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Review de F.E.A.R. para PC de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois da iD, com Doom 3, e da Valve, com Half Life 2, chegou a vez de outra gigante do tiro em primeira pessoa apresentar sua proposta: a Monolith, famosa por jogos como No One Lives Forever, Shogo e Tron.

A idéia de F.E.A.R. ??? First Encounter Assault Recon é misturar tiro em primeira pessoa intenso com momentos mais lentos de suspense, apoiados em acontecimentos surreais e fantasmagóricos, vistos por um sistema gráfico de ponta, com direito a câmera lenta e efeitos de partícula fenomenais.

Tiroteio sobrenatural


Pelos vídeos, informações e até pelo demonstrativo jogável lançado há algum tempo, tem-se a impressão de que F.E.A.R. teria na história um de seus principais elementos. Afinal, seu tema no estilo Arquivo X e as doses calibradas de suspense, servem muito bem para desenvolver um enredo misterioso e intrigante. Mas não é bem o caso.

F.E.A.R. não foca tanto na história, desenvolvendo-a de uma maneira bem simples e meio objetiva demais. Quem esperava vídeos e diálogos atualizando em relação a cada acontecimento terá que se satisfazer com coisas bem mais simples, como uma ou outra mensagem, recebidas através de um transmissor, de membros da equipe, ou através de secretárias eletrônicas e laptops que são encontrados nas missões e nos passam algo de interessante. Fica sempre aquela sensação de que falta algo mais concreto que explique o porquê de tudo que acontece.

Enfim, somos inseridos no combate como um novo membro do First Encounter Assault Recon, um grupo altamente treinado, especializado em situações que envolvem paranormalidades. Nossa primeira missão é neutralizar um certo canibal com poderes psíquicos que escapou da prisão e assumiu o comando de um exército de super-soldados clonados, que se rebelou contra seus criadores. Acontece que esse indivíduo nos dará mais trabalho que imaginávamos, e o enredo começa a receber novos elementos do além, como visões esquisitas, alucinações e uma misteriosa garotinha que nos assombra a todo instante. O jogo funciona como se estivéssemos em meio termo entre um pesadelo e a realidade.

Destruição total


Se por um lado a história e seu desenvolvimento não são tão interessantes como esperávamos, a ação de F.E.A.R. compensa tudo, e não seria exagero dizer que seus combates são uns dos melhores já vistos em um jogo em primeira pessoa. Grande parte deste mérito se deve à sua inteligência artificial altamente avançada, que proporciona situações sempre diferentes.

Chega a ser impressionante o nível de esperteza dos soldados inimigos. Nos confrontos, eles podem procurar abrigo, se abaixar para ter uma melhor precisão, andar lateralmente atirando, realizar um fogo de supressão para se deslocarem com segurança para uma área mais protegida, dar a volta pelo cenário para nos pegar por trás, transpor obstáculos, saltar cercas, se arrastar por debaixo de objetos que lhes bloqueiem o caminho, arremessar granadas... São tantas opções, que cada combate se torna único, variando de acordo com as circunstâncias e a topografia dos cenários. Além de espertos, os soldados inimigos são também agressivos e muito precisos, portanto não adianta sair atirando como um louco que certamente morreremos.

Sendo assim, para enfrentá-los é necessário pensar em certas táticas, como se deslocar com precaução, se esconder e utilizar o reflexo, uma espécie de ???bullet time??? de The Matrix, através do qual reduzimos a velocidade da ação para termos mais precisão. Este recurso, ótimo para demonstrações de efeitos especiais, já está um pouco manjado em jogos, mas sua utilização em F.E.A.R. é necessária pela dificuldade dos confrontos, o que torna as coisas um pouco mais naturais.

Os outros dois fatores se unem à inteligência artificial para fazer dos combates de F.E.A.R. um dos melhores já vistos em um jogo de ação: o impacto das armas e a destruição dos cenários. Cada arma ??? desde a pistola comum até o lança-foguetes mais ???badass??? ??? tem suas particularidades quando disparadas, como o barulho, efeitos especiais (fogo, deslocamento de ar do projétil, deslocamento de peças móveis, etc), precisão e ???tranco???, o que traz a sensação de estarmos atirando com uma arma de verdade. E ainda, as armas mais pesadas tornam nosso personagem um pouco mais lento, dando mais um toque interessante de realismo.

Podemos carregar apenas três armas por vez, mas todas são muito bem balanceadas e têm melhor aplicação em um determinado momento, por isso é bom sempre pensarmos quais serão mais úteis, levando-se em conta a disponibilidade de munição e o poder de fogo.

O ???peso??? da arma também vai refletir no estado que os cenários ficarão após um tiroteio. Quando os combates são muito intensos, temos um show de fumaça, partículas, faísca, pedaços de papel e objetos voando por todo o ambiente, que chegam até a atrapalhar a visão. E no final de tudo, teremos corpos caídos aleatoriamente pelos cantos, sangue espirrado nas paredes, buracos de bala por todo canto, lustres e luminárias balançando, vidros quebrados no chão e objetos destruídos. São modificações impressionantes no cenário, e passam, com precisão, a sensação que houve um combate muito intenso ali. Vale dizer ainda que tudo isso é em tempo real! Dois combates em um mesmo ambiente certamente deixarão marcas diferentes.

Fugindo um pouco dos combates, quando não existem tiros sendo disparados, F.E.A.R. se encarrega de nos deixar bem tensos com seu suspense psicológico. Em vários momentos, seres do além aparecem ou temos visões e lembranças bizarras e distorcidas, que fazem com que as luzes se apaguem e objetos mexam sozinhos. Ruídos, que parecem bem próximos, podem ser escutados a todo instante e a tenebrosa risada da misteriosa garotinha nos faz pensar que ela nos atacará a qualquer momento. Estes e outros truques aparecem a todo instante para carregar o clima e dar a sensação de que nossa consciência está brincando conosco.

Estes momentos tensos dão uma ótima apimentada na jogabilidade de F.E.A.R., uma vez que nos obriga a ficar sempre atentos, na expectativa que algo pode acontecer a qualquer instante. ?? suspense, terror psicológico, mas também rende alguns bons momentos de susto.

Visual explosivo


A altíssima qualidade visual de F.E.A.R. é possível graças a um sistema gráfico de primeira linha. Além desta virtude de conseguir destruir boa parte dos cenários ??? e de uma maneira ainda não vista com tanta eficiência e realismo em outro jogo ???, seu visual geral é espetacular. As texturas são excelentes e o nível de detalhamento é altíssimo. Mesmo que não tenha as mesmas luzes e sombras de Doom 3 e nem a mesma física de Half-Life 2, tudo nele é de tamanha qualidade que o resultado final beira a perfeição.

A parte sonora não fica para trás: São tantos sons diferentes e com uma qualidade tão grande, que ter boas caixas e um subwoofer são quase um pré-requisito para se desfrutar do jogo como ele merece. Nos combates, existe uma mistura enorme de ruídos de disparos, projéteis atingindo diferentes superfícies, inimigos gritando e objetos sendo destruídos que chega a ser ensurdecedor. E tudo fica ainda mais impressionante em câmera lenta, quando os sons ficam graves e arrastados.

Os cenários são muito bem feitos e ricos em detalhes, mas quase não variam, dando uma sensação de repetição um pouco incômoda. Apesar de amplos, na maioria das vezes os cenários são fechados e escuros, variando de quartos a galpões, um pouco tradicional demais.

E apesar de ser uma maravilha tecnológica, F.E.A.R., assim como Doom 3 e HL2, é altamente flexível em termos de requisitos de hardware, rodando em máquinas um pouco mais modestas sem muita perda de qualidade, o que é um ponto bastante positivo.

O multiplayer


Terminada a aventura principal, que dura um pouco mais de 10 horas, contamos com o bom modo multiplayer, que suporta até 16 jogadores simultaneamente. As opções são as mesmas que já estamos cansados de ver em outros jogos de tiro em primeira pessoa, porém com variações para o uso da habilidade especial de câmera lenta. Temos: Deathmatch (mata-mata básico), Team Deathmatch (mata-mata em equipes), Elimination (outro nome para Last Man Stading, no qual o último sobrevivente é o vencedor), Team Elimination (a equipe que sobrar é a vencedora), SloMo Deathmatch (um jogador pega um item que o permite utilizar a câmera lenta), Team SloMo Deathmatch (um jogador carrega o item de câmera lenta, mas todos seus companheiros também são beneficiados pela habilidade), Capture the Flag (rouba-bandeira clássico) e SloMo Capture the Flag (mesma coisa do CTF, porém um jogador pode utilizar a câmera lenta para ele e seus companheiros).

O multiplayer é bacana, com bons mapas e as mesmas armas bacanas do modo principal. Mas, sabe-se lá porque, não teve muita adesão. Não existe um grande número de jogadores on-line, o que levanta duas hipóteses: ainda não é bom o suficiente para fazer muita gente largar os jogos de tiro clássicos, ou o modo de um jogador é mesmo tão bom que ninguém ainda se preocupou em uma aventura on-line.

O Veredicto
Na sua proposta inicial de trazer uma história cheia de mistérios, F.E.A.R. não se sai tão bem, mas como um jogo de tiro em primeira pessoa, é simplesmente fenomenal. Seu sistema gráfico de primeira linha proporciona visuais dignos da próxima geração, ao mesmo tempo em que traz combates altamente táticos e desafiadores, graças a sua inteligência artificial avançada. Somando os bons toques de suspense, temos um jogo imperdível para qualquer jogador que curte uma ação.


Prós:

+ Gráficos e efeitos espetaculares. Um dos jogos mais bem feitos do momento;
+ Inteligência artificial de altíssimo nível proporciona combates únicos;
+ Bem desafiador;
+ Pitadas de suspense psicológico dão uma boa carregada no clima;
+ Sons ensurdecedores;
+ Efeito ???Bullet Time??? muito bem utilizado.


Contras:

- Pouca variedade de cenários;
- História mal desenvolvida. Chance perdida para explorar o clima sombrio criado;
- Multiplayer podia ter mais novidades interessantes.


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