge!


O primeiro objetivo na pele de CJ é restabelecer a reputação da velha turma de Grove Street. Começo por delimitar o território. Picho seis dos cem muros disponíveis, ouço o primeiro dos dois bilhões de ???motherfuckers??? pronunciados no jogo, ando de bicicleta por meia hora em uma impecável (para os padrões do PS2, pelo menos) representação virtual de Los Angeles até que abro o mapa e... fuck me! Ainda não passei por 5% do cenário!

San Andreas tem um mundo que serviria muito bem a um MMORPG, tanto em extensão com o em riqueza de detalhes. Claro que GTA3 e Vice City já se caracterizavam pelas dimensões anormais, mas agora a Rockstar decidiu levar esta idéia a um novo nível. Temos um estado inteiro desta vez, misto de Califórnia e Nevada, com as três grandes cidades San Fierro, Los Santos e Las Venturas (representações com a essência de San Francisco, Los Angeles e Las Vegas) e mais a extensa área rural que as separa. Em comparação com Vice City, a Rockstar diz que é algo seis vezes maior.

Mas o que realmente importa é que o jogo traz uma geografia bastante variada e realista, contrapondo-se à monotonia da Miami de Vice City. Cada cidade foi feita extremo carinho por equipes separadas na Rockstar, e isso fica bem evidente no nível de detalhamento obtido e nas atrações cuidadosamente posicionadas pelo cenário. Em Los Santos temos avenidas largas no centro, becos nos subúrbios, postes com a fiação cruzando a rua, as ostentosas mansões nas colinas de ???Vinewood??? e o todo aquele clima gangsta-rap que caracteriza a primeira parte do jogo. San Fierro por sua vez tem sua rua hippie, outra gay, é repleta de ladeiras e, freqüentemente, fica encoberta pela névoa. Já Las Venturas é a cidade dos cassinos e das placas luminosas, situada no meio do deserto, com aqueles canyons convidativos a um salto insano de moto. Pode-se dizer que são as três cidades mais interessantes já vistas na série GTA, e todas acabaram aparecendo no mesmo jogo.

Uma novidade na série e que talvez seja, para muitos, a parte mais bacana do jogo é o cenário bucólico do interior dos EUA, que separa as três cidades do estado chamado San Andreas. Não faltam piadas sobre caipiras que cruzam com animais e outras sátiras com os ???rednecks??? americanos, mas o que mais interessa neste ambiente é a paisagem e a diversidade topográfica. Destaque para Mount Chiliad, uma montanha que chega perto da estratosfera, um dos cartões postais e que, como não poderia deixar de ser, oferece um ponto ideal para um mega-salto.

Como se locomover em um mundo tão grande não é problema, mas torna-se exclusivamente entretenimento diante das mil e uma possibilidades oferecidas pelo jogo. Ir em alta velocidade pelas rodovias é a opção mais comum, mas você pode querer parar no restaurante na beira da estrada e jogar fliperama, ou ficar provocando engavetamentos espetaculares, já que nestas rodovias os carros andam em alta velocidade e nem sempre freiam com aquela precisão comum de um robô. Pegar um triciclo ou moto e ir pelo meio do mato é outra, mas corre-se sempre o risco de encontrar algo muito interessante para se fazer no caminho. Então o mais prudente seria optar por uma viagem aérea, seja de helicóptero ou avião, mas os motherfuckers da Rockstar colocaram um pára-quedas agora, então a tendência é você querer fazer um salto no meio do caminho. Este é o problema em um jogo que dá tanta liberdade.

San Andreas também parece concentrar vários jogos em um. Como num RPG, temos agora uma barra de progresso em atributos que sobe de acordo com aquilo que estamos fazendo mais no jogo, como nadar ou correr na esteira (fôlego), vestir-se bem ou carregar um buquê de flores (sex-appeal), malhar (músculos) e comer demais nos fast-foods (gordura). Atirar rende pontos de habilidade com arma e aumenta o alcance da mira, entre outros benefícios, dirigir motos ou carros dá mais controle sobre cada veículo, além de diminuir a probabilidade de capotar ou cair dos mesmos.

Sem falar da própria mecânica de alguns mini-games. Temos um pouco de Parappa the Rapper na dança na boate e uma versão reduzida de Pilot Wings (um simulador de vôo simples e divertido) nos saltos de pára-quedas e na pilotagem de aviões e helicópteros.

Há um simulador de namoro que deve agradar especialmente aos japoneses. Você se enamora por uma garota e surge assim a possibilidade de levá-la a restaurantes, isto é o Burger King ou KFC local, que é o que ela gosta, boates ou para fazer um ???drive-by??? a dois pelo bairro, atirando nos gângsteres rivais. Mas claro, o objetivo final é apenas comê-la, e isso não demora muito para acontecer.

Sua bitch, ou melhor, namorada, abre uma novidade interessante no jogo, embora quase inútil, de um modo de dois jogadores. Conectando um outro controle no PS2, um jogador comanda CJ enquanto o outro controla a garota, mas tudo sem pode sair do perímetro da tela o que limita a jogabilidade a algumas besteiras como fazer um ???drive-by??? com ela na garupa atirando.

