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Review de Battlefield 2 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Seguindo a escala evolutiva da série Battlefield, a primeira parada foi nos anos 40 onde travamos combates intensos contra os alemães da Segunda Guerra Mundial; em seguida, uma evolução aos anos 60, quando adentramos as florestas do Vietnã para combater os ???vietcongs??? comunistas de Battlefield: Vietnam.

Com Battlefield 2 é a hora colocarmos as mãos em material bélico realmente moderno e combater as forças inimigas com o que há de melhor em termos de tecnologia militar.

Inovação ou evolução?
Se Battlefield Vietnam tinha a cara de uma expansão de luxo, com novos mapas, armas e algumas novidades aqui e acolá, o número 2 deste novo exemplar passa aos jogadores a noção de que desta vez teremos uma continuação, que realmente dá um passo mais significativo na escala evolutiva da série. Entretanto, no fundo, as coisas se mantiveram mais ou menos iguais.

Não que isso seja mau negócio. Battlefield 2 traz de volta tudo aquilo que fez da série uma das melhores no gênero de tiro em primeira pessoal multiplayer, como mapas vastos e divertidos, uma ótima variedade de veículos para pilotar, classes bem distintas e que estimulam o trabalho em equipe, entre outras coisas. Isso tudo, somado às novidades como um bem bolado sistema de hierarquia, ajudam a melhorar ainda mais o pacote.

Mais trabalho em equipe do nunca
Como nos demais Battlefields, BF2 foca no combate entre dois exércitos inimigos. Desta vez, um lado luta a favor dos militares americanos, enquanto o outro defende ou os ideais chineses ou da coalizão do oriente médio, uma facção fictícia. Ambos os lados possuem armas, veículos e equipamentos distintos, mas com equivalentes que ajudam a manter perfeitamente o balanceamento do jogo.

Aliás, este é um dos pontos que a EA resolveu aprimorar notavelmente. Em 1942 e Vietam, havia uma procura meio frenética por veículos, uma vez que eram equipamentos que realmente davam enormes vantagens nos combates. Lembro-me de ver alguns jogadores estacionados na base esperando um determinado veículo reaparecer (quando um tanque é destruído, por exemplo, depois de um tempo ele reaparece em um local pré-determinado na base) causando uma verdadeira disputa de quem irá pegá-lo e, conseqüentemente, uma perda do foco dos confrontos em si. Em BF2, os veículos estão mais ???fracos??? e não existe mais aquela necessidade de ter que pilotar ou estar nas armas secundárias de um, o que valoriza mais o soldado a pé e torna os confrontos mais naturais.

Outro fator que ajuda no balanceamento são os próprios mapas, que estão mais recheados de objetos para camuflar os combatentes, sem expô-los tanto ao fogo de um veículo inimigo que passa por perto. Os mapas mais abertos têm mais árvores e uma vegetação um pouco mais densa, além de muros, pequenas construções em ruínas e objetos salpicados pelos cantos, que ajudam também a compor um cenário mais rico. Já nas cidades existem mais prédios e ruas estreitas, o que possibilita melhores confrontos entre os soldados. Os ???snipers??? aqui são muito requisitados, mas podem ficar expostos ao fogo dos helicópteros inimigos se não se posicionarem adequadamente no alto dos edifícios. Tudo tem seus prós e contras.

Esse melhor balanceamento traz outra conseqüência positiva: a exigência de um trabalho em equipe mais organizado. Isso começa pela distribuição de responsabilidades pré-campanha, com a seleção de classes. Mais do que nunca, é importante ter uma boa mescla de infantes, engenheiros, médicos, snipers, soldados de apoio e soldados de armamento anti-tanque, uma vez que suas especialidades estão sendo ainda mais exigidas. Uma nova classe, o Spec Ops, também traz mais uma opção nos campos de guerra, com um combatente versátil que vem munido de submetralhadora, pistola silenciada e explosivos C4.

A segunda etapa da organização de combate vem com a comunicação. O menu com opções padrões do tipo ???ataque???, ???defenda???, ???preciso de médico???, ???preciso de munição???, ???preciso de carona???, etc, está mais intuitivo e fácil de ser acessado. Fora isso, ainda temos o inédito modo de comunicação por voz, que permite que jogadores do mesmo pelotão possam se comunicar e montar suas estratégias de ataque.

Respeito à hierarquia
Ao lado do maior balanceamento, que deu um novo sentido a cada detalhe do jogo, outra novidade de grande relevância é a cadeia hierárquica, que dá um toque estratégico bem vindo à série. Cada exército conta com três degraus: No mais baixo está o jogador comum, o soldado, que deve pensar menos e agir mais, seguindo ordens dos seus superiores para conseguir êxito na missão. No degrau do meio vem o novo ???squad leader???, o líder de pelotão. Esse combatente ganha novos comandos estratégicos, como solicitar o envio de suprimentos ou o fogo das artilharias em uma determinada posição. Para manter o pelotão sempre junto, os soldados podem ser inseridos no mapa ao lado de seu líder, em uma espécie de ponto de reforços móvel, o que intensifica ainda mais o espírito de equipe. Um bom ???squad leader??? deve mesclar habilidade nos dedos com decisões estratégicas e poder de comando.

