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Review de Gun para X-Box de Outer Space

por Giordano Trabach, fonte Outer Space, data  editar remover


Na indústria de jogos, a moda do momento é tentar copiar a série Grand Theft Auto. Enquanto algumas produtoras se limitam a imitar a fórmula mágica da Rockstar sem se preocupar com novidades relevantes, outras tentam imaginar o que poderia ser adicionado para agregar valor e dar um leve ar de originalidade ao seu jogo.

Nesta filosofia, a escolha da Neversoft, produtora da famosa série Tony Hawk???s Pro Skater, foi por um jogo cinemático, repleto de talentos vocais hollywoodianos, e um tema ainda pouco explorado: o velho oeste. O resultado é Gun.

Colton White???s Pro Hitman


Apesar de ser praticamente uma novata no gênero de ação, a Neversoft mostrou que, além de skates, conhece bem tiros. Gun consegue unir todos os elementos necessários a uma boa aventura no velho oeste: Um mocinho durão e rápido no gatilho, uma garota sedutora, um vilão pra lá de malvado, um prefeito corrupto, um enredo interessante e com personagens cheios de personalidade, e muito bang-bang.

O jogo conta a história de Colton White, um atirador que vive da caça de animais e trabalha com seu com seu pai, Ned White. Um certo dia, enquanto cumpriam uma missão a bordo de uma embarcação, ambos são atacados por um grupo de malfeitores liderados por um estranho sacerdote, que procurava um misterioso item. Na batalha, Ned acaba morrendo, mas consegue delegar uma última missão ao seu filho: Levar uma pedra preciosa à cidade de Dodge e procurar a garota Jenny.

Gun é muito pautado por esta história principal, e ela é, sem dúvida, um dos seus grandes destaques. O enredo flui de forma natural e agradável, fazendo com que a grande quantidade de diálogos e interlúdios cinematográficos não cheguem tornar o jogo cansativo. Muito pelo contrário. A boa mistura de elementos narrativos, como traições, vinganças, punições severas, muita violência, e o envolvimento de personagens cheios de carisma e personalidade nos mantém sempre curiosos para saber o que vai acontecer em seguida.

O grande problema na história fica para sua duração: Seguindo apenas as missões Story do modo principal, sem preocupar com as ???side quests???, Gun é um pouco pequeno, podendo ser finalizado em cerca de 8 horas.

Gatilho mais rápido do oeste


Outro ponto muito positivo em Gun é a sua mecânica simples e intuitiva. Apesar de ser uma ação em terceira pessoa, seus controles imitam os de um shooter em primeira pessoa, com o analógico esquerdo sendo utilizado para a movimentação de Colton, o direito para mover a câmera/mira e os triggers para o acionamento das armas primárias e secundárias. Com esta disposição, os combates se mostram agradáveis mesmo para quem não está muito acostumado com jogos de ação.

Como a maioria das missões de Gun são bem movimentadas, um sistema de mira auxilia o jogador na precisão dos seus disparos. Ele não chega a travar o retículo em um inimigo, como vários jogos fazem, mas tende a acompanhá-lo levemente, o que é bem útil principalmente quando estamos cavalgando.

O botão Y liga um modo especial chamado ???Quick Draw???, que é similar ao já manjado ???bullet time??? e fica ativo por um determinado tempo. Acionando-o, um zoom é dado, a perspectiva passa para primeira pessoa e a ação se torna lenta, permitindo uma maior precisão.

A jogabilidade também se mostra excepcional quando Colton está conduzindo os ???veículos??? de Gun, que são os cavalos. Estes animais são simples de controlar, reagem muito bem aos comandos e ainda têm um realismo enorme, tanto visualmente quanto nas reações e animações. Assim como é prazeroso pegar um conversível para ficar rodando pelas cidades de GTA, é agradável ficar passeado a cavalo pelas planícies de Gun.

Quando montado, o botão B, que antes servia para abaixar, agora é utilizado para dar leves chutes com o calcanhar na barriga do cavalo, como se estivéssemos dando esporadas. Com isso, os galopes aumentam e, conseqüentemente, a velocidade. Um exagero nos sprints causa um desgaste excessivo ao animal, podendo levá-lo até à morte.