Missão paralela bem mais interessante é o assalto a residências. Com um caminhão especial, e sempre na calada da noite, CJ pode penetrar nas residências das famílias de Los Santos para roubar-lhes videocassetes (sem DVDs, o jogo se passa no começo do anos 90), TVs e outros itens básicos. O jogo toma uma forma de ação stealth a la Manhunt, com o mão leve CJ andando na ponta dos pés para não acordar os moradores. Caso acorde, sem problema, resta ainda a alternativa de render a velhinha que assiste novela na TV e obrigá-la a entregar o dinheiro.

E CJ nada mais é que nosso Pikachu negro. Controlamos todos os aspectos da sua vida bandida. Seu carro saltitante, típico dos O.G???s americanos (o gangster autêntico) pode ser incrementado com sub-woofer e novas pinturas em uma certa garagem, seu visual é estabelecido por nossa disposição de levá-lo à academia ou alimentá-lo com as piores junk foods, ou por uma passadinha em uma boutique para deixá-lo bem cool com essa combinação de óculos azul, toquinha, bermuda e chinela Havaiana. No caso de preferir andar sem camisa, é bom levá-lo para fazer algumas tatuagens nas várias lojas deste tipo disponíveis no jogo.

Mo-ther-fu-cker


Acho que por todos os detalhes já citados e outras coisas, CJ é o personagem mais bacana que já vi num jogo. A excepcional dublagem dada a ele -- e a todos os outros personagens ??? colabora bastante com isso.

Temos alguns atores conhecidos fazendo o trabalho vocal do jogo, como o Samuel L. Jackson, James Woods, Ice-T e Peter Fonda. Os diálogos se não formam uma grande história, pelo menos trazem momentos hilariantes e um monte de referências que correm o risco de parecem desapercebidas por quem não domina o inglês ou não tem bom background cultural, principalmente no que diz respeito ao universo do gangsta-rap. Um diálogo sobre drogas e ufologia escutado na Kombi flower-power de um hippie de San Fierro, por exemplo, merece entrar para a história dos melhores momentos da série Grand Theft Auto.

Mas o altíssimo nível da dublagem contrasta com algumas limitações técnicas do jogo. Temos na tela atores do primeiro time de Hollywood e excelente dramatização, mas as figuras geométricas destes personagens ainda são modeladas com poucos polígonos e isso tem um resultado heterogêneo demais para convencer.

Fato é que San Andreas é um jogo feito com a cabeça na próxima geração, mas em um hardware que já está próximo do fim. O Playstation 2 faz milagres com a renderização de cidades tão complexas, efeitos especiais de chuva e neblina, e objetos que se desenham em distância absurdas no cenário, mas fica a sensação de que seus pobres chips estão sendo sobrecarregados. Slowdown e o chamado ???pop-up??? acontecem em freqüências um pouco desagradáveis por conta de tanta ambição.

Outro ponto negativo do jogo, que parece já ser uma marca-registrada da série, é o nível de dificuldade absurdo de algumas missões e um controle que embora melhorado, ainda está longe de ser ideal. A Rockstar colocou a opção de tomar um atalho em algumas missões, quando você morre e vai direto repeti-la, mas ainda não funciona como deveria, já que você sempre terá que pelo menos ir até ao personagem que passa o objetivo, e este pode estar, lamentavelmente, do outro lado de San Andreas em muitos casos. Certas partes do jogo são tão difíceis e frustrantes que você tem vontade de desistir. Perseverança é bom em um jogador, mas só quando não se tem a opção de escolher o nível de dificuldade ???Easy???, coisa que San Andreas infelizmente não tem.

O controle com CJ a pé também ainda é desengonçado, com a câmera meio desobediente em certos momentos, mas é a isso pelo menos se acostuma. No carro entretanto é uma maravilha. Há uma nítida evolução na dirigibilidade, e todo o jogo foi incrementado com ótimos toques de física, coisa que ainda era bastante primária nos episódios anteriores.

E para finalizar, a trilha sonora é mais uma vez um show à parte, com uma excelente mistura de gangsta-rap, house, country, rock e funk. Prova mais uma vez de que a Rockstar está em um nível superior no que diz respeito ao apuro artístico.

O Veredicto:
San Andreas é um jogo ambicioso, trata o hardware do Playstation 2 de ???my bitch??? às vezes e mantém alguns defeitos clássicos da série, mas suas qualidades são tantas que tudo é perdoável.
Não só o jogo oferece um mundo vasto, digno de um MMO, como traz quase tudo que fez sucesso anteriormente em dose ???super-sized???: humor, ???coolness???, música, durabilidade, grandes personagens e liberdade de fazer o que quiser. Peça já o seu, ou então perca um dos grandes jogos desta geração.

Prós:

+ Gigantesco. Não existe nada igual para apenas um jogador;
+ Dublagem excepcional;
+ Engraçado pacas;
+ Trilha sonora mais uma vez fenomenal;
+ Super divertido 90% do tempo;
+ Belíssimo trabalho de ambientação nas três cidades e na área rural. Um jogo imersivo.


Contras:

+ Muito frustrante em vários momentos;
+ Controle no modo a pé ainda peca;
+ Alguns defeitos gráficos. ?? coisa demais para a atual geração de consoles.


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Outer Space
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