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Review de Killer 7 para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Em 2002 a Capcom anunciava Killer 7 como parte de um projeto de cinco jogos feitos para sacudir a indústria de jogos japonesa. Enquanto Resident Evil 4 já assegurava uma injeção de ânimo pela reputação da franquia, outros como Product Number 01, Viewtiful Joe e o cancelado Dead Phoenix teriam que se valer do estilo e originalidade. Killer 7, por sua vez, seguiu o rumo da esquisitice e da filosofia de jogo como obra de arte.

O jogo é uma co-produção da Capcom de Shinji Mikami e Hiroyuki Kobayashi com o estúdio Grasshopper, de Suda 51 ??? um designer que se diz empenhado em mudar a imagem estereotipada dos videogames. Sem fazer concessões às regras do mercado, 51 e sua turma criaram um jogo de aventura de múltiplas personalidades (???Multiple Personality Action Adventure???) realmente sui generis, e que deve ser admirado pelas intenções artísticas na mesma proporção em que corre o risco de ser rejeitado como jogo.

Sou feio, mas tô na moda


Suda 51 não apenas tem boas idéias, como é um desses designers japoneses com bolas de titânio revestidas por aço. Seu compromisso é com o estilo, e sua diretriz primária é fazer de Killer 7 uma experiência diferente, nem que por isso ele tenha que usar gráficos poligonais sem nenhuma textura e dar a um pombo correio o nome de ???Pussy???.

Visualmente, Killer 7 é um dos jogos mais ousados já feitos, embora a diferença entre genial e medíocre dependa do ponto de vista. Tecnicamente, é um jogo cru, sem texturas, com cores berrantes, cenários e modelos 3D simplificados a poucos polígonos, por uma questão puramente de estilo. ?? o tipo de jogo que não irá render boas fotos, mas que fica maravilhoso e incrivelmente cool em movimento.

The Smiths


A história e jogabilidade também fogem bastante aos padrões dos videogames. Jogamos no papel de Harman Smith, um velho com sete personalidades que faz serviços de assassinato em missões que envolvem terrorismo, tráfico de órgãos, acidentes diplomáticos entre super-potências e outras loucuras. Confinado a uma cadeira de rodas, Smith terá que se valer de sua esquizofrenia e invocar as sete personalidades para cumprir as missões.

O braço direito de seu alter-ego, por assim dizer, é Garcian Smith, um sujeito armado de uma pistola com silenciador e uma maleta onde carrega as cabeças de seus colegas mortos. Além de ser o único dos sete assassinos a conversar diretamente com Harman, Garcian desempenha funções especiais nas missões: ele é o ???faxineiro???, e seu trabalho se resume quase sempre a resgatar os restos mortais dos outros assassinos para que possam ser ressuscitados através de uma TV. Tão estranho quanto uma TV que revive os mortos é a forma com que Garcian os traz até ela: ele vai até o local do sinistro, recolhe a cabeça do colega já embalada em um saco de papel e a leva até a sala onde fica o televisor.

Mais interessante ainda é Samantha. Esta jovem ninfomaníaca, estudante e enfermeira de Harman nas horas vagas, passaria por normal não fosse o gosto por espancar e até transar com o velhinho sentado na cadeira de rodas.

Outros personagens desempenham papéis mais comuns, embora sejam igualmente excêntricos. Dan Smith, por exemplo, atira sua pistola com destreza e pode dar um tiro especial acumulando frascos de sangue. Kaede, que anda descalça e com uma camiseta manchada de sangue e é bastante frágil, mas muito precisa em seus disparos graças ao seu rifle de precisão; ela ainda pode se auto-flagelar cortando os pulsos e criando uma chuva de sangue que serve para revelar segredos, como escritos ocultos em paredes. Con Smith é um cego que compensa sua deficiência com um sentido especial de escuta, além de correr velozmente e disparar duas pistolas com extrema velocidade. Mask de Smith é um ex-lutador de Luta Livre vestido em impecável terno branco, mas com a máscara e capa do seus tempos de ringue; sua arma é um lança granadas que desintegra os inimigos em um só disparo, mas que tem o contra de ser bem lento. Coyote Smith é um ladrão, especialista, entre outras coisas, em violar cadeados. Já Kevin Smith prefere atirar facas no inimigo, e se valer de sua invisibilidade para atravessar corredores sem chamar atenção.