Pistoleiro e cowboy


Como não podia deixar de ser, Gun tem muito tiroteio, mas conta também com muitos tipos de missões diferentes e interessantes. Além de fazer tarefas comuns, como matar determinados sujeitos e gangues, Colton também deve proteger construções ou pessoas, recuperar um cavalo roubado, fazer emboscadas, participar de perseguições a trens, escoltar carruagens, escapar de prisões, demolir obstáculos, apostar corridas a cavalo, e mais. Um personagem específico, que é um fazendeiro, nos dá missões ainda mais inusitadas, como reunir um rebanho e conduzi-lo ao curral ou procurar vacas perdidas e trazê-las de volta à fazenda.

As missões são divididas em dois tipos: Story e Side. O primeiro é obrigatório e vai dando seqüência à história do jogo, enquanto o segundo é opcional, servindo apenas para nos divertir, aumentar as nossas habilidades ??? montaria, arma de fogo, arma de combate próximo, etc ??? e ganhar uma grana extra. O dinheiro é utilizado para compra de novas armas, itens e upgrades, que são vendidos por comerciantes.

Existe até alguma variedade de coisas para se comprar, mas muitas delas não são tão úteis. A grande maioria dos itens, que são as melhorias para armas, como maior poder de fogo, pente de munição maior e menor tempo de recarga, não fazem tanta diferença prática. Em relação às próprias armas, as melhores são conseguidas nas durante as missões, então não justifica gastar dinheiro com outras. Acaba que só uma ou outra coisa realmente vale a pena comprar.

Visual árido


Tecnicamente, Gun se mostra bom o suficiente. Os gráficos são competentes, os cenários vastos, mas um pouco pobres de detalhamento quando fora das cidades. Isso pode ser justificado em parte pela ambientação do jogo, uma vez que não existe mesmo muito que se ver em regiões semi-desérticas além de areia, montanha e pedra. A animação, às vezes, é meio desengonçada, mas cumpre bem o seu papel.

A inteligência artificial fica devendo também em certos momentos, diminuindo o desafio. Os inimigos se movimentam bem, procuram abrigo, expõem a silhueta para atirar e depois se escondem, mas alguns cismam em ficar parados e se tornam alvos muito fáceis.

Durante as missões, Gun parece rodar sobre alguns scripts que conflitam com a idéia de um jogo que nos dá total liberdade de exploração permite. Parece que os produtores resolveram prever quais os caminhos mais prováveis que os jogadores escolherão para cumprir uma missão e montaram scripts baseados neles. Se resolvermos tomar um caminho bem inusitado, por exemplo, parece que pegamos os inimigos desprevenidos e estes não sabem como reagir com à situação. Fica uma impressão de que a missão não está ocorrendo como planejado.

A parte sonora é muito boa, principalmente no que diz respeito às vozes. Atores de Hollywood, como Thomas Jane e Kris Kristofferson fazem as vozes de alguns dos personagens, e garantem ainda mais personalidade a eles.

Gun também respeita os ouvidos do jogador com um trilha sonora de qualidade, assim como bons efeitos de explosão, tiro e, principalmente, galope dos cavalos.

O Veredicto:
Apesar de curto e com alguns scripts mal implementados, Gun é uma mistura competente de bons tiroteios com o estilo de jogo aberto popularizado por Grand Theft Auto, construído nas bases do pouco explorado tema do velho-oeste. ?? também um jogo gostoso de jogar, graças a uma história simples e bem contada e a um controle de boas respostas e fácil de dominar.


Prós:

+ História interessante e imersiva;
+ Tem uns dos melhores cavalos já vistos em um jogo;
+ Jogabilidade agradável;
+ Personagens cheios de personalidade, e com ótimas dublagens;
+ Missões interessantes e bem variadas;


Contras:

- O modo principal de história podia ser maior;
- Alguns scripts não foram tão bem planejados;


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Outer Space
8/ 10
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