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Review de Phoenix Wright: Ace Attorney para DS de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Para um portátil que já tem jogo de pentear pêlo de cachorro e dois sobre cirurgia, o lançamento de um simulador de advogado chega a ser um fato bastante trivial. Phoenix Wright: Ace Attorney é um remake para Nintendo DS de uma série de tribunal que já se espalhou por três edições no Gameboy Advance, e que, graças ao seu tema incomum, faz mais sucesso no Japão numa faixa de público adulta e casual.

A versão para Nintendo DS é a primeira a ser lançada no ocidente, em inglês, e conta com os mesmos casos do original do Gameboy Advance, além de um quinto capítulo inédito que explora os recursos especiais de tela sensível a toque e microfone do portátil.

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Tendo sempre como pano de fundo um assassinato misterioso, o jogador assume o papel de Phoenix Wright, um advogado com habilidades de detetive que fará o possível para provar a inocência de seus clientes, e se safar das armadilhas postas por um rival inescrupuloso.

No primeiro caso, Phoenix, ainda um neófito na função de defensor, deve provar a inocência de um amigo de infância que está sendo acusado de matar a namorada. A acusação traz uma testemunha que diz ter visto o rapaz sair do prédio na hora do crime, e ainda revela que a vítima era uma garota de programa, o que explicaria a tese de crime passional. O caso é engraçado, mas também bem simples, e serve como um tutorial de como funcionam os processos no tribunal.

Cada capítulo consiste basicamente de uma parte onde fazemos o trabalho de rua, ouvindo histórias, coletando provas e qualquer tipo de informação que possa ser usada no tribunal. Já diante do juiz, a jogabilidade se baseia em ouvir o depoimento da testemunha de acusação e encontrar incoerências e mentiras nas entrelinhas. Mesmo que aparentemente seja um depoimento irretocável, a testemunha sempre esconde uma mentira, e para chegar a ela Phoenix tem uma técnica que funciona bem: perguntar e perguntar, até que surjam novos detalhes e o depoente fique confuso e caia em contradição. O juiz conduz muito bem as seções e não costuma fazer restrições às perguntas de Wright, mas se irrita quando tentamos apresentar uma prova fora de contexto ou lançar argumentos inválidos. Cinco falhas deste tipo em uma única sessão é a única forma de perder um caso e ver a tela de ???Game Over???.

A interface é bastante simples, como nos ???adventures??? mais antigos: vemos cenários estáticos, com personagens sobrepostos, e menus que fazem desde o manejo do inventário ao deslocamento para outro lugar, como ???Ir para o escritório??? ou ???Visitar a delegacia???.

Phoenix Wright: Ace Attorney é essencialmente um romance policial, mistura de jogo de detetive com filme de tribunal, farto em texto, um bocado linear e com interatividade limitada. Seu forte está exatamente na história e diálogos -- bem humorados, muito bem escritos e cheio de bifurcações e surpresas.

E os quatro primeiros casos mantêm uma jogabilidade que evidencia a origem no Gameboy Advance, sem qualquer uso dos recursos do Nintendo DS, fora a opção de usar o microfone para gritar as palavras mais comuns do tribunal: ???Objection!??? e ???Hold it!???, algo como ???Protesto!???. No quinto capítulo, exclusivo do DS, a tela sensível ao toque e o microfone são usados de forma mais criativa, e o caso ganha uma boa dose de complexidade, possibilitando até eventuais empacadas. E ao contrário da maioria dos jogos de Nintendo DS até agora, este é bem durável, se extendendo por mais de 15 horas.

A versão japonesa de Phoenix Wright: Ace Attorney, usada nesta análise, foi lançada há poucos dias no Japão e traz a conveniente opção de textos em inglês ou japonês, o que a torna bastante amigável para que pretende importar de uma vez, sem ter que esperar até novembro para a versão americana.

O Veredicto:
Phoenix Wright: Ace Attorney é mais um jogo de Nintendo DS que se sobressai pela originalidade. Só que desta vez o diferencial não está no uso das duas telas ou do toque, mas no tema do jogo, que mistura investigação com sessões de tribunal cheias de humor e muito bem escritas.


Prós:

- Um tema bastante original;
- Casos divertidos, bem escritos;
- Longo.


Contras:

- Pouco uso dos recursos exclusivos do DS;
- Personagens prolixos. Toneladas de texto;
- Muito linear.


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Outer Space
8/ 10
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