No topo da pirâmide está o também inédito comandante. Para assumir esse posto seleto, o jogador deve passar pela aprovação dos demais, em uma espécie de votação que ocorre sempre no intervalo das partidas. Apesar de poder correr como um soldado normal pelos mapas, o ideal é que o comandante fique em um local mais protegido, assumindo apenas sua função primária de serviço de inteligência. Como comandante, tratamos o jogo como uma verdadeira estratégia em tempo real, pois temos mais informações no nosso mapa e podemos ver toda a movimentação inimiga. ?? o comandante que dá as ordens para que as artilharias entrem em ação e bombardeiem um determinado local, que os suprimentos sejam enviados ou que uma sonda espiã revele a todos os soldados aliados o posicionamento inimigo em uma área limitada. O comandante pode comunicar apenas com os líderes de pelotão, e vice-versa, não tendo contato direto com os homens de frente. A hierarquia funciona na comunicação de voz existente no jogo também.

Essa divisão em degraus de comando é bastante interessante, mas apenas no caso de ser utilizada por um grupo de jogadores sérios, com responsabilidade e bom senso, coisa que não acontece na maioria dos jogos. Os próprios jogadores banalizam um pouco estes detalhes e acaba que as funções de cada posto não são utilizadas da melhor maneira possível. No caso de um clã, onde cada um tem suas funções bem divididas, o jogo será uma diversão brilhante, uma vez que cada assumirá a sua parte da responsabilidade.

Ranking e problemas
Para estimular ainda mais a escolha de todos os tipos de classe, o que aumenta ainda mais o balanceamento e a diversão de Battlefield 2, a EA criou um ranking de jogadores bem completo. Agora, não só o número de inimigos mortos que contam pontos a seu favor, e sim todos os tipos de ações feitas no jogo. Se o médico cura ou revive, ganha ponto. Se o engenheiro conserta veículos, idem. Se você ajuda a capturar uma bandeira ou a ferir um inimigo, recebe sua bonificação por isso. Todos estes pontos são somados durante a partida e posicionam o jogador no ranking.

E não pára por aí: à medida que atingimos determinados números de pontos, ganhamos medalhas e vamos subindo de posto. A vantagem disso? Além do status na comunidade, novas armas, mais poderosas, que nos darão vantagens frente aos demais jogadores. Estas são muito cobiçadas.

Demais novidades são mais sutis. O sistema gráfico foi reformulado e agora reproduz um visual bem mais bonito que dos antecessores. Obviamente, a fama de jogo ???pesado??? ainda persiste, pois BF2 fica realmente belo visualmente só com todos os detalhes, efeitos e, principalmente, o ???anti-aliasing??? ligados no máximo. Mas não vai ser qualquer ser vivo que conseguirá ver o jogo deste modo, pois para isso uma máquina muito boa é exigida. Desligando tudo, o jogo fica com um visual meio pobrinho, não muito além do padrão dos primeiros Battlefields.

As maiores ressalvas para o novo jogo ficam para a sua ???falta??? de novidades. Apesar de dar seqüência à fama de série das mais divertidas em seu gênero, Battlefield 2 não tem uma carga considerável de adições que justifique mesmo o seu número ???2???, continuando a parecer um pouco uma expansão de luxo dos jogos anteriores ??? apesar que, desta vez, a distância entre eles é um pouco maior. Quem realmente esperava grandes novidades pode ficar frustrado, pois, realmente, a fórmula não foi mudada e sim incrementada.

Outro problema fica para a sua programação, que deixa a desejar. Executando o Battlefield 2, o jogo demora a abrir, o menu demora a aparecer, a navegação pré-jogo é meio lenta e os mapas demoram para carregar. Antes do lançamento do patch 1.01, tínhamos os agravantes do login nos servidores da EA demorarem a ser feitos, da escolha de um jogo ser muito difícil (a navegação dos servidores era horrenda), e de problemas de lag e travamentos freqüentes, que me obrigaram a dar ???reset??? umas 4 vezes pelo menos na máquina, que não respondia nem a um ???Ctrl-Alt-Del???. Com o patch, as coisas melhoraram muito, mas ainda estão longe do ideal.

O Veredicto:
Battlefield 2 continua muito preso à fórmula dos dois primeiros da série, mas suas poucas novidades, como o visual atualizado, o sistema de hierarquia e o melhor balanceamento, são suficientes para garantir mais horas e horas de pura diversão multiplayer. Quem já gostava dos anteriores, certamente precisa deste.

Prós:
  1. Tudo de bom dos antigos Battlefields está de volta;
  2. Muitos veículos para pilotar;
  3. Balanceamento perfeito estimula trabalho em equipe;
  4. Bem bonito, desde que rodado com todos os recursos de vídeo;
  5. Mapas continuam vastos e divertidos;


Contras:
  1. Programação ainda tem falhas desagradáveis. Até se chegar aos combates, demora um pouco;
  2. Quem queria verdadeiras novidades, vai ficar querendo;
  3. Modo single-player continua desprezível.



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