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Review de Conker: Live & Reloaded para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Apesar de arrotos, palavrões e insinuações de sexo não combinarem com um simpático e peludo esquililinho, foram exatamente estas disparidades entre o visual do personagem e sua atitude que trouxeram fama a Conker.

Com a ótima aceitação de Bad Fur Day, que foi um dos últimos sucessos a pintar no Nintendo 64, um remake com um modo multiplayer bem completo poderia ser uma boa pedida para os fãs. E como a produtora Rare agora pertence à Microsoft, é no Xbox que o mascote descarrega mais uma vez a sua mal criação.

Piadas antigas já não são tão engraçadas


Quando estava em desenvolvimento para o N64, Conker: Bad Fur Day deu o que falar. Isso porque os jogos da época não tinham um conteúdo adulto tão explícito e não era comum ouvirmos palavrões e gírias, e vermos temas relacionados a bebida, sexo e violência em quaisquer tipos de jogos, ainda mais em um console da Nintendo.

Apesar da aparência ???cute???, BFD não era nada bem comportado e a Rare parecia fazer questão de utilizar essa fama para promover o jogo. Um dos exemplos disso foi a presença ???a portas fechadas??? do jogo na E3 de 2000, em um estande onde só maiores de idade entravam. Lá dentro, podiam curtir uma jogatina ao mesmo tempo em que saboreavam uns chopes deliciosamente quentes, oferecidos gratuitamente.

BFD foi lançado em 2001 e fez sucesso, tanto que com a venda da Rare para a Microsoft, o esquilo não demorou a aparecer no Xbox. Só que ao invés de criar algo realmente novo, a Rare preferiu fazer um remake de Bad Fur Day com algumas novidades no modo de um jogador, gráficos atualizados e um inédito modo multiplayer via Live.

Entretanto, a fórmula que se mostrou muito eficiente em 2001 já dá sinais de que não consegue o mesmo sucesso em Conker: Live & Reloaded. As piadas vistas hoje já não são tão engraçadas quanto na época, as sátiras de filmes como The Matrix e o Resgate do Soldado Ryan já não têm o mesmo impacto e o humor adulto também não é novidade, principalmente depois do lançamento de vários outros jogos de conteúdo quase sem censura, como Grand Theft Auto.

Para quem nunca chegou a testar o BFD, ainda é possível achar graça em várias cenas, mas dá para perceber que é um jogo um pouco ultrapassado em conceito, naquele velho estilo de plataforma que, apesar de bom, já não tem a mesma importância.

A volta do esquilo mal criado


A história de Live & Reload é bem superficial, não diferindo muito do nível habitual de jogos do gênero. ?? mais uma desculpa para que toda a ação possa ocorrer.

Tudo começa com Conker ???enchendo a cara??? em um bar. Já completamente fora de si, tenta entrar em contato com a sua namorada Berri para dizer que chegará mais tarde em casa, mas a garota não atende. Preocupado, mas completamente embriagado, Conker resolver ir para casa e, entre uma vomitada e outra, acaba se perdendo. Em uma espécie de mundo paralelo, ele começa a interagir com animas e objetos falantes, em uma tentativa de conseguir algum tipo de ajuda que o leve de volta pra casa.

Assumindo o controle de Conker, podemos notar claramente que não só piadas e o humor do jogo estão um pouco ultrapassados, mas também sua jogabilidade. Live & Reloaded é dividido em duas partes distintas: Na primeira, é basicamente um jogo de plataforma, com o foco em andar pelos cenários pulando buracos, solucionando alguns enigmas e coletando itens, num estilo bem simplista. Neste momento, sofremos um pouco com a perspectiva da câmera, que ainda continua confusa principalmente em locais fechados e estreitos; com a falta de uma alta precisão dos botões, o que acarreta em saltos mal executados; e com o combate sem estratégia, que na grande maioria das vezes se resume em ficar atacando e esquivando repetidamente.

Outro problema desprezado novamente pela Rare é o fato do jogo não deixar claro onde precisamos ir para cumprirmos nossas missões. Me peguei, por diversas vezes, tendo que rodar o mapa todo várias vezes para descobrir aonde está a próxima parte do objetivo. Não existe uma seta, uma mapa, nada que auxilie sua navegação. Não que os objetivos sejam complicados, mas às vezes não fica claro o que precisamos fazer ou para onde devemos ir.