São todos personagens muito interessantes, mas que servem a uma jogabilidade bastante primitiva, e exótica como todo o resto. Killer 7 é uma mistura de survival-horror -- com os puzzles, mas sem o horror -- e jogo de tiro em primeira pessoa ???sobre trilho???, daqueles onde o personagem segue um caminho pré-definido e o jogador se concentra basicamente em atirar. O controle é estranho: o personagem corre pra frente ou para trás quando apertamos um botão, sem possibilidade de movimento lateral. Eventualmente, a tela mostra opções para entrar numa sala ou qual rumo seguir em uma bifurcação. Apertando o gatilho direito do controle, entra-se em um modo de visão em primeira pessoa, onde é possível mirar livremente e acertar os inimigos.

A jogabilidade pode ser resumida a um esquema onde se percorre corredores apertando o botão até ouvir uma risada bizarra dos inimigos ??? seres invisíveis chamados ???Heaven Smiles??? ??? e mudar para o modo em primeira pessoa, onde será possível atirar. Há um pouco de variedade no ato de atirar, já que os ???Heaven Smiles??? são naturalmente invisíveis, exigindo que seja feito um ???scan??? da tela com o gatilho esquerdo do controle para revelá-los. Pontos fracos, representados por uma luz amarela pulsante, se acertados matam o inimigo em um só tiro, rendendo um comentário particular de cada assassino: ???That???s Easy???, ???Son of a bitch!???, ???Hurts, doesn???t it????, ???You???re Fucked!??? e o ???Fuck You!??? clássico. E para cada ???Heaven Smile??? morto, o sangue espalhado fica acumulado em frascos, que mais tarde poderão ser usados para aumentar o nível de cada assassino em quesitos como força do tiro e resistência, ou em suas especilidades.

Os puzzles seguem o estilo de Resident Evil ??? ache um objeto, encontre o lugar para colocá-lo ??? e são meras formalidades em um jogo que estimula de verdade apenas pelo estilo visual. Não há desafio na parte de tiroteio, que é bastante limitada e inclui até uma função para mirar automaticamente no inimigo (mais tarde no jogo, a mira passa a ser automática no ponto fraco inclusive) e a variação entre os sete personagens só existe para justificar alguns puzzles onde apenas um em particular pode prover a solução. Nos tiroteios, não haverá muito por que preferir outro personagem ao mais equilibrado Dan Smith.

O prazer de jogar Killer 7 não é gamístico, mas estético. A trilha sonora excepcional, várias referências à cultura pop (Suda 51 parece fascinado especialmente pelo grupo The Smiths, não apenas pelo sobrenome dos assassinos, mas pelos títulos de várias músicas que aparecem ao longo do jogo), a violência estilizada que mostra inimigos explodindo em milhares de glóbulos vermelhos, cenas de sexo e tiros a queima roupa deixam claro as intenções 51 e sua turma de fazer algo bonito primeiro e pensar no jogo depois. Talvez por isso, a Capcom tenha mantido sua jogabilidade um mistério por tanto tempo.

Por toda competência estética, entretanto, há uma nítida inadequação do sistema de jogo pesando contra. Killer 7 é uma aventura de múltiplas personalidades sem desafio e sem muita jogabilidade, e ainda consegue ser frustrante e irritante, principalmente pelas freqüentes pausas de carregamento e por quando apresenta certos personagens como um fantasma que repete frases e cria interrupções desnecessárias no ritmo do jogo a cada meia dúzia de corredores percorridos.

O Veredicto:
Killer 7 é uma experiência artística corajosa e nada comercial da Capcom e do estúdio Grasshopper que servirá muito bem para ser discutida por designers de videogames e fãs de jogos como arte. Como jogo, entretanto, é muito pobre e acaba funcionando apenas como pretexto para que Suda 51 pudesse exercitar sua criatividade.


Prós:

+ Esteticamente espetacular;
+ Um jogo adulto de verdade;
+ Bons confrontos com ???chefes???;
+ Muito bem produzido.


Contras:

- Jogabilidade simples e sem desafio;
- Pausas para carregamento freqüentes demais;
- Bla bla bla dos fantasmas quebra o ritmo.


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