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Review de Black & White 2 para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Populous, Dungeon Keeper, Black & White??? desde o começo dos anos 90, Peter Molyneux, chefe da Lionhead, aperfeiçoa o conceito de sermos uma criatura divina que controla pessoas e o ambiente em que vivem. Mas mesmo com tantas idéias na cabeça, e tempo de sobra para realizá-las, os jogos recentes de Molyneux estão devendo.

Bem produzido, com visuais excelentes e várias melhorias prometidas, Black & White 2 poderia ser o jogo de deus definitivo. Mas mesmo sem arriscar grandes mudanças e focando no aperfeiçoamento da fórmula, o resultado, infelizmente, fica aquém do esperado.

E o mouse foi criado


Black & White é um jogo bastante complexo e, conseqüentemente, pouco amigável para uma grande maioria dos jogadores casuais, devido ao excesso de comandos para dar, estatísticas para observar, números para acompanhar e situações que devem ser administradas simultaneamente.

Para tornar o jogo acessível aos menos experientes, a Lionhead optou em colocar um tutorial bastante extenso em B&W2, que cobre cada milímetro e garante que todas as funções fiquem bem claras na cabeça do jogador, mesmo as mais simples. Entretanto, a produtora exagerou na dose e acabou criando algo muito cansativo e lento, que não pode ser cancelado ou pulado, e que acaba por trazer uma primeira impressão horrível de que o jogo é cansativo e maçante. Nele, dois seres que representam o lado bom e mau da nossa consciência ??? um anjo gordinho e barbudo e um capetinha de mamilos pontudos ??? se revezam mostrando os comandos básicos, ao mesmo tempo em que tentam ???puxar a sardinha??? para os seus lados, numa forma de tentar convencer o jogador a já optar pelo lado do bem ou do mal.

A verdade é que Black & White 2 começa bem devagar, as primeiras missões também não mostram tudo o que o jogo tem e isso pode causar certa frustração aos impacientes. Quem gosta deste estilo ou for mais paciente, certamente será recompensado mais tarde com muita coisa bacana, que vai aparecendo em doses homeopáticas.

Nintendogs divino


A Lionhead, depois de ouvir as reclamações dos jogadores em relação ao primeiro jogo, decidiu trazer algumas mudanças a Black & White 2 e, a mais notória, sem dúvidas, ficou para a maneira com que tratamos e criamos a nossa criatura. No original, o foco era o processo árduo de cuidar e paparicar o ???bichinho???, como se fosse mesmo um Tamagotchi que requer atenção voltada para si em grande parte do tempo. Como esse excesso de cuidado com a criatura não fez muito sucesso para a maioria dos jogadores ??? e vale salientar que escolhemos o macaco novamente ???, a produtora preferiu focar mais na construção e administração da civilização desta vez.

O sistema de coleiras foi abolido e a criatura agora é mais pró-ativa, criando menos confusões e ajudando mais no desenvolvimento das cidades. ?? medida que ela vai exercendo um maior número de funções, vai ganhando experiência e ficando mais eficaz. Um novo sistema de liberdade de pensamento foi implantado para tentar simular melhor o instinto da criatura. Por exemplo, se a obrigamos a ficar colhendo alimentos apenas, vai se acostumar com aquela atividade e não vai saber e nem querer fazer outras coisas, praticamente virando uma máquina de coleta. Por isso é importante variar as atividades que a criatura deve executar, para garantir que sempre estará aprendendo de tudo e que se torne cada vez mais pró-ativa. Em determinado estado de desenvolvimento, poderemos simplesmente soltá-la livremente que ela ajudará nos pontos em que realmente haja necessidade.

Apesar de ter atendido ao pedido dos jogadores, a Lionhead caiu em um outro problema ao simplificar bastante o processo de criação da criatura. O bicho perdeu um pouco de sua personalidade e virou uma espécie de super cidadão, uma super unidade, que coleta matérias primas mais rápido, constrói com maior presteza e é mais poderoso nos combates. Aquela alegria da criatura quase divina não existe mais.

Deus administrador


Conforme dito acima, o foco agora é no desenvolvimento da civilização e é essa a parte mais demorada e interessante de B&W2. Iniciando uma pequena vila, devemos construir uma central de coleta de matérias primas ??? madeira, minério e comida ??? para receber recursos. A madeira e o minério servem para erguer construções e manufaturar armas e outros itens, enquanto a comida alimenta a população local. O primeiro passo é pegar os cidadãos e colocá-los para coletar recursos. Logo depois, devemos construir casas e determinar que os homens e mulheres copulem, para que a população cresça. Com o crescimento generalizado, novas construções, como templos, quartéis, prisões e outras, vão ficando disponíveis para tornar nossa cidade uma verdadeira metrópole, e a área de abrangência da nossa mão divina aumenta.