A segunda parte é bem mais interessante e parece outro jogo, completamente diferente. Nela, tudo vira uma ação em terceira pessoa, sem necessidade de ficar pulando muitas plataformas e cumprindo objetivos. Diversas frustrações do início somem aqui e tudo fica agradável. O difícil, às vezes, é o jogador conseguir chegar a essa parte boa sem estar completamente frustrado.

Em termos gerais, o lado singleplayer de Live & Reloaded mudou muito pouco em relação a Bad Fur Day, sendo algumas destas mudanças quase imperceptíveis.

Visual atualizado


Como podemos esperar de todo remake, Live & Reloaded tem uma carga pesada de atualizações visuais, deixando o jogo no padrão de qualidade dos melhores do Xbox. Seus gráficos estão bem bonitos, as texturas melhoraram consideravelmente, os personagens estão mais bem animados e os cenários mais coloridos. No modo multiplayer, parece que temos uma ligeira queda no detalhamento gráfico, para não comprometer a fluidez do jogo. Mesmo assim, em momentos mais intensos, com um maior número de explosões e jogadores se movimentando pela tela, temos uma queda notável na taxa de quadros por segundo.

A parte sonora também recebeu sua dose de incrementos, ficando ainda mais realista. O destaque fica para as vozes, bem dubladas e que contribuem bastante para dar o ar cômico ao jogo.

O inédito modo multiplayer on-line


Se a parte de um jogador é praticamente a mesma que já vimos anteriormente, o modo multiplayer on-line de Live & Reloaded é só novidade. Baseado em objetivos, o modo funciona sempre com dois times (esquilos SHC contra os maldosos Tediz), sendo que cada qual tem as suas classes especiais de combatentes, com habilidades específicas. Os mapas são interessantes e existe a opção de veículos para serem utilizados, que trazem ótimas opções de ataque e transporte.

Este modo multiplayer está no nível dos bons jogos on-line da atualidade, sendo divertido e bem programado para funcionar sem ???lag??? pela Xbox Live, mas não tem algo excepcional que mereça grande destaque. Seus únicos defeitos ficam para uma pequena falta de balanceamento de certas classes, que são visivelmente mais fortes que outras, e pela ligeira complexidade na iniciação das partidas on-line. Não é simples escolher um jogo e sair jogando, pois o modo requer algum tempo para se acostumar, exige que se tenha um bom número de jogadores participando, e que esses jogadores já tenham uma experiência anterior nos mapas. Um grupo de leigos terá dificuldades em controlar certos veículos e em descobrir o que fazer em cada missão, o que pode estragar completamente a diversão.

Como o próprio nome sugere, Conker: Live & Reloaded merece ser encarado como uma versão multiplayer de Bad Fur Day, que vem com a aventura do Nintendo 64 refeita de lambuja. Apesar de ser um bom pacote, ele não tem diferencial algum frente ao que existe atualmente na concorrência e ainda conta com alguns defeitinhos.

O Veredicto:
A aventura principal de Conker: Live & Reloaded ainda consegue trazer alguma diversão, mas não tem o apelo que Bad Fur Day teve em sua época, revelando-se um pouco ultrapassado. Já o multiplayer -- a verdadeira novidade --, é mais interessante, mas também não tem força para competir com os vários jogos de qualidade que o Xbox Live oferece. O oba-oba aconteceu no Nintendo 64; no Xbox Conker já parece curtir a ressaca.


Prós:

+ Modo multiplayer é bacana;
+ Tema que envolve bebidas, piadas e mulheres sempre é legal;
+ Gráficos atualizados, de boa qualidade;


Contras:

- Existe uma dificuldade na adaptação de certas funções do modo multiplayer;
- Há uma leve falta de balanceamento entre as classes;
- Modo de um jogador bem ultrapassado, não tem a graça mais da época de Bad Fur Day;
- Defeitos antigos de jogabilidade não foram consertados;


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Outer Space
6/ 10
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