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Review de Shadow of the Colossus para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Shadow of the Colossus, assim como seu antecessor espiritual, ICO, não se encaixa no padrão tradicional de videogame, e não merece ser analisado pelos mesmos critérios de sempre. Minimalista, elegante, onírico, maduro em tema e design, e acima de tudo, lindíssimo em cada pixel, Colossus é uma experiência genuinamente emocional, muito além de um jogo divertido, algo que alguns preferem classificar também como ???arte???.

E como uma obra de arte, o que é indiferença para uns ou brilhante para outros depende de critérios subjetivos, e é algo difícil de comentar. Escrever sobre Shadow of the Colossus é, como diria Elvis Costello, o mesmo que dançar sobre arquitetura.

Emotion Engine


Shadow of the Colossus não é a continuação de ICO, mas o ambiente solitário, as cores desbotadas e saturadas pelo sol e a história minimalista deixam claro que a idéia é reaproveitar o ???engine??? emocional do jogo de 2001, agora em uma aventura que tende mais para a ação.

A bela apresentação mostra que se trata também de uma história de amor. O herói cavalga por dias e noites até chegar ao fim do mundo, em uma terra de grandes poderes, entre eles, o de trazer de volta a vida, diz a lenda. Com o corpo da mulher que ama colocado em um altar, o herói escuta uma voz que revela que talvez seja possível revive-la, caso ele consiga derrubar os 16 colossos que habitam aquele lugar.

Como uma evolução do design de subtração de Fumito Ueda (artista e criador do jogo), Colossus traz somente o necessário para proporcionar as dezesseis lutas mais inesquecíveis já vistas em uma tela. São, na maior parte do tempo, apenas três criaturas vivas ??? o herói, a menina e um cavalo ???, dezesseis gigantes como os únicos inimigos existentes em todo o jogo, duas armas (um arco e uma espada) e um cenário estéril ??? salvo por alguns lagartos e pássaros ??? enorme, com lindas paisagens para cavalgar e admirar enquanto se procura o próximo colosso.

Uma barra de energia e alguns medidores simples são as únicas concessões de Ueda às normas gamísticas, mas mesmo assim, eles ficam ocultos na maior parte do tempo, só aparecendo durante os confrontos, quando são realmente inevitáveis para se entender a ação.

Com a espada levantada, a luz do sol nos guia até o próximo colosso. A jornada é bastante amigável, não há como empacar no caminho, embora imagens de montanhas, lagos paradisíacos e cachoeiras sejam convidativas a longos intervalos de contemplação.

Mas o objetivo está em alcançar os colossos, que não são chefes de fase, mas a fase em si e todo o jogo. Derruba-los envolve antes de qualquer coisa entender como é possível escala-los, sendo que alguns não têm pêlo e têm seus pontos-fracos aparentemente inalcançáveis. O primeiro, de perna peluda, é bem simples e um dos menos emocionantes, embora a imagem do nosso herói agarrado em seu pêlo enquanto ele sacode a cabeça violentamente já sirva para impressionar. Quando se chega ao quinto colosso, além de impressionar-se, a tendência é perguntar se é possível superar aquilo nesta geração de consoles. E as coisas ainda melhoram mais para o final.

Os colossos são todos magníficos, belos e assustadores. Seus desenhos, como tudo no jogo, fogem totalmente aos clichês ??? segundo Ueda, foram influenciados por máscaras de tribos (Incas, como a música e roupas do protagonista, provavelmente) e frentes de carros. E, mesmo que as estátuas de cada um no templo já revele pistas de suas características, o simples fato de vê-los pela primeira vez já causa arrepios e é um dos momentos mágicos do jogo. Se é possível escolher os favoritos entre as criaturas, fico com o 5º., 7º. e 12º, por hoje.

Outra criatura incrível é o cavalo Agro, sua única companhia na aventura e o equivalente eqüino a Yorda de ICO. Além de se mexer como um animal de verdade, com uma animação linda, sua inteligência artificial é um espetáculo. Desmonte-o por alguns minutos e ele vai pastar, ou se tiver água por perto, vai encontrá-la para se refrescar. E sua imagem funciona para intensificar alguns momentos cinematográficos, como quando temos que perseguir um colosso montado, ou quando estamos escalando e o vemos lá do alto, correndo e fugindo do gigante.

A ação e os puzzles orgânicos são sensacionais. Sem muito espaço para as convenções clássicas de jogabilidade, Colossus parece algo natural, uma aventura que convence pela simplicidade, a naturalidade dos movimentos e a autenticidade dos ambientes. Você não vai encontrar upgrades para armas, nem a necessidade de aprender combos de botões. A jogabilidade é simples e amigável o suficiente para envolver até o jogador casual, que geralmente não se arrisca neste gênero de jogo. ??s vezes, é até amigável demais, como quando o jogador prolonga demais uma batalha e uma voz dá dicas de como derrotar o colosso. A primeira dica é vaga, ???Observe os pés???, diz a voz do além. A segunda já torna as coisas um pouco óbvias demais.

O desafio maior talvez seja no controle da câmera, um dos únicos pontos falhos de Shadow of the Colossus. Diferente de ICO, quando a opção foi feita por uma câmera com scripts que escolhiam o melhor ângulo automaticamente, a de Shadow of the Colossus é livre, controlada pelo stick direito. Provavelmente foi a opção que melhor se adequou à movimentação intensa e imprevisível em cima dos gigantes, mas em certas batalhas, ela tende a se complicar.

Colosso técnico


Mesmo que o conceito de escalar 16 gigantes e mais nada possa parecer limitado, Shadow of the Colossus funciona muito bem como jogo. Diverte bastante, enquanto dura (e dura apenas 10 horas, em média, infelizmente), mas tem originalidade, personalidade demais e clichês de menos para ser um grande sucesso comercial.

Se há um item pelo qual ele merece ser aclamado unanimemente, entretanto, é o visual. A taxa de quadros por segundo não é das melhores, as texturas não são hi-res como em um jogo de Xbox, mas no geral, não há nada que chegue próximo do espetáculo visual que é Shadow of the Colossus, com exceção talvez de seu progenitor ICO. ?? algo equivalente a um sonho, e que só o talento incomum de Fumito Ueda conseguiu transpor aos videogames até hoje.

E Ueda não subestimou a importância da música no contexto emocional de sua obra-prima. Assinada por Kow Otani, responsável por trilhas de Godzilla e outros filmes tipicamente japoneses, a trilha de Shadow of the Colossus é belíssima, e aparece para ressaltar os diferentes estágios da escalada dos colossos, bem como alguns momentos dramáticos da história.

O Veredicto:
Com Shadow of the Colossus, Fumito Ueda e o produtor Kenji Kaido provam que estão entre os melhores designers da atualidade, e que são os mais credenciados a elevar os jogos a experiências que podem emocionar de verdade. Sem dúvida, um dos jogos mais inovadores já feitos e uma experiência inesquecível.

Prós:

+ Absolutamente lindo;
+ Dezesseis colossos, todos espetaculares;
+ Você vai querer comprar a trilha sonora;
+ Tema original e maduro.

Contras:

- Beleza demais para o PS2. Taxa de quadros por segundo sofre;
- Câmera pode complicar.


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