O desenvolvimento está vinculado a alguns objetivos que, quando cumpridos, recompensarão o jogador com dinheiro, que no jogo se chama ???tribute???. Sendo assim, além de preocuparmos com a missão principal, é sempre bom procurar alguns pergaminhos prateados pelo cenário para descolar umas missões alternativas, muito boas para ganhar uma grana extra.

Aliás, esse sistema de dinheiro não ficou muito bem explorado em B&W2. Tudo está muito baseado em grana e acaba que somos ???obrigados??? a fazer diversas missões repetitivas e cansativas só para conseguir ganhar uns trocados extras. Poucas delas são realmente interessantes.

Outro elemento que melhorou em relação ao primeiro jogo é a estratégia em tempo real, mais especificamente, os combates. Está mais simples e prazeroso o processo de treinamento e deslocamento de soldados e arqueiros, mas as batalhas continuam sem opções. Apesar de podermos melhorar a experiência de um determinado pelotão, os confrontos se resumem a colocar o ponteiro do mouse ??? a mão divina ??? sobre o pelotão inimigo, clicar em atacar e ficar olhando. Em 90% das vezes, quem tem mais soldados ganha, então basta atacar um pelotão inimigo com dois aliados que sempre ganharemos.

As criaturas também podem entrar nos combates, mas funcionam apenas como super soldados, como já descrito. Basicamente, são mais fortes e podem jogar alguns poderes especiais sobre os inimigos.

Em cima do muro


Black & White, lado negro ou da luz. O nome do jogo já diz que uma das suas principais características é a possibilidade do jogador de escolher o seu alinhamento, entre ser um Deus bom, acolhedor, que cuida de seus discípulos e recompensa-os pela sua devoção, ou um senhor do mal, que os maltrata e fazem deles meros escravos, utilizando-os como fantoches para os seus objetivos maléficos.

A escolha de qual caminho vamos trilhar acontece a cada momento: à medida que fazemos bons atos, ganhamos pontos do bem, e quando fazemos maldades, vamos nos tornando maus. Quando somos bons, todo mundo fica feliz, o sol brilha no céu, a grama verde balança com a brisa... quando optamos pela maldade, espinhos nascem por todos os lados, o solo escurece, as plantas morrem. Os cenários se moldam dinamicamente de acordo com a nossa bondade ou malvadeza.

Essa característica, apesar de bacana, foi um pouco mal desenvolvida já no primeiro Black & White e persiste no segundo. No RPG Star Wars: Knights of the Old Republic, por exemplo, conseguimos evoluir no jogo escolhendo sempre opções do lado negro ou da luz. Já aqui não: é impossível ser completamente bom ou mau, pois os lados são dependentes um do outro. Eu quis ser mau, mas o fato de colocar uma enfermaria na minha cidade já me dá pontos do bem. Ou seja, ficamos privados de diversas coisas, algumas necessárias, em nome do alinhamento. Acaba que o natural é balancear, fazer umas sacanagens aqui ou ali para nos divertir, mas utilizar as coisas boas em nome do desenvolvimento da civilização.

Visual dos deuses


Tecnicamente, Black & White 2 evoluiu um bocado em relação ao seu antecessor e está visualmente lindo. A atenção para detalhes é enorme, podemos ver cada pedacinho de mato se movendo lentamente com o vento, cada detalhe das roupas dos cidadãos. E é ainda mais incrível se consideramos que podemos dar um zoom distante, vendo as ilhas (cada missão acontece em uma diferente) bem de longe e aproximar até vermos os rostos dos trabalhadores das minas. Sem falar nos belos efeitos da água, as sombras em tempo real, as chamas (a magia de fogo é muito bacana) e os efeitos de dia e noite.

A Lionhead só podia ter cuidado um pouco mais de interface, que tem informações demais e não é nada amigável, e a navegação, que é um pouco confusa e demanda um excesso de cliques em todos os botões do mouse, inclusive na ???scroll wheel???.

O Veredicto:
O conceito continua interessante: estratégia em tempo real, misturada com administração de cidades e uma pitada de bichinho virtual. Mas assim como o primeiro, Black & White 2 é um jogo que não se sobressai em nenhum aspecto proposto. O desenvolvimento atrelado a dinheiro é chato, o combate carece de dinamismo e boa inteligência artificial, e a criatura tão adulada no original passou a merecer pouca atenção. Ainda é um jogo acima da média, mas não foi desta vez que Molyneux e sua turma realizaram todo o potencial da franquia.

Prós:

+ Belos gráficos;
+ Vários estilos de estratégia em um jogo;
+ Boa variedade de construções.

Contras:

- Poucas novidades relevantes em relação ao original;
- Tutorial exagera na ajuda e se torna maçante;


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