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Review de The Warriors para PS2 de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Jogos baseados em filmes costumam ser oportunistas e sem alma, mas no caso da adaptação de The Warriors (Os Selvagens da Noite), de 1979, fica evidente que, acima de tudo, a Rockstar está declarando seu amor a um dos filmes que marcaram a década de 80.

Warriors falava de gangues de marginais nova-iorquinos. Não de simples meliantes como os de hoje em dia, mas pós-punks com estilo, gente que sabia valorizar um bom penteado e um jeans justo no corpo. Fora de moda, é verdade, assim como o gênero briga de rua no estilo Double Dragon no qual o jogo se inspira, mas para a Rockstar, é a oportunidade perfeita para explorar personagens interessantes, violência e tema politicamente incorreto, bem ao seu estilo.

Can you dig it?


Da tela de abertura, onde se vê a roda gigante de Coney Island idêntica ao filme, aos personagens modelados a partir dos rostos dos atores originais, se vê o nível de compromisso da Rockstar com a autenticidade da adaptação de The Warriors ao videogame. Este é o tipo de jogo que faz quem já viu o filme querer revê-lo, e quem não viu comprar o DVD para poder se divertir com as semelhanças.

Mas a Rockstar também expande a história do filme, apresentando fatos que antecederam o surgimento de algumas das gangues, até chegar no momento de partida da película, durante um encontro de gangues no Bronx, quando um líder chamado Cyrus convoca todas as gangues de Nova York a se unirem para controlar a cidade. No encontro Cyrus é assassinado, e os Warriors são apontados injustamente como responsáveis, o que desencadeia uma perseguição à gangue por parte de todos os malfeitores da cidade e também da polícia.

A história principal começa alguns meses antes do encontro, mas é possível voltar no tempo ainda mais através de missões de ???Flashback??? opcionais, que contam, por exemplo, como Cleon foi traído pelos Destroyers e criou os Warriors.

Uma casa abandonada em Coney Island funciona como Q.G dos Warriors e é um ???hub??? para acessar as várias missões e conteúdo extra do jogo. Passear pelo bairro, por exemplo, permite ouvir alguns diálogos hilários dos transeuntes, bem ao estilo Rockstar, bem como pichar, praticar assaltos, roubar lojas e até o som de um carro. Todos esses delitos funcionam como mini-games de mecânica bem simples, a partir de vibrações do Dual Shock, ou de simples desenhos via stick analógico, no caso das grafitadas no muro.

O dinheiro do crime serve para comprar ???Flash???, uma droga com funções de kit-médico, e o spray necessário para deixar a marca dos Warriors pelos muros de Nova York.

A maior parte da jogabilidade, entretanto, baseia-se na briga. Warriors é mesmo um Double Dragon moderno, em 3D, com uma ambientação espetacular e certa complexidade de movimentos, mas mantendo a essência da simplicidade que caracteriza o gênero. ?? um jogo de apertar botões, às vezes um pouco difícil, mas bastante accessível e casual.

Mesmo que sempre com o objetivo de socar e chutar a bunda alheia, há uma boa dose de variedade nas missões. Cada uma é feita por um Warrior, escolhido pelo jogo de acordo com sua especialidade. São todos bons de soco, mas cada um possui uma especialidade na hora da porrada. Rambrandt, por exemplo, é o artista do grupo, e suas missões geralmente envolvem pichar o muro do bairro inimigo, mas como tudo sempre envolve um ou muitas brigas, ele é capaz de dar seus murrinhos e até realizar alguns combos envolvendo um jato de spray no olho do inimigo.

Uma novidade interessante, inspirada nos jogos de combate em esquadrão, possibilita que o líder do grupo dê ordens aos demais, como ???Quebrem tudo???, ???Sigam-me???, ???Porrada neles???, ???Dispersar???. Estes comandos próprios do líder, ou ???Warchief??? como é chamado no jogo, funcionam com certa simplicidade e não chegam a agregar alguma tática, mas servem para realçar o aspecto hierárquico das gangues.

Mas o cenário é o que traz mais dinamismo ao combate. Como em GTA, a Nova York de The Warriors é uma cidade viva e extremamente detalhada. ?? possível pular cercas, se esconder, pegar objetos e arremessa-los contra o inimigo ou quebrar garrafas para fazer barulho em missões furtivas. E quase tudo no cenário pode ser usado como arma, de pedaços de madeira a cacos de vidro e bastões de beisebol.

Algumas missões inclusive são destinadas ao puro vandalismo, como quando ocorre um blecaute e os Warriors aproveitam para saquear as lojas ou simplesmente quebrar por prazer o que verem na frente.

Not for sissies


Como todo jogo da Rockstar, The Warriors carece de polimento no controle dos personagens e é potencialmente frustrante.

O controle é um tanto desengonçado, muito longe da elegância e precisão dos jogos de luta 2D, e os personagens, como em GTA ou Manhunt, se movimentam um pouco rápidos demais. A câmera também se complica em vários momentos, principalmente durante cenas de perseguição, quando é fixada em um ângulo que enfatiza o aspecto cinematográfico, com prejuízo da visão e controle.

Qualquer defeito, entretanto, é compensado pelo humor negro, politicamente incorreto e chocante da Rockstar, que a cada jogo se mostra mais evoluído. The Warriors é incrivelmente cool e engraçado, e ainda bate os recordes mundiais de palavrões ouvidos em um jogo.

Em uma luta contra a gangue dos ?????rfãos???, por exemplo, como se não bastassem os palavrões e insultos ditos pelos Warriors ??? ???Você acha que um bando de rejeitados pode com os Warriors????; ???Vem cá para trocar as suas fraldas seu $#&*!??? ??? o jogo coloca um grupo de mendigos por trás de uma cerca xingando e falando aquelas coisas típicas de quem se diverte com uma luta ??? ???Porrada nessas bichas!???, dizem eles. No simples ato de assaltar um cidadão existem zilhões de reações cômicas, como uma mulher que diz algo como ???Primeiro meu período [pré-menstrual], e agora isso!??? ou ???Este dinheiro era para comprar livros!???.

The Warriors é espetacular também em sua ambientação. Cenários do filme aparecem com grande fidelidade ao filme, e os guetos nova-iorquinos são muito bem modelados, num nível de detalhe superior ao de qualquer cidade de GTA. E tem também uma das melhores trilhas-sonoras dos últimos anos, aproveitando de várias das músicas originais do filme.

Extras


The Warriors é bastante longo, podendo durar de 15 a 20 horas apenas no modo principal. E ainda conta com alguns extras, como modo cooperativo para dois jogadores nas missões principais, um modo chamado ???Rumble??? onde é possível montar uma gangue e lutar em modos como ???Capture a garota??? e ???King of the Hill???, e até um mini-game desbloqueável chamado ???Armies of the Night???. Este último, acessado apenas após completar as missões principais e de ???Flashback???, é nada menos que uma cópia de Double Dragon com os personagens trocados pelos do filme.

O Veredicto:
Muito mais que uma versão moderna do estilo de briga de rua popular nos anos 80, The Warriors se destaca como uma adaptação soberba de um filme para o videogame. Até onde a câmera e o controle não atrapalham, há um bom jogo de luta para ser apreciado, mas são os personagens, os diálogos, a história, as músicas e a ótima ambientação que fazem a diferença desta vez. Altamente recomendado para os fãs dos Selvagens da Noite ou para quem gosta do estilo politicamente incorreto da Rockstar.


Prós:

+ Fácil de jogar. Um jogo de luta casual;
+ Ambientação incrível;
+ Fiel ao filme. Um trabalho de amor;
+ Diálogos e falas memoráveis;
+ Excelente trilha-sonora;
+ ??timos penteados;


Contras:

- Jogabilidade de ???massacrar botões??? básica;
- Controle um tanto desengonçado;
- Câmera ruim;
- Potencialmente frustrante.


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Outer Space
8/ 10